AutoData - Regras de exportação impulsionam CKD brasileiro
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29/05/2017

Regras de exportação impulsionam CKD brasileiro

Por Redação AutoData

- 29/05/2017

Se por um lado a relação real-dólar tem ajudado a indústria automotiva nacional a incrementar suas exportações, por outro também tem contribuído para o envio de conjuntos de partes de veículos para serem montados em outros países. O câmbio não é a única razão para o crescimento dessa modalidade. As regras de exportações de veículos comerciais entre alguns países penalizam modelos produzidos no Brasil com alíquotas altas, que podem aumentar o preço em 50%. Isso está motivando as empresas a desenvolverem lá fora linhas de montagem CKD, Completely Knock-Down.

O assunto é pouco comentado abertamente pelos executivos do setor de caminhões e ônibus por se tratar de uma vantagem competitiva: decidir por uma operação CKD resulta em redução de custos. Números do primeiro quadrimestre do ano mostram que a exportação de veículos pesados desmontados cresceu 23,5% na comparação com igual período do ano passado. Segundo dados da Anfavea, foram embarcados 3 mil 422 kits de janeiro a abril. Neste último mês, os 1 mil 221 kits enviados ao exterior representaram incremento de 32% com relação a igual período de 2016.

Bom exemplo que confirma a tese é o México, que taxa em 20% os caminhões acima de 8 toneladas de PBT, peso bruto total, produzidos no Brasil. Fazendo as contas, as empresas evitam esse incremento nos custos exportando os kits e montando o caminhão ou o ônibus lá. “Além dessa vantagem na taxa, também temos outras como a mão de obra mais barata para operações menos complexas de montagem dos kits”, disse um executivo que prefere não se identificar por questões de competitividade no setor.

Até mesmo as regras para os implementos rodoviários em outros países contribuem para a tomada de decisão dessas empresas em desenvolver operação de montagem em CKD fora do Brasil. Segundo a fonte consultada por AutoData, esses equipamentos são taxados em 50% ao entrarem totalmente manufaturados em alguns países. Com encargos tão pesados, compensa transferir a montagem final, dando maior competitividade ao produto lá fora.

Ainda é cedo para afirmar, mas não será mera coincidência o crescimento dessas operações fora do País ao longo de 2017. Especialmente em um momento em que as empresas brasileiras começam a ganhar mercado em países africanos. Muitas delas já estudam exportações para Marrocos, Quênia e Nigéria.


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