Papel do compliance surge depois de escândalos

A preocupação das empresas em combater fraudes tem aumentado nos últimos anos, e um dos motivos é o maior conhecimento das consequências que ações ilícitas podem trazer para a imagem das corporações. A Odebrecht, por exemplo, depois da operação Lava Jato, estabeleceu uma área dedicada à compliance. Hoje 49 diretores trabalham na aplicação de uma série de regras para tornar transparentes os seus processos. Até o fim do ano serão sessenta pessoas nessa área.

No setor automotivo um exemplo recente desta precaução foi o anúncio, do Grupo Volkswagen, a respeito da nomeação de um executivo independente de compliance, Larry D. Thompson, para realizar auditorias. De acordo com informações da empresa o objetivo é ser mais transparente. Uma das suas responsabilidades será fortalecer os mecanismos de conformidade e monitoramento da empresa e colocar em prática programa aprimorado de conformidade ética.

Esta decisão ocorre dois anos após a Volkswagen enfrentar uma crise séria de imagem quando o governo dos Estados Unidos descobriu que usara um software para burlar os testes de emissão de poluentes dos veículos equipados com motores a diesel. Na época a empresa admitiu que pelo menos 11 milhões de carros foram afetados pelo esquema.

Pelo lado das concessionárias este cuidado também tem aumentado. De acordo com Daniel Nino, diretor da AutoAvaliar, empresa que promove pregão online com concessionárias e revendedores independentes de veículos, houve um aumento no volume de concessionárias e lojistas cadastrados no último ano no site e no aplicativo da empresa. Em 2015 eram 1 mil concessionárias e 12 mil lojas e, no ano passado, estes números foram 1,5 mil concessionárias e 22 mil lojas. Esse aumento ocorreu principalmente porque os clientes estão em busca de uma transparência no processo de compra e venda de veículos usados.

Nino contou que, antes, quando a concessionária recebia um automóvel usado como forma de pagamento, o vendedor ou avaliador fazia ofertas apenas para meia dúzia de lojistas e a tabela de preço não era montada de forma transparente: “Estes profissionais cobravam comissões dos lojistas e fechavam valores conforme sua conveniência e isto diminuía a margem de lucro da concessionária”.

Segundo Nino depois da adoção do sistema online de vendas a margem bruta das empresas cadastradas, que antes era de 2% a 4%, hoje é de 10% a 12%:

“Tudo passou a ser registrado e monitorado. Não há como precificar o carro errado”.

Já para Antônio Carlos Hencsey, responsável pela área de ética e compliance da Protiviti, empresa global de consultoria especializada em gestão de riscos e compliance, houve um crescimento em serviços de consultoria para empresas de diversos setores, inclusive do setor automotivo: “As consultorias receberam o impacto da nova cultura corporativa”.

Ele disse que só no Brasil o aumento foi de mais de 300%.

Pesquisa e ações – Para retratar o cenário de ações ilícitas registradas pelas empresas no Brasil a Protivit realizou recentemente uma pesquisa que se baseia em 43 casos de fraudes corporativas investigados pela empresa nos últimos dois anos. O levantamento mostrou que 57% das ações fraudulentas são cometidas por gerentes e diretores, e 43% são realizadas por funcionários abaixo do nível executivo.

Nas fraudes internas investigada 58,4% dos casos envolvem o favorecimento de fornecedores. Já naqueles que envolvem empresas parceiras o relatório mostra que 41,18% das vulnerabilidades são ligadas a algum tipo de corrupção.

Segundo Hencsey é importante que as empresas adotem no processo seletivo o estudo do histórico de conduta ética dos profissionais de todos os níveis hierárquicos: “Isto também precisa ser adotado para a contratação de fornecedores”

Para Wagner Giovanini, sócio da consultoria Compliance Total, ter um sistema de compliance eficiente significa ter comprometimento em apurar todas as denuncias: “É necessário também ter medidas disciplinares que garantm processos íntegros”.

Tesla requer mais estações de abastecimento. Muito mais.

A Tesla está se preparando para lançar seu elétrico Model 3, de US$ 35 mil, até o fim do ano. Os planos da empresa, segundo infomou o Detroit News, é vender 500 mil veículos em 2018. Para suportar esse crescimento a empresa tratou de ampliar sua rede de estações Supercharger, onde os proprietários carregam seus carros gratuitamente.

Este ano o número de Superchargers disponíveis para uso público dobrará de 5 mil para 10 mil, de acordo com um post publicado no blog da Tesla, na segunda-feira, 24. Isso é 39% mais Superchargers do que o CEO Elon Musk prometera para 2017, quando anunciou o Model 3. A empresa também aumentará o número de Destination Chargers, em hotéis e restaurantes, de 9 mil para 15 mil.

Algumas das estações terão painéis solares e carregadores para acomodar “diversas dúzias de carros” ao mesmo tempo: “As estações devem entrar em construção para abrir antes da temporada de verão”, informou a Tesla no post.

A Tesla também deu o seu primeiro passo na estratégia de expansão da rede de carregamento nos Estados Unidos. A empresa abrirá mais postos em centros urbanos ,como San Francisco, Chicago e Nova York, onde é comum ter residências multiunit sem estacionamento dedicado ao abastecimento do carro elétrico. A rede Supercharger foi originalmente projetada para permitir viagens de longa distância e estão localizadas principalmente nas principais rodovias.

Política específica para autopeças está prevista na cartola do Rota 2030

A ajuda às empresas de autopeças com dificuldades financeiras está mais próxima. A nova política industrial para o setor automotivo contemplará essas empresas com maior vigor e, segundo Igor Calvet, secretário de desenvolvimento e competitividade industrial do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, uma das medidas será um programa de capacitação, financiamento e inspeção técnica veicular. Calvet participou da abertura da 13ª Automec, Feira Internacional de Autopeças e Serviços, na terça-feiora, 25, em São Paulo.

Ele ressaltou que os grupos de trabalho formados em conjunto com o setor privado devem concluir os estudos do Rota 2030 em dois meses: “São medidas estudadas para turbinar o setor de autopeças, muito combalido nos últimos anos”.
Sua projeção é a de que em setembro o governo edite medida provisória para a criação da nova política.

No que diz respeito a financiamento o secretário disse que está em conversas com o Ministério da Fazenda para criar fórmula que permita a liberação de recursos para empresas de autopeças em situação financeira difícil. No entanto, segundo Calvet, não será um projeto de renúncia fiscal, como aconteceu na política de isenção do IPI, Imposto sobre Produto Industrializados, que estimulou as vendas de carros no passado:

“Será uma política mais estruturada. Dinheiro haverá, mas não será carimbado para um setor. Vivemos quinze anos com essa ideia de benefícios fiscais. Agora, uma mudança regulatória pode estimular muito o mercado. A inspeção veicular, por exemplo, poderá operar uma renovação de frota natural e melhorar as vendas do mercado de reposição de peças”.

É neste projeto de integração maior com o setor privado que o Rota 2030 será estruturado. Calvet afirmou que o projeto de capacitação das pequenas empresas de autopeças será realizado em conjunto com as montadoras e sistemistas: “O objetivo é formatar cursos tanto em gestão financeira quanto de qualidade, e isso tem de ser feito com quem conhece o setor. O Rota 2030 servirá para dar mais competitividade às empresas brasileiras. Não seremos bons apenas para o mercado interno: queremos inserir definitivamente nossa indústria no cenário global”.

E foi com a prestação de contas nas mãos e propostas para a próxima política industrial que a direção da Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, se reuniu com o presidente da República na tarde da terça-feira. Segundo Calvet nessa reunião os executivos, presidente e vice-presidentes da entidade, apresentaram as condições do mercado atual e o que vislumbram para o futuro: “Eles foram prestar contas dos investimentos feitos com o Inovar-Auto. É mais uma demonstração do trabalho em conjunto”.

Valeo quer 15% do mercado de reposição este ano

AValeo quer aumentar sua participação no mercado de reposição aproveitando oportunidades nos segmentos de veículos pesados e comerciais leves. Ainda que boa parte da frota rodante do País esteja ociosa em função da baixa atividade econômica nos transportes, a empresa quer deter 15% de participação no aftermarket até o fim do ano, superando os 9% atuais.

Para atingir a meta a empresa lançará peças de reposição que possuem maior rotatividade nos veículos, como embreagens e limpadores de para-brisa. A partir deste mês a companhia produzirá na fábrica de Campinas, SP, duas linhas de embreagens para os caminhões Constellation, da MAN, e o Série 3, da Scania.

Fernando Ribeiro, diretor de operações da Valeo responsável pelo segmento de reposição na América Latina, disse, durante a 13ª Automec, Feira Internacional de Autopeças, Equipamentos e Serviços, que com os lançamentos a empresa estará preparada para atender à demanda que virá com a manutenção dos caminhões produzidos em 2012 e 2013:

“Vivemos um momento em que o único investimento possível é em manutenção. Mesmo que a frota esteja ociosa existem muitos veículos que operaram no máximo de sua capacidade e hoje sofrem com desgaste.”

Atualmente, a divisão de aftermarket, em operação no País desde 1998, produz nove linhas de itens de reposição.

Toda essa estratégia pode levar ao aumento da folha de pagamentos. A Valeo contratará no mundo todo, até 2020, novos 50 mil funcionários, informou Fernando Ribeiro. Mesmo sem citar a quantidade, ele disse que a operação brasileira está inserida neste planejamento de contratações. Além das demandas projetadas para o mercado de reposição, há também a expectativa de crescimento na participação no mercado de originais, com aplicações em veículos como Onix, Fox e Gol. Segundo Ribeiro hoje 50% da produção brasileira possuem equipamentos Valeo.

Schaeffler projeta crescimento de 20% no mercado de reposição

Com o objetivo de diminuir o impacto da queda no volume de vendas OEM, para fabricantes de veículos, a Schaeffler, fornecedora automotiva de componentes e sistemas em aplicações de motor, focou seus esforços no lançamento de novos produtos e serviços para o mercado de reposição. Durante a Automec Rubens Campos, vice-presidente de aftermarket da Schaeffler na América do Sul, contou que estão sendo desenvolvidos cem novos produtos para atender à frota circulante, que é de 40 milhões de veículos do País.

Campos contou que a empresa viu suas vendas ao mercado de reposição crescerem 20% nos dois últimos anos e em 2017 deverá manter esse patamar: “O que puxa a elevação das vendas são os produtos que estamos desenvolvendo para as novas fabricantes, como kits de embreagens”.

Campos disse que o segmento de veículos leves é o que mais tem contribuído, principalmente porque o consumidor está cuidando melhor da manutenção do seu carro.

Atualmente a fábrica de Sorocaba, SP, está utilizando 60% da sua capacidade, e para adequar a produção ao mercado reduzido a empresa encolheu seu quadro de funcionários de 4 mil para 3,5 mil pessoas nos últimos dois anos. A expectativa agora, no entanto, é retornar aos poucos às contratações para atender ao mercado de reposição e também para um retorno gradual dos volumes de pedidos das fabricantes de veículos. Segundo ele se não fosse o desempenho das vendas para o mercado de aftermarket, e também dos esforços para crescer suas exportações , a fábrica certamente teria nível de ociosidade mais alto.

Sem abrir números o executivo contou que tem havido mais embarques de produtos para outras fábricas da empresa espalhadas pelo mundo, e também para mercados de reposição. Países da América do Sul, Europa e Ásia são os principais destinos.

O Grupo Schaeffler teve faturamento global de € 13,3 bilhões no ano passado, possui 170 unidades produtivas ao redor do mundo. No Brasil a empresa completará 60 anos de operação no ano que vem – uma operação que representa 7% da receita global da companhia.

Anfavea apresenta plano ao governo

A Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, e presidentes de empresas fabricantes de veículos no Brasil, se reuniram na terça-feira, 25, com o presidente da República para apresentar seu plano para o setor. Participaram, também, os ministros da Fazenda e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, e representantes de outros ministérios.

A direção da entidade expôs a criticidade da conjuntura setorial, que registra índices elevados de ociosidade nas fábricas, e apresentou o plano Agenda Automotiva Brasil, sua visão sobre os pilares necessários para o desenvolvimento sustentável de longo prazo. O objetivo é preparar o setor automotivo brasileiro para competir no mercado global, considerando as rápidas transformações que a indústria enfrenta no mundo todo. Para Antônio Megale, presidente da Anfavea, trabalhar com um horizonte até 2030 é fundamental para o planejamento das empresas:

“Estabelecer um programa com prazo superior a dez anos representa um grande avanço para a indústria e para o Brasil, pois dará previsibilidade ao planejamento e investimento das empresas. Com a formação dos grupos de trabalho, compostos por representantes de vários ministérios e com participação da iniciativa privada, temos a expectativa de que todos os pontos avancem rapidamente e as regulamentações estejam concluídas até o fim deste ano”.

Os pilares do programa proposto pela Anfavea envolvem a recuperação da base de fornecedores, localização de tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e engenharia, eficiência energética – que considerará as características do etanol como combustível limpo –, segurança veicular, inspeção técnica veicular, resolução de entraves logísticos, relações trabalhistas e tributação.

De acordo com Megale a mobilidade está se transformando muito rapidamente no mundo e os consumidores, cada vez mais exigentes, anseiam por novas tecnologias, evolução da segurança e redução das emissões: “Com o fim do Inovar-Auto e com as lições apreendidas, temos a oportunidade única de desenvolver um novo regime automotivo de longo prazo atento a estas transformações e que fortaleça toda a cadeia produtiva para competir no mercado global”.

A cadeia automotiva é uma das mais extensas da indústria brasileira. É responsável por 22% do PIB Industrial e por 4% do PIB total, emprega direta e indiretamente 1,6 milhão de pessoas e gera R$ 40 bilhões de tributos diretos sobre veículos. Os últimos meses do ano serão destinados às regulamentações necessárias para que tudo esteja em vigor a partir de 1º de janeiro do ano que vem.

BorgWarner faturou US$ 90 milhões na América do Sul

A BorgWarner faturou US$ 90 milhões na América do Sul em 2016, ou 1% do volume total de vendas alcançado pela companhia no mundo todo, que somou US$ 9,07 bilhões no ano passado. A empresa acredita que com o mercado de reposição no Brasil poderá dobrar o faturamento na região até 2020.

A empresa aumentará a capacidade instalada a partir da finalização do processo de integração com duas aquisições feitas recentemente, a Wahler e a Delco Remy. De acordo com Nelson Bastos, diretor de aftermarket da empresa na América do Sul, falta ainda concluir a incorporação da Delco, cuja fábrica produz motores de partida, entre outros componentes, na cidade de Brusque, SC: “Concluiremos em dezembro e decidimos que a nova estrutura manterá as marcas que já vendem no mercado.”

Bastos ressaltou, ainda, que “a válcula de escape” da empresa frente à crise no setor automotivo dos últimos anos, é o aquecimento da demanda por peças de reposição que deve aumentar a partir deste ano.

Ele disse que os veículos adquiridos antes da crise já procuram as oficinas para pequenos reparos: “Nossa meta global é crescer 20% no aftermarket. No Brasil podemos mais do que dobrar as receitas porque vivemos uma situação favorável. Quando a venda de veículos novos cai, o mercado de reposição fica aquecido por muitos investem em manutenção”.

O executivo também vê com otimismo o mercado de peças para montadoras. A BorgWarner fornece turbos para a Volkswagen e Hyundai: “Hoje as empresa estão produzindo motores cada vez menores e que demandam maior potência, apesar do tamanho. Neste sentido os turbos são equipamentos fundamentais para estes projetos”.

A empresa hoje tem 65 funcionários no Brasil dedicados ao atendimento no mercado de reposição. Das três fábricas instaladas no País, apenas a de Piracicaba, SP, onde são feitas as válvulas da Wahler, funciona com três turnos. A fábrica de Itatiba, SP, onde são feitos os turbos, e a de Brusque, SC, atualmente rodam com um turno apenas.

Receitas caseiras para crescer nas linhas de pesados

Sistemistas e fornecedores que atuam no setor de reposição de componentes para veículos comerciais lançaram mão de estratégias particulares para aprimorar seu desempenho de vendas. Ao contrário do aftermarket para veículos leves, que vem experimentando aumento no volume, o segmento de pesados registrou queda de 10% em 2016, de acordo com informações do Sindipeças.

Com este cenário a Meritor, que fabrica eixos dianteiros e traseiros para veículos comerciais, iniciou uma série de ações no aftermarket para conquistar novos consumidores e aumentar o volume de vendas. Uma delas foi iniciar a comercialização de kits completos em vez de apenas oferecer componentes separados. A empresa também investe na ampliação de produtos, em alianças mais fortalecidas com fornecedores para garantir a melhoria na qualidade dos produtos e um sistema de entrega de itens mais ágil e eficiente.

Durante a Automec Luís Marques, gerente de marketing e aftermarket da Meritor para a América do Sul, disse que o mercado sinalizava que a reposição seria a tábua de salvação para compensar a queda da demanda do OEM, mas isso não ocorre com pesados: “Há uma frota ociosa que não está rodando e isto impacta diretamente a reposição”.

De acordo com ele estas ações fizeram com que a empresa registrasse aumento de 5% no volume de vendas para este mercado em 2016 e a expectativa é a de que o crescimento para este ano seja de 15%.

Já a Dana, que produz sistemas de transmissão, vedação e gerenciamento térmico para veículos comerciais, anunciou rompimento de contrato comercial com a Affinia, que representava e distribuía seus produtos desde 2003, justamente para aumentar sua capilaridade no mercado de reposição.

De acordo com Carlos Dourado, diretor de vendas da Dana, a antiga parceira não estava em todos os mercados, de forma eficiente, onde a empresa queria atuar. Assim, com o negócio de vendas retornando para a fabricante, a expectativa é aumentar em até 9% a comercialização de peças na reposição. Atualmente a companhia detém 80% de participação em todas as suas linhas de produtos.

Dourado disse ainda que, com o gerenciamento da área comercial para a reposição, a empresa poderá ampliar o portfólio atual: “Permitirá, anda, um suporte melhor para a nossa rede de distribuidores”.

Sabó investe na indústria 4.0

A Sabó, fabricante de sistemas de vedação, investirá R$ 20 milhões nos próximos três anos na modernização de suas fábricas no País. Lourenço Oricchio, seu diretor geral para a América, disse que a maior parte dos recursos serão aplicados na adequação de algumas linhas visando à manufatura 4.0. A companhia já dispõe de algumas áreas em que esse conceito é desenvolvido.

Oricchio afirmou que nos últimos três anos a Sabó investiu R$ 20 milhões na modernização da fábrica de Mogi Mirim, SP: “Nossa estratégia é aplicar o conceito primeiro em linhas de produção de itens de grandes volumes. E isso já está sendo feito. Agora, vamos replicar soluções também para os itens de menor volume de fabricação”.

Ele contou que, com a modernização, a Sabó conseguiu ganhos de produtividade e redução nos custos de produção, o que a fez suportar a queda das encomendas das montadoras:

“Conseguimos competir com fábricas da China e da Coreia dos Sul. Sem a adoção desses processos não seria possível. É um caminho sem volta”.

A fábrica de Mogi Mirim tem capacidade instalada para a produção de 300 mil itens por dia – produz, hoje, 180 mil produtos/dia.

Oricchio ressaltou que, hoje, 20% do faturamento da companhia são obtidos com o fornecimento de peças para fabricantes de veículos. Até 2014 sua participação nesse mercado, OEM, representava 33%. O executivo disse que as exportações sustentaram as vendas, assim como o fornecimento para o aftermarket:

“Hoje a divisão de nossa receita é de 40% para as exportações, 40% para a reposição e o restante vem das montadoras. E isso deve se manter por muito tempo. As vendas de veículos no Brasil não devem voltar a patamar de 3,5 milhões ao ano no curto prazo”.

No ano passado a Sabó faturou R$ 400 milhões na América do Sul. Para 2017 a expectativa é de receitas de R$ 430 milhões. Oricchio disse que a reposição e, principalmente, as exportações puxarão esse resultado: “Exportação é fundamental para o nosso negócio. Ainda mais com o câmbio nesse patamar. Estamos preparados para atender a todos os mercados”.

Segundo ele América do Norte e China respondem por 95% das vendas externas da companhia.

Internacionalização – A Sabó, em 2014, concluiu a venda de 80% de sua unidade internacional – todas as suas operações fora da América do Sul – para a chinesa Zhongding. Com isso aumentou sua participação na China e nos Estados Unidos. Oricchio contou que a nova companhia abriu uma segunda fábrica na China e ampliou a sua unidade da Carolina do Norte.

“Nós entendemos que esses 20% de participação nesse negócio nos deu muito mais capacidade de aumentar o faturamento do que se seguíssemos sozinhos. Sem o sócio não teríamos recursos para ampliar a capacidade no Exterior.”

Somente a unidade internacional da Sabó faturou cerca de R$ 100 milhões no ano passado, e a perspectiva é de um crescimento de cerca de 20% este ano.

Cuidado com as oficinas para garantir crescimento

A Bosch registrou acréscimo de 3,5% nas vendas do seu braço de reposição nos últimos três anos. Este aumento ocorreu principalmente devido à ampliação de portfólio, ajustes na área de logística com a internacionalização do processo e crescimento orgânico. Delfim Calixto, presidente da divisão de aftermarket da Bosch, disse durante a Automec que a perspectiva para 2017 também é crescimento de 3,5% no Brasil e de 6% na América Latina.

Para elevar a representatividade no território nacional a empresa está de olho nas 5 mil oficinas independentes que representam a Bosch no País. De acordo com Calixto existem diversos trabalhos de capacitação e de soluções para melhorar o desempenho destas oficinas e isto se traduz em novos negócios.

Calixto contou que no Brasil existem 80 mil oficinas independentes e, deste volume, há 20 mil com potencial interessante para trabalhar com a bandeira Bosch: “Estamos de olho nestes estabelecimentos para ampliar nossa participação”.

A empresa também estuda parcerias e investimentos em startups que promovem conectividade para as oficinais. Recentemente fechou acordo com empresa que desenvolveu aplicativo para conectar o usuário final do veículo com a oficina.

Ainda no mercado de reposição a Bosch pretende expandir negócios na América Latina com desenvolvimento de escritórios regionais em países como Peru e Uruguai. Segundo Calixto a empresa também avalia alguma presença no Paraguai.

Juntas, todas as operações globais da Bosch registraram faturamento global de €73 bilhões no ano passado A receita dos negócios de aftermarket foi de € 6 bilhões no período.