Rota 2030 abrirá o mercado. De maneira definitiva.

O fim das cotas de veículos e o pênalti dos 30 pontos porcentuais para as empresas importadoras, iniciados no período do Inovar-Auto para tornar mais competitiva as operações dos fabricantes locais, desde sempre foi um ponto polêmico do regime automotivo que se encerra em dezembro. Nos bastidores é certo que essas barreiras à importação cairão, mas as razões são maiores desta vez:

 

“Foi iniciativa do governo propor que as empresas, no Brasil, deixassem de disputar um mercado de pouco mais de 2 milhões de unidades para se credenciarem a um mercado de 90 milhões de unidades”.

 

A afirmação é de Luis Rezende, presidente da Volvo Cars, que participa dos grupos de trabalho do Rota 2030 representando os interesse da associação dos importadores, a Abeifa. Ele está bastante otimista que todas essas barreiras cairão em 1º de janeiro, abrindo definitivamente o mercado interno: “Será uma grande surpresa caso não aconteça”.

 

Além da principal razão, que seria evitar uma ação na OMC, Organização Mundial do Comércio, a novidade é que estão construindo uma política industrial que coloca o País como um verdadeiro competidor global daqui em diante.

 

“O Brasil já está pronto para ser uma base de produção global relevante pelo simples fato de que já temos tudo aqui: fábricas, engenharia e mercados vizinhos interessantes.”

 

E o primeiro passo será abrir definitivamente o mercado interno. As possibilidades são enormes para os importadores que, não é de hoje, reclamam da impossibilidade de melhorar suas vendas. Como reforça durante as apresentações da Abeifa seu presidente, José Luiz Gandini:

 

“O comportamento dos dados de licenciamentos dos importados este ano continua mostrando claramente que as empresas associadas à Abeifa estão impedidas de comercializar seus produtos fora de suas respectivas cotas. É bem verdade que os consumidores brasileiros estão retraídos. Mas, no caso dos importados, isso se deve ao regime de exceção, no qual as associadas estão limitadas à cota de até 4,8 mil unidades por ano. Em qualquer unidade vendida fora dessa cota o preço final ao consumidor fica sem competitividade. Por isso ninguém está vendendo fora da cota”.

 

Ainda é cedo para estimar o volume do mercado de importados em 2018 – mas o horizonte se apresenta muito mais promissor para essas empresas com o advento do Rota 2030.

 

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Venda diária próxima de 10 mil veículos em agosto

Até quarta-feira, 30, foram emplacados 188,3 mil veículos no País, a uma média de nove mil licenciamentos por dia, de acordo com dados do Renavam, Registro Nacional de Veículos Automotores, apresentados à AutoData por uma fonte do mercado. Se o ritmo for mantido até o dia 31, os emplacamentos serão por volta de 215 mil unidades, o melhor desempenho de vendas do setor desde dezembro de 2015.

 

“Os últimos dois dias do mês é o período em que as concessionárias realizam um esforço de venda para bater as metas estabelecidas, e isso culmina em vendas acima da média no mês. Na quarta-feira e quinta-feira, os volumes deverão variar de 10 a 15 mil unidades, o que leverá o setor a contabilizar por volta de 215 mil unidades”, disse a fonte ouvida pela reportagem, que também sinalizou para otimismo nas montadoras: “A General Motors projeta vendas totais próximo às 217 mil unidades”.

 

Do volume de veículos licenciados, 48% foram feitos por meio de venda direta. O perfil predominante de cliente é de profissionais que compram veículos em nome da empresa para trabalhar, como micro e pequenos empreendedores. O volume citado envolve também os emplacamentos de caminhões e ônibus.

 

Apesar de denotar uma recuperação das vendas no mercado nacional – que vinha abaixo da casa dos 200 mil desde então – o volume segue distante do patamar observado em 2013, quando os licenciamentos mensais eram maiores do que 300 mil unidades.

 

De janeiro a julho deste ano foram emplacados 1 milhão 204 mil 260 veículos no País, a uma média diária de 9 mil veículos. O volume foi 3,4% maior do que o verificada no mesmo período em 2016. Para a Anfavea, o desempenho traduz a confirmação da retomada das vendas de automóveis e diminuição das perdas no segmento de caminhões.

 

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Brasil terá 90 dias para suspender subsídios à indústria

A OMC, Organização Mundial do Comércio, deu prazo de noventa dias para que o Brasil suspenda sete programas de apoio à indústria questionados pelo Japão e pela União Europeia e considerados subsídios ilegais na decisão do painel que analisou os casos. As informações são da Agência Reuters. O governo brasileiro recorrerá pelo menos de parte da decisão tomada pelo painel da OMC, informou o subsecretário de assuntos econômicos e financeiros do Itamaraty, Carlos Márcio Cozendey.

 

A decisão deve estender o prazo para o Brasil ser obrigado a implementar as medidas até pelo menos metade de 2018. A apelação só pode ser feita a partir de 19 de setembro, e o Brasil tem sessenta dias para apresentá-la. O órgão de apelação leva em média noventa dias para tomar uma decisão mas, com processos atrasados, a resposta tem sido mais demorada. É tempo suficiente para que alguns programas sejam modificados ou até mesmo acabem, como o regime automotivo Inovar-Auto, que vale apenas até dezembro: 

 

“Há uma consciência muito clara e um esforço para que programas que eventualmente substituam os existentes não tenham os problemas mencionados. Uma das razões para fazer a apelação é definir melhor os espaços que existem nesses instrumentos”.

 

Alguns pontos, disse o embaixador, nem mesmo valem ser citados na apelação, “pois reforçam legislação já tradicional da OMC”.

 

De acordo com o relatório os programas estabelecidos pelo Brasil taxam excessivamente produtos importados na comparação com os nacionais, usando subsídios proibidos por darem vantagens competitivas a empresas tendo como base regras de uso de conteúdo local ou desempenho em exportações.

 

Segundo o embaixador o documento reconhece que a OMC permite concessão de benefícios para produtores locais. O que está em questão é a forma como está feito:

 

“Todos os programas oferecem algum tipo de redução de impostos que incidem diretamente sobre produtos. Na análise temos duas dimensões do incentivo: as reduções e, por outro lado, os requisitos que as empresas têm que cumprir”.

 

Esse formato de incentivo traria condições desiguais de competição. Cozendey esclareceu que a exigência de conteúdo local, prevista em alguns dos programas, são proibidas por normas da OMC.

 

A OMC analisou sete programas de incentivos fiscais e a redução do imposto sobre produtos indistrializados,  nas áreas de telecomunicações, automóveis, informática e de ajuda a exportadores em geral. O Inovar-Auto e a Lei de Informática foram programas questionados na organização.

 

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Siemens compra empresa de software

A Siemens anunciou a compra da empresa Tass, que atua na área de simulação digital. A estratégia por trás da aquisição é a de fortalecer o desenvolvimento no campo da direção autônoma.

 

A empresa vai combinar o software da Tass, que é capaz de simular tráfego de automóveis, com seus próprios sistemas de simulação desenvolvidos pela unidade de negócio Siemens PLM Software. A conclusão do processo de compra está prevista para setembro deste ano.

 

Foram investidos US$ 6 bilhões em fusões e aquisições nos últimos quatro anos pela PLM. Em 2013, a LMS se fundiu à Siemens. Em 2016, a CD-Adapco foi incorporada. Por último a Mentor Graphics, empresa de automação de design eletrônico.

 

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Mercedes-Benz convoca recall

A Mercedes-Benz anunciou na quinta-feira, 30, recall de 1 mil 538 unidades dos modelos Classe A 200, Classe B 200 e CLA 200, fabricados de outubro de 2012 a agosto de 2013, por causa de uma falha que compromete a frenagem dos veículos.

 

O defeito apontado pela montadora nos veículos é a possibilidade da tubulação de vácuo auxiliar do freio se romper. Caso ocorra, poderá diminuir a capacidade de frenagem e até incapacitar todo o sistema de freios.

 

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Hyundai para produção na China

A Hyundai suspendeu a produção de quatro fábricas na China após parada do fornecimento de tanques de combustível. O fornecedor do componente alegou falta de pagamento da montadora como motivo para suspender o envio dos tanques.

 

A fabricante e seu único sócio local, a Baic Motor, possuem capacidade instalada para produzir mais de 1,6 milhões de veículos por ano. São produzidos no país mais de dez modelos incluindo o sedã Elantra e o SUV Santa Fe.

 

O ano de 2017 tem sido desafiador para a Hyundai. Afora essa crise de abastecimento, a companhia viu suas vendas diminuírem no primeiro semestre deste ano em 42% na comparação com o semestre do ano passado.

 

A batalha por preço com outros competidores no mercado chinês tem sido desfavorável à companhia. 

 

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Aston Martin produzirá veículo elétrico

A Aston Martin confirmou que produzirá carros elétricos em 2019. O modelo, que deverá se chamar Rapid-e, surge como indicador de que a empresa, assim como outras fabricantes europeias, apostará na eletrificação como forma de reduzir emissões. O Reino Unido, terra natal da Aston Martin, anunciou que pretende proibir a venda e novos veículos que são movidos a gasolina ou a diesel, e isso deve acontecer a partir do ano de 2040. Além disso, o país quer retirar das ruas todos os carros com essas características a partir do ano de 2050.

Ambev renova sua frota com caminhões VW

A MAN Latin America vendeu 417 caminhões para a Ambev. Essa foi uma das maiores vendas da montadora nos últimos anos, segundo Marcos Saltini, diretor de relações governamentais e institucionais. As entregas já começaram para preparar as transportadoras parceiras da Ambev para o final do ano, o melhor período de vendas de bebidas.

 

Segundo a MAN, os modelos escolhidos pela Ambev foram Delivery 13.160, Worker 17.190 e Worker 23.230, caminhões vocacionados para esse tipo de transporte. Para Saltini, o negócio confirma a parceira com a fabricante de bebidas que já dura há 20 anos: “Vender mais 400 veículos nesse mercado, devemos sim comemorar”.

 

Roberto Cortes, presidente da MAN, disse que a montadora foi a primeira a desenvolver caminhões vocacionais, com especificidade para o transporte de bebidas no País: “Graças à nossa parceria de cerca de vinte anos, fomos a primeira montadora a desenvolver veículos vocacionais para a distribuição de bebidas, fato que nos motiva e desafia a buscar a excelência e estar sempre na frente”.

 

Guilherme Gaia, diretor de Procurement da Ambev, disse que com o negócio a companhia poderá dar início à renovação de sua frota: “A parceria com VW Caminhões também reforça o nosso compromisso com sustentabilidade”. A cervejaria, que já tem uma das mais modernas frotas terceirizadas em circulação do país, tem entre as suas metas públicas de meio ambiente a redução de 15% das emissões de carbono das operações de logística até o fim de 2017.

 

O contrato com a Ambev prevê também manutenção sob medida para a aplicação, com o objetivo de proporcionar o melhor TCO, ou Custo Total de Operação, na tradução: “A VW é um antigo parceiro nosso e extremamente estratégico. Nossa parceira nos permite alcançar nossos desafios, com um caminhão em constante desenvolvimento”.

 

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FCA inicia exportação do Mobi para o Uruguai

A FCA começou a exportar o Fiat Mobi para o Uruguai. O modelo terá duas versões no país, a Easy, ao preço de US$ 11 mil 690, e a Easy On, ao valor de US$ 12 mil 890. E terá quatro cores à venda. A garantia será de dois anos ou 50 mil quilômetros rodados. Segundo a FCA, o modelo já é exportado para a Argentina, Paraguai e México. Para este último país, os embarques começaram em janeiro.

 

O Mobi foi lançado no Brasil no ano passado e chegou para ser uma das armas da Fiat para voltar ao topo no ranking de vendas. Hoje, no País, ele ocupa a 8ª posição, com vendas de 29 mil 993 unidades, de acordo com dados da Fenabrave.

 

Goodyear exporta metade de sua produção paulista

A Goodyear direciona, atualmente, 50% da produção de pneus das fábricas de Americana e Santa Barbara d’Oeste, SP, para o mercado externo, estratégia que se intensificou a partir da queda do mercado de veículos no País, em 2013. O investimento de US$ 240 milhões em expansão da capacidade de produção, finalizado em 2015, transformou a operação brasileira em plataforma de exportação para a América Latina e outros países, inclusive os Estados Unidos.

 

A redução do volume das vendas para o mercado OEM ocorreu paralelamente a um processo de busca de novos mercados vizinhos, caminho trilhado pela maioria das empresas que buscaram alternativas ao desaquecimento interno. No caso a Goodyear explorou os segmentos que apresentavam crescimento acentuado em cada país.

 

De acordo com seu gerente de qualidade e produção, Aécio Perroni, “a produção para a reposição se manteve estável na medida em que íamos avançando em outros setores fora do Brasil, onde apareceram oportunidades interessantes. Com capacidade maior de produção passamos a exportar para Chile, Estados Unidos e Peru, por exemplo”.

 

Perroni, que é o responsável pelas linhas das duas fábricas do interior paulista, contou que desde o ano passado a empresa passou a enviar, ao Chile e ao Peru, pneus da linha OTR, fora de estrada, para aplicação em mineração. Outra demanda atendida pelas unidades de São Paulo é a de pneus para light trucks produzidas nos Estados Unidos.

 

A produção voltada para o Exterior ajudou a Goodyear a manter em funcionamento os três turnos da sua produção local, quadro pouco recorrente no setor automotivo, no qual a tônica a partir de 2013 foi a de reduzir a produção como resposta à baixa demanda do mercado interno e às incertezas de um mercado externo pouco explorado. “Conseguimos segurar o número de funcionários de 2013 para cá. Foram feitas algumas mudanças em áreas pontuais, mas nada que gerasse grandes impactos.”

 

Futuro – De acordo Perroni, ainda que as exportações representem oportunidades de negócio para a empresa, a partir de 2018 o cenário da produção poderá ser favorável ao mercado interno de originais. Isso porque são esperados lançamentos de novas famílias de veículos e de novos modelos de SUVs. A Volkswagen, que anunciou recentemente a produção dos modelos Polo e Virtus, e a General Motors, que investirá na expansão de linhas nas fábricas brasileiras, são parceiras comerciais mais próximas e deverão contar com pneus Goodyear em seus carros novos.

 

A própria projeção da empresa para seus negócios este ano indica crescimento no mercado de originais e estabilidade na reposição. Nos Estados Unidos a expectativa é a de que as vendas às montadoras sejam 4% maiores no fechamento do ano, e na Europa a expectativa de crescimento é de 2%.

 

No segundo trimestre deste ano, segundo balanço divulgado em julho, foram vendidos, em todo o continente americano, 17,1 milhões de pneus Goodyear, queda de 9,2% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, em função da diminuição das vendas para reposição nos Estados Unidos.

 

De Americana, SP / Foto: Divulgação