Fabricantes na mira da ANP

A ANP, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, e as principais fabricantes de lubrificantes do País falam línguas diferentes quando entra em debate a qualidade dos produtos comercializados por aqui. Os pareceres bimestrais da agência, que apontam irregularidades em lubrificantes, seguem questionados pelas empresas.

Após nove meses operando em novo laboratório a ANP voltou a praticar o PML, Programa de Monitoramento de Lubrificantes, procedimento de avaliação realizado desde 2007 interrompido em setembro de 2014. Com o retorno das análises foram apontadas irregularidades em produtos Castrol, Chevron, Cosan e Total, empresas que estão no rol das dez maiores do segmento de lubrificantes no Brasil. Elas se defendem, em uníssono, dizendo que a ANP utilizou critérios equivocados na avaliação da composição dos produtos.

O PML, Programa de Monitoramento dos Lubrificantes, foi interrompido em função de reforma nos laboratórios do CPT, o Centro de Pesquisas Tecnológicas da ANP, e retomado em novembro de 2016. Após a reforma houve uma ampliação de 23% na área laboratorial e modernização na área administrativa. O PML acompanha sistematicamente a qualidade dos óleos lubrificantes comercializados no País, mas não possui caráter punitivo.

De acordo com Francisco Nélson Satkunas, conselheiro da SAE Brasil, durante algum tempo as empresas analisadas pela agência criticaram a capacidade de análise do laboratório e uma suposta falta de estrutura prejudicava a aferição das amostras de óleos lubrificantes analisadas:

“A ANP fazia as avaliações periodicamente e sempre houve divergência daquilo que era alegado nos boletins e pelos laboratórios das empresas. Havia a expectativa de que a expansão da estrutura melhorasse essa relação”.

Os óleos lubrificantes para o setor automotivo das marcas Havoline e Texaco, controladas pela Chevron, apareceram na lista de não conformidades da agência com problemas em seus registros: a empresa teria colocado no mercado produtos sem cadastro. Um modelo Castrol também figura na listagem pela mesma ocorrência. Um da marca Mobil – segundo mais vendido e controlado pela Moove, braço de lubrificantes da Cosan –, e um modelo de óleo da francesa Total aparecem na lista por insuficiência de aditivos na sua composição.

Para Denílson Barbosa, da área de controle de qualidade do laboratório da Total, as mudanças em procedimentos de análise que surgiram após a expansão prejudicaram a comunicação da ANP com as fabricantes, o que acarretou algumas notificações:

“No caso da notificação do nosso produto, sim, assumimos que houve equívocos no que diz respeito ao pacote novo de aditivos que passamos a utilizar no modelo apontado pela ANP em junho, mas há casos em que a agência utiliza critérios de avaliação distintos do mercado. Fora isso ela poderia entrar em contato com a empresa listada antes de divulgar o boletim”.

A Cosan, por comunicado, disse que os seus produtos cumprem as especificações exigidas pela ANP para a sua categoria. Ela informa, também, que a resolução da agência em 2014 não limitava a publicação de múltiplos números de registro com a mesma marca comercial, “o que levou a um erro na análise do programa”.

A Chevron, também por meio de nota, disse que julga improcedentes os apontamentos feitos pela ANP: “Todas as informações que se encontram no rótulo de seus produtos estão alinhadas com o processo de registro submetido e aprovado pela ANP”.
A Castrol, até o fechamento desta edição, não se pronunciou.

Ônix mantém liderança. Em vendas e nos financiamentos.

O Top 3 dos automóveis mais financiados no primeiro semestre do ano permanece o mesmo na comparação com o ano passado, de acordo com levantamento da B3, empresa que combina as atividades da BM&FBovespa e da Cetip. O Chevrolet Onix, com 47 mil 86 veículos, mantém a liderança na preferência dos financiamentos desde o fim de 2015. Na sequência vêm Hyundai HB20, com 30 mil 408 unidades, e o Ford Ka, com 25 mil 985 unidades. A novidade do levantamento são os SUVs Jeep Renegade e Hyundai Creta, e as picapes Toyota Hilux e Chevrolet S10, conforme destacou Marcus Lavorato, superintendente de relações institucionais da B3:

“O segmento de SUV está sendo o preferido do consumidor, com as montadoras lançando modelos desta categoria que têm o preço mais elevado”.

Segundo o levantamento as fabricantes mais tradicionais dominam o topo do ranking dos financiamentos de automóveis: General Motors com 97 mil 826 unidades, Volkswagen com 70 mil 281, Fiat com 63 mil 729 e Ford com 57 mil 926.

O prazo médio de financiamento do primeiro semestre permaneceu semelhante ao do mesmo período do ano passado: para veículos novos é de 36,8 meses, contra 36,6 meses, e para veículos seminovos é de 43 meses, contra 42,2 meses – com entradas maiores. São prazos distantes daqueles que chegavam a cem meses com zero de entrada durante o boom de vendas no mercado automotivo de alguns anos atrás.

Lavorato afirmou que os financiamentos longos ficaram no passado: “O número de veículos financiados está correlacionado com o nível de atividade de emprego e a confiança do consumidor. Hoje temos nível recorde de desemprego de quase 13% e um patamar muito baixo do índice de confiança do consumidor, aliados à instabilidade da conjuntura econômica”.

USADOS – Quando se fala em usados o Volkswagen Gol foi o carro mais financiado no primeiro semestre: manteve a primeira posição com 102 mil 982 unidades financiadas. O segundo lugar continuou com o Fiat Palio, que atingiu 69 mil 164 unidades.

O levantamento da B3 reúne os veículos comercializados por crédito direto ao consumidor, CDC, leasing e consórcio, inclusive aqueles contemplados e não quitados.

Neo Rodas eleva sua capacidade

A Neo Rodas aumentará sua produção em 1 mil rodas de alumínio por dia com sua nova célula de usinagem, que começará a operar este mês. Hoje, são fabricadas 3 mil unidades diárias. A máquina, uma IMT, é única no Brasil e totalmente automática, o que conferirá maior qualidade ao produto e mais competitividade à empresa.

Comprada por R$ 5 milhões tornou-se a maior aquisição da Neo Rodas este ano, em que a empresa pretende investir R$ 15 milhões em máquinas de laboratório, fornos de fusão, máquinas de fundição e também na infraestrutura da fábrica. Para o ano que vem a meta de investimento chega a R$ 18 milhões.

A capacidade de produção da Neo Rodas totaliza 1,2 milhão de rodas por ano. No primeiro semestre a produção chegou a 330 mil rodas, o que representou aumento de 33% com relação ao mesmo período do ano passado. Para o segundo semestre a estimativa é a de aumentar a produção em, no mínimo, 40%. Boa parte desse crescimento será impulsionada pelos lançamentos de veículos como Fiat Argo, Mitsubishi ASX, Lifan X60 e os novos modelos Volkswagen Polo e Virtus.

O foco da empresa – que hoje ocupa a terceira posição do ranking, depois de Maxion Wheels e de Mangels – é atingir a vice-liderança no fornecimento de rodas de alumínio no Brasil em 2019, de acordo com o CEO Alexandre Abage:

“Queremos impulsionar o crescimento com novos negócios. Estamos em negociação com montadoras instaladas aqui e temos trabalhado fortemente para aumentar nossas exportações para América do Sul e Europa. Nossos investimentos são feitos com capital próprio, o que dá garantia muito grande aos nossos clientes”.

A ideia da Neo Rodas é manter-se como fornecedora OEM, e não pretende produzir para o mercado de reposição. No Brasil a empresa produz para BYD, FCA, Hyundai CAOA, Mitsubishi e Volkswagen. Já suas exportações são realizadas por meio da General Motors para Chile e Argentina, para a Volkswagen na Argentina e para a Lifan no Uruguai.

Grupo PSA conclui compra de Opel e Vauxhall

O Grupo PSA, que controla as marcas Peugeot, Citroën e DS, finalizou na terça-feira, 1º, a compra da Opel e da Vauxhall, empresas que pertenciam à General Motors. O anúncio do negócio foi feito em março. Com a aquisição o grupo tornou-se o segundo maior fabricante de automóveis europeu, com participação no mercado de 17% no primeiro semestre de 2017.

Equipes Opel e Vauxhall têm prazo de cem dias para elaborar plano econômico que acelere a integração das empresas ao grupo. A sinergia gerada pela nova estrutura da PSA com a participação de Opel e Vauxhall é avaliada em € 1,7 bilhão no primeiro ano, segundo comunicado da PSA. Paralelamente à operação a compra dos negócios europeus da GM Financial está em andamento, sujeita à validação de diferentes instâncias regulatórias, e deve ocorrer até dezembro.

Carlos Tavares, presidente do Grupo PSA, afirmou que a adesão das novas marcas inicia uma nova fase do desenvolvimento do grupo:

“Estamos assistindo hoje ao nascimento de um verdadeiro campeão europeu. Saberemos aproveitar a oportunidade de nos fortalecer mutuamente e de conquistar novos clientes graças à execução do plano de desempenho que a Opel e a Vauxhall colocarão em prática. A aplicação do plano Push to Pass continua a ser uma prioridade”.

O Push to Pass é plano de gestão iniciado no ano passado e que tem como objetivo o crescimento do faturamento do grupo em 10% até 2018.

A PSA registrou faturamento de € 29 bilhões 165 milhões no primeiro semestre, 5% maior do que o obtido no mesmo período do ano passado. O faturamento da divisão automotiva foi de € 19 bilhões 887 milhões, também em alta, de 3,6%, com relação ao primeiro semestre de 2016, principalmente devido aos novos modelos e à disciplina em matéria de preços da companhia.

O desempenho no semestre levou a empresa a manter as projeções para o ano anunciadas em janeiro: projeta crescimento de cerca de 3% no mercado automotivo na Europa e de 5% na China, na América Latina e na Rússia. Na América Latina manteve fatia de 3,9% de mercado registrada em 2016 na Argentina, Brasil, Chile e México.

Contratações – Com a aprovação do negócio a PSA anunciou também a nova estrutura de executivos. Christian Müller sucede a William F. Bertagni na vice-presidência de engenharia, com a responsabilidade de integrar a engenharia e os grupos motopropulsores em um único departamento, e Remi Girardon deixa de ser o vice-presidente de estratégia industrial do grupo para substituir Philipp Kienle na vice-presidência industrial.

Mais: Philippe de Rovira é o novo diretor financeiro da Opel no lugar de Michael Lohscheller, e Michelle Wen, diretora de gestão de fornecedores da Vodafone Procurement, integrará a equipe de direção da Opel em 1º de setembro em sucessão a Katherine Worthen, atualmente vice-presidente de compras.

Vendas de veículos seguem aceleradas

As vendas de veículos, de janeiro a julho, cresceram 3,38% em comparação com o mesmo período do ano passado, chegando a 1 milhão 204 mil 22 unidades, de acordo com balanço da Fenabrave divulgado na terça-feira, 1º. Em julho as vendas aumentaram 1,9% com relação a julho de 2016, totalizando 184 mil 838 unidades.

O desempenho no período mantém as expectativas da entidade para o segundo semestre, disse Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave:

“A projeções são positivas baseadas na maior oferta de crédito e na melhora dos índices de confiança”.

Ele também apontou os lançamentos de veículos como fatores que favorecerão os resultados até dezembro.

Os segmentos de automóveis e de comerciais leves apresentaram alta de 3,95% no acumulado do ano sobre o mesmo período de 2016, 1 milhão 170 mil 308 unidades ante 1 milhão 125 mil 868. Se comparados apenas os meses de julho de 2017 e de 2016 o resultado aponta alta de 2,33%.

As vendas de caminhões somaram 4 mil 525 unidades, o que representou queda de 3,35% em julho com relação à mesma base do ano passado. Já no acumulado o segmento continua em queda, de 13,7%, com licenciamentos de 25 mil 984 caminhões. Recuo também nas vendas de ônibus de janeiro a julho: foram emplacadas 7 mil 930 unidades, declínio de 11% no período.

Caminhoneiros protestam por aumento no diesel

Caminhoneiros fizeram protestos em estradas do País na terça-feira, 1º, contra o aumento dos impostos sobre os combustíveis, o que encarecerá o valor do frete. O diesel ficou até R$ 0,46 mais caro por litro. Foram registrados atos em rodovias de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo, alguns deles com bloqueio de pistas.

Como a margem de lucro do transporte é pequena, representando em média 5% do valor do frete, o reajuste de combustível compromete os rendimentos tanto dos caminhoneiros como das transportadoras, de acordo com Lauro Valdívia, assessor técnico da NTC&Logística, entidade que representa os empresários do transporte de cargas. O valor do frete caiu 2,89% no primeiro semestre, segundo pesquisa com cerca de dois mil associados da entidade.

Segundo ele o volume dos fretes está em queda desde 2014 e apenas em 2016 as receitas das transportadoras caíram em torno de 20%:

“As transportadoras não têm capital para investir em novos veículos. Prova disso é que as vendas de caminhões despencaram e representam apenas um terço daquelas de 2013. Se tivermos uma retomada na economia há o grande perigo de faltar caminhões, pois muitas transportadoras fecharam ou diminuíram de tamanho”.

Prova disso é que a NTC reunia 160 mil transportadoras cadastradas, que hoje são 117 mil 360.

Repasse – O aumento do diesel costuma provocar um efeito dominó no encarecimento do frete: caminhoneiros repassam o custo para as transportadoras que, por sua, vez, o transferem para seus clientes. No entanto, com a diminuição do volume de negócios, as transportadoras se encontram em uma sinuca de bico: repassar ou não esse custo adicional aos seus clientes.

“As transportadoras não têm como assumir mais esse aumento sem repassar para seus clientes. Outras, no entanto, podem escolher arcar com esse custo para manter a clientela e diminuir outras despesas. Mas após três anos de crise as empresas não têm onde cortar mais despesas”.

Renault anuncia mais R$ 750 milhões para o Brasil

A Renault anunciou na terça-feira, 1º, investimento de R$ 750 milhões em uma nova fábrica de injeção de alumínio e na expansão da sua unidade de motores em São José dos Pinhais, PR. O protocolo de intenções foi assinado pelo governador do Estado e pelos presidentes da Renault América Latina, Olivier Murguet, e do Brasil, Luiz Pedrucci.

O último ciclo de investimento, de R$ 500 milhões, deveria ser aplicado até 2019 mas foi consumido com a conclusão do desenvolvimento do Kwid.

De acordo com a Renault a fábrica de injeção de alumínio começará a produzir em janeiro. A produção será feita a partir de uma linha para o bloco e outra para o cabeçote do motor. Do total anunciado R$ 350 milhões terão como destino a nova fábrica de injeção de alumínio, que deve gerar 150 empregos diretos em três turnos de produção. Outros R$ 400 milhões chegarão para a ampliação da unidade de motores, que terá novas linhas de usinagem de cabeçotes de alumínio. Com o investimento a Renault será beneficiada pelo programa Paraná Competitivo com o diferimento do pagamento do ICMS da fatura de energia elétrica e do gás natural da fábrica por 48 meses.

A fábrica de motores será ampliada para a produção de equipamentos mais eficientes, de acordo com Olivier Murguet. Outro fator que motivou o investimento foi o crescimento das vendas na América Latina: “Nossos investimentos reforçam a importância estratégica do Brasil. No ano passado, exportamos 35% da nossa produção. No primeiro semestre aumentamos nossas exportações em 60% com relação ao ano passado. Contratamos setecentas pessoas há três meses para o terceiro turno e operamos muito próximo da nossa capacidade máxima”.

A Renault pode produzir 380 mil veículos/ano no Paraná.

O executivo disse, ainda, que a empresa aumentará o índice de nacionalização de componentes e prevê o lançamento de uma nova geração de motores. Inaugurada em 2001 a fábrica de motores já produziu aproximadamente 3,5 milhões de unidades, com cerca de 40% destinados à exportação, principalmente para Argentina. A Renault, que começou a produzir no Brasil em 1998, emprega 6,3 mil pessoas diretamente e gera aproximadamente 25 mil empregos indiretos. O complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, reúne as três fábricas da marca no Brasil: de automóveis, de comerciais leves e de motores.

Argentina vende 22,6% a mais de automóveis em julho

A venda de automóveis na Argentina atingiu seu sétimo aumento consecutivo no ano. Em julho as vendas subiram 22,6% com relação ao mesmo mês do ano passado, com 78 mil 25 veículos emplacados. As informações são do Flash de Motor, da Venezuela.

Já o volume acumulado do ano mostra o emplacamento de 531 mil 423 unidades, o que representou aumento de 30% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com o relatório publicado pela Acara, associação que reúne as concessionárias do país.

A projeção é a de que as vendas alcancem em torno de 1 milhão de unidades até o fim de dezembro, melhorando inclusive os números de 2016, impulsionados pelas vendas de picapes.

O comunicado de Acara, no entanto, fez referência ao peso dos impostos sobre os automóveis, segundo o presidente Dante Álvarez, presidente da associação: “As concessionárias sofrem uma grande perseguição fiscal, o que contribui para um retorno que não é sustentável. Precisamos de uma reforma tributária que atenda às necessidades nosso setor”.

Daniel Herrero, presidente da Toyota Argentina, antecipara, em entrevista ao site Infobae, que os impostos representam até 55% do preço de venda final em alguns veículos.

Motos – Os resultados das vendas de motos também foram bastante positivos para o mesmo período. Com mais de 50 mil unidades vendidas em julho os emplacamentos cresceram 46,9% com relação a julho de 2016. Apenas nos sete meses deste ano foram vendidas 372 mil 592 motos, o que representou aumento de 50,5% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Para Gustavo Bassi, presidente do segmento de motos da Acara, a estimativa é manter esse crescimento: “O mercado deverá manter essa demanda, nos encaminhando para uma situação cada vez mais formal e estável”.

Mercedes-Benz revê projeções para 2017

O mercado de caminhões fechou o primeiro semestre com desempenho de vendas 16% menor do que o de mesmo período no ano passado, com 21 mil 457 unidades, e este cenário, construído em meio a incertezas promovidas pela política e pela economia, fez a Mercedes-Benz reduzir de 10% para 3%, na melhor das hipóteses, sua projeção de crescimento de mercado para 2017. A esperança da companhia são os negócios gerados na Fenatran, que ocorre em outubro, demandas pontuais no agronegócio e na área de bebidas.

Em janeiro Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas da companhia, anteviu o crescimento com base nas medidas anunciadas pelo governo, como as reformas tributária e trabalhista e as novas regras do Finame, principal linha de crédito do BNDES para o setor. As expectativas, no entanto, foram diminuindo na mesma proporção em que caíam os licenciamentos no semestre: “Não estou mais tão otimista, pois matematicamente ficará muito difícil de acontecer. Existe uma recuperação com relação ao ano passado, mas ainda estamos com um desempenho menor”.

Em janeiro, de acordo com dados da Anfavea, foram 2 mil 947 os caminhões emplacados no País. Em fevereiro, com menos dias úteis, foram 2 mil 614. Em março houve uma reação, 4 mil 104 unidades emplacadas, seguida de nova queda em abril, 3 mil 469, e de novo aumento no volume em maio, 4 mil 105, e junho, 4 mil 218. Para Leoncini o ritmo mensal para o ano tende a se manter até 4,5 mil unidades por mês até dezembro, num patamar que, segundo ele, foi verificado ao longo do ano passado.

O executivo disse que este ano haverá um fenômeno atípico nas vendas para clientes que atuam no agronegócio. Historicamente essas empresas compram caminhões em novembro e dezembro, com os emplacamentos feitos em janeiro, para que operem na colheita. Este ano a companhia percebeu que os principais clientes do segmento anteciparão suas compras porque se encerram os ciclos de suas frotas atuais:

“Novos caminhões entrarão no segundo semestre. No agronegócio, apesar do preço da soja e do milho, ainda há movimento de compra de equipamentos dentro da cadeia, mesmo com o que houve no segmento de carne. Há demanda. Eles vêm sentindo o volume do mercado e já estão pensando em movimentos de renovação de frota. Em alguns segmentos, nós sabemos, haverá uma reação. Como o de bebidas, em que há pouco tempo algumas empresas fizeram concorrência para o transporte. Pode ser que isso estimule a compra de caminhões”.

Vendas caem nos Estados Unidos

As empresas fabricantes de veículos nos Estados Unidos registraram, em julho, queda nas vendas ainda mais acentuada do que havia sido previsto por analistas, o que reforça as dúvidas de que a indústria será capaz de manter o nível recorde alcançado nos últimos dois anos.

As vendas caíram 15% para a General Motors e 10% para a FCA. Para a Ford a queda chegou a 7,4%, com exceção de picapes – só as vendas de automóveis diminuíram 19%.

Mas a Toyota cresceu 3,6% nas vendas em julho, impulsionadas pela forte demanda do crossover RAV4. Nissan e Honda superaram as estimativas dos analistas, embora as vendas tenham caído em julho: o novo cupê Q60 apresentou aumento de venda para Nissan Infiniti, e as vendas do crossover Honda HR-V saltaram quase um terço na comparação com julho do ano passado.

Depois de sete anos de crescimento as quedas nas vendas de automóveis fez os investidores rejeitarem as ações das companhia produtoras. A redução com as despesas em veículos e autopeças têm freado o crescimento econômico em cinco dos últimos oito trimestres, de acordo com o Departamento de Comércio.

As ações da maioria das grandes montadoras têm arrastado os indicadores de desempenho das cotações das ações da bolsa este ano. As ações da GM caíram 3,7% e as da Ford baixaram 3,1% após a divulgação dos dados. As exceções são Chrysler e Tesla – esta última teve uma boa aceitação de seu sedã Modelo 3.

Estoques – A GM, que projetou vendas de 16,9 milhões para este ano, disse que seu estoque de veículos é suficiente para 104 dias de vendas, bem acima da meta de setenta dias. Os estoques estão cheios e os descontos, que corroem os benefícios, podem até crescer ainda mais no segundo semestre para manter aceso o setor – nem que seja a uma velocidade reduzida.

Como consequência as fabricantes mantiveram os incentivos para vendas durante julho, ao contrário do habitual, quando são suspensos após o feriado de 4 de julho, segundo Thomas King, vice-presidente da consultoria JD Power.

O incentivo para veículos aumentou, em média, para US$ 279 em julho com relação ao mesmo mês do ano anterior. Isso significa que as fabricantes estão promovendo mais descontos para movimentar suas vendas e não estão sendo totalmente compensadas pela venda de modelos mais lucrativos.