No segmento de ônibus as vendas regionais na América Latina representam um negócio bilionário para empresas instaladas no Brasil, envolvendo em cada negociação o fabricante do chassis, o encarroçador, o representante comercial, o representante operacional que valida o produto e o cliente final. Para atender a esta demanda, em que custo de cada unidade ultrapassa alguns milhões de reais, é estratégico conceber o veículo certeiro para cada aplicação, após muita integração das equipes de relacionamento, vendas e engenharia com os compradores. Assim a Mercedes-Benz recentemente fechou uma de suas maiores exportações do ano para o Chile, com a venda de cem ônibus especialmente preparados para transportar mineiros até o topo da Cordilheira do Andes.
O negócio demandou atualizações importantes nos produtos para operações em condições extremas, incluindo a adoção de motor de maior potência para enfrentar as duras subidas da cordilheira chilena, que já atende à legislação de emissões equivalente à Euro 6 do país, além de reforços estruturais e introdução de sistemas de segurança ativa e passiva.
“O Chile é o principal mercado da América Latina, cujas necessidades dos clientes estão em transformação, por isto nossa engenharia no Brasil trabalhou numa nova configuração do chassis O 500 para diversos tipos de operação rodoviárias intermunicipais em condições severas”, relata Augusto França, gerente de vendas e marketing de ônibus da Daimler. “Precisávamos de um motor mais potente, transmissão e eixos mais robustos, além de novos sistemas de segurança solicitados pelas companhias de mineração e compatíveis com exigências internacionais. Com o O 500 equalizamos as tecnologias dos veículos produzidos na matriz, na Alemanha, com os fabricados no Brasil.”
A reportagem de AutoData passou pela experiência de viajar a bordo do O 500 andino, de Santiago até o Vale Cachapoal, nos Andes, 120 quilômetros ao Sul da capital chilena, próximo à cidade de Rancagua. De fato potência não falta. Tanto nas autoestradas chilenas como nas subidas íngremes, estreitas e cheias de curvas, o chassi RDS 2548 6×2, com carroçaria rodoviária Irizar, parecia estar fazendo um passeio no parque. Em nenhum momento demonstrou qualquer dificuldade em superar os aclives nas montanhas tampouco faltou força nas ultrapassagens, quando o trânsito demandou potência para superar os perigos que os lentos motoristas chilenos representam nesses trajetos.
CHASSIS CUSTOMIZADO
Esta reportagem foi publicada na edição 428 da revista AutoData, de Dezembro de 2025. Para ler ela completa clique aqui.
Foto: Mercedes-Benz