FCA elege seus melhores fornecedores da América Latina

A Fiat Chrysler Automobiles, FCA, anunciou seus melhores fornecedores na região da América Latina na sexta-feira, 26. O prêmio concedido pela fabricante, chamado Annual Supplier Conference & Awards, avaliou as parceiras da fabricante em categorias como compromisso na entrega de valor com inovação, qualidade, garantia, competitividade, entre outros.

Antonio Filosa, diretor de compras da companhia, disse que o mercado está mais desafiador no que diz respeito às demandas por mais velocidade e capacidade, e que é preciso reestruturar os modelos de funcionamento e processos de fornecimento. Durante o evento, que ocorreu em Belo Horizonte, MG, o executivo apresentou o novo programa de relacionamento do grupo com os fornecedores, chamado 4T.

Para o diretor global de compras da FCA, Scott Thiele, o movimento para impulsionar a competitividade dos fornecedores é uma prioridade para a empresa, que avaliará neste ano comprometimento, colaboração, comunicação e a competitividade de seus fornecedores: “Temos trabalhado como um time global para atualizar nossa visão estratégica. Essa conferência é uma oportunidade para compartilhar pontos estratégicos com todos eles”.

Os vencedores foram escolhidos com base numa avaliação dos indicadores de desempenho em 2016. Venceram AGC Vidros do Brasil, Usiminas, Maxion Wheels, Umicore Brasil, Denso Sistemas Térmicos, Sumidenso, NGK, Cequent, GME, N&C, Tora Transportes Industriais, Universidade PUC Minas, Delphi, Basf, Revestcoat e Denso Sistemas Térmicos.

VENCEDORES DO ANNUAL SUPPLIER CONFERENCE AND AWARDS 2017

Body: AGC Vidros do Brasil

Raw Material: Usiminas

Chassis: Maxion Wheels

Engine Systems: Umicore Brasil

Interior: Denso Sistemas Térmicos

Electrical: Sumidenso

Powertrain: NGK

Mopar: Cequent

Capex: GME

Services: N&C

Supply Chain Management: Tora Transportes Industriais

Innovation: Universidade PUC Minas

Value Optimization: Delphi Automotive Systems

Sustainability: Basf (Divisão: Tintas)

Supplier Integration: Revestcoat

Foundational Principles: Denso Sistemas Térmicos

MENÇÕES HONROSAS

Latam Spirit: Proma, Tiberina e Gestamp

Builders of Meaningful Relationship: Giuseppe Zippo (Denso), Thorsten Albrecht (Brose) e Jessika Aline Manuel (PMC)

Renault compra divisão de pesquisa da Intel

O Grupo Renault anunciou a compra da área de pesquisa e de desenvolvimento da Intel na França, que tem trabalhado, nos últimos anos, na criação de sistemas de conectividade para o segmento automotivo, fato que chamou da Renault. As instalações adquiridas ficam em Toulouse e em Sophia Antipolis, no Sul do país, ocupadas por quatrocentos funcionários.

Esta aquisição será feita por meio da compra, pelo Grupo Renault, de empresa recém-criada pela Intel, para a qual será transferida a atividade de pesquisa e desenvolvimento, que integrará a diretoria de engenharia de sistemas da Renault. O foco dos estudos da empresa serão os sistemas embarcados.

A conclusão do negócio, que depende da aprovação das autoridades fiscais da França, será feita até o fim de junho. As empresas não informaram o valor da transação. Esta divisão da Intel atua na área de criação e desenvolvimento de sistemas aplicados à área automobilística, sobretudo sistemas conectados e de multimídia.

Para Carlos Ghosn, presidente da Renault, a aquisição, além da sinergia, se deu por causa da oportunidade de criar novos serviços no campo dos veículos autônomos: “Esta compra se insere totalmente na estratégia do grupo, que visa a oferecer novos serviços conectados”.

A Renault era vista como uma pioneira em eletrônica embarcada com o sistema R-Link, que combina várias aplicações de conectividade. Este sistema, no entanto, ficou obsoleto no momento em que Apple e Google desenvolveram a sua própria solução de sincronização de smartphones com automóveis. A expectativa da empresa é retomar as pesquisas em conectividade e dominar as tecnologias para veículos autônomos, no sentido de cumprir a meta estabelecida de vender modelos desta categoria até 2020.

Por que pagar impostos na hora de exportar?

O custo para se exportar, no Brasil, não são poucos. E isso, em muitos casos, dificulta os negócios. Um estudo da Becomex, especializada em gerenciamento integrado da área tributária e em operações internacionais, mostra que parte dessas despesas poderia ser diminuída se as companhias tivessem total conhecimento das regras tributárias do País.

De acordo com o levantamento mais da metade das empresas exportadoras pagam mais impostos do que deveriam por não aproveitar, corretamente, os benefícios fiscais e aduaneiros existentes. Na cadeia automotiva, por exemplo, há R$ 300 milhões em impostos a serem recuperados referentes às transações dos últimos dois anos.

Rogério Borili, vice-presidente da Becomex e um dos coordenadores da pesquisa, disse que há mecanismos, como o de recuperação ou isenção de imposto, o drawback, que prevê a devolução total ou parcial de tributos federais, II, IPI, PIS-Importação, Cofins-Importação e o adicional do frete da marinha mercante, AFRMM:

“Isso pode ser requerido quando os impostos são recolhidos na importação de matérias primas utilizadas na fabricação de mercadorias comprovadamente exportadas. É um incentivo às exportações, pois reduz os custos de produção dos produtos exportáveis, aumentando a competitividade no mercado internacional. É um recurso que está aí, e que não requer nenhuma regulamentação, e não é usado pela maioria das empresas”.

O estudo foi feito com base nos dados de comércio exterior da Siscomex, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

De acordo com dados divulgados pela Receita Federal nos últimos quatro anos o drawback correspondeu a 29% de todo benefício fiscal concedido pelo governo federal. Porém cerca de 25% das maiores empresas exportadoras do Brasil não fazem a requisição desse benefício, que pode gerar milhões de reais em, digamos, dinheiro novo para a companhia.

Segundo Borili no caso da indústria automotiva 40% da despesa com exportação correspondem à carga tributária. De 2015 a 2016 as exportações de veículos somaram cerca de US$ 20 bilhões:

“Neste ano o valor exportado será muito maior, pois vemos mês a mês recordes nos embarques. Pela regra as empresas podem requerer a recuperação dos impostos pagos até dois anos depois da exportação. Se ela pedir com base em maio deste ano, por exemplo, terá de contar a partir de maio de 2015. No entanto os meses de janeiro a abril de 2015 ela não receberá: perde dinheiro”.

Outro exemplo de benefícios que podem ser utilizados pelas empresas é o Reintegra que, segundo Borili, tem por objetivo reintegrar valores referentes a custos tributários residuais existentes nas cadeias de produção. Assim a empresa produtora e exportadora de bens manufaturados poderá reaver parcial, ou integralmente, o resíduo tributário existente na sua cadeia de produção.

Borili ressaltou que a possibilidade de reaver os tributos aumenta quando a fabricante de veículos inicia um trabalho em toda sua cadeia para verificar os benefícios fiscais e aduaneiros concedidos pelo governo à indústria: “Esse trabalho tem que ser feito muito de perto. Mas, ainda, há dificuldade de olhar a cadeia como um todo para usar esses recursos, pois há pouco envolvimento do fornecedor com as fabricantes de veículos”.

20% a mais de alumínio nos carros. Até 2025.

Ainda que tenha o custo de produção mais caro que o do aço o alumínio vem ganhando espaço nos veículos com a chegada dos motores de três cilindros e também pela busca por eficiência energética. A expectativa do setor produtor de alumínio é a de que sua quantidade aumente dos atuais 60 quilos por carro para 89 quilos até 2025. Se, antes, sua aplicação era relegada à composição de alguns componentes por ser um material leve, agora já é visto em partes estruturais nas quais antes predominava o aço.

Segundo dados da Abal, Associação Brasileira do Alumínio, hoje o setor de transportes, no qual está inserido o segmento automotivo e de implementos, é o segundo maior consumidor do alumínio beneficiado no País, depois do segmento de embalagens. O consumo do material caiu a partir de 2014, junto com a queda das vendas da indústria automobilística. De 249,7 mil toneladas o volume consumido pelo setor de transportes passou a 210,4 mil toneladas em 2015 e a 177,8 mil toneladas no ano passado.

No entanto a entidade acredita que nos próximos cinco anos o volume retome os patamares de crescimento registrados de 2003 a 2013, uma média de 7,6%. Isso se dará, de acordo com Kaísa Couto Machado, gerente da área técnica da Abal, por causa das tendências da construção de veículos e de políticas ambientais que estão sendo adotadas pelas principais fabricantes: “As montadoras estão mais atentas para o custo-benefício do material, ainda que sua produção tenha um preço mais alto. Mas ele se mantém à frente de outros insumos porque consegue reduzir mais o peso dos componentes e existe, também, a questão da reciclagem”.

No Brasil já se percebe a retomada da produção. O balanço do último trimestre da CBA, Companhia Brasileira de Alumínio, controlada pela Votorantim, mostrou que houve crescimento de 9% no volume de vendas com relação ao mesmo trimestre do ano passado. De janeiro a março o faturamento da CBA foi de R$ 1 bilhão 47 milhões. De acordo com dados da empresa 20% de sua produção foram destinados a clientes do setor automotivo.

Para Francisco Satkunas, da SAE Brasil, os primeiros movimentos das empresas já podem ser verificados atualmente. No Brasil ele cita o motor três cilindros do up!, da Volkswagen, e o novo motor 1.6 da Ford, que deverá equipar a próxima versão do Ecosport, que é feito de alumínio:

“Os modelos compactos já trazem mais alumínio porque isso é oferecido ao consumidor como um diferencial competitivo. Mas veremos o insumo nos modelos maiores, como os SUVs, que têm uma necessidade de eficiência no consumo de combustível muito grande. Hoje vemos mais componentes sendo feitos em alumínio, mas será comum no futuro sua presença em áreas estruturais”.

Satkunas estima que, com a redução de 10 quilos no peso do veículo, ele consome em média 7% menos combustível: “A Ford, nos Estados Unidos, percebeu isso e deu início a um processo de substituição do aço pelo alumínio em alguns componentes da Série F. Alguns veículos da BWM e da Land Rover também passaram a aplicar o material em áreas em substituição ao aço”.

Por isso ele acredita que o avanço do material nos projetos de veículos se dará por meio dos modelos da categoria premium. Isso porque a aplicação em si do alumínio nos carros demanda estruturas de produção que hoje só são possíveis em linhas que possuem equipamentos mais modernos. A explicação é que os robôs de soldagem, por exemplo, foram feitos para o uso do aço: “Sair disso provocará mudanças significativas e altos investimentos em novas máquinas”.

VW inicia embarques do novo up!

A Volkswagen do Brasil começou a exportar o novo up!. Foram enviadas mais de três mil unidades para a Argentina, Peru e Uruguai. Nos próximos meses, o modelo, lançado em abril, chega ao México, Colômbia e a Curaçao, no Caribe. David Powels, presidente e CEO da Volkswagen do Brasil e América do Sul, disse que o carro é um dos mais exportados da companhia:

“Desde o seu lançamento, em 2014, o up! já tem demonstrado sua vocação para as exportações. Já foram mais de cinquenta mil unidades exportadas para oito países na América Latina”.

De janeiro a abril foram embarcadas 6 mil 542 unidades da primeira geração do up!. O carro é o quarto na lista de mais exportados pela Volkswagen, atrás do Gol, Voyage e Saveiro.

Powels disse recentemente que os contratos de exportação firmados pela companhia são importantes para sustentar a capacidade de produção da Volkswagen no Brasil:

“Temos plano para exportar 150 mil veículos este ano. Em 2016 os embarques totalizaram 106 mil unidades. O interessante é que não ganhamos novos mercados: na verdade estamos ampliando nossa participação em países onde tínhamos pouca atuação”.

O executivo afirmou que nos 26 países do Caribe e da América do Sul, excluindo Brasil e Argentina, a Volkswagen detinha 2% de participação nas vendas. Só nos primeiros três meses deste ano a empresa conquistou fatia de 3,2%:

“É um mercado de 1,6 milhão de veículos por ano, quase como o Brasil, e ter um crescimento desse quilate mostra o nosso esforço para melhorar a utilização de nossa capacidade produtiva no País”.

O plano, segundo Powels, é deter 5% de participação até 2019 e de 10% até 2027.

Investimentos – Recém-lançado no mercado nacional, o novo up! recebeu investimento superior a R$ 21,5 milhões, para a aquisição de bens de capital que modernizaram o processo produtivo da fábrica de Taubaté, SP onde o modelo é produzido.

Segundo a Volkswagen, o modelo exigiu atualizações na linha de produção, a começar pela estamparia – área onde são produzidas as peças de aço que compõe a carroceria. A prensa PXL ganhou um novo ferramental para produzir a tampa dianteira do carro.

Já na armação, setor onde as carrocerias são montadas, a alteração mais relevante foi na ilha de robôs utilizada para a montagem do conjunto da tampa dianteira. Esse processo que conta com doze robôs foi totalmente reprogramado para fazer a união da parte interna e externa da tampa.

Pintura e montagem final também sofreram modificações. Os robôs das cabines de pintura foram reprogramados para receber a nova cor oferecida para o up!: laranja habanero. Já na montagem final, os dispositivos que acondicionam os módulos front end, composto pelos faróis, radiador, condensador e o ventilador do veículo, foram adaptados, assim como os manipuladores usados pelos operadores na linha de produção.

Produção brasileira de aço cresce 26% em abril

As siderúrgicas brasileiras tiveram aumento na produção de aço em abril, insumo consumido em larga escala pelo setor automotivo. Segundo dados da Worldsteel, associação que reúne os produtores mundiais, saíram dos altos-fornos 2 milhões 895 mil toneladas, volume 26% maior que em abril do ano passado. No acumulado de janeiro a abril, a produção de aço bruto teve alta de 14,5%, atingindo 11,1 milhões de toneladas.

Segundo o Instituto Aço Brasil, grande parte do crescimento da produção em abril ocorreu por causa da entrada em operação da Companhia Siderúrgica do Pecém, CSP, no Ceará, em junho do ano passado. A usina é focada em exportações de placas.

Já as vendas internas recuaram 13%, totalizando 1 milhão 205 mil toneladas em abril. No acumulado, a queda foi de 3,6%, chegando a 5 milhões 170 mil toneladas.

Em abril, ante o mesmo mês do ano passado, as importações cresceram 36,6% em volume, para 153 mil toneladas, e 20,6% em valor, para US$ 152 milhões. Por sua vez, as exportações caíram 18,4% em volume para 826 mil de toneladas e aumentaram 19,3% em valor para US$ 457 milhões na mesma comparação.

China – O país produziu volume recorde de aço no mês passado. As siderúrgicas chinesas produziram 72,8 milhões de toneladas em abril, alta de 4,9% com relação a março, apontaram dados do NBS, o serviço nacional de estatísticas da China. A NBS disse que o país já atingiu 63,4% da sua meta de redução na produção de aço estipulada pelo governo como forma de não aumentar a oferta e provocar queda no preço do insumo. De janeiro a abril a produção somou 273,9 milhões de toneladas, alta de 4,6% sobre mesmo período do ano anterior.

Brasil atinge 1 milhão de recalls em 2017

Desde janeiro as fabricantes do País convocaram 1 milhão 70 mil 626 automóveis para recall por meio de 63 campanhas, segundo dados do Procon-SP. O problema mais recorrente foi o defeito no airbag, ocorrência que atingiu 618 mil 391 unidades no período. Sistema de combustível, elétrico, de cinto de segurança e de tração fecham o grupo dos cinco principais motivos para convocação de veículos para os reparos.

Segundo Marcelo Alves, professor do CEA-USP, o Centro de Engenharia Automotiva da Universidade de São Paulo, a situação ainda é fruto da produção defeituosa Takata, empresa que protagonizou o escândalo conhecido como “airbags mortais”, que veio a público em 2013. Como a empresa fornece para diversas marcas, os airbags defeituosos causaram o maior recall da história, com mais de 30 milhões de veículos envolvidos no mundo todo e quase três milhões no Brasil.

Recentemente, a Takata fez um acordo com a Justiça dos Estados Unidos, assumindo a culpa pelo problema e aceitando pagar multa de US$ 1 bilhão. Alves diz que cerca de dois milhões de veículos ainda circulam no País sem ter passado pelos reparos convocados pelas fabricantes, e que a situação, além de perigosa, pode levar a indenizações em casos de acidentes: “Menos da metade dos veículos afetados compareceu ao recall. As fabricantes precisam intensificar as campanhas. Caso contrário, haverá um efeito em cascata de ações à medida que vão surgindo sinistros por causa da avaria”.

No Brasil, a Toyota é a empresa com maior número de veículos com defeito no airbag. Ao todo 562 mil 968 proprietários foram convocados para reparo no sistema. A Honda vem na sequência, com 34 mil 530 unidades. Mitsubishi, com 7 mil 826 unidades, Renault, com 3 mil 820 unidades, e BMW, com 3 mil 594 unidades, fecham o grupo das cinco empresas com maior número de carros convocados por recall de airbag.

A fabricante BMW convocou na terça-feira, 30, o sétimo recall do ano por problemas que refletem no sistema de segurança. Não há ligação com a Takata. Foram verificados defeitos no revestimento do painel dianteiro nos modelos X1 sDrive18i, X1 sDrive20i GP, X1 sDrive20i X Line e X1 xDrive25i Sport, fabricados de 2 de setembro de 2016 a 13 de março de 2017. Por meio de comunicado, a empresa informou que o airbag é acondicionado no painel dianteiro e o revestimento defeituoso pode impedir a completa abertura do dispositivo. O mau funcionamento pode levar a ocorrência de danos físicos e materiais aos ocupantes do veículo e a terceiros.

Freios – A Ford também convocou na terça-feira os proprietários dos modelos Troller T4 2015 e 2016, produzidos de 26 de maio de 2014 a 27 de maio de 2016, para recall da tubulação do freio dianteiro do lado direito. Por meio de comunicado, a empresa disse que “foi detectado que, na hipótese de falha do alternador, poderá ocorrer o funcionamento irregular do motor e, em casos extremos, o seu desligamento inesperado, comprometendo as condições de dirigibilidade do veículo e aumentando o risco de colisão, com consequentes danos físicos e materiais ao condutor, passageiros e terceiros”.

A empresa informou a possibilidade de interferência na tubulação do freio dianteiro do lado direito e a abraçadeira de fixação da mangueira do intercooler do motor, o que pode resultar no desgaste da tubulação e vazamento de fluido de freio. “Nestas condições, pode haver perda da capacidade de frenagem do veículo, aumentando o risco de acidentes com possíveis danos físicos aos ocupantes do veículo e a terceiros”, informa o comunicado.

BNDES aprova R$ 4,4 bi para veículos comerciais no quadrimestre

O BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, aprovou R$ 6,7 bilhões para a Finame, linha de financiamento de bens de capital, de janeiro a abril. Esse valor representa aumento de 38% com relação ao mesmo período do ano passado.

Desse total, as aprovações para a compra de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas somaram R$ 4,4 bilhões no quadrimestre. A aprovação é a última etapa antes do desembolso dos recursos.

Segundo dados do BNDES, apenas em abril foram aprovados R$ 2,1 bilhões em crédito – 50% a mais do que no mesmo mês de 2016. Dos setores atendidos pela Finame, o maior destaque foi a Indústria da Transformação, que totalizou R$1,4 bilhão em empréstimos aprovados nos quatro meses deste ano. O valor é quase três vezes maior que os R$ 468,8 milhões concedidos no mesmo período do ano passado.

João Morais, economista da Tendências Consultoria, disse que o aumento no volume de financiamento aprovado pelo BNDES pode indicar indício da retomada do mercado: “Estamos começando a enxergar um esgotamento da trajetória de queda e esperamos que o segundo semestre seja positivo. A demanda interna pode se estabilizar, mas ainda é fraca. Por enquanto, não podemos alimentar o otimismo porque a queda foi muito acentuada”.

O segundo semestre costuma apresentar um cenário mais positivo. Morais diz, no entanto, ser necessário levar em conta as indefinições provocadas pela mais recente crise política, o que deve afetar o setor de veículos pesados: “Acredito que o crescimento agregado do ano irá se sustentar, principalmente para caminhões. Nossa projeção é de um aumento de 9% de emplacamentos para o ano, o que pode ser revisado para baixo com a nova crise política”.

De acordo com dados da Anfavea, os emplacamentos de caminhões de janeiro a abril foram de 13 mil 134 unidades, queda de 24,1%. Já os licenciamentos de ônibus chegaram a 2 mil 576, recuo de 29,2%.

Desembolsos – A maior parcela dos desembolsos do primeiro quadrimestre foi para a infraestrutura, que respondeu por 37% do total com R$ 7,9 bilhões liberados. O segmento de veículos pesados é favorecido quando há investimentos em obras de infraestrutura.

Morais afirma que as concessões das linhas de crédito do BNDES devem crescer de modo geral, mas levará alguns anos para alcançar os patamares anteriores. Até as funções do BNDES podem mudar por causa da crise política. Recentemente, o banco foi alvo da Operação Bullish da Polícia Federal que investiga aportes feitos pelo BNDESPar na JBS, o que culminou com a troca da presidente.

“Acredito que o BNDES se tornará um banco mais seletivo na oferta de crédito. Seu papel foi deturpado na década passada ao priorizar grandes empresas, os chamados campeões nacionais. Neste momento, o BNDES não tem dinheiro para ceder linhas de crédito e essa lacuna será gradualmente ocupada pelos bancos privados, disputando o consumidor com taxas mais competitivas”, disse.

Presidente da GM diz que crise política não afetou recuperação do mercado

Mesmo diante de mais uma turbulência política no Brasil, a General Motors não alterou sua programação de produção para este ano. Carlos Zarlenga, presidente GM Mercosul, disse, durante o Seminário AutoData Tendências de Negócios, na quarta-feira, 31, que o movimento nas concessionárias continua no mesmo ritmo que antes da “quarta-feira fatídica”. Ele se referiu ao dia 17 de maio, quando foram divulgadas gravações que envolviam o Presidente da República em escândalos de corrupção.

Zarlenga continua otimista com o crescimento do mercado: “Em maio, o aumento nas vendas deve ser de 24%. Até o dia 30 foram comercializados 184 veículos, e a expectativa é de licenciamentos de algo como 195 mil unidades. Se excluirmos a venda direta, aquela realizada pelas fabricantes, os negócios nas concessionárias estão estáveis. Ainda não foram contaminados pela crise política”.

Para ele, os indicadores econômicos sustentam essa estimativa de crescimento de 5% a 10% este ano: “A confiança do consumidor está crescendo há nove meses. Estamos quase aos níveis de 2013, antes da queda do mercado”. A expectativa da empresa é de um mercado no Brasil de 2,2 milhões de veículos vendidos.

O executivo ressaltou, no entanto, que o calendário de reformas precisa ser mantido para essa confiança se converter em compras. Para Zarlenga, a medida provisória do teto dos gastos, as reformas trabalhista e da previdência, são fundamentais para a recuperação econômica do País:

“Fizemos uma pesquisa para identificarmos qual a demanda reprimida no Brasil. Grande parte dos consumidores entrevistados disse que a decisão de compra foi adiada para 2018, mas 15% disseram que pretendem adquirir um carro neste ano. Somente isso, nos dá um crescimento interessante em 2017”. Pelo levantamento da GM a demanda reprimida no mercado brasileiro é de 2,5 milhões a três milhões de veículos levando-se em consideração os últimos três anos.

GM Mercosul – Zarlenga trabalha desde o início do ano na reorganização dos negócios da GM para o Mercosul, agrupando as operações do Brasil e da Argentina. Com isso, a empresa conseguiu ganhar em competitividade e produtividade:

“A produção nos países são complementares. Antes, com operações em separado, o negócio era artificial. O presidente da empresa em cada país trabalhava para levar projetos para sua operação, mesmo sabendo que a produção nos locais era complementar. A GM perdia velocidade na decisão de negócios”.

Agora, segundo ele, é preciso ver Brasil e Argentina como mercado único. E este mercado é de cerca de três milhões de unidades por ano: “Crescendo o que estimamos para este ano no Brasil, chegaremos a vendas de 4,5 milhões de veículos. Isso representa o terceiro maior mercado mundial. Há uma oportunidade enorme de crescimento por aqui”.

O que trava esse crescimento conjunto, de acordo com o executivo, são as decisões de cada governo. Para ele, as políticas industriais de cada país devem levar em conta o mercado do Brasil e da Argentina para assim ganhar competitividade nas exportações: “Temos que melhorar a eficiência na região. Com uma política única, os investimentos das empresas serão feitos para os dois países e não só para uma operação”.

Argentina define setores para atrair autopeças

A Argentina, o principal parceiro comercial do Brasil na América Latina, busca oportunidades para nacionalizar a produção de autopeças com forma de diminuir o custo dos veículos produzidos em seu território. Por meio da sua nova política industrial, que tem como principal meta elevar a produção de 700 mil unidades por ano para 1 milhão de veículos em 2023, o governo dará vantagens fiscais à itens considerados estratégicos como rodas, cintos de segurança, turbos, peças estampadas e fundidas.

Segundo Gonzalo Dalmasso, da consultoria argentina Abeceb, especializada no mercado automotivo, estes componentes representam a oportunidade do país retomar a competitividade perdida nesses setores por razões políticas ao longo dos últimos anos. Além disso, há uma demanda reprimida por estas partes, sendo que algumas delas não possuem um competidor local que possa abastecer as grandes sistemistas instaladas lá: “Por não haver produção local, as fabricantes acabam importando os componentes e isso eleva o preço do veículo nacional. O que o governo pretende é diminuir o custo dos veículos nacionais para que não sejam canibalizados pelos importados”.

Segundo apresentação do consultor durante o Seminário AutoData Tendências de Negócios, essa nova política trará maior competitividade ao mercado, em função da abertura do mercado argentino aos veículos importados. No entanto, diferentemente do que ocorreu com o InovarAuto, a política industrial argentina não vai sobretaxar o veículo estrangeiro em benefício do que possuir maior conteúdo nacional, mas utilizar a isenção como forma de balancear um mercado onde os importados são livres de impostos: “Não há favorecimento de um grupo específico, como o setor automotivo, mas incentivo de produção em um país onde não há mais fábricas”.

O cenário proposto pela nova política industrial argentina pode pavimentar o caminho para empresas brasileiras se instalarem lá. Segundo avaliação da Abeceb, há potencial de aumentar a participação de conteúdo local para os segmentos de rodas, peças estampadas ou fundidas, e componentes como baterias, faróis e vidros. Outros segmentos que também são considerados inexplorados pela indústria local, e que possui um maior valor agregado, são sistemas eletrônicos de bordo, controles eletrônicos e turbocompressores.

Por outro lado, há setores na Argentina onde a presença de peças produzidas localmente pode ter menos oporuntidades. É o caso de componentes para powertrain e eixos. “A indústria Argentina perdeu competitividade por não ter conseguido acompanhar a evolução tecnológica da produção. Cenários políticos anteriores fecharam estas empresas e, agora, o governo quer estimular a retomada desta produção”.

Carlos Zarlenga, presidente da General Motors do Brasil, disse na primeira apresentação deste Seminário AutoData que a nova política argentina possui equívocos que podem diminuir a competitividade nos dois países. O executivo, que é argentino, disse que ambos os lados devem criar políticas complementares. Na prática, ele sugeriu que a produção brasileira esteja concentrada em uma linha de componentes diferentes aos da Argentina:

“A grande oportunidade não é concentrar os projetos em nacionalização. Isto limita a visão de negócio. A cadeia deve pensar em investir de forma a atender aos interesses da região como um bloco. E, como está sendo conduzido o tema nos dois países, percebemos dois competidores buscando o protagonismo, quando poderiam ser parceiros.”

A política industrial automotiva, também chamado de “Plan 1 Millión”, integra o plano nacional de produção que envolve todos os setores, o qual prevê investimentos de US$ 320 milhões para pequenas e médias empresas. A primeira meta da cadeia automotiva é viabilizar a produção nacional de 750 mil unidades de veículos em 2019, chegando a 1 milhão em 2023, prazo para a criação de mais 30 mil postos de trabalho. Outra meta é exportar ao menos um terço da produção para o mercado fora do Mercosul.