Vendas caminham para o melhor mês desde dezembro de 2015

Até sexta-feira, 18, foram emplacados em agosto 113,3 mil unidades de veículos no País, de acordo com dados do Renavam, Registro Nacional de Veículos Automotores, apresentados à AutoData por uma fonte do mercado. Caso mantenha este ritmo nos próximos nove dias úteis até o fechamento do mês de agosto, no dia 31, os emplacamentos chegarão a 207 mil unidades, o melhor desempenho desde dezembro de 2015. O volume envolve também os emplacamentos de caminhões e ônibus.

De 2015 pra cá, o mês em que mais houve licenciamentos foi dezembro do ano passado, quando foram registrados 204 mil 329 emplacamentos. Apesar de mostrar uma recuperação das vendas no mercado nacional – que vinha abaixo da casa dos 200 mil desde então –, o volume segue distante do patamar observado no ano de 2013, quando os licenciamentos mensais superavam as 300 mil unidades.

De janeiro a julho deste ano foram emplacados 1 milhão 204 mil 260 veículos no País, a uma média diária de pouco menos de nove mil veículos, apontaram dados da Anfavea divulgados no início deste mês. A quantidade de licenciamentos foi 3,4% maior do que a verificada no mesmo período em 2016. Para a entidade, o desempenho traduz a confirmação da retomada das vendas de automóveis e diminuição das perdas no segmento de caminhões.

Ao contrário do anunciado para produção e exportações, a Anfavea ainda não reviu projeções de vendas internas para o ano. A entidade manteve em julho, em seu último balanço do setor, a expectativa de crescimento de 4% no mercado brasileiro. Segundo o presidente da Anfavea, Antonio Megale, a entidade ainda não tem confiança para alterar os cálculos. Para ele, o crescimento no semestre está ainda abaixo do projetado para o ano.

Ford abre PDV e readmite 80 funcionários

Os funcionários da Ford no ABC Paulista aceitaram a proposta da empresa para equacionar as demissões de 364 empregados ocorridas no dia 13 de agosto. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em assembleia realizada nesta sexta-feira, 18, ficou acordado que retornarão à fábrica 80 funcionários do total de demitidos.

Ao restante será oferecido um PDV, Programa de Demissão Voluntária, que pagará o valor referente a 83% do salário por ano trabalhado, com acréscimo de R$ 30 mil àqueles metalúrgicos com até 10 anos de fábrica. Aos trabalhadores que possuem restrição médica, o valor pago será referente a 140% do salário por ano trabalhado, mais R$ 7,5 mil.

Como os trabalhadores tinham estabilidade até janeiro de 2018, garantida pelo acordo coletivo firmado em 2016, àqueles que não aderirem ao PDV a montadora pagará o valor de cinco salários referentes a esse período, de agosto a dezembro de 2017. José Quixabeira de Anchieta, coordenador do Comitê Sindical na Ford, disse que a empresa foi irredutível e informou que haverá mais um corte no volume produzido em setembro: “Foi um processo muito difícil e o resultado não atende a tudo, mas entendemos que foi o possível de construir. Com muito esforço conseguimos o retorno dos 80 trabalhadores”.

Em 2015, á época do acordo de estabilidade, a Ford alegava que tinha cerca de 800 empregados a mais em seu quadro de funcionários, contando os que tralhavam na produção e no administrativo. Nos últimos dois anos, ela abriu um programa de demissão voluntária e muitos se aposentaram. Hoje, a Ford tem cerca de 3 mil funcionários, contando com os 364 demitidos. Alexandre Colombo, diretor executivo do sindicato e funcionário da Ford, disse que para este ano a montadora programou uma produção de até 12 mil caminhões e 36 mil carros: “Com um turno de trabalho a empresa pode fabricar até 110 mil veículos. A produção caiu muito este ano, por isso, estamos com essa tática de parar áreas essenciais e assim paralisar todo o processo”.

No ano passado, de acordo com a Anfavea, a Ford produziu, em todas as fábricas no País, 219 mil 519 veículos. Em 2015 foram 240,5 mil unidades. Em São Bernardo do Campo, ela fabrica caminhões e o New Fiesta nas versões hatch e sedã.

GM atrai sistemistas no Rio Grande

O anúncio de investimento, de R$ 1,4 bilhão, na fábrica da General Motors em Gravataí, RS, para a produção de nova família de veículos que chegará em 2020, atraiu a atenção de seus fornecedores para o município gaúcho. Segundo o governo do Estado “seis multinacionais” que estariam envolvidas no desenvolvimento desses veículos têm em mãos projetos avançados para se instalar na cidade.

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, durante o ano e meio em que a GM articulou novo investimento na região, em parceria com o governo, os novos fornecedores buscavam terrenos próximos ao seu complexo industrial. Há dúvidas sobre a instalação dentro do condomínio industrial ou nos seus arredores.

O secretário disse que algumas dessas empresas cogitam fornecer para fabricantes sistemistas na condição de tier 2 ou 3 – o que não pode acontecer dentro de espaços GM: “O Estado mantém programa de incentivo que tem como objetivo aquecer cadeias produtivas como a de autopeças. Isso fez com que parte das empresas interessadas em se instalar aqui estudem a possibilidade de fornecer para mais de uma companhia”.

Dentro ou fora as empresas chegaram pelas mãos do Fundopem RS, principal programa estadual de fomento que, se não libera recursos para os projetos incentivados, permite às empresas financiarem o ICMS incremental mensal a partir de sua operação. Este ano o governo lançou o Programa Mult, com pacotes de incentivos específicos para o setor automotivo. Serão beneficiárias, por exemplo, empresas que investirem na expansão de fornecedores ou que se instalem no Estado.

O condomínio industrial de Gravataí foi inaugurado em 2000 e começou com dezesseis fornecedores instalados ao redor das linhas da GM. Atualmente são 21 empresas que fornecem componentes para Prisma e Ônix, este o veículo mais vendido do Brasil no primeiro semestre, com 98 mil 469 unidades. O segundo colocado, o Hyundai HB 20, vendeu 60 mil 460 unidades, segundo a Fenabrave.

O investimento, cujo anúncio foi feito na quinta-feira, 3, é parte do plano da empresa de investir R$ 13 bilhões no Brasil de 2014 a 2019. De janeiro a julho saíram da fábrica de Gravataí 73% dos 185 mil automóveis de passeio Chevrolet emplacados no País. Atualmente a unidade conta com 2,8 mil funcionários.

A empresa não revelou quantas novas vagas serão abertas, mas a expectativa, segundo o governo do Estado, é a de que os novos veículos demandem abertura de vagas nos novos fornecedores, ainda que a tendência seja a de que a nova linha absorva funcionários que já trabalham ali.

SUV dos compactos?

O Kwid fará barulho no segmento de entrada no mercado brasileiro. Com preço competitivo o modelo traz também equipamentos de segurança que não há em concorrentes diretos. É o único no segmento que dispõe de quatro airbags de série. A norma brasileira, desde 2014, estipula que todos os carros fabricados no Brasil devem ter dois airbags de série e freios ABS.

Segundo Antônio Fleischmann, diretor de projetos da Renault para a região Américas, segurança e custo foram os pilares para o desenvolvimento do carro, “e estou confiante no seu desempenho na futura verificação da Latin Ncap”. O Kwid tem, ainda, a maior altura do solo da categoria, 180 mm, e os ângulos de entrada, 24°, e de saída, 40°, utilizados pelo segmento SUV. E o maior espaço interno e o maior porta-malas da categoria de compactos, 290 litros:

“O Kwid não é um carro compacto, poid foi homologado como SUV. Então, podemos dizer que inovamos com mais uma categoria no Brasil”.

A Renault classificou o modelo como “robusto e arrojado” e, com isso, dá a impressão de ser maior que os seus 3 m 68 cm de comprimento – e “as rodas de 14 polegadas, de série, e os para-lamas encorpados valorizam ainda mais as suas características SUV”.

O Kwid traz posição de dirigir elevada e maior altura da cabine, e tem 2 m 423 mm de entre-eixos.

O Kwid, em sua versão mais completa, pesa 795 quilos e é dotado de configuração mais fraca do motor 1.0 Sce de três cilindros, de 79/82 cv e 10,2/10,5 mkgf, que equipa Logan e Sandero: 66/70 cv e 9,4/9,8 mkgf. A responsabilidade por essa diferença é o cabeçote: o Kwid tem comandos simples, enquanto os Renault maiores têm comandos variáveis para admissão e escape – tecnologia que encarece o motor.

Mesmo assim a Renault promete que será econômico e divulga médias de 15,2 km/l com gasolina e 10,5 km/l com álcool em trecho misto. O modelo também estreia a transmissão manual de cinco marchas SG1, que é mais leve e eficiente, de acordo com o comunicado à imprensa: “A corrente de distribuição, no lugar da correia, proporciona um baixo custo de manutenção, menos de um R$ 1,00 por dia”.

Kwid é o carro-chefe da Renault

A Renault apresentou o Kwid, que ela define como “o SUV dos compactos”, com toda pompa e circunstância, em um evento, na noite da quarta-feira, 2, que contou com cerca de 1 mil pessoas, em São Paulo. E não é por menos. O modelo é a sua aposta para ganhar participação no mercado brasileiro e, como disse o seu presidente para a América Latina, Olivier Murget, será o seu carro-chefe, superando as vendas do Sandero, até agora seu líder de vendas:

“Devemos chegar a 8% de participação de mercado nos próximos meses e, com o Kwid, a expectativa é a de que passaremos esse porcentual”.

A certeza do bom desempenho do modelo nos próximos balanços de licenciamentos está apoiada na estratégia de lançamento, que priorizou o preço. O Kwid parte de R$ 29,9 mil, a versão mais simples, e vai até R$ 39,9 mil na forma da mais completa – valores bem abaixo dos cobrados pelos concorrentes diretos, o Volkswagen up! e o Fiat Mobi.

A VW apostou na modernidade, eficiência energética e esportividade de seu subcompacto, mas o carro é vendido a partir de R$ 35 mil e pode chegar até os R$ 56 mil. A Fiat tratou de diferenciar seu modelo com atributos como jovialidade e conectividade, contudo, assim como no caso do modelo VW, sua versão mais barata chega ao mercado por R$ 33 mil.

A pré-venda do Kwid, iniciada em 9 de junho, surpreendeu até o mais otimista executivo da Renault. De acordo com o presidente da companhia no Brasil, Luiz Petrucci, até 31 de julho, quando terminou a campanha, foram vendidas quatro vezes mais do que se estimava:
“83% das vendas foram para clientes de outras marcas. Se confirmados todos os pedidos conseguiremos melhorar muito a nossa posição de mercado”.

Ele contou que as entregas, para aqueles que reservaram o Kwid, começarão este mês e devem se estender até setembro. Em outubro e novembro serão entregues os carros comprados a partir de agora: “É importante ressaltar que com os mesmos preços da pré-venda. O canal de compra pela internet também será mantido nesse primeiro momento. Não haverá estoque na rede”.

As trezentas concessionárias da Renault espalhadas pelo País terão dois modelos disponíveis: um para test-drive e um para exposição. Os pedidos poderão ser feitos pelo cliente na revenda, mas somente pela internet. Segundo Petrucci essa forma de vender chegará até o fim do ano: “Isso não é novidade para a Renault. Já fizemos ação deste tipo com o Clio há alguns anos e tivemos grande sucesso”.

Todo esse planejamento tem um motivo: a Renault está iniciando o terceiro turno de produção na fábrica de São José dos Pinhais, PR, para receber o novo modelo. Segundo o presidente foram contratados 1,3 mil funcionários, setecentos em maio e seiscentos em agosto: “Chegaremos aos sessenta carros/hora em breve. Estamos, nesse momento, em pleno arranque da linha”.

Hoje a fábrica da Renault tem capacidade para produzir 320 mil automóveis e 60 mil utilitários esportivos. Por ano.

A fábrica, aliás, segundo Antônio Fleischmann, diretor de projetos da Renault para a região Américas, recebeu investimento para adequar a linha ao Kwid: “Como temos uma linha monofluxo, tivemos algumas modificações para que o Kwid também passasse nessa linha”.

Todo esse processo faz parte do plano de investimento da companhia para o Brasil de R$ 1,5 bilhão, que deveria durar de 2011 a 2019, “mas os recursos terminam com o lançamento do Kwid”. Sem revelar números Fleischmann garantiu que os aportes para todo o processo de desenvolvimento do modelo foram substanciais.

Fornecedores – Fleischmann lembrou que a redução nos custos foi uma meta traçada desde o início do projeto, o primeiro em conjunto com a Nissan dedicado ao Brasil: o Kwid tem a mesma plataforma do Datsun redi-GO, mas foi pensado e desenvolvido para o mercado brasileiro.

Segundo ele 290 engenheiros brasileiros participaram do projeto para adequar o carro ao gosto do consumidor:

“Desde 2012 estamos trabalhando nesse projeto. Criamos a plataforma que foi usada, num primeiro momento, pela Nissan, por meio da sua marca Datsun, depois pela Renault com o Kwid na Índia, e agora com o mesmo modelo no Brasil. Mas, desde o início, ele foi pensado para os mercados onde seria vendido. É um projeto dedicado”.

O Kwid brasileiro tem 80% do seu conteúdo composto por peças novas, desenvolvidas pela RTA, Renault Tecnologia Américas, desde a estrutura e características mecânicas aos equipamentos de conforto, conectividade e segurança: “Desenvolvemos fornecedores com a ideia de conseguirmos diminuir os custos do projeto. Para o Kwid teremos de cinquenta a sessenta parceiros e, destes, cerca de 40% são novos fornecedores. Isso para atingirmos o guidance de custos do projeto”.

Dos fornecedores que se tornaram parceiros da Renault com o Kwid estão os de suspensão, estrutura metálica e de equipamentos eletrônicos. O executivo disse ainda que mais de 70% das peças que equipam o Kwid são de fornecedores localizados no Brasil e na Argentina.

Exportações ultrapassam volume histórico de 2005

As exportações de veículos já são recorde neste ano. Foram exportados de janeiro a julho 439 mil 586 unidades, alta de 55,3% no comparativo com o acumulado do ano passado. Com esse desempenho, Antônio Megale, presidente da Anfavea, já fala que 2017 deverá superar o ano de 2005, até então o melhor ano em embarques da história da indústria automotiva no País. De janeiro a julho de 2005, as montadoras exportaram 420 mil veículos.

Megale creditou novamente o bom desempenho das exportações aos acordos comerciais na América Latina e também à aceitação dos produtos nacionais em novos mercados. O representante contou, ainda, que a indústria trabalha com uma meta de manter um nível mensal de 65 mil unidades exportadas: “O governo também percebeu a necessidade de estreitar os acordos comercias. A exportação é uma válvula de escape importante para regular a nossa indústria. Cada vez mais nossos produtos são aceitos nos países vizinhos e o esforço que as empresas têm feito para aumentar o volume exportado tem dado bons resultados”. Ele contou que hoje de 25% a 30% da produção é destinada ao mercado externo.

Ele comemorou, também, a assinatura do acordo automotivo com a Colômbia no mês passado: “É um mercado importante. A participação dos veículos brasileiros no mercado colombiano era de 3%. Já estamos em 5% e temos potencial para chegar a 10%. O acordo está em processo de internacionalização, acredito que termine nos próximos dois meses. Espero não morrer pela boca. Falei isso algumas vezes e não aconteceu”.

Em julho, foram exportadas 65 mil 722 unidades, volume 55,3% maior do que em julho do ano passado. Veículos leves representaram a maior parte dos embarques, com 61 mil 984 unidades de automóveis e comerciais leves. No acumulado do ano, foram 418 mil 113, alta de 56,7%. Caminhões, de janeiro a julho, foram 16 mil 588, 47,4% a mais do que no mesmo período de 2016. Só em julho, foram 2 mil 957. Em ônibus, nos sete meses do ano, leve queda de 0,4%, com 4 mil 885 unidades. Em julho, 781. Os principais destinos, em volume, foram Argentina, México, Chile, Uruguai e Colômbia.

Esse desempenho rendeu às fabricantes instaladas aqui R$ 8 bilhões 792 milhões 6 mil, outro recorde. A receita, divulgada pela Anfavea, inclui também os negócios envolvendo máquinas agrícolas e representou 52% mais do que o obtido em igual período em 2016. As exportações de veículos, isoladamente, renderam US$ 7 bilhões 320 milhões 168 mil, alta de 54,5%.

Segurança – As reprovações de veículos produzidos aqui em testes feitos este ano pela Latin NCAP, entidade independente que testa a segurança nos carros, não representam uma espécie de ameaça à reputação do produto nacional, segundo Megale. Para ele, reprovações como a do Chevrolet Onix e, mais recente, do Fiat Mobi, são um sinal de alerta no que diz respeito às divergências de critérios de avaliação utilizados pelas fabricantes e as instituições que realizam testes:

“Existem alguns institutos que fazem verificações e sua própria avaliação. Temos um pouco de preocupação com isso porque os protocolos destas instituições eles não são estáveis. Às vezes uma empresa que tira uma nota máxima em um item de segurança por causa de uma simples mudança de protocolo, ela cai nessa medição”.

Megale contou que é preciso levar em consideração quando se discute segurança nos veículos a questão do tempo de adoção de novos itens de segurança, e como isso pode aumentar o valor do veículo ao cliente: “Temos que agir com muita prudência porque produzimos carros para brasileiros, não produzimos para europeus. Os itens de segurança tem que ser gradualmente incorporados aos veículos, não podemos de nenhuma forma encarecer o preço dos veículos. Por isso que é importante a previsibilidade. Quando o projeto começa a ser feito já se sabe que quando ele entrar em produção, ele vai ter de atender a certas normas”.

O presidente da Anfavea disse que o desenho do Rota 2030, a nova política industrial para o setor, leva em consideração a adoção de novos itens de segurança e testes a serem implementados no Brasil de forma gradual. Isso para que as empresas tenham tempo para se adequarem em seus próximos lançamentos.

Argentina – Outro tema que parece não criar preocupação nas fabricantes de veículos daqui é o decreto baixado na Argentina que exige a antecipação das multas às montadoras que extrapolaram o coeficiente flex estabelecido no acordo automotivo. O Brasil pode exportar US$ 1,5 para cada US$ 1 importado da Argentina livre de impostos:

“É a primeira vez que isso acontece. Essa é uma questão de governos, expressamos a nossa preocupação porque são nossas próprias empresas. Mas, da mesma forma que o flex está desequilibrado hoje, porque nós estamos exportando mais pra Argentina, quando os investimentos feitos aqui no Brasil terminarem, isso vai gerar novos produtos e provavelmente teremos uma reversão desse quadro”.

Produção de veículos em quinta marcha

A produção de veículos segue a todo vapor. De acordo com os dados da Anfavea, de janeiro a julho foram fabricados 1 milhão 488 mil 41 unidades, alta de 22,4% no comparativo com o mesmo período do ano passado. O que puxou o desempenho foram as exportações, cujo volume no acumulado do ano foi o melhor em toda história da indústria automotiva no Brasil. Veja matéria xxx.

Antônio Megale, presidente da Anfavea, disse que com as exportações em alta e os licenciamentos em rota de crescimento, a utilização da capacidade instalada deverá melhorar até dezembro, principalmente no segmento de automóveis e comerciais leves. Hoje, a indústria pode produzir até 5 milhões de veículos:

“Nossa estimativa é de uma produção de veículos de 2,6 milhões a 2,8 milhões de unidades. Isso vai nos levar a reduzir a ociosidade na indústria. Deveremos chegar a um nível menor que 50%. Hoje, estamos em 52% de ociosidade. Mas, o volume de caminhões e ônibus ainda é preocupante”. Em média, as fabricantes de veículos pesados produzem cerca de 30% de sua capacidade.

Em julho, a produção também cresceu com relação ao mesmo mês do ano passado. Foram fabricadas 224 mil 763 unidades ante 190 mil 612 veículos em julho de 2016: “Estamos entrando em uma certa estabilidade na produção. Isso acontece até para formar estoque para os próximos meses. Sazonalmente, agosto é um mês bom em vendas, justamente por ter mais dias úteis. Os estoques estão regulados para esse período”.

No mês passado, de acordo com os dados, os estoques somaram 217 mil unidades, o que equivale a 36 dias de vendas. Com esse volume, Megale disse que “o mercado está em um nível quase ideal. E isso vai se ajustar durante os próximos meses. Em geral, agosto é um mês bom de vendas”.

Com ritmo de produção crescente, Megale disse, ainda, que o nível de emprego na indústria teve uma leve melhora no mês passado, com crescimento de 0,2% com relação a junho: “Isso é reflexo de algumas contratações de algumas empresas”.

Até julho, as fabricantes de veículos e máquinas agrícolas tinham uma folha de pagamento de 125 mil 172 empregados. Na comparação com julho do ano passado, no entanto, o número de postos de trabalho na indústria caiu 1,3%. No mês passado, 12 mil 198 funcionários estavam em algum programa de flexibilização da produção, como lay-off e PSE, Programa Seguro Emprego. Em junho, esse número era de 12 mil 452 pessoas.

A Renault anunciou a contratação de mais setecentos funcionários para a sua linha de produção em São José dos Pinhais, PR. Esse aumento na folha de pagamento aconteceu pela abertura de um terceiro turno de trabalho para a produção do Kwid, o seu modelo de entrada. Ao todo, somente para o novo intervalo de trabalho, foram contratos 1,3 mil empregados.

Indústria de ferramentaria pode receber os créditos de ICMS

A Anfavea em conjunto com a Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais (Abinfer), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, assinaram um protocolo de intenções para a utilização dos créditos acumulados do ICMS no Estado de São Paulo para fomentar a indústria de ferramentaria, ligada ao setor automotivo.

Segundo Antônio Megale, presidente da Anfavea, foi criado um consórcio e com isso um documento que apoia a viabilização de regime especial para recuperação e capacitação da indústria de ferramentaria estadual.

Megale acrescentou que as montadoras poderão usar os créditos para a aquisição de bens de ferramentaria e equipamentos: “Isso vai estimular essa indústria, que nos últimos anos, reduziu sua capacidade e demitiu muito. Perderam competitividade”. Os recursos acumulados do ICMS são da ordem de R$ 5 bilhões.

Os créditos são acumulados quando as fabricantes compram autopeças de empresas do estado e, para isso, pagam a alíquota de 18% do ICMS. Quando vendem o produto acabado é cobrada uma taxa de 12% do imposto. Já nas exportações o ICMS não é cobrado: “Com a alta nas exportações nesse ano, o crédito do imposto aumentou muito. Usar esses recursos dessa forma é uma alternativa para recuperar a indústria de ferramentaria”.

Agora, a demanda será levada ao governo de São Paulo para colocar em prática a iniciativa: “Mas, não acredito que os recursos sejam liberados ainda este ano. Leva-se tempo para esse processo”.

Aumentam as vendas no México

As vendas de automóveis no México, segundo maior parceiro comercial do Brasil na região, atingiram 865 mil 161 unidades de janeiro a julho, segundo dados divulgados pela Amia, a associação dos fabricantes do país. O volume representa alta de 1,4% sobre o volume obtido no mesmo período de 2016. Em julho foram vendidas 122 mil 110 unidades, queda de 7,3% com relação a julho do ano passado.

A Nissan foi a empresa que mais vendeu no período: seus veículos representaram 24,5% das vendas nos sete meses do ano, 211 mil 832 veículos, queda de 1,1% na comparação com o volume vendido no ano passado, 214 mil 138. Apenas em julho vendeu 28 mil 267 unidades, queda de 14,9% na comparação com o volume de julho do ano passado, quando vendeu 33 mil 201.

Na sequência a General Motors ficou com fatia de 16,5% das vendas: foram 142 mil 943 veículos, recuo de 10,5% na comparação com as vendas dos primeiros sete meses do ano passado, quando foram vendidas 159 mil 733 unidades. Em julho vendeu 19 mil 693, 21,7% a menos do que em julho do ano passado.

Volkswagen, 15,8%, Toyota, 6,8%, e FCA, 6,6%, fecham o grupo das cinco empresas que tiveram maior volume de vendas no México.

Fôlego para o segmento de caminhões

A produção de caminhões segue acelerada. Nos sete meses, o crescimento foi de 19%, chegando a 43 mil 223 unidades. Na comparação com julho de 2016, a alta foi 41,5% passando de 5 mil 91 para 7 mil 202. Boa parte do crescimento na produção deve-se à exportação, que aumentou 47,4% no acumulado de janeiro a julho deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, subindo de 11 mil 256 unidades para 16 mil 588 unidades.

A Argentina é o principal destino dos caminhões fabricados no Brasil, respondendo por 60% das exportações. Na sequência estão Chile com 12%, Peru com 8%, África do Sul com 4% e Colômbia com 4%. As exportações também têm aumentado para a África, Oriente Médio e Rússia.

Já as vendas continuam em queda, embora o desempenho tenha melhorado com relação ao início do ano. No mês, foram comercializadas 4 mil 535 unidades, o que representa declínio de 3,2% no comparativo ao mesmo mês de 2016. Já no acumulado de janeiro a julho, os licenciamentos atingiram 25 mil 990 caminhões, o que representa queda de 14,1% frente às 30 mil 272 unidades.

A cada mês, o segmento apresenta uma leve melhora, de acordo com Luiz Carlos de Moraes, vice-presidente da Anfavea: “A queda das vendas no acumulado do ano é de 14,1%, metade da verificada durante o ano de 2016, quando atingiu 30,6%. Esperamos uma recuperação no segundo semestre com crescimento de 3% a 6%”.

Ociosidade – A alta da produção, porém, não conseguiu baixar a taxa de ociosidade nas fábricas que hoje ultrapassa 70%. Para Antônio Megale, presidente da Anfavea, o segmento será impulsionado pelas iniciativas da Rota 2030, que promoverá a renovação da frota, de olho na diminuição da emissão de poluentes:

“As emissões de um caminhão Euro 0 equivale a cerca de 40 caminhões Euro 5. O custo operacional é o maior gasto nos caminhões. Um veículo que precisa ser constantemente reparado gera um custo grande e afeta a competitividade da empresa”.

Ônibus – A venda de ônibus caiu 16,9% no acumulado de janeiro a julho. No período foram comercializadas 6 mil 139 unidades ante 7 mil 384 unidades no mesmo período do ano passado. Moraes, da Anfavea, disse que a expectativa do segmento é a venda que pode ser gerada com a licitação de ônibus urbanos na cidade de São Paulo:

“É a maior frota do País. Essa licitação deve ocorrer em agosto e esperamos que comecemos a entregar os ônibus já neste ano. São 4 mil veículos que serão comprados. Será um bom negócio para o segmento”. A frota da capital paulista é de 14,7 mil ônibus.

Já a produção cresceu 12,9% nos sete primeiros meses do ano ante o mesmo período do ano passado, passando de 10 mil 874 unidades para 12 mil 273 unidades. Já as exportações caíram 0,4% na comparação de janeiro a julho de 2016 e 2017, caindo de 4 mil 904 unidades para 4 mil 8885 unidades.