Governo teme queda da arrecadação de impostos com Rota 2030

O governo brasileiro teme a queda na arrecadação de impostos com o avanço dos veículos dotados de motores mais eficientes, uma das demandas do Rota 2030, a política que deverá substituir o Inovar-Auto. Um dos principais pilares do programa, que é desenhado conjuntamente por Brasília e o setor automotivo, é a redução do IPI, o Imposto sobre Produtos Industrializados, para veículos com esta característica.

Segundo Henry Joseph Júnior, gerente da Volkswagen e um dos vice-presidentes da Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, interlocutores do governo revelaram, durante discussões sobre o Rota 2030, o temor com relação à eventual queda na arrecadação, embora considerem que compensar as perdas com outros impostos seja inviável no momento: “Criar mais impostos torna inviável os avanços que queremos, mas há uma preocupação com relação a isto”.

O representante dos fabricantes disse, durante o segundo dia do Ethanol Sumit, realizado em São Paulo na terça-feira, 27, que alternativas estão sendo estudadas para evitar o cenário temido pelo governo, mas que elas estão sendo tratadas internamente, sem a participação do setor automobilístico: “O papel das fabricantes é promover meios pelos quais a indústria possa se equiparar em qualidade, e em nível de eficiência, aos mercados mais desenvolvidos”.

Um dos caminhos, disse Miguel da Fonseca, vice-presidente executivo da Toyota, passa pelo desenvolvimento da produção e das aplicações do álcool nos veículos produzidos no Brasil. Ele argumentou que é necessário pensar no insumo como um combustível global, e que toda a cadeia deve considerar este fator da mesma forma como considera aumentar o nível de tecnologia dos veículos: “Ainda que o Brasil seja um produtor importante de álcool representamos 2% da frota global de veículos. E isso mostra o quanto precisamos avançar em conjunto como cadeia produtiva”.

Para Ricardo Bacellar, diretor da área automotiva da KPMG, o Brasil tem vocação para a produção de álcool e precisa aproveitar o momento, considerado chave, por duas razões: possibilidade de mudança na política industrial e maior proximidade com mercados externos nos últimos três anos. Na linha do argumento da Anfavea ele disse que o País deveria estabelecer parcerias com outros produtores de álcool e ganhar musculatura para desenvolver produtos atraentes em outros mercados:

“O setor automotivo precisa ser mais proativo com relação aos combustíveis limpos não apenas para o Rota 2030 mas para situar o Brasil como um produtor global. Temos um legado enorme. Se somarmos essa experiência à de outros países produtores entraremos no contexto global, no qual ganha mercado quem oferece veículos eficientes”.

Durante o Ethanol Summit Anfavea e Unica, União da Indústria de Cana de Açúcar, assinaram protocolo de intenções de incentivos à produção de álcool de cana de açúcar. As duas entidades se comprometeram a atuar em conjunto na promoção do combustível nas esferas pública e privada.

Com novos contratos Dunlop deve ultrapassar 5 milhões de Pneus/ano produzidos

A Dunlop atingiu, em junho, a marca de 12 milhões de pneus fabricados em seus quase quatro anos de operação no Brasil. O volume reflete os números da produção, que vêm aumentando ano a ano. Em 2013, ano da inauguração de sua fábrica brasileira, produziu 92 mil 410 pneus. No ano seguinte a produção atingiu 1 milhão 436 mil 445 unidades. Em 2015 mais que dobrou, chegando a 3 milhões 700 mil 573, e a 4 milhões 644 mil 581 em 2016. Até maio a produção já somou 2 milhões 36 mil 580 e, se mantiver a perspectiva de produção de 15 mil pneus/dia, deve ultrapassar 5 milhões/ano.

Para manter o ritmo de crescimento a empresa busca novos contratos com montadoras, contou Rodrigo Alonso, gerente sênior de vendas e marketing. Hoje os pneus da Dunlop equipam Palio, Uno e Mobi, da Fiat, Gol e Voyage, da Volkswagen, e os utilitários Hilux e SW4 fabricados pela Toyota na Argentina:

“O crescimento das vendas de equipamento original vem contribuindo para o aumento do volume total e nos consolidando cada vez mais no mercado brasileiro. Para este ano nossa meta é fornecer 500 mil pneus para as fabricantes instaladas aqui. Já no caso dos pneus que equipam veículos da Toyota produzidos na Argentina nosso objetivo é chegar a 800 mil unidades”.

Este ano as vendas também devem ser estimuladas por dois grandes lançamentos: o Fiat Argo e a nova versão do Volkswagen up!, que receberam o pneu EC300+. Outra frente é a diversificação dos produtos: “Apesar da dificuldade econômica do País estamos avançando em vendas com uma gama cada vez maior, tanto no segmento de automóveis como no de caminhões. Também temos alcançado ótimos resultados nas exportações”.

Produção – Cerca de 75% da produção estão destinados ao mercado de reposição e 20% às montadoras localizadas no Brasil e Argentina. Os 5% restantes são exportados para outros países da América do Sul como Bolívia, Chile e Colômbia.

De olho no futuro a Dunlop investe R$ 487 milhões para aumentar sua produção de 15 mil unidades/dia para 18 mil/dia. Para tanto está construindo nova fábrica dedicada a pneus para caminhões, localizada na mesma área da de pneus para veículos de passeio, no em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, PR.

As obras começaram em janeiro e a operação deve ser iniciada em março de 2019, com produção de 500 unidades/dia.

Palio com os dias contados?

A chegada do Argo pode decretar o fim de um ícone da Fiat no País, o Palio. As versões 1.4 e 1.6 do modelo já não são produzidos em Betim, MG, desde maio, e a de entrada, a 1.0, continua em montagem na Argentina e vendida por R$ 44 mil 570. O Argo, com sua versão 1.0, parte de R$ 46,8 mil. A explicação da empresa é que as versões mais potentes poderiam concorrer com o novo carro.

Já a de entrada, segundo Adriano Resende, gerente de marketing da Fiat, os modelos podem conviver no mercado brasileiro: “Temos dois perfis diferentes de clientes para a compra de cada modelo. No caso do Palio mais racional e do Argo mais emocional, ligado a conteúdos tecnológicos”.

Resende ressaltou que o Palio será trabalhado por meio de ações comerciais que o tornarão mais competitivo no mercado.

Antônio Jorge Martins, coordenador do MBA sobre indústria automotiva da FGV, disse que o cliente do Palio 1.0 é sensível a preço e isso pode sustentar o modelo por um tempo. No entanto a sobrevida da versão dependerá do desempenho de vendas do Argo 1.0: “É uma estratégia da Fiat manter um carro que, por muito tempo, foi o seu líder de vendas no País. Mas por quanto tempo?”.

Até maio foram licenciadas 12 mil 132 unidades do Palio, em todas as versões, o que dá uma média de 2 mil carros por mês. Somente a versão 1.0 tem média mensal de oitocentos licenciamentos. Resende informou que a expectativa do Argo com motorização menor é de 1,6 mil unidades/mês: “Esta versão representa 35% do mix de vendas”.

Ao todo a estimativa é de 5 mil carros por mês. O modelo já está à venda nas concessionárias desde o lançamento, no início deste mês.

Segundo a empresa o Argo faz parte do investimento feito para modernizar a fábrica de Betim. Ele representa um novo ciclo de renovação no portfólio, depois de um período em que investiu em segmentos nos quais ainda não estava presente, como o de picapes maiores, com a Toro, e hatches subcompactos, como o Mobi.

Martins lembrou que os carros têm três fatores que atraem a atenção dos consumidores no Brasil. O primeiro deles é a conectividade e quanto mais tecnológico o modelo for o sucesso será maior. O segundo é o design e, por último, o preço é levado em conta na hora de decidir por um modelo ou não: “É muito difícil um modelo continuar no mercado sem essas três características. Somente o bom preço não sustenta as suas vendas”.

O Palio atual é equipado com o motor antigo da Fiat e não tem os mesmos apelos tecnológicos que o Argo. Na versão 2017 a empresa optou por não realizar mudanças no visual e nem na parte mecânica. Talvez por já saber a data e hora de sua descontinuidade.

Mais Proconve em 2022

As próximas fases do Proconve, Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores, entrarão em vigor em 2022. O programa, que busca reduzir as emissões de poluentes, é realizado em etapas progressivas. Para os caminhões a nova fase será o P8, equivalente ao Euro 6. Já para os veículos leves será o L6, similar ao Euro 6A.

As mudanças realizadas no Proconve serão determinadas a cada cinco anos: 2022, 2027, 2032 e assim por diante, de acordo com Francisco Baccaro Nigro, assessor técnico da Secretaria de Energia e Mineração do Estado de São Paulo:

“A indústria automobilística nacional tem dificuldades para incluir seus veículos na legislação prescrita pelo Proconve. No Brasil todos os tipos de veículos devem seguir a mesma meta, enquanto que a Europa adota metas específicas para cada tipo de automóvel como, por exemplo, para comerciais leves e utilitários. O mesmo vale para os caminhões, que apresentam inúmeras diferenças com relação ao tamanho e à carga”

Ele participou do primeiro Automotive Techday, evento promovido pelo IPT, Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em conjunto com a IAV do Brasil, empresa de engenharia com interesses na indústria automotiva.

Para cumprir a meta Nigro acredita que o setor automotivo deve investir na produção de veículos que utilizem o álcool como combustível, como os veículos bicombustíveis ou flex fuel: “No mundo todo o custo do carro elétrico é muito alto por causa da bateria. No Brasil não vale a pena importar veículos de alto custo para um mercado consumidor pequeno. Acredito que o preço dos elétricos cairá apenas no futuro. Por enquanto, operacionalmente, eles só são viáveis nos serviços de compartilhamento de carros, o chamado car sharing”.

Pesquisa – De olho nas novas fases do Proconve o laboratório do IPT foi reativado após oito anos. O investimento de R$ 10 milhões contou com recursos da Petrobras, da IAV e do governo do Estado de São Paulo. Uma das pesquisas em andamento é a análise do conteúdo de enxofre no diesel, motivada pelo alto teor de elemento químico no combustível brasileiro e as mudanças que serão provocadas com a implementação do P8 para os caminhões.

Para tanto o IPT firmou parceria com a empresa de engenharia de origem alemã IAV, Ingenieurgesellschaft Auto und Verkehr, em janeiro deste ano. Cinco empresas ligadas ao setor automotivo detêm o capital da IAV: Continental, Freudenberg, Sabic, Schaeffler e Volkswagen.

A parceria possibilita o intercâmbio de experiências e profissionais em vários projetos, de acordo com Fernando Landgraf, diretor presidente do IPT: “O acordo só foi possível graças à lei de inovação, que mudou a legislação nas parcerias com as empresas. É uma nova fase para o IPT”.

Alta das vendas internas diminui ociosidade das fábricas

As vendas internas de máquinas e equipamentos, de janeiro a maio, somaram R$ 15 bilhões 575 milhões, 2,3% a mais do que no mesmo período de 2016. As exportações somaram US$ 3 bilhões 330 milhões, alta de 1,1% na mesma comparação. Em maio o faturamento foi de R$ 6 bilhões 26 milhões, crescimento de 5,3% no comparativo com o mesmo mês do ano passado. Os dados foram divulgados na quarta-feira, 28, pela Abimaq, Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos.

Segundo a entidade a alta na receita, em maio, interrompeu sequência de 25 quedas mensais consecutivas, e poderia ser um indicativo de retomada – “não fosse a nova crise de confiança causada pela delação da JBS”, como sugere documento distribuído. O desempenho positivo das vendas refletiu no nível de utilização da capacidade instalada das empresas: segundo a Abimaq o índice aumentou 3,7 pontos porcentuais, chegando a 68,9%. No ano passado as fabricantes utilizaram, em média, 66,5% da sua capacidade.

Assim como ocorreu nos meses anteriores aferidos pela Abimaq as exportações ainda se mostram como salvação do setor, que ainda busca uma retomada. Em maio de 2017 o setor compensou pequena parte da queda das exportações observada em abril, de 34%, ao crescer 12,3% e chegar a US$ 705 milhões no período. A análise por setor indica um desempenho significativo nas exportações de máquinas para o agronegócio, alta de 50,6%. Máquinas para petróleo e energia renovável também registraram alta, com 52%. Máquinas para bens de consumo caíram 35,6%.

Por destino os países do Mercosul – Argentina, Paraguai e Uruguai – foram os principais clientes das fabricantes brasileiras. As vendas ao bloco cresceram 27,9% em 2017 na comparação com 2016. Estados Unidos foi outro destino que aumentou suas compras de máquinas nacionais: 3,6%. Os embarques à China caíram 28,4%. À Europa, queda de 25,6%.

Carro autônomo da PSA nas ruas em 2020

O Grupo PSA, das marcas Peugeot, Citroën e DS, afirmou que está avançado o desenvolvimento de veículos que tenham uma condução autônoma de nível 3 em 2020, ou seja, que possam se movimentar sem interferência humana, ainda que o motorista possa reassumir o controle. As demais companhias, por outro lado, trabalham em projetos nos níveis 4 e 5, quando o carro tem autonomia total. As informações são do site Automotive News.

O tempo de transferência do modo autônomo para o manual é apontado como principal entrave enfrentado pela fabricante. Isso acontece porque a IOS, a Organização Internacional de Padronização, na sigla em inglês, exige que o veículo tenha uma probabilidade de apresentar falha técnica próxima a uma em um milhão. Por causa desta recomendação do órgão Ford e Volvo, por exemplo, disseram que não oferecerão veículos de nível 3.

O PSA testou um carro autônomo em condições diferentes para checar se o motorista pode assumir o controle rapidamente, mesmo que ele tenha deslocado o assento. Para Cedric Vivien, diretor de inovação, a empresa está satisfeita com os resultados: “A PSA continuará com planos para o desenvolvimento de autonomia de nível 3, e também continuará aprendendo com nossos clientes para melhorar os sistemas no futuro”.

Ainda que os testes estejam avançados no nível 3 a fabricante lançou oficialmente na última semana a estratégia para a introdução da condução autônoma em sua gama de veículos, a qual a empresa batizou de Veículo Autônomo para Todos e tem foco em projetos de nível 1. Neste patamar tecnológico a autonomia se dá em funções como controle de cruzeiro e posicionamento de pista. Estas funções já estão disponíveis nos Peugeot 208 e 308, 2008 e 3008.

O plano ainda contempla introdução do nível 2 de autonomia primeiro no DS 7 Crossback, depois nos demais. A automação de nível 2 incluirá estacionamento automatizado e piloto automático, que monitora a posição do carro na sua faixa e com relação a outros veículos.

Já a Volkswagen anunciou que a partir de 2019 iniciará a montagem de seus primeiros modelos com pWLAN, uma tecnologia de comunicação para a troca de informações de tráfego com carros conectados. Isto, por exemplo, permitirá informações sobre a situação corrente do tráfego, acidentes e outras situações relacionadas às condições do trânsito.

Cresce a exportação de autopeças

O setor de autopeças exportou US$ 626,3 milhões em maio, apresentando crescimento de 8,4% frente ao mesmo mês do ano anterior, quando as vendas ao exterior atingiram US$ 578,0 milhões. Os dados foram divulgados pelo Sindipeças, Sindicato Nacional dos Fabricantes de Autopeças. Segundo a entidade, indubitavelmente, o esforço para a conquista de novos mercados, a perspectiva de moderado crescimento das economias da América Latina em 2017, 1,1%, segundo projeção do FMI, vis à vis a recessão doméstica e o nível da taxa de câmbio, malgrado a valorização recente, são fatores que ajudam a compreender o desempenho das exportações.

No acumulado até maio, as exportações superaram em US$ 90 milhões as vendas embarcadas durante igual período de 2016, totalizando US$ 2 bilhões 760 milhões. As importações totalizaram US$ 1 bilhão em maio, avançando 2,4% a maio de 2016. “Embora o crescimento interanual das importações tenha sido menor, comparativamente aos meses anteriores, elas seguem avançando muito à frente das exportações.” A variação acumulada até maio foi de 11,4% para os componentes, partes e peças importados e de apenas 3,4% para os embarques realizados.

Diante disso, prossegue deficitária a balança comercial do setor. Em maio, o saldo ficou negativo em US$ 412 milhões, superando em US$ 77 milhões, aproximadamente, o resultado de abril. Segundo o Sindipeças, há, todavia, um fato novo: “Pela primeira vez no ano, o déficit mensal foi inferior ao verificado em igual período do ano anterior. Na comparação de maio contra maio de 2016 o saldo foi 5,5% menor”.

Argentina, Estados Unidos, México e Alemanha seguem como principais destinos exportações das fabricantes nacionais, enquanto China e Coréia do Sul são os maiores países onde as empresas importam as autopeças.

Consórcio cresce com a piora da renda familiar

O consórcio ainda é a terceira escolha do consumidor no momento da aquisição de automóvel, atrás das modalidades de financiamento e compra à vista. No entanto, as administradoras esperam que sua participação salte de 5% para 8% – mesmo patamar recorde de 2013 – nas compras de veículos até o final do ano em função de um cenário composto por três fatores: crédito bancário restrito, retenção dos investimentos e, principalmente, aumento de clientes da classe C nos consorciados.

Segundo Paulo Roberto Rossi, presidente da Abac, a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio, o agravamento da crise econômica a partir de 2015 diminuiu a renda de parte das famílias, fato que gerou uma migração de pessoas das classes A e B para a classe C. Isso refletiu no segmento de consórcios, que passou a contar com mais clientes em uma fatia que vinha reduzindo de tamanho:

“Depois de 2015 verificamos que clientes oriundos deste faixa populacional aumentaram sua participação na compra de cotas de consórcio, percebemos que a presença da classe C aumentava por causa da diminuição da renda das famílias”. De acordo com uma pesquisa da Abac, feita com 1,1 mil consorciados ativos no quadrimestre, 46% dos consorciados pertenciam à classe C, caracterizada por uma renda de quatro e dez salários mínimos. No mesmo período do ano passado, a fatia era de 44%.

Rossi disse que a tendência é que as empresas capitalizem o aumento deste perfil de cliente nos consórcios. A estratégia utilizada no momento é a de aumentar o prazo médio dos grupos: “Com a crise as empresas passaram a oferecer mais tempo para o pagamento das parcelas. Em alguns casos há parcelamentos em 80 meses. Antes da crise o prazo máximo foi de 60”.

No acumulado até abril, a venda de novas cotas de consórcio de veículos somou 637,8 mil unidades, alta de 4,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. Foi um aumento de 1,3 ponto porcentual com relação ao acumulado dos três primeiros meses por causa da melhora nos segmentos de motos e veículos pesados, aponta a Abac. No caso dos veículos leves, a venda de 345,6 mil novas cotas até abril resultou em alta de 16,2%. O valor médio das cotas no acumulado até abril foi de R$ 41,3 mil, ou 5,9% maior que o anotado nos mesmos quatro meses de 2016.

O aumento do valor das cotas, disse o presidente da Abac, se deu no período, em parte, pelo aumento dos preços dos veículos nos últimos anos. Por outro lado, esse avanço é visto como um indicador de que os consumidores mantiveram o ritmo de compra de cotas de consórcio apesar do período de instabilidade política e econômica: “Os preços dos veículos aumentaram, é fato, mas o clientes optaram pelo consórcio para comprarem carro porque as condições de contratação são favoráveis em meio às intempéries”.

Argentina: consórcios impulsionam vendas de veículos.

A metade das vendas de veículos na Argentina é financiada, e destas, 31% são vinculadas aos bancos ou financeiras de montadoras e outros 16% são realizados por bancos de varejo. Os 50% restantes são consórcios. As informações são do site Flash de Motor, da Venezuela.

As principais montadoras que aproveitaram este boom de vendas por cotas foram Fiat e Volkswagen. Juntas elas concentram a metade desse mercado. Na terceira e quarta posições estão Renault e Ford, com 13% cada uma. Em todos os casos os carros mais financiados são os modelos de entrada, como valores mais baixos, e as picapes, destinadas principalmente para o trabalho.

O acesso ao financiamento para a compra de veículos, sem dúvida, é o que mais impulsionou o crescimento do mercado automotivo na Argentina, um dos poucos setores a registrar aumento no último ano. Segundo os dados da Associação de Concessionárias Automotoras, ACARA, os contratos de consórcio aumentaram mais de 30% de janeiro a maio. Em maio, a expansão foi de quase 40%, o maior aumento dos últimos 12 meses.

E quando os modelos, os mais financiados por as montadoras coincidem com os mais vendidos no mercado argentino. É o caso da Volkswagen, a líder do setor, e o modelo mais financiado até maio é o Gol, depois é o up! e a picape Amarok. A empresa financiou este ano 55,3% de suas vendas segundo a ACARA, setes pontos acima que os cinco meses do ano passado.

No segundo lugar em participação nos consórcios está a Fiat. Seus modelos mais vendidos pela modalidade são o Mobi, o Novo Palio e o Siena. Destaque também para a picape Toro, que ficou no quarto lugar nos modelos mais comprados por crédito. A Fiat financiou 65% dos veículos vendidos até maio.

Renault registrou também um aumento importante nos financiamentos. Segundo a ACARA 61% foi feita por essa modalidade, outros 35% por consórcio. O seu modelo líder de vendas é o Sandero, seguido pelo Stepway e o Logan. A financeira, Renault Credit, concentrou 51% das suas vendas. Também o Sandero lidera essa venda, mas seguido pelo Duster Oroch e o utilitário Kangoo.

Na Ford, os modelos mais financiados de janeiro a maio foram o Focus, a picape Ranger e o Ka. A empresa concede créditos especiais para cada modelo em particular e segundo o perfil do cliente.

Ford cria nova divisão para explorar novos processos

A Ford está apostando cada vez mais na tecnologia, de acordo com o site Automotive News. Ken Washington, diretor chefe de tecnologia da Ford, escreveu um texto em seu blog informando que a montadora está criando uma nova divisão no departamento de Pesquisa e Engenharia Avançada para explorar tecnologias que poderiam lançar a companhia em novos mercados. 

As áreas de robótica e inteligência artificial se tornaram parte integrante para o desenvolvimento de veículos autônomos. Elas têm contribuído para outras áreas ligadas à tecnologia de mobilidade – um campo que a Ford vem explorando com a sua subsidiária Ford Smart Mobility.

A divisão de robótica e inteligência artificial irá pesquisar, de acordo com o texto de Washington, “novas tecnologias de sensores, técnicas necessárias para entrada em mercados globais e desenvolvimento de dispositivos de mobilidade pessoal, drones e outros aparelhos robóticos aéreos”.

Prova disso é que a montadora investiu, em fevereiro, US$ 1 bilhão na Argo AI, uma startup que desenvolve carros autônomos, em Pittsburgh, nos Estados Unidos. A Argo AI está desenvolvendo a plataforma para a primeira geração de carros autônomos da Ford e também trabalhará com a nova equipe.

Outra frente da empresa é na melhora dos processos produtivos. Na Rússia, os funcionários da linha de montagem da fábrica da Ford de Naberezhnye Chelny estão testando o uso de óculos 3D de realidade aumentada para a produção dos modelos EcoSport e Fiesta. O objetivo é facilitar a localização de peças no estoque e aumentar sensivelmente a eficiência da operação.

Por enquanto, essa nova tecnologia está em fase de testes, mas dependendo dos resultados poderá ser utilizada em outras unidades. O sistema, chamado de Pick by Vision, Escolha pela Visão, precisa de menos de meia hora para ser instalado e começar a funcionar. Essa fábrica da Ford em joint venture com a Sollers é uma das mais modernas do mundo e vende modelos para o Leste Europeu.

O sistema, desenvolvido pelo departamento de TI da Ford Sollers, usa os óculos de realidade aumentada HoloLens, da Microsoft, considerados os mais avançados com essa tecnologia. Com vários sensores, os óculos são equipados com uma câmera de dois megapixels para identificar a posição no espaço e projetam uma imagem com alta resolução de 2,3 megapixels para o operador.

O sistema opera com a aplicação de marcadores visuais nos locais de armazenamento e permite visualizar as peças que são requisitadas na linha de montagem por meio dos óculos 3D. Ele então orienta o operador a ir até o local exato por meio de setas de navegação no visor.

A ordem de serviço com a lista de peças para cada veículo é transmitida via Wi-Fi para a interface visual dos óculos. Todas as ativações da tela virtual são feitas por gestos ou comandos de voz, deixando o operador com as mãos livres. Após cada ação, o programa confirma a sua conclusão com uma mensagem no visor, reduzindo o número de erros e tornando todo o processo mais rápido.

Se o operador não estiver na caixa correta ou a quantidade de itens não corresponder ao pedido, a confirmação não é feita. Outra vantagem da tecnologia é a flexibilidade e simplicidade: se houver mudanças no estoque, um único especialista em TI pode reconfigurar todo o sistema rapidamente.