Onde estão as menores taxas do mercado?

As taxas de juros nos financiamentos de veículos oferecidos pelos bancos das montadoras são menores do que as de bancos de varejo, de acordo com dados do Banco Central. Na primeira semana de agosto, por exemplo, a menor taxa era praticada pela BMW Financeira, com 12,33% ao ano, e a menor taxa de um banco de varejo era quase o dobro, 20,46% ao ano, oferecida pela Alfa Financeira. Depois dos da BMW Financeira os juros mais baixos praticados no mercado são 12,68% ao ano do banco da Mercedes-Benz e 13,15% ao ano do Banco PSA.

A diferença nas taxas de juros ocorre porque os bancos das montadoras têm interesse estratégico alinhado com suas empresas, para incentivar as vendas e diminuir os seus estoques nos pátios, de acordo com Marcelo Prata, fundador da plataforma Canal do Crédito: “Os bancos das montadoras são focados nos financiamentos de veículos enquanto os de varejo atendem clientes dos mais variados perfis para diferentes produtos. Por esse motivo seu risco é maior e, consequentemente, a taxa de juros é mais alta. É como se os bancos das montadoras se autofinanciassem e, por esse motivo, podem praticar taxas de juros mais agressivas”.

Segundo ele as taxas de juros dos bancos de montadoras costumam ser menores, mas a disparidade com os bancos tradicionais diminui quando o mercado está aquecido e as vendas em alta.

Concessão de crédito – Com a recuperação nas vendas de veículos o volume na concessão de crédito deve aumentar este ano, de acordo com a Anef, Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras. A entidade revisou para cima sua projeção do total de liberação de recursos para financiamentos em 2017, com alta de 10,2% contra a estimativa de 5,5% do início do ano. A entidade calcula que serão liberados R$ 90,6 bilhões em novos contratos em 2017 contra R$ 82,2 bilhões em 2016.

Segundo Luiz Montenegro, presidente da Anef, o aumento na projeção se deve à combinação de fatores econômicos como a queda na Selic, a inflação sob controle, a estabilização da taxa de desemprego e a projeção de crescimento do PIB para 2018:

“A estabilidade econômica provoca aumento da confiança do consumidor, o que, aliado à demanda reprimida, deverá aumentar a venda de veículos no segundo semestre. Mas será uma retomada lenta e gradual no setor automotivo”.

Só no primeiro semestre deste ano os bancos de montadoras e de varejo liberaram R$ 45,8 bilhões, o que representa alta de 18,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior, R$ 38,6 bilhões.

Novos veículos puxarão negócios da ABB no País

O ciclo de lançamentos de veículos no País, que deve se intensificar a partir de 2018 com a chegada de novas famílias de compactos e modelos inéditos de SUVs, é visto pela fabricante de robôs ABB como a oportunidade de expandir suas vendas na região, diversificar a oferta na área de serviços e aumentar o número de máquinas conectadas dentro dos clientes que dão os primeiros passos no universo da indústria 4.0.

A companhia, que segundo seus cálculos possui, no mercado brasileiro, 5 mil robôs em atividade com a sua logomarca – dentre os quais 70% estão dentro do setor automotivo –, afirmou que historicamente os períodos de lançamentos são marcados por volumes maiores de vendas de robôs. As novas linhas trazem a reboque equipamentos mais avançados para a montagem das carrocerias dos veículos, e este panorama é favorável aos negócios da ABB no Brasil.

Para seu gerente da divisão de serviços, Cássio Scarpi, ainda que o mercado esteja retomando o ritmo de vendas internamente, o que em tese refletiria no desempenho da empresa, muitos dos clientes hoje trabalham na finalização de projetos que envolvem mais automação nas fábricas: “Muita coisa está sendo feita neste momento, mesmo que o mercado esteja longe dos volumes de vendas de 2013. Chegarão novos produtos e, com eles, linhas mais modernas. Já temos diversos pedidos fechados com montadoras instaladas daqui”.

Levantamento feito pela consultoria IHS, especializada no setor automotivo, indicou onze lançamentos para 2018 utilizando como base a análise do ciclo de desenvolvimento das montadoras nos últimos anos. São esperadas novidades na BMW, Chery, Mercedes-Benz, Hyundai, Mitsubishi, PSA, Renault Nissan, Jaguar Land Rover, Toyota e Volkswagen.

Scarpi afirmou que as conversas com fabricantes e sistemistas se encontram em ritmo avançado no que diz respeito aos novos projetos de linhas de montagem: “Excluindo a FCA, que tem como fornecedor de equipamento de automação uma empresa do próprio grupo, os demais fabricantes são clientes globais que estão otimistas sobre os próximos anos a ponto de se prepararem para um aumento da demanda”.

O executivo disse, também, que afora a renovação do ciclo de alguns veículos a chegada de novos equipamentos servirá para aumentar o índice de automação da indústria brasileira: “O gosto do consumidor brasileiro demanda veículos com mais tecnologia, da estrutura ao acabamento, e as fabricantes estão buscando mercados mais exigentes nas exportações. A reformulação das linhas inaugura um novo período para o setor automotivo no caminho da conectividade”.

A ABB, ex-Asea Brown Boveri, neste sentido, planeja dobrar o número de robôs conectados no Brasil – aqueles que trocam ideias nas linhas de montagem –, chegando a cem unidades até o fim do ano.

Dados de pesquisa divulgada durante o Fórum Econômico Mundial, em janeiro, indicam que o Brasil está na 81ª posição em ranking de competitividade que conta com 138 países. Enquanto o nosso parque industrial conta com dez robôs para cada 10 mil funcionários a Coreia do Sul, líder do índice, soma 478. O governo, na semana passada, deu indícios de que pavimenta o caminho para a chegada de mais equipamentos de automação no País, ao anunciar que zerou a alíquota para a importação destes itens e outros ligados ao setor de autopeças.

Remanufatura – A ABB, que importa os robôs vendidos aqui, possui cinco unidades no País: uma em Blumenau, SC, um centro de distribuição e uma fábrica de motores e equipamentos de baixa tensão para o setor elétrico em Sorocaba, SP, um centro de distribuição e uma fábrica em Guarulhos, SP. Nesse último funciona linha de produção de equipamentos para o setor elétrico, centro de desenvolvimento em robótica e, nos últimos meses, uma área de remanufatura de robôs. A nova célula faz parte de um processo de diversificação da oferta da empresa em serviços:

“Percebemos que muitos setores que estão começando a se automatizar compraram equipamentos usados, e também há clientes tradicionais que decidiram apostar na manutenção dos seus robôs em vez de comprar equipamentos novos. É um mercado pouco explorado no Brasil”.

O centro de remanufatura é o primeiro da empresa na América Latina e tem capacidade para reparar trezentos componentes por ano. Sua concepção foi espelhada na unidade que a ABB possui na República Tcheca, em Ostrava. O equipamento que passa pelo processo, segundo Scarpi, chega a custar de 60% a 70% do valor de um novo.

Great Wall mais longe de comprar a FCA

A Great Wall Motor informou, e o site da prestigiosa Automotive News publicou, na terça-feira, 22, que não vê perspectivas de um acordo com a FCA, Fiat Chrysler Automobiles, a respeito de assumir sua divisão Jeep. Um dia, apenas, depois de manifestar seu interesse pela divisão Jeep da FCA a Great Wall disse que existem “grandes incertezas” com relação à sua disposição de continuar a estudar um eventual acordo de compra com a FCA.

Esse padrão de informação consta em comunicado da fabricante chinesa de automóveis, com base em Baoding, enviado à Bolsa de Valores de Xangai. Diz, também, que “os esforços da empresa chinesa não geraram progressos concretos até agora”, e que não estabeleceu, até agora, as conversas necessárias com o conselho de administração da FCA.

O CEO da FCA, Sergio Marchionne, fez uma especulação sobre o acordo no mês passado, quando disse que avaliaria a oportunidade de se desfazer de algumas empresas. A marca Jeep ancora operações automotivas de mercado da FCA e tem sido foco-chave de expansão. Estudo do Morgan Stanley avalia a Jeep em cerca de US $ 24,2 bilhões, US $ 4,7 bilhões a mais do que o valor de mercado do grupo todo.

É improvável que a Fiat pretenda vender a apenas a marca Jeep, dissociada das marcas Dodge, Ram e Chrysler. A Great Wall também poderia encontrar dificuldades para obter a aprovação da regulamentação chinesa devido a restrições recentes sobre a saída de capital, informaram em relatório analistas do Deutsche Bank, Vincent Ha e Fei Sun. Uma aquisição também exigiria a aprovação de órgãos governamentais dos Estados Unidos, EUA, o que poderia ser complicado sob a administração atual, disseram eles em nota: “Não podemos ignorar os potenciais obstáculos políticos envolvidos em uma potencial fusão”.

As ações da Great Wall foram suspensas na negociação em Hong Kong e Xangai na terça-feira, 22, com as bolsas aguardando esclarecimento sobre o assunto.

Consumidor quer carro mais tecnológico

Uma pesquisa com as principais tendência de mobilidade foi apresentada durante a palestra A expectativa do consumidor, realizada por Rogério Monteiro, diretor geral da área automotiva da IPSOS, durante o Seminário AutoData Os Novos Desafios da Indústria Automotiva Brasileira. O levantamento foi feito com mais de dez mil pessoas de nove países: Brasil, Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha.

O brasileiro ficou em segundo lugar, com 44%, na preferência por condução autônoma, atrás apenas da China, com 57%: “Metade dos brasileiros se mostra disposto a dirigir veículos autônomos, independente da infraestrutura. Pode ser um fator para impulsionar as montadoras a desenvolver a tecnologia dos autônomos”.

Outro dado interessante é que o brasileiro é o mais preocupado com segurança de dados nos carros conectados e com condução automatizada. Segundo a pesquisa, 59% dos brasileiros têm receio de fraudes e roubo de informações, seguidos por 54% dos espanhóis e 53% dos franceses.

Os itens de tecnologia embarcada dos veículos como opções de serviços preferidos pelos brasileiros são localização do veículo, serviço de emergência, recarga inteligente em veículos elétricos, previsão de tráfego e comunicação carro a carro: “A tecnologia pode ser boa, mas ela tem que ser intuitiva, rápida, simples e fácil de ser usada”.

Bosch projeta alta demanda por conectividade

A Bosch projetou crescimento de 25% no volume de veículos conectados até 2025, chegando a 250 milhões de carros em circulação no mundo todo. O cenário traçado estimulou a companhia a investir na oferta de serviços ligados à conectividade. O mais recente esforço foi a construção de um centro de armazenamento de dados, ou datacenter, na cidade de Bremen, na Alemanha.

Segundo Besaliel Botelho, presidente da Bosch do Brasil, serão reunidos nos servidores do local os dados gerados pelos veículos conectados que possuem os sensores da empresa: “O investimento foi de € 1 bilhão no local e mostra como a empresa está se preparando para atender uma demanda que será importante no futuro”. O executivo disse também, durante o Seminário AutoData Os Novos Desafio da Indústria Automotiva Brasileira, que a estratégia faz parte de um novo pacote de serviços ligados à internet com lançamento esperado para 2018.

O serviço citado é o Bosch Automotive Cloud Suite, anunciado em março deste ano. Em linhas gerais, é uma plataforma de software por meio da qual os clientes desenvolvam serviços de mobilidade, seja diagnóstico preditivo ou estacionamento on-line. A oferta da Bosch é fruto de uma parceria com a TomTom e também com os provedores chineses AutoNavi, Baidu e NavInfo.

Botelho justifica os esforços da companhia na área de serviços de tecnologia com o atual rumo que a arquitetura dos veículos esta tomando, principalmente após a popularização de motores menores e mais eficientes: “Um motor elétrico tem 200 partes. A combustão, mais de mil. Existe uma transformação total do powertrain no que diz respeito à cadeia de fornecedores. A transformação vai acontecer, as montadoras e os sistemistas estão atentos a isso, e no futuro haverá uma combinação nas tecnologias destes dois lados do setor”. De acordo com balanço da companhia do ano passado, as vendas na área de soluções de mobilidade cresceram 7% na comparação com as vendas de 2015.

General Motors conecta 200 mil carros na América Latina

A General Motors atingiu a marca de 200 mil veículos conectados na América Latina por meio do sistema OnStar, a maioria deles no modelo Chevrolet Onix, disse Péricles Mosca, diretor de OnStar e Maven da GM, durante o Seminário AutoData Os Novos Desafios da Indústria Automotiva Brasileira.

O OnStar surgiu há 20 anos nos Estados Unidos e tem em todo o mundo sete milhões de usuários. No Brasil foi lançado em setembro de 2015 no modelo sedã Cruze. Entram na contabilidade da empresa carros equipados com sistemas de entretenimento e navegação de fábrica. O volume de veículos pode aumentar na região em função das vendas do Onix no Brasil, o mais vendido do País até julho com 98 mil 469 unidades. Outros fatores que podem contribuir são o desempenho das vendas da versão Activ nos países vizinhos e a parceria anunciada recentemente com o aplicativo Waze.

O sistema da General Motors havia atingido a marca de 130 mil em adesões, em março, desde o seu lançamento no Brasil. O sistema oferece conexão do usuário com o veículo tendo as funções de navegação, monitoramento remoto e uma central de atendimento que dá suporte em emergências, na busca de informações úteis e na localização do carro.

O executivo chegou há dois anos na GM com a responsabilidade de expandir a operação da plataforma de conectividade OnStar e o serviço de aluguel e compartilhamento de veículos Maven no Brasil. Este último está em funcionamento aqui apenas nas três fábricas da GM instaladas no Rio Grande do Sul e em São Paulo, restrito ao uso dos funcionários. Não há previsão, segundo Mosca, de estar disponível para fora dos portões da montadora.

Nos Estados Unidos, no entanto, detém uma fatia de 9% do concorrido mercado de compartilhamento de veículos. A plataforma Maven tem mais de 35 mil usuários em 13 cidades daquele país e iniciou operação em Nova York em maio deste ano.

Veículos comerciais estão de olho na tecnologia

A revolução tecnológica na indústria automotiva envolvendo conectividade, automação, eletrificação e mobilidade foi a tônica do painel sobre o futuro tecnológico dos veículos comerciais realizado no Seminário AutoData Os Novos Desafios da Indústria Automotiva Brasileira.

Para Alan Holzmann, diretor de planejamento e desenvolvimento de produto caminhões da Volvo, a conectividade terá impactos na gestão da frota, aumentando a produtividade e reduzindo custos, pois serão necessários menos veículos para realizar o mesmo trabalho. Já a automação irá aumentar a segurança e diminuir a manutenção dos veículos: “A tecnologia já existe. A questão é quando estará disponível para caminhões e ônibus”.

Sabendo disso, as montadoras já se preparam para o futuro que está batendo na porta. Na Suécia, a Volvo desenvolve projetos pilotos usando veículos autônomos, como caminhão de lixo em Gotemburgo e caminhão na mina subterrânea em Boliden. Os funcionários apenas inspecionam o carregamento e o transporte da carga. São projetos pilotos para desenvolver tecnologia, estão em fase de testes para serem comercializados.

No centro de desenvolvimento e pesquisa em Curitiba, PR, foi desenvolvido o caminhão autônomo VM para plantações de cana de açúcar. O projeto, realizado por técnicos brasileiros, reduz perdas com o pisoteio nas colheitas em 12%, aumentando a produtividade: “Ele é um protótipo que está em fase de testes. Acredito que poderá ser comercializado em 2019. Apesar de ter sido desenvolvido para a realidade brasileira, o veículo pode ter adaptações e ser exportado”.

Já a MAN lançou uma plataforma de conectividade que permite conexão com veículos de diferentes marcas com o objetivo de fazer gestão logística e da frota. Apesar da rapidez tecnológica, é preciso buscar alternativas locais, de acordo com Leandro Siqueira, diretor de engenharia e desenvolvimento da MAN:

“O Brasil tem grande capacidade de produção de bicombustíveis, que podem ser utilizados para fortalecer nossa indústria. Acredito que os veículos com motores a combustão interna ainda serão utilizados por um tempo, mas serão combinados com outros combustíveis”.

Segundo ele, é necessário garantir alternativas para que a indústria automotiva brasileira acompanhe o ritmo das transformações para ser competitiva em escala mundial. Para tanto, é preciso vencer desafios como qualificação dos motoristas bem como qualidade das estradas e da manutenção dos veículos.

Aprovada compra da NXP pela Qualcomm

Foi aprovada nos Estados Unidos a compra da empresa de semicondutores NXP pela Qualcomm no valor de US$ 38 bilhões. Com o negócio a Qualcomm aumentará sua participação no segmento automotivo – a NXP tem onze montadoras como clientes e dez sistemistas – e, globalmente, passa a concentrar mais seus esforços no segmento de conectividade de veículos.

Há três anos, quando foi criada, a divisão de negócios para a indústria automobilística da Qualcomm estava abaixo das demais em termos de faturamento. À época, com o mercado de smartphones em alta, o segmento de chips para dispositivos móveis era o que mais gerava receita – a empresa é a principal fornecedora do componente para o iPhone, da Apple. Hoje, o setor automotivo é a terceira área de atuação da companhia e se prepara para ser, com o aumento da demanda por conectividade nos veículos, a principal.

De acordo com Marcos Lacerda, vice-presidente da Qualcomm no Brasil, o negócio vai aumentar o número de funcionários da empresa no mundo todo. O quadro saltará dos atuais 30 mil para 70 mil com os funcionários da NXP: “Atualmente está sendo estruturada a nova composição de executivos com a chegada de novos diretores, é cedo para dimensionarmos os impactos da aquisição no Brasil”.

O que se sabe, disse Lacerda na segunda-feira, 21, durante o Seminário AutoData Os Novos Desafios da Indústria Brasileira, é que a Qualcomm manterá a marca NXP nos chips vendidos a partir do momento em que for finalizado o processo de integração das duas empresas, que deverá ser finalizado até 2019.

Afora a participação em clientes importantes com a aquisição, o negócio vai imprimir uma nova dinâmica à gestão da Qualcomm. Conhecida no mercado como a única empresa de semicondutores do mundo que não tinha fábricas, agora a empresa passa a contar com unidades de produção nos seus ativos. São 33 unidades de produção no mundo todo.

No Brasil, a NXP produz componentes na área de conectividade desde 1997 na cidade de Campinas, SP. A unidade também funciona como centro comercial da empresa na América do Sul. A atuação no País, no entanto, começou em 1967 por meio de uma operação local da Motorola.

O setor automotivo é o segundo maior mercado de atuação da NXP. No segundo trimestre deste ano, o desempenho com a venda de chips para este mercado foi recorde e atingiu US$ 938 milhões, um aumento de 9% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados do último balanço divulgado pela empresa, que é listada na bolsa de valores de tecnologia Nasdaq.
A NXP tem em carteira a Audi, BMW, Daimler, Ford, GM, Honda, Hyundai, Renault Nissan, Tesla, Toyota e Volkswagen. Nas sistemistas, Autoliv, Bosch, Brose, Continental, Delphi, Denso, Fujitsu, TRW, Valeo e Visteon.

Rota 2030 aproxima Brasil e Argentina

A nova política industrial para o setor automotivo pode aproximar ainda mais o Brasil e a Argentina. Foi o que o presidente da Anfavea, Antônio Megale, disse durante o Seminário AutoData Os Novos Desafios da Indústria Automotiva Brasileira, nesta segunda-feira, 21. Ele afirmou que no âmbito do Rota 2030 os governos estão discutindo a harmonização das legislações técnicas para o setor automotivo de cada país:

“Este é o primeiro passo. Nesta semana haverá uma reunião de representantes do governo argentino e do setor automotivo de lá com os grupos de estudo do Rota 2030. Pensar uma indústria regional é importante até para as negociações do acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia. Precisamos estar afinados para podermos competir no mercado global”.

Megale afirmou que o segundo passo acontece de forma natural, pois as empresas já usam os dois países como bases produtoras para a região: “Mas o custo ainda é alto, pois há diferenças na legislação que impedem o ganho de competitividade regional. Equacionando esse e outros pontos as empresas poderão usar o parque fabril dos países até para a regulação dos seus estoques e fazer da região base de exportação global”.

Segundo ele, uma política regional poderia aumentar a capacidade de produção e, assim, tornar o Mercosul um jogador importante no mercado mundial: “Poderemos fabricar de 6 a 7 milhões de veículos por ano. Poderíamos ser um dos maiores fabricantes no mundo. Mas, para isso, precisamos pensar primeiro o regional”.

Medida provisória – Megale esclareceu que o Rota 2030 deverá ser criado por meio de uma medida provisória até novembro: “Temos seis grupos de trabalho e muitos já concluíram os estudos. O arcabouço do programa estará pronto para substituir o Inovar-Auto já em janeiro do próximo ano”.

No último dia 14, o ministro do Ministério do Desenvolvimento, Comércio Exterior e Serviços, disse, durante um evento na fábrica de Volkswagen, em São Bernardo do Campo, SP, que em até três meses, o Rota 2030 estará lançado. Neste mesmo dia, o presidente da VW, David Powels, afirmou não acreditar nesse prazo, pois há muitas divergências nas discussões do novo programa.

Megale, mais otimista, disse que algumas diretrizes podem ser aprovadas nesse período: “O que causa discussão é a questão tributária. Ainda não está definido se haverá mudança nas regras do IPI, e, se isso ocorrer, o Rota 2030 tem que ser apresentado até o dia 3 de outubro para começar a vigorar no primeiro dia de janeiro”.

Sempre quando há mudança nas regras tributárias é necessário 90 dias para as empresas e o governo se adaptarem às normas. “As discussões têm evoluído. Estamos agora na fase final, por isso acredito que a MP esteja publicada a tempo. Até porque, o governo pode depois publicar os decretos para pormenorizar a medida provisória”.

O que deve ser publicado até novembro, segundo Megale, são as metas de eficiência energética para os próximos 15 anos, e quais as suas etapas, as regras para segurança veicular para até 10 anos, a simplificação tributária, as medidas para o fortalecimento da cadeia de autopeças: “Com previsibilidade poderemos aumentar a competitividade e sermos um jogador importante no cenário mundial. O Rota 2030 nos dará isso”.

O campeão da Volvo está de volta

A Volvo Cars é diferente das outras marcas. Nessa nova fase controlada pela holding chinesa Geely, retomou identidade e postura particular. Vamos chamar de um jeito escandinavo de fazer carros, muito especial em termos de produto e de posicionamento institucional. “Fazemos carros pensando nas pessoas, para as pessoas e com as pessoas”, foi um dos mantras repetidos durante a apresentação da segunda geração do XC60, o SUV de luxo mais vendido na história da marca no Brasil.

Ele é o segundo dessa nova era da Volvo a desembarcar no Brasil. Chega com a missão de retomar a liderança entre os SUV de luxo, aqueles que custam mais de R$ 200 mil, como o Land Rover Discovery Sport, o Audi Q5, o Mercedes-Benz GLC e o BMW X3. O presidente da empresa, Luis Rezende, resume a importância dessa nova geração: “Já vendemos 20 mil XC60 no Brasil. Por conta do sucesso, dobramos nossa rede no País e aumentamos nosso faturamento em doze vezes”.

A expectativa da Volvo é que a partir de setembro sejam negociadas 250 unidades do novo XC60 por mês. A meta é fechar 2017 com 1 mil unidades vendidas, mas a campanha de pré-venda pode melhorar esses números, de acordo com o diretor comercial João Oliveira: “Foram 200 unidades na pré-venda e já estamos com a produção destinada ao Brasil comprometida até outubro”. Ainda sem projetar o desempenho em 2018 para o XC60, a Volvo conta muito com um ritmo mensal um pouco acima das 250 unidades mensais.

Visão 2020 – Antes de apresentar o novo XC60 vamos tratar do posicionamento global da marca, que explica as razões da Volvo trazer tantos recursos interessantes em seus produtos.

A Volvo é conhecida pela obsessão por segurança. Essa característica vem lá de 1959, quando a empresa criou o cinto de segurança de três pontos e não patenteou a invenção para que outras pudessem usar em seus projetos. Em 2017, a Volvo coloca no centro da sua estratégia as pessoas. Não importa a tecnologia mais avançada ou o design mais bonito se não for para um bem maior: o das pessoas. Veja os vídeos Moments (http://www.volvoca.rs/01Q4uy) com o novo XC60 e o da campanha Visão 2020 (https://youtu.be/fbQ6ye2Wy2s) para compreender como a Volvo quer ser reconhecida.

É um jeito um tanto óbvio de encarar a missão de fazer e vender carros. Mas encanta justamente na simplicidade do conceito “para as pessoas” e, claro, pela qualidade e eficiência dos veículos.

O XC60 compartilha o DNA escandinavo do XC90, um SUV grande que trouxe para o Brasil em 2015 as novas soluções e tecnologias, como a plataforma modular SPA, os sistemas semiautônomo e de segurança avançada. Todos os novos produtos da marca sueca passarão por esse banho de estilo e de tecnologia até todo o portfólio global entregar, em 2020, a chance de ninguém se ferir gravemente ou vir a óbito dentro e ao redor de um Volvo.

Mas o campeão de vendas dos suecos no Brasil tem personalidade própria. Um design marcante, sobretudo na traseira, a principal diferença em relação ao já conhecido XC90. Na dianteira, o destaque é o conjunto ótico apelidado de martelo de Thor e a enorme grade frontal, nova identidade global da Volvo.

Por dentro, a qualidade dos materiais, o acabamento primoroso e o minimalismo do painel frontal contrastam com a central de entretenimento e conectividade Sensus Connect. Acessível pela tela de nove polegadas de LCD antirreflexo e sensível ao toque, é uma peça que se destaca. Por ali é possível configurar praticamente tudo, inclusive conectar o smartphone pelos sistemas Apple Car Play e Android Auto.

Ao volante, o motor T5 Drive-E 2.0 litros de 254 cv acoplado em transmissão automática de oito velocidades é coadjuvante. Esse powertrain entrega desempenho, eficiência e baixo nível de emissão de poluentes exigidos nesse segmento de alto padrão. Mas o pacote City Safety de segurança ativa toma as atenções do condutor. São diversos sistemas que monitoram, alertam e atuam em situações como mudança de faixa, colisão frontal e traseira, em cruzamentos, entre outras, evitando colisões contra veículos, ciclistas, pedestres e até animais de grande porte.

O ponto alto dessa tecnologia é o Pilot Assist, ou assistente de direção semiautônoma, capaz de conduzir sozinho o XC60 na cidade ou na estrada, até a 130 km/l. Mas para isso são necessárias pistas bem sinalizadas, condição essencial para o sistema executar as manobras sem a ajuda do condutor.

Com uma receita que teve avaliação positiva da crítica na Europa, o XC60 vai encarar o não menos exigente consumidor de alto luxo no Brasil. Seu posicionamento de preços nesse restrito e concorrido segmento vai mostrar se todos esses atributos farão tanto sucesso por aqui também. Nessa nova fase da Volvo no Brasil e no mundo, o jeito escandinavo de fazer carros vai mostrando como pretende superar as expectativas das pessoas. Simplesmente pensando nelas. Na Suécia eles chamam isso de luxo inteligente.