NGK acelera vendas na reposição

O volume de vendas da NGK já é maior no segmento de reposição do que no de peças originais, segmento no qual a empresa foi cativa durante anos como importante fornecedora de sistemas de ignição de General Motors, Honda e Toyota. No caso das velas especiais, que chegam para ampliar o portfólio do carro-chefe da empresa, o componente representa atualmente uma fatia de 5% das vendas da empresa no Brasil e pode chegar a 8% com o aquecimento do aftermarket nacional. Não é pouco se for levado em consideração a gama de componentes da empresa, que também atende a outros segmentos, como usinagem e construção.

As oportunidades na reposição motivaram a empresa a trazer para o Brasil a produção de uma linha de velas então exclusivas dos mercados originais europeu e asiático. A estratégia por trás da nacionalização era atender a demanda criada por modelos que estavam sendo lançados aqui, como o Volkswagen up! e as novas versões do Toyota Corolla e do Hyundai HB20.

Diretor de marketing da NGK Marcos Mosso contou que o que a empresa fez, em linhas gerais, foi se antecipar a um movimento do mercado:

“Percebemos que os novos modelos criariam, no futuro, uma demanda no segmento de reposição por velas de ignição que não estavam disponíveis no mercado interno. Ou seja, antecipamos a produção nacional das velas para atender à demanda atual, pois estes veículos vivem o período de suas primeiras paradas para manutenção”.

O que a empresa nacionalizou foi a linha G-Power. As peças possuem ponta de platina, material que aumenta sua resistência. A aplicação do material também torna viável a queda de seu preço final: fica mais barata do que as velas da linha Iridium.

Desenvolvimento de novas velas de ignição para o mercado de reposição tem sido uma aposta das suas principais fabricantes. Para a Bosch, principal concorrente, o faturamento global da divisão de aftermarket alcançou € 6 bilhões em 2016, e as vendas do segmento de reposição e serviços na América Latina vêm crescendo ao ritmo de 5% a 7% por ano desde 2013. As oportunidades na reposição fizeram até a Delphi, que não é um competidor tradicional no segmento de velas, importar o componente de fornecedores europeus para vendê-los no Brasil. A Delphi quer aumentar sua fatia de 18% no mercado de reposição na América do Sul competindo no segmento de velas de ignição.

Setor exporta US$ 2 bilhões no quadrimestre

As exportações de veículos de passageiros quase dobraram de janeiro a abril na comparação com os primeiros quatro meses do ano passado. Até agora as vendas externas injetaram US$ 2 bilhões 58 milhões na balança comercial brasileira, 48,6% a mais do que o volume registrado em igual período do ano passado, US$ 1 bilhão 385 milhões. O resultado, divulgado na terça-feira, 2, pelo MDIC, Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, reflete as projeções da Anfavea, a Associação Nacional dos Veículos Automotores: o setor automotivo, este ano, teria uma retomada baseada nos resultados do comércio exterior.

O segmento dos veículos pesados, caminhões e comerciais leves, foi o que mais cresceu no período. Foram exportados produtos no valor de US$ 883 milhões de janeiro a abril, 75,8% a mais do que o valor verificado no mesmo período do ano passado, quando as exportações renderam US$ 502 milhões. O de autopeças é outro segmento que apresentou alta, totalizando US$ 623 milhões, alta de 6,8%. Motores para veículos e partes, por sua vez, tiveram crescimento menor, 0,9%, chegando a US$ 516 milhões.

Até abril os automóveis representaram 3% das exportações, e em igual período do ano passado a fatia foi de 2,5%. O segmento é o que mais se destacou dentro da categoria de manufaturados, que viu sua participação nas exportações cair. Em 2016 manufaturados tiveram fatia de 38,4% das exportações, e este ano o índice chegou a 35,3%.

Se analisados os valores em dólares a categoria de manufaturados teve alta de 12%, registrando no período US$ 24 bilhões 53 milhões ante US$ 21 bilhões 476 milhões no mesmo quadrimestre do ano passado.

O principal destino de todas as exportações brasileiras, não apenas veículos, foi a China, com US$ 17,7 bilhões – no universo automotivo, destaque para motores e partes de veículos. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, respondendo por US$ 8,2 bilhões em vendas – com destaque para combustíveis e automóveis. As vendas à Argentina, principal parceiro comercial do Brasil na América Latina, geraram US$ 5,2 bilhões, principalmente em negócios com automóveis, veículos de carga e máquinas agrícolas.

Macro – No acumulado até abril, as exportações apresentaram valor de US$ 68 bilhões 149 milhões. O valor representa um crescimento de 21,8%, pela média diária. As importações somaram US$ 46 bilhões 762 milhões, alta de 9,5% pela média diária sobre o mesmo período do ano passado, US$ 42 bilhões 694 milhões. A corrente de comércio, a soma entre valor exportado e valor importado, alcançou a cifra de US$ 114 bilhões 911 milhões, representando aumento de 16,5% sobre o mesmo período anterior, pela média diária, quando totalizou US$ 98 bilhões 638 milhões. O saldo comercial, diferença entre exportação e importação, acumulou superávit de US$ 21 bilhões 387 milhões, valor 61,4% superior ao alcançado em igual período de 2016, US$ 13 bilhões 250 milhões.

China pretende vender 35 milhões de veículos até 2025

O mercado chinês já é o mais importante do mundo e as autoridades do país desejam que ele se expanda ainda mais e comporte 35 milhões de unidades vendidas em oito anos. Dentro desse planejamento a quinta parte dos veículos comercializados em 2025 devem ser zero emissões, segundo o site Flash de Motor, da Venezuela. Na última década cresceu de 4,5 milhões de unidades/ano para 24 milhões em 2016.

O Ministério de Indústria e Tecnologia da Informação da China fixou como objetivo que ao menos a quinta parte destas 35 milhões de unidades corresponda a veículos híbridos e elétricos, meta que os fabricantes de automóveis deverão cumprir para conseguir atender às normas governamentais.

As atuais políticas a favor dos veículos verdes fizeram as vendas aumentarem: ainda que representem menos de 2% do mercado os carros movidos a energias alternativas devem chegar a 2 milhões de unidades até 2020. Outro objetivo do ministério é conseguir situar algumas das marcas de veículos chineses dentre os dez modelos mais vendidos do mundo até 2025.

O ministério informou, ainda, que durante a próxima década o país buscará o aumento das exportações a países em desenvolvimento, melhorar a tecnologia de baterias para veículos elétricos e eliminar algumas das atuais restrições, que permitem a uma marca estrangeira possuir até 50% de uma empresa chinesa.

BMW – O Grupo BMW anunciou na terça-feira, 2, plano de expansão da produção de veículos elétricos em Dingolfing, Alemanha, uma unidade que atualmente produz baterias de alta tensão e que fabricará, a partir de 2021, o novo modelo elétrico BMW iNEXT. A unidade, que já recebeu cerca de R$ 350 milhões em investimentos no projeto, produzirá – ao mesmo tempo – veículos com motores a combustão interna, híbridos plug-in e totalmente elétricos.

De acordo com Andreas Wendt, diretor da fábrica de Dingolfing, em comunicado, “Dingolfing tem expertise em sistemas complexos de produção, tornando-se o local ideal para a produção do BMW iNEXT. Com seu motor 100% elétrico e novas tecnologias, como condução autônoma e conectividade digital, o modelo será uma verdadeira inovação. Estamos orgulhosos de ter a oportunidade de construí-lo aqui”.

O Grupo BMW produz nove modelos elétricos em nove fábricas. Estão previstos, para os próximos anos, o lançamento do primeiro MINI elétrico, em 2019, e do BMW X3 elétrico em 2020. O grupo é o terceiro maior fabricante mundial de automóveis elétricos e vendeu mais de 62 mil unidades no ano passado.

Em 2025 a companhia espera que os veículos eletrificados representem de 15% a 25% de suas vendas.

Três gigantes em baixa

As três grandes fabricantes de automóveis da América do Norte registraram declínio no volume de vendas em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado. As informações são do The Detroit News. A Fiat Chrysler comercializou 177 mil 441 veículos, o que representou queda de 6,6% no período, as vendas da General Motors encolheram 5,8%, com 244 mil 506, e a Ford totalizou 214 mil 695 unidades e teve recuo de 7,2%

A FCA informou que as vendas da marca Chrysler caíram 3,3%, em grande parte por causa do fim da produção do sedã 200, e que as vendas Dodge também caíram, 2,6%: segundo a empresa a queda deu-se pela saída de linha do modelo Dart. Nos modelos Jeep a retração foi de 16,5%, e as vendas da marca Ram cresceram 5,3%. Já as vendas da marca Fiat caíram 18% em abril.

As duas marcas premium da GM registraram ganhos de vendas no mês: as vendas da Buick subiram 17% e as da Cadillac 9,5%. Mas as comercializações Chevrolet caíram 10,4% e as da GMC recuaram 0,3%. O Chevrolet Silverado caiu 19,7% e o GMC Sierra teve queda de 15,3%. De acordo com informações da GM a retração deu-se porque a concorrência apresentou melhores incentivos aos consumidores durante o mês. Ainda de acordo com a empresa as vendas de crossovers para clientes de varejo estão crescendo: suas marcas observaram crescimento de dois dígitos no segmento em abril. Segundo Kurt McNeil, vice-presidente de operações de vendas da GM nos Estados Unidos, os crossovers serão cada vez mais importantes para a indústria no próximo quinquênio: “Cinco anos atrás apenas uma em quatro vendas General Motors eram crossovers. Hoje eles respondem por quase um terço de nossas entregas. E vemos mais crescimento adiante”.

Na Ford apenas os SUVs apresentaram aumento de vendas, de 1,2%, para 73 mil 318 unidades. A Lincoln, marca de luxo da companhia, apresentou recuo de 9% com 9 mil 691 veículos vendidos, e a redução nos automóveis foi de 21,2%. As vendas de caminhões caíram 4,2%, desempenho que demonstrou mudança de ritmo para a montadora, que vinha observando as vendas crescerem neste segmento no primeiro trimestre do ano. Mesmo assim a empresa ainda conseguiu vender 70 mil 657 caminhões da Série F em abril. Este volume é maior do que a soma das vendas dos automóveis Focus e Fiesta no mesmo período.

Nissan e Toyota também registraram queda em abril, de 1,5% e de 4,4%, respectivamente. A Honda reportou 138 mil 386 veículos vendidos e queda de 7% com relação ao mesmo período do ano passado, por causa da redução de vendas da divisão de automóveis. Na contramão deste cenário, a Volkswagen cresceu 1,6% em abril, com volume de 27 mil 557 veículos comercializados.

Ainda de acordo com informações do The Detroit News, a Tesla relatou entrega de 25 mil veículos a clientes nos Estados Unidos, o que representa recorde trimestral e alta de 69% com relação aos primeiros três meses de 2016.

BMW – Segundo a BMW as vendas da empresa diminuíram 9,3% em abril nos Estados Unidos: comercializou 22 mil 624 unidades ante 24 mil 951 vendidas em abril de 2016. No acumulado do ano, a queda é de 1,3%, passando de 95 mil 564 para 94 mil 306 veículos. Bernhard Kuhnt, presidente e CEO da BMW América do Norte, disse que o declínio das vendas é explicado pela fila de espera de alguns modelos: “Continuamos a elevar a produção da nova Série 5”.

No total o Grupo BMW ali, veículos BMW e MINI, vendeu em abril 26 mil 105 veículos, uma queda de 12,2% com relação ao mesmo período de 2016. No acumulado do ano as vendas do grupo caíram 2,8%, passando de 111 mil 199 para 108 mil 38 veículos nos primeiros quatro meses.

Abril despedaçado

O desempenho de vendas de veículos nos primeiros quatro meses do ano não foi animador. Dados da Fenabrave, Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, mostram que de janeiro a abril foram licenciados 628 mil 914 veículos, recuo de 2,37% com relação ao mesmo período de 2016, que reportou 644 mil 206 emplacamentos. Quando analisados os números do mês passado a queda é similar: 3,63%, com 156 mil 933 emplacamentos contra 162 mil 846 em abril de 2016.

Mais uma vez as vendas de caminhões puxaram a retração do mercado. De acordo com a Fenabrave a queda no segmento foi de 23,39% no primeiro quadrimestre, 13 mil 162 unidades, contra 17 mil 181 no mesmo período de 2016. Se verificado apenas o mês de abril as vendas também seguem em queda com o licenciamento de 3 mil 488 unidades, recuo de 16,77% na comparação com os 4 mil 191 vendidos no mesmo mês do ano passado.

Os emplacamentos de ônibus também não mostraram recuperação nos primeiros quatro meses, pois no acumulado do ano foram emplacadas 3 mil 585 unidades, queda de 20,17% na comparação com as 4 mil 491 do ano passado. Já na análise mensal o recuo foi de 7,41%, com 1 mil 62 ônibus licenciados.

Ainda de acordo com o levantamento da Fenabrave de janeiro a abril foram emplacados 612 mil 167 automóveis e comerciais leves. O volume representa recuo de 1,67% para o período – na mesma época do ano passado o volume foi de 622 mil 534.

Lideranças – A General Motors manteve a liderança de vendas somando, no quadrimestre, 17,74% de participação nas vendas de automóveis e comerciais leves. Em seguida aparece a FCA, com 13,25%, e em terceiro a Volkswagen, com 12,68%. O quarto lugar ficou com a Hyundai, 9,45%, e o quinto com a Ford, com 9,3%.

A dianteira dos automóveis mais vendidos no quadrimestre ficou com o Chevrolet Onix, com 53 mil 313 unidades emplacadas. Em seguida está o Hyundai HB20, com 32 mil 454 emplacamentos. O Ford Ka ficou em terceiro, com 27 mil 514, o Volkswagen Gol permanece em quarto, com vendas de 21 mil 462 unidades e em quinto ficou o Renault Sandero, que totalizou vendas de 21 mil 82 unidades.

Ainda de acordo com a Fenabrave a picape Fiat Strada aparece no topo do ranking de veículos comerciais no quadrimestre, com 15 mil 391 unidades emplacadas. O segundo melhor desempenho também ficou a Fiat: 14 mil 709 unidades da picape Toro. Já o terceiro lugar foi do VW Saveiro, com 12 mil 390 emplacamentos. Em quarto aparece a Toyota Hilux, com 9 mil 921, e em quinto a Chevrolet S10 com 8 mil 66 unidades.

O Hyundai Creta, estreante no ranking, ficou na décima-oitava posição, com 10 mil 55 unidades emplacadas.

MWM detém 60% do mercado de pulverizadores

A MWM detém 60% do mercado brasileiro de pulverizadores e espera fechar 2017 com fatia ainda maior. Sua expectativa é a de que o acordo de fornecimento para toda a gama de máquinas da PLA, cliente do setor agrícola argentino, e mais três contratos que deverão ser fechados no segundo semestre, façam com que a empresa chegue aos 70% de participação desse mercado em 2018.

Hoje 10% da produção da empresa se destina ao segmento agrícola.

Os motores que serão fornecidos para a PLA fazem parte de versões da Série 12, linha já compatível com a legislação de emissões MAR-I, válida apenas no Brasil e que incide sobre equipamentos com potência acima de 75 kW. Os motores foram desenvolvidos e também são produzidos aqui, mas caberá à fábrica da MWM de Jesus María, Província de Córdoba, Argentina, a produção para atender à PLA.

Segundo Thomas Püschel, seu diretor de vendas de motores e peças, já se estuda o mercado de tratores de rodas e de pulverizadores em toda a América Latina. Apesar da queda no preço global das commodities Argentina e Brasil ainda oferecem oportunidades acima da média na região:

“Em 2016 fabricamos 40 mil motores nos dois países. Isso pode ser considerado um volume interessante se observarmos o preço dos produtos agrícolas em queda e a instabilidade política no Brasil”.

A linha onde é produzida a Série 12 da MWM, em São Paulo, é a mesma na qual a companhia fabrica um total de quatrocentas variações de motores para máquinas agrícolas, caminhões e ônibus. Tem capacidade para produzir 110 mil motores/ano em três turnos. Atualmente, segundo Püschel, a empresa opera com apenas um turno: “O volume está muito abaixo da capacidade máxima”.

Além da PLA a MWM atende a outras empresas fabricantes de pulverizadores, como Jacto, JAN e Stara. Para o segundo semestre a empresa espera fechar três contratos de fornecimento para abastecer os mercados doméstico e externo. Püshel disse que as negociações devem ser concluídas no segundo semestre: “Adiantaremos mais informações a partir de julho, mas são acordos que envolvem também exportações”.

As exportações, aliás, têm sustentado o crescimento dos segmentos de veículos e máquinas agrícolas.

De acordo com dados da Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, de janeiro a março o segmento exportou US$ 3 bilhões 34 milhões. O volume foi 51,5% maior do que o registrado no primeiro trimestre do ano passado, quando foram exportados produtos no valor de US$ 2 bilhões 21 milhões. No mercado interno, no trimestre, foram vendidas 9,8 mil unidades ante 6,9 mil no mesmo período do ano passado, uma alta de 41%.

Caso de família: VW/São Carlos desbanca trinta co-irmãs.

A Volkswagen do Brasil ganhou mais um contrato de exportação, a concorrência inter-company para exportar motores para o México a partir de junho. Para isto foram investidos R$ 50 milhões adicionais ao plano de investimentos, de R$ 460 milhões, na sua fábrica de São Carlos, SP.

David Powels, presidente e CEO da VW do Brasil, disse que os recursos foram aplicados na adaptação da unidade, em testes de validação do motor e na sua homologação:

“Concorremos com mais de trinta fábricas da companhia no mundo e vencemos porque apresentamos um planejamento de custos competitivos”.

O aporte contempla gastos com desenvolvimento tecnológico, investimentos em adaptação de linhas de usinagem do bloco do motor, montagem e testes do motor e despesas para certificação e homologação do produto. Para produzir a versão 1.4 TSI para exportação as linhas de usinagem e de montagem do prédio EA211 receberam adaptações para atender à complexidade do processo produtivo que envolve este modelo: maior quantidade de componentes comparado às demais versões já produzidas, por possuir calibração diferenciada diante das diferentes normas, temperaturas e combustível utilizados em outros mercados.

Segundo Powels o aumento da competitividade da fábrica só foi possível depois de acordos trabalhistas fechados no ano passado, que prevêem maior flexibilização da produção e treinamento de funcionários:

“Sem o acordo, válido por cinco anos, não poderíamos melhorar nossa competitividade por aqui. Isso foi fundamental para ganharmos essa concorrência”.

Com o novo contrato, que tem vigor até 2020, a empresa aumentará em 30% o volume produzido em São Carlos. Hoje produz-se, lá, 1 mil 750 motores/dia, o que representa 50% da capacidade instalada de 3,5 mil/dia. O contrato prevê que serão exportados 250 mil motores – que equiparão modelos Jetta, Golf e Golf Variant produzidos na fábrica de Puebla.

Powels ressaltou que os contratos de exportação firmados pela companhia são importantes para sustentar a capacidade de produção da Volkswagen no Brasil:

“Temos plano para exportar 150 mil veículos este ano. Em 2016 os embarques totalizaram 106 mil unidades. O interessante é que não ganhamos novos mercados: na verdade estamos ampliando nossa participação em países onde tínhamos pouca atuação”.

O executivo afirmou que nos 26 países do Caribe e da América do Sul, excluindo Brasil e Argentina, a Volkswagen detinha 2% de participação nas vendas. Só nos primeiros três meses deste ano a empresa conquistou fatia de 3,2%:

“É um mercado de 1,6 milhão de veículos por ano, quase como o Brasil, e ter um crescimento desse quilate mostra o nosso esforço para melhorar a utilização de nossa capacidade produtiva no País”.

O plano, segundo Powels, é deter 5% de participação até 2019 e até 2027 mais de 10% das vendas na região Caribe/América do Sul.

A fábrica de São Carlos também conquistou acordo para a exportação de blocos de motores 1.0 da família EA211 para a produção de Polo e up! na Europa.

Novo Polo chega até dezembro

David Powels, presidente e CEO da Volkswagen do Brasil, confirmou na quarta-feira, 3, a produção do Polo ainda este ano no País. O modelo, que chegará às concessionárias em algum instante do segundo semestre, não substituirá o Gol, um dos carros ícones da companhia:

“O carro será equipado com motores produzidos aqui em São Carlos e conviverá com up!, Gol e Fox”.

Segundo ele o Polo utilizará nova plataforma que está em desenvolvimento e dará origem a quatro modelos nos próximos anos:

“Além do Polo lançaremos um sedã, o Virtus, e mais dois carros nessa mesma base. Nos próximos três ou quatro anos esse plano de lançamentos deverá estar concluído”.

O Virtus, de acordo com Powels, chega ao mercado brasileiro no ano que vem: “E em seis a nove meses teremos mais novidades”.

De acordo com informações do mercado os dois modelos que também usarão a plataforma serão uma picape, para brigar com a Fiat Toro, e um SUV compacto.

O modelo Polo foi lançado no Brasil em 2002, e foi tirado de linha em maio de 2015. Ficou conhecido pelo conjunto mecânico bem acertado.

As vendas: de volta.

David Powels, presidente e CEO da Volkswagen do Brasil, disse na quarta-feira, 3, que as vendas de veículos no País diminuíram o seu ritmo de queda. No quadrimestre a comercialização de automóveis e comerciais leves alcançou 612 mil 167 unidades, o que representou recuo de 1,67%, de acordo com dados da Fenabrave.

Em abril foram comercializados 152 mil 383 automóveis e comerciais leves.

No acumulado do ano a Volkswagen deteve participação de 12,68% nas vendas de automóveis e comerciais leves. Com isso ficou em terceiro lugar, atrás da General Motors, com 17,74% e da Fiat com 13,25%.

Powels disse que março e abril superaram as suas expectativas: “O aquecimento está de volta ao mercado. Não veremos um milagre e crescimentos excepcionais, mas pelo menos o ritmo de queda diminuiu. É um bom sinal”.

Para ele as vendas de veículos, incluindo caminhões e ônibus, devem aumentar de 2% a 3% este ano. No ano passado as fabricantes instaladas aqui comercializaram cerca de 2 milhões de unidades.

A Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, projeta crescimento de 4% nas vendas de veículos em 2017.

Novos caminhos para gerar negócios

O baixo desempenho de vendas de implementos rodoviários tem feito com que as empresas fabricantes de carroceria sobre chassi e de semirreboques busquem novas alternativas para diminuir os efeitos da crise. Dados da Anfir, Associação Nacional das Fabricantes de Implementos Rodoviários, mostram queda de 26,82%, com 11 mil 445 unidades emplacadas no primeiro trimestre. A Pastre, de Quatro Barras, PR, decidiu iniciar a produção de semirreboques para transporte de toras.

Lauro Pastre, diretor industrial da empresa, disse que é um segmento que está em ascensão por causa do setor de papel e celulose, uma das atividades da economia que deverá puxar o crescimento de 10% nas vendas das fabricantes de implementos este ano, segundo projeções da Anfir. De janeiro a março houve um aumento de 26,85% dos emplacamentos de implementos para transporte de tora: 274 unidades.

Segundo Lauro Pastre para entrar neste segmento a empresa fez parceria com a Parator, companhia sueca especializada em produção deste tipo de implemento: “Pagamos royalties para utilizar a tecnologia e a engenharia referentes a cada carroceria produzida”.

Com isso a Pastre conquistou um novo cliente, que já encomendou 57 unidades deste tipo de carroceria: é a BBM Logística, de São José dos Pinhais, PR, que tem operações de transporte de toras no Brasil e na Argentina.

“Nossa expectativa é obter uma boa fatia desse mercado para compensar o que perdemos no segmento de semirreboques basculantes.”

O executivo projeta vendas de 180 unidades deste modelo de implemento até dezembro.

Outra decisão da Pastre para se fortalecer foi a abertura de novos mercados externos. Até 2015 a empresa embarcava implementos apenas para o Uruguai – exportava 25 unidades por ano. No ano passado, quando iniciou vendas na Bolívia e no Paraguai, o volume saltou para noventa unidades: “Este ano deveremos ficar no mesmo patamar de 2016”.

Para se manter competitiva nestes mercados, contou Pastre, a empresa tem enviado os implementos em CKD para os três países e com isso economiza até 50% de frete: “Nossos custos logísticos caíram, o que colabora para que tenhamos uma operação mais rentável e reflete nas negociações com os cliente”.

Para manter o equilíbrio em um mercado em queda a empresa também tomou algumas medidas internas para reduzir custos. A principal delas foi a desativação de fábrica que mantinha também em Quatro Barras. No local eram fabricados baús frigorificados, “e com isso obtivemos redução de 20% de custos”.

A Linshalm, especializada na produção de implementos para carga fechada com estrutura de alumínio, está percorrendo uma rota bastante parecida com a da Pastre. Segundo seu diretor superintendente, Unírio Nestor Dalpiaz, seus técnicos observaram, há pouco tempo, no nicho de carroceria carrega tudo, uma oportunidade de compensar a retração dos pedidos:

“Verificamos que temos condições de fabricar este tipo de produto em nossa linha de montagem, e já estamos oferecendo aos potenciais clientes. É um tipo de carroceria que está gerando demanda”.

Com sede em Timbó, SC, a empresa, que vem utilizando 50% da sua capacidade de produção nos últimos meses, viu o volume de produção cair de seiscentas unidades em 2014 para 350 em 2015 e trezentas no ano passado. Para se ajustar ao cenário de baixa demanda a Linshalm também diminuiu seu quadro de funcionários de 250 para 150. Assim como outras empresas do setor também passou a olhar mais para o mercado externo. Em 2016 iniciou vendas para Paraguai e Uruguai.

O objetivo, agora, é chegar ao mercado da Colômbia: “A abertura do mercado externo ocorreu principalmente graças ao convênio que a Anfir iniciou com a APEX no ano passado”.

Esse convênio da Anfir com a Apex, Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos, com o objetivo de incentivar suas exportações, acabou em fevereiro. A parceria possibilitou que as empresas associadas colocassem em prática estratégias de aproximação com clientes na América Latina.

De acordo com o presidente Alcides Braga estas ações contribuíram para o aumento de 18,9% no volume de exportações no ano passado. Os negócios movimentados por meio dessa parceria significaram US$ 35 milhões. Veja aqui.