Quase 60 mil vagas abertas em abril?

O País pode ter registrado a abertura de quase 60 mil vagas de emprego formal em abril a se dar crédito a dados divulgados na terça-feira, 16, pelo Ministério do Trabalho e Emprego e coletados em pesquisa pelo Caged, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.
Seria o primeiro resultado positivo para o mês de abril nos últimos três anos. Segundo dados do Caged em abril do ano passado, o mercado de trabalho formal tinha registrado a perda de 62 mil 844 postos de trabalho – para este ano o saldo de contratações divulgado foi 59 mil 856.

De acordo com a pesquisa o setor de serviços teria registrado melhor resultado em abril, com um saldo de 24 mil 712 contratações, seguido pela agropecuária, 14 mil 648, indústria de transformação, 13 mil 689, e comércio, 5 mil 327.

Três das cinco regiões brasileiras teriam registrado melhora no nível de emprego formal durante abril: Norte e Nordeste não acompanharam a tendência de retomada das contratações, apresentando resultados negativos.

No Sudeste o saldo positivo de postos de trabalho teria chegado a 46 mil 39. Já as regiões Centro-Oeste e Sul teriam contabilizado, respectivamente, 10 mil 538 e 5 mil 537 contratações acima do total de desligamentos. Nas regiões Norte e Nordeste as demissões teriam superado as contratações. Na primeira o número total de desligamentos, 43 mil 950, teria superado em 1 mil 139 o número de admissões, e no Nordeste as demissões, 147 mil 170, teriam superado em 1 mil 119 vagas o total de contratações.

Autopeças: melhora o nível de atividade.

O aumento da produção de veículos nos primeiros meses do ano tem sido um alívio para as empresas produtoras de autopeças: de acordo com dados da pesquisa conjuntural do Sindipeças em março utilizaram 62% da sua capacidade instalada. Esse índice não era alcançado desde setembro de 2015. Em março do ano passado o nível de atividade chegou a 54%, oito pontos porcentuais a menos.

Segundo a entidade o que acelerou as máquinas foi justamente as encomendas das fabricantes de veículos instaladas aqui. Em março as montadoras produziram 234,7 mil unidades, alta de 5,5% no comparativo com o mesmo mês do ano passado. De janeiro a março a produção acumulada de veículos chegou a 609 mil 84 unidades, aumento de 24% com relação ao mesmo período do ano passado.

O bom desempenho em março elevou o faturamento das empresas em 18,03% frente ao resultado do mesmo período do ano passado. As vendas para as montadoras puxaram a alta na receita, com aumento de 39,29% no período. As encomendas das montadoras representaram 63,5% do faturamento de março.

As exportações trouxeram forte recuperação em março, chegando a 15,9% do faturamento do mês. Segundo o Sindipeças o crescimento das vendas ao Exterior pode ser atribuído à maior estabilidade do câmbio, que operou nos últimos quatro meses a uma taxa média de R$ 3,13 a R$ 3,19 com relação ao dólar. A normalização das relações com a Argentina, principal destino das vendas do setor, também contribuiu para a melhora.

No acumulado do primeiro trimestre as vendas para montadoras cresceram 35,45%, o que não ocorria há dois anos. Em 2015 e 2016, em comparação a igual trimestre do ano anterior, o faturamento para as montadoras encolheu 22,36% e 23,62%, respectivamente.

Para o ano o Sindipeças estima que o faturamento chegue a R$ 64,8 bilhões, o que representa elevação de 2,7% no comparativo com a receita de 2016, R$ 63,1 bilhões. De acordo com comunicado da entidade para um faturamento desse nível é necessário que as fábricas operem com 68% da capacidade instalada: “Com a utilização de março é possível atingir esse patamar. Mas ainda não é um nível confortável. O ideal é trabalharmos com ociosidade menor do que 30%”.

Temporada de caça aberta ao Range Rover Velar

O presidente Frédéric Drouin considerou-o o premium nec plus ultra da companhia nesses tempos contemporâneos, juntando no mesmo ser – o SUV Range Rover Velar – tecnologia e design. Poderia ser um lugar comum mas o bicho é bonitão e esconde lá os seus segredos, disponíveis para estróinas com R$ 383,1 mil a R$ 513,9 mil disponíveis para esbanjar – ou para garantir seus sonhos e pecados.

Já foi visto em Genebra, Suíça, e em Nova York, arrancando ais da torcida. E será lançado no mercado global até julho.

No fim da manhã da terça-feira, 16, em São Paulo, a Jaguar Land Rover escolheu o restaurante MIS, acoplado ao Museu da Imagem e do Som, para reunir a imprensa especializada e informar que o Velar certamente estará disponível nas suas concessionárias brasileiras a partir da terça-feira, 31 de outubro. Mas que os interessados já podem efetuar suas reservas e montar seu novo SUV no site da companhia, www.landrover.com.br, de acordo com suas escolhas e configurações: chegará em seis meses, pouco mais, pouco menos, exatamente ao gosto do freguês.

Ou seja: como lembrou o presidente Drouin o modelo Velar é totalmente configurável, com o preço de uma versão padrão sendo inflado de acordo com as escolhas do cliente: acabamentos internos e externos, pacotes de tecnologia e de conforto, aros das rodas, teto solar – tudo isso para “estabelecer novos níveis de refinamento, elegância e tecnologia”, como garante o texto do comunicado distribuído à imprensa.

Em outras palavras: “É a reunião do design arrojado com a tecnologia mais o novo sistema de entretenimento Jaguar Land Rover”.

Faz sentido anunciar os preços quase seis meses antes do lançamento oficial? Drouin, sempre otimista, exemplificou com a temporada de relativa estabilidade econômica que o País vive: “Realmente não vemos que corremos grandes riscos cambiais”.

Ele também não percebe grandes riscos que a chegada do Velar pode trazer à guisa de vendas canibalizadas: ele acredita que esse processo pode, sim, vir a acontecer em alguns casos, “mas sempre em família, envolvendo sempre veículos Land Rover”.

E o que é este Velar? Faz parte da família Range Rover, que por enquanto oferece os modelos Evoque, Sport e Range Rover. Para o Brasil estarão disponíveis quatro versões, basicamente encrustradas, do ponto de vista mercadológico, nas faixas de preço que separam o Evoque do Sport: R-Dynamic S, SE e HSE mais vinte unidades da série First Edition. A esse rápido festival de letrinhas correspondem, respectivamente, os preços de R$ 383,1 mil, R$ 405,4 mil, R$ 445,5 mil e R$ 513,9 mil, “para revolucionar o segmento de SUVs médios”, como diz o texto do comunicado.

Essas versões serão dotadas, sempre, do mesmo motor 3.0 Supercharged, de 380 cv, movidos à gasolina e de transmissão ZF de oito velocidades. Duas outras versões do Velar, a 2.0 Ingenium à gasolina, de 250 cv, e a Ingenium diesel, de 180 cv, estarão disponíveis para reserva e compra a partir daquele 31 de outubro: R$ 291 mil e R$ 311 mil.

Gabriel Patini, diretor de marketing de produto, contou que o modelo Velar divide plataforma com o Jaguar F-Pace, conhecida internamente como D7A. Evoque e Discovery utilizam a plataforma D8 e Ranger Rover, Sport e o futuro Discovery a D7U.

O Range Rover Velar é produzido na Inglaterra, na fábrica de Solihull, na região de Birmingham.

Plataforma AutoAvaliar começa sua carreira internacional

Após formar uma carteira com 1,7 mil concessionários no País a AutoAvaliar, que desenvolveu plataforma de avaliação de veículos para vendas pela internet, deu início ao seu processo de internacionalização. Até dezembro o plano é conquistar 160 revendas em Portugal, ou 20% do mercado.

A empresa acredita que as semelhanças dos mercados de veículos seminovos nos dois países tornará viável o cumprimento da meta. Daniel Nino, diretor da AutoAvaliar, disse que nesses mercados o processo de venda é longo, “pode chegar até a um mês e meio, mas com a plataforma esse tempo pode ser reduzido para três semanas”.

Nino contou que o mercado português de seminovos é controlado por empresas de leilão – diferente do Brasil, onde existe rede de seminovos estruturada. Dessa forma o processo de venda, segundo ele, demanda ferramentas de precificação mais precisas por causa do modelo de leilão adotado: “Carro usado, em Portugal, é vendido em leilões. Existem muitas empresas que operam este tipo de negócio que demonstraram interesse em acelerar um processo que hoje é lento”.

O executivo explicou que Portugal, apesar de ser um mercado considerado pequeno com relação ao brasileiro, representa uma porta de entrada para a empresa na Europa: “São 200 mil veículos produzidos por ano, é comparável a produção média mensal do Brasil atualmente. São oitocentas concessionárias no país todo, mas a oportunidade de costurar negócios, sobretudo com a Espanha, é real e pode nos inserir no contexto europeu”.

O produto da empresa que será vendido no mercado de Portugal é o AutoAction, que faz avaliação e comercialização online de automóveis. A nova plataforma entrará em operação na semana que vem, em projeto piloto, no Grupo Santogal, uma das maiores empresas multimarcas de Portugal. Incialmente o sistema será utilizado pelas concessionárias na forma de aplicativo de avaliação e cotação. Num segundo momento integrará, também, um canal de vendas de veículos seminovos para repasse via leilão online.

No Brasil a empresa fatura uma média mensal de R$ 2 milhões e a previsão é ter, logo nos primeiros doze meses de operação em Portugal, participação de aproximadamente 10% no segmento de seminovos. No primeiro trimestre a empresa registrou no Brasil cerca de 15 mil carros vendidos pela internet, o que representa uma média de 1automóvel comercializado a cada 7 minutos.

Banco Paccar perto de sair do papel

A DAF, que vende seus caminhões aqui desde 2010, mantém os seus planos para o Brasil: abrirá um banco em 2019 – e o processo já está avançado junto ao BC, Banco Central. A empresa prepara plano de negócios que deverá ser entregue em trinta dias à instituição. Essa é a última etapa antes da abertura definitiva do Banco Paccar.

João Petry, diretor de serviços financeiros da DAF Caminhões Brasil, afirmou que até dezembro o BC deverá dar o parecer para abertura do negócio, “e a partir daí poderemos estruturar o banco para iniciar a operação em janeiro de 2019. Nesse período o BeCê fará, também, sua auditoria para avaliar se estamos cumprindo o plano de negócios. Estamos trabalhando nesse projeto há dois anos”.

Para a abertura do banco a DAF desembolsará R$ 100 milhões. O valor será gasto na contratação de mão de obra e em sistemas e para formar o seu capital de giro. O executivo contou que o BC exigiu um plano de negócios para cinco anos de operação: “O banco deve começar a operar com cerca de vinte funcionários em Ponta Grossa, no Paraná, onde está localizada a fábrica da DAF. Em cinco anos deveremos ter cinquenta empregados”.

O banco é uma das etapas traçadas pela Paccar, dona da marca DAF, para o Brasil. Petry ressaltou que com a sua abertura a empresa poderá aumentar as vendas no País: “Com a queda do mercado as negociações estão mais difíceis com os bancos de varejo. E quem tem um banco consegue bancar algumas taxas que as outras instituições não bancam. É mais uma ferramenta para o Brasil”.

Segundo o direto 60% dos financiamentos no segmento de caminhões pesados são realizados por bancos de montadoras, e o restante por bancos de varejo. Em 2011 e 2012 essa relação foi inversa: “Diante do aperto do crédito criamos uma área dentro da DAF para auxiliar o cliente na verificação dos documentos para o financiamento. Isso nos ajudou a diminuir o índice de rejeição. Hoje a possibilidade de recusa do crédito é menor nos bancos com os quais trabalhamos”.

Petry disse que, anos atrás, 50% dos pedidos de financiamento eram rejeitados, índice que hoje não ultrapassa os 30%. A DAF tem parcerias com os bancos Alfa, Bradesco e Itaú.

O executivo disse que 70% das suas vendas aqui são financiadas, 30% são pagas à vista e outros 10% por consórcio: “Como dependemos muito do financiamento temos sofrido com a falta de um banco próprio, pois é um trabalho extra encontrar instituição que ofereça taxas melhores para nossos clientes. Com o banco em operação teremos mais controle de todo o negócio”.

Petry observou que os diferenciais do Banco Paccar serão o relacionamento mais próximo com o cliente, investimentos em sistemas para garantir a maior agilidade no processo de aprovação de crédito e profissionais especializados no segmento de caminhões. Ele disse ainda que, com a operação do banco, as vendas financiadas da DAF no País devem aumentar em 10% já no primeiro ano: “De 15% a 20% dos caminhões DAF vendidos serão financiados por meio do banco. No quinto ano de operação a expectativa é a de que esse porcentual chegue a 30%, 40%”.

Hoje a DAF comercializa no País oitenta caminhões por mês. A expectativa da companhia é a de que sejam vendidas este ano 1,5 mil unidades: “Em 2019, com o banco em operação, devemos licenciar 3,5 mil caminhões para um mercado de 60 mil unidades”.

O Banco Paccar, no Brasil, trabalhará com CDC, Finame, leasing e financiamentos dos estoques da rede. No mundo a instituição existe desde 1960.

Mercedes-Benz cresce 150% na reposição

A Alliance Truck Parts, subsidiária da Daimler que atua no Brasil na área de reposição de peças para caminhões, ônibus e comerciais leves, registrou seu melhor quadrimestre histórico de vendas desde que abriu as portas, em 2014. Foram vendidas 23,6 mil unidades de janeiro a abril, alta de 150% com relação ao mesmo período do ano passado. Há quatro anos o volume não excedeu 3,5 mil peças.

O aumento das vendas se deu por causa do momento favorável à reposição no mercado doméstico. Maior fabricante de pesados do País a Mercedes-Benz – que também é controlada pela Daimler – foi a primeira a apostar na estratégia de investir em um modelo de negócio para o aftermarket. A concorrente MAN Latin America, em abril deste ano, lançou a linha Economy com o mesmo objetivo.

Para Mauro Santos, gerente do departamento de peças, a opção por criar uma gama de peças para a reposição que atendesse outras fabricantes além da Mercedes-Benz foi determinante para o desempenho do quadrimestre:

“O momento indica crescimento no segmento de reposição e nosso diferencial foi ter criado uma linha que abrange os veículos de outras fabricantes. Outro fator é a capilaridade da rede. Começamos com 34 concessionárias e hoje toda a rede tem nossas peças, e isso ajudou a massificar a linha”.

A MAN, com a sua linha Economy, atende apenas aos seus próprios veículos.

A Alliance constitui a terceira gama de peças da Mercedes-Benz, com 345 itens em catálogo. Depois dela existe a linha de originais e a de componentes remanufaturados, esta também destinada ao aftermarket. Santos disse que são 12 mil os clientes que a empresa tem em sua carteira por causa da família de peças mais baratas: “É um portfólio criado para disputar mercado em preço com os componentes produzidos no mercado paralelo. Além do preço temos como atrativo os seis meses de garantia”.

As peças da linha de reposição da Alliance são produzidas por fornecedores nacionais e armazenadas no centro de distribuição e logística da Mercedes-Benz, em Campinas, SP, onde também funcionam os escritórios pós-venda da empresa e a assistência técnica. Há um departamento integrado por vinte pessoas que trabalha na identificação das peças mais vendidas no mercado de pesados.

Nessa unidade está localizada, também, a linha de produção de peças remanufaturadas, como motores, câmbios e embreagens. A linha para reposição é composta por tambores, lonas, discos e pastilhas de freio, filtros de ar e de combustível e bombas d’água. A linha de acessórios possui defletores aerodinâmicos, rodas de alumínio com design exclusivo, tampas de estribo, geladeiras portáteis e de gavetas, TVs e estrelas iluminadas.

Prévia do PIB aponta leve recuperação

A atividade econômica cresceu 1,12% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o último trimestre de 2016, indica o IBC-Br, Índice de Atividade Econômica do Banco Central, dessazonalizado e ajustado para o período, divulgado na segunda-feira, 15, em Brasília, DF. O índice é considerado uma prévia do PIB, Produto Interno Bruto, medido pelo IBGE. As informações são da Agência Brasil.

De acordo com o indicador o País estaria saindo, de forma lenta, da sua maior recessão econômica, com registro de retração nos dois últimos anos. Em 2015 o PIB, indicador oficial calculado pelo IBGE, teve queda de 3,8%. No ano passado o PIB encolheu 3,6%.

Com relação ao primeiro trimestre de 2016 houve crescimento do IBC-Br de 0,29%, de acordo com os dados sem ajustes já que a comparação é de períodos iguais.

Em março o índice dessazonalizado apresentou queda de 0,44% com relação a fevereiro. Essa foi a primeira queda mensal neste ano. Em fevereiro houve crescimento de 1,37%, e em janeiro expansão de 0,37%.

Na comparação com março de 2016 houve crescimento de 1,05%. Em doze meses encerrados em março o indicador ainda acumula retração de 2,78%.

O IBC-Br é um mecanismo que avalia a evolução da atividade econômica brasileira e ajuda o BC a tomar suas decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic.

O índice incorpora informações sobre o nível de atividade dos três setores da economia, indústria, comércio e serviços e agropecuária, além do volume de impostos. O indicador foi criado pelo BC para tentar antecipar, por aproximação, a evolução da atividade econômica. Mas o indicador oficial é o PIB.

Retomada da demanda interna faz Usiminas religar alto-forno em Ipatinga, MG

A Usiminas, maior fornecedora de aço para o setor automotivo, anunciou que vai religar um alto-forno de ferro-gusa, um dos insumos do aço, que estava inoperante desde 2015 na usina de Ipatinga, MG. A empresa projetou aumento na demanda interna pelo produto e este fato motivou a reativação do equipamento, que vai incrementar em até 600 mil toneladas a sua produção de gusa em 2018.

Para o presidente a empresa, Sergio Leite, os primeiros sinais de reaquecimento do mercado siderúrgico, mesmo que de forma tímida, ajudaram na decisão da empresa de retomar a produção no alto- forno: “Ainda vislumbramos um crescimento lento para 2017, mas já estamos nos preparando para uma retomada mais consistente em 2018. A reativação representa um incremento para nossa produção e, consequentemente, para o fortalecimento da nossa competitividade”.

A retomada da produção no setor automotivo, projetada para 11,9% mais sobre os 2 milhões 156 mil 356 unidades fabricadas no ano passado, também é visto como um fator que exerceu influência na decisão da Usiminas. Segundo Pedro Galdi, analista do setor siderúrgico da Upside Investor, a influência vem do fato de o setor ser um dos principais consumidores do aço da siderúrgica, o qual vive desempenho positivo nas exportações:

“A siderúrgica abastece todo o parque fabril de veículos e é natural que um eventual crescimento neste setor que consome tanto motive a usina a produzir mais aço.” De acordo com a Usiminas, um terço de suas vendas nos últimos quatro anos foi destinado ao setor automotivo. Em 2016, a empresa vendeu um total de 3,7 milhões de toneladas.

Em 2015 o alto-forno foi temporariamente paralisado por causa do desaquecimento interno das vendas de aço. Para que o equipamento volte a produzir, será necessário um investimento de R$ 80 milhões e um trabalho de preparação previsto para durar em torno de 11 meses. Dessa maneira, a reativação do alto-forno deve ocorrer em abril de 2018. A decisão terá impactos positivos tanto sobre a produtividade da companhia quanto sobre a geração de empregos e movimentação da economia da região.

A expectativa da Usiminas é de que cerca de 400 empregos temporários sejam gerados durante a obra de preparação. Para a operação do equipamento, a estimativa é de contratação de 120 empregados diretos, principalmente nas áreas de Redução, Aciaria e Manutenção. Além disso, a reativação do alto-forno 1 deverá aumentar em 2 mil toneladas diárias a capacidade de produção de ferro-gusa na unidade, reduzindo a eventual necessidade de compra de placas de terceiros.

Regras de exportação impulsionam CKD brasileiro

Se por um lado a relação real-dólar tem ajudado a indústria automotiva nacional a incrementar suas exportações, por outro também tem contribuído para o envio de conjuntos de partes de veículos para serem montados em outros países. O câmbio não é a única razão para o crescimento dessa modalidade. As regras de exportações de veículos comerciais entre alguns países penalizam modelos produzidos no Brasil com alíquotas altas, que podem aumentar o preço em 50%. Isso está motivando as empresas a desenvolverem lá fora linhas de montagem CKD, Completely Knock-Down.

O assunto é pouco comentado abertamente pelos executivos do setor de caminhões e ônibus por se tratar de uma vantagem competitiva: decidir por uma operação CKD resulta em redução de custos. Números do primeiro quadrimestre do ano mostram que a exportação de veículos pesados desmontados cresceu 23,5% na comparação com igual período do ano passado. Segundo dados da Anfavea, foram embarcados 3 mil 422 kits de janeiro a abril. Neste último mês, os 1 mil 221 kits enviados ao exterior representaram incremento de 32% com relação a igual período de 2016.

Bom exemplo que confirma a tese é o México, que taxa em 20% os caminhões acima de 8 toneladas de PBT, peso bruto total, produzidos no Brasil. Fazendo as contas, as empresas evitam esse incremento nos custos exportando os kits e montando o caminhão ou o ônibus lá. “Além dessa vantagem na taxa, também temos outras como a mão de obra mais barata para operações menos complexas de montagem dos kits”, disse um executivo que prefere não se identificar por questões de competitividade no setor.

Até mesmo as regras para os implementos rodoviários em outros países contribuem para a tomada de decisão dessas empresas em desenvolver operação de montagem em CKD fora do Brasil. Segundo a fonte consultada por AutoData, esses equipamentos são taxados em 50% ao entrarem totalmente manufaturados em alguns países. Com encargos tão pesados, compensa transferir a montagem final, dando maior competitividade ao produto lá fora.

Ainda é cedo para afirmar, mas não será mera coincidência o crescimento dessas operações fora do País ao longo de 2017. Especialmente em um momento em que as empresas brasileiras começam a ganhar mercado em países africanos. Muitas delas já estudam exportações para Marrocos, Quênia e Nigéria.

China aumenta vendas do grupo BMW em 5,8% no quadrimestre

O grupo BMW, que congrega também veículos da Mini e da Rolls-Royce, vendeu 779 mil 736 unidades no de janeiro a abril, aumento de 5,8% com relação ao mesmo período de 2016. A empresa credita o crescimento das vendas dos modelos SUV X1 e X2 na China, sobretudo no mês de abril. Nesse mês, a empresa vendeu 192 mil 494 unidades, alta de 7,4% no comparativo com abril do ano passado.

A empresa acredita que com esse ritmo de vendas poderá alcançar a meta de entregar 100 mil carros eletrificados ainda neste ano. Ian Robertson, membro do conselho de administração da empresa, comentou também a participação dos lançamentos no desempenho do quadrimestre: “A demanda pela nova Série 5 é duas vezes mais elevada que para o modelo anterior neste momento. Com a demanda por nossos veículos eletrificados acima de 80%, estou confiante de que alcançaremos nosso objetivo de entregar 100 mil carros eletrificados este ano, sublinhando nossa posição de liderança na indústria”.

As vendas da marca BMW no acumulado do ano aumentaram 6,2% em relação ao mesmo período do ano passado, com um total recorde de 668 mil 095 veículos entregues a clientes em todo o mundo. A marca alcançou o melhor desempenho em abril, com vendas globais totalizando 164 mil 641 unidades, aumento de 9,4% com relação ao mesmo mês do ano passado. Muitos modelos em toda a gama contribuíram para este crescimento. O BMW X1, por exemplo, aumentaram 80,9%, com 22 mil 147. As vendas do BMW X3 subiram 17,3% e alcançaram 12 mil 440, enquanto as entregas do BMW 7 Series principal cresceram 33,7%, 5 mil 376.

No acumulado do ano, as vendas de veículos da MINI aumentaram 3,6% no comparativo ao mesmo período do ano passado, com um total de 110 mil 643 entregues a clientes em todo o mundo no quadrimestre. Os principais motores de crescimento da marca neste ano foram o MINI Cabrio, 10 mil 871 unidades, e o MINI Clubman, 19 mil 203.