A recuperação do setor automotivo já aquece as linhas de montagem dos sistemistas, segundo o painel que reuniu representantes dessas empresas no Seminário AutoData Revisão das Perspectivas para 2017, na segunda-feira, 3, em Sorocaba, SP.
Segundo Besaliel Botelho, presidente da Bosch, as projeções anteriores para 2017 eram de estabilidade se comparadas ao ano anterior: “Fomos surpreendidos pelos números de exportação para a Argentina, o que ajuda as autopeças. Por este motivo, estamos otimistas com o segundo semestre, com a produção começando a dar indícios de recuperação”.
A mesma opinião é compartilhada por Wilson Brício, presidente da ZF: “A produção de veículos leves deve chegar crescer 5%. Já a produção de caminhões outros 11%, em função dos estoques muito baixos. E a de máquinas agrícolas deve aumentar 13%, estimulada pela safra recorde”.
Para Cláudio Fernandes de Castro, diretor executivo da divisão de negócios da Schaeffler, o crescimento do setor de máquinas agrícolas deve ser motivado tanto pela demanda no mercado interno como pelas exportações. Já a procura por carros usados também tende a aquecer a produção dos sistemistas: “Hoje temos a venda de um veículo novo para seis usados, o que impulsiona o segmento de reposição”.
ROTA 2030 – Todos os debatedores acreditam que as mudanças promovidas pelo Programa Rota 2030 trarão diversas vantagens ao setor automotivo, com a interação de montadoras e fabricantes de autopeças com vários setores do governo.
Segundo Brício, da ZF, um dos maiores benefícios do programa é o estabelecimento de metas de longo prazo, tornando o Brasil um player mais competitivo no mercado global: “Precisamos de investimento para acompanhar as transformações no setor como a conectividade e a eletrificação. A China, por exemplo, agiu muito rápido no desenvolvimento de tecnologia para veículos elétricos”.
Para tanto, é preciso investir em pesquisa e desenvolvimento para acompanhar as rápidas transformações no setor automotivo, segundo Castro, da Schaeffler: “Algumas tecnologias se baseiam em técnicas já existentes. Já as novas que equipam os carros híbridos e elétricos precisam ser desenvolvidas no País”.
Outra questão abordada pelo Rota 2030 é o foco na eficiência energética, de acordo com Botelho, da Bosch: “O petróleo não é mais futuro. Temos que valorizar os 40 anos de desenvolvimento da indústria brasileira de etanol. O Brasil pode propor uma nova solução de combustível ao mundo”.