O novo Captur pode ajudar a Renault a cumprir a meta de eficiência energética do Inovar – Auto. Em 2012, ela se comprometeu a reduzir em 12% a emissão de poluentes em seus carros para ter o desconto de 30 pontos porcentuais sobre o IPI, Imposto sobre Produtos Industrializados. Para se adequar e não pagar multa milionária ao final deste ano, ela represou as vendas do Captur 2.0 que é considerado “gastão”. Agora, com a chegada do modelo 1.6 equipado com câmbio CVT, ela espera chegar à cota de emissões estabelecida. O compacto Kwid, que deve ser apresentado em agosto, também é visto como um meio para se alcançar os níveis acordados. Até hoje, três montadoras já se enquadraram e reduziram suas metas de eficiência: Audi, Ford e Nissan.
Federico Goyret, seu diretor de marketing, disse que a nova caixa de câmbio proporciona uma redução de 20% nas emissões de poluentes. Segundo ele, a transmissão contínua das marchas, característica do CVT, diminui o consumo do combustível: “O câmbio foi desenvolvido para melhorar a eficiência do motor e tem reflexo nas emissões. Isso nos ajuda a obter uma gama de veículos que atendam aos requisitos do Inovar-Auto”.
Desde que foi lançado, o Captur teve suas vendas controladas pela Renault para que a empresa atingisse a meta do Inovar- Auto. Alejandro Botero, vice-presidente comercial recém-chegado ao Brasil, disse que a nova versão vai permitir que a empresa tenha mais margem manobra em sua estratégia comercial: “Existem outros fatores que determinaram a configuração do Captur com câmbio CVT, mas com certeza economia de combustível é algo que nos deixa com mais espaço para vender o carro no País”.
O Brasil é o único país onde essa versão do Captur está disponível. O Captur europeu, montado em outras plataformas, possui outro tipo de caixa de transmissão. Goyret, da área de marketing, apontou também as preferências do cliente brasileiro como outro fator que determinou a aplicação do CVT apenas no Captur nacional: “As características do terreno e do tráfego brasileiro, e o perfil dos clientes, também nos ajudaram a tomar esta decisão”.
A caixa de câmbio que equipa o Captur brasileiro é importada do Japão e produzi-la aqui, pelo menos por enquanto, é algo que não está no horizonte da empresa. Seu desenvolvimento foi capitaneado por engenheiros da Nissan, empresa com quem a Renault mantém uma aliança comercial e de compartilhamento de tecnologias. Algumas etapas da sua construção e adaptação ao mercado nacional contaram com os trabalhos da unidade de powertrain da fábrica de São José dos Pinhais, PR. A expectativa é grande em torno do câmbio que em breve deverá ser parte integrante dos outros modelos produzidos por aqui, como o Duster, o Logan e o Sandero.