Toyota investirá US$ 1,3 bilhão. No Kentucky.

A Toyota anunciou investimento de US$ 1 bilhão 330 milhões na sua fábrica Georgetown, KY. O aporte será utilizado para melhorias nas linhas de montagem dos sedãs Camry, informou o portal The Detroit News. A empresa não anunciou novos postos de trabalho na fábrica compo decorrência do investimento, mas ressaltou que será a maior atualização já realizada em uma de suas fábricas nos Estados Unidos.

A modernização pela qual passará a linha de montagem garantirá os empregos dos 8,2 mil trabalhadores da unidade, onde são produzidos aproximadamente 25% de todos os veículos Toyota na América do Norte. Will James, diretor da unidade – que também monta Avalon e Lexus ES 350 –, disse que a modernização “permitirá que a fábrica permaneça flexível e competitiva”.

O aporte anunciado faz parte de pacote de investimentos Toyota de US$ 10 bilhões nos Estados Unidos nos próximos cinco anos, segundo o CEO da Toyota América do Norte, Jim Lentz.

O investimento de Toyota já será percebido na produção do Camry 2018, modelo que por muito tempo foi o carro-chefe da companhia no país. A empresa disse que o novo carro foi projetado há quatro ou cinco anos, e que a atualização de fábrica é necessária para sua produção. O modelo será lançado no final de agosto.

A fábrica recentemente admitiu mais de setecentos trabalhadores para apoiar o seu lançamento. De acordo com Scott Vazin, porta-voz da companhia, “a própria linha de produção está sendo reestruturada para acomodar essa mudança”. Ele informou, também, que os planos de modernização incluem nova área de pintura.

A Toyota aposta que as mudanças solidificarão sua posição de vendas com o Camry, que está ameaçada com a popularidade dos SUVs: “Estou convencido de que, quando o Camry 2018 chegar às estradas, ainda este ano, será um sucesso”, disse Will James, para quem as melhorias darão forma à fábrica “para competir globalmente por novos modelos, construir carros cada vez melhores e nos permitir responder mais rápido às demandas do mercado”.

Exportações de empilhadeiras crescem 53% em 2016

As empresas fabricantes de empilhadeiras e equipamentos para movimentação de cargas exportaram, no ano passado, US$ 1 bilhão 199 milhões, a melhor resultado dos últimos nove anos. O valor é 53,4% maior do que o registrado em 2015, quando os embarques renderam US$ 779 milhões 696 mil, segundo dados da Abimaq, Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, obtidos com exclusividade.

As importações continuam pesando mais na balança comercial do setor, ainda que as cifras venham diminuindo desde 2014. No ano passado os custos com equipamentos importados totalizaram US$ 4 bilhões 573 milhões, queda de 13% em relação a 2015.

João Marchesan, presidente da Abimaq, disse que com a melhoria do desempenho das exportações o Brasil se fortalece como produtor regional:

“Se há obras no País o setor vai bem porque abastece a cadeia que atua na área de infraestrutura. O varejo também é outro motor do segmento. Quando ambos estão desaquecidos as empresas buscam oportunidades na América Latina, onde o produto brasileiro é bastante competitivo”.

Das exportações de máquinas e equipamentos no primeiro bimestre o segmento de empilhadeiras e equipamentos de movimentação de cargas teve participação de 4,3%, ou US$ 46 milhões 432 mil. Essa receita foi 27,3% superior à registrada no mesmo período do ano anterior. O valor, no entanto, está abaixo do recorde obtido em 2014, quando as exportações no primeiro bimestre somaram US$ 57 milhões 986 mil.

Marchesan, acredita que o desempenho do início do ano indica que 2017 será um ano interessante para o segmento: “O setor de máquinas e equipamentos como um todo passa por dificuldades, mas não vai mais cair”.

Sobre a queda nas importações de empilhadeiras e equipamentos de cargas Marchesan afirmou que as fabricantes elevaram o nível tecnológico dos equipamentos produzidos no País: “De 2008 para cá chegaram novos competidores, empresas que estavam aqui nacionalizaram produção e outras se uniram porque viram potencial no mercado brasileiro e nos países vizinhos”.

Setor – O saldo da balança comercial de máquinas e equipamentos caiu 24,7% no primeiro bimestre, chegando a US$ 959 milhões 49 mil. No período as exportações foram de US$ 1 bilhão 53 milhões e as importações somaram US$ 2 bilhões 12 milhões. A boa notícia é que as vendas externas para a América Latina cresceram 19,4% no bimestre, chegando a US$ 480 milhões. O presidente da Abimaq afirmou que os embarques para a região foram maiores para os países do Mercosul, atingindo US$ 189 milhões, alta de 19,7%.

As vendas internas de máquinas e equipamentos, no primeiro bimestre, somaram R$ 5 bilhões 792 milhões, valor 3,7% superior a janeiro e fevereiro de 2016. O consumo aparente, que soma as vendas internas e as exportações, caiu 22,4%, e totalizou R$ 13 bilhões 59 milhões.

Renovação, por enquanto, só no papel

Há três meses a renovação da frota de caminhões voltou a fazer parte da pauta de discussões do governo com a Anfavea, Associação Nacional da Fabricantes de Veículos, e outras entidades. Desta vez a proposta é que o tema esteja na nova política industrial para o setor automotivo. Segundo Fernando Trujillo, consultor da IHS Automotive, um dos maiores desafios para tirar do papel a renovação da frota é a regulamentação do desmanche, a venda de peças e a captação de subsídios para a troca de caminhões antigos por novos.

“Serão necessários incentivos governamentais. Para ser sincero este é o grande entrave, porque o governo está enxugando custos.”

De acordo com Trujillo também será preciso estruturar um processo para a realização da reciclagem da frota. Atualmente não existem ações neste sentido.

Enquanto a renovação de frota não sai do papel pelas ruas e estradas do País circulam quase 1,7 milhão de caminhões com idade média de 13,7 anos. Deste total cerca de 590 mil estão nas mãos de motoristas autônomos e neste caso a idade média é de 17,2 anos. Os dados são do RNTRC, Registro Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas. Isto significa que estes veículos rodam com combustível mais poluente, com a emissão de partículas tóxicas, pincipalmente de material particulado e óxido de nitrogênio.

Com a obrigatoriedade da motorização Euro 5 em 2012 a expectativa era a de que este impacto ambiental diminuísse consideravelmente. Isto porque os poluentes emitidos por um motor Euro 5 equivalem a cinco caminhões com motorização Euro 1 e 2, de acordo com especialistas.

Segundo Élcio Farah, presidente da Afeevas, Associação dos Fabricantes de Equipamentos para Controle de Emissões Veiculares da América do Sul, há atualmente uma frota de 470 mil caminhões com motorização Euro 5 que utiliza a tecnologia de pós-tratamento de gases poluentes. Contudo, estes veículos pouco estão contribuindo para a redução de emissão de poluentes: o consumo de Arla 32, agente para anular a emissão de particulados, está 50% abaixo do necessário.

“O ideal é que estes caminhões consumissem 37 milhões de m³ de Arla 32 por mês, mas este volume não passa de 18 milhões de m³.”

O baixo consumo ocorre porque há mistura de água no tanque de Arla. Para Farah esta situação anula os benefícios ambientais que deveriam ser gerados por esta motorização.
Caminhoneiro – Nos últimos anos esforços foram realizados para rejuvenescer a frota de caminhões que está nas mãos dos autônomos e que é a responsável pela maior parte das emissões de gases. Mas nenhuma delas teve êxito.

Em 2006 o governo lançou o programa de financiamento ProCaminhoneiro com a proposta de gerar acesso a caminhões zero quilômetro com juros subsidiados. Segundo o BNDES o programa deixou de existir no fim do ano passado e foi incorporado pelo Finame. Em 2016 o banco desembolsou R$ 22,5 milhões para o ProCaminhoneiro.

Em alguns estados existiam programas para a renovação de frota de caminhões. Uma delas foi o Renova SP, criado em 2013 no Estado de São Paulo. A meta era renovar a frota que circulava no porto de Santos com mais de 30 anos de idade. O programa era subsidiado com juro zero para a compra de caminhões equipados com motor Euro 5. O programa foi destinado a caminhoneiros autônomos e empresários individuais que prestam serviços no porto.

No entanto nos últimos quatro anos apenas 93 novos veículos foram entregues aos caminhoneiros que atuam no porto, totalizando desembolso de R$ 22,6 milhões. Atualmente o programa está suspenso e, de acordo com informações do governo, passará por reformulação.

Livre comércio com Caribe pode favorecer ônibus brasileiro

Ainda que para este ano sejam positivas as projeções de vendas de veículos nos Estados Unidos, Europa e China, cujas economias refletem diretamente no setor automotivo brasileiro, o BID, Banco Interamericano de Desenvolvimento, sugeriu a criação de uma zona de livre comércio da América do Sul com países do Caribe. A ideia é proteger a corrente de comércio dos países da região de eventuais barreiras impostas por esses mercados.

Segundo o banco a região, que ficaria conhecida como LAFTA, Área de Livre Comércio da América Latina e Caribe, tem potencial de mercado de US$ 5 trilhões, o que corresponde a 7% do PIB global. Segundo a Anfavea, Associação Nacional de Veículos Automotores, a indústria tem se esforçado nos últimos dois anos em obter acordos que aumentem os volumes das exportações, e as projeções do BID seria um incentivo direto ao crescimento das exportações.

Diz Antônio Megale, presidente da entidade, que “não temos nenhum acordo com o Caribe, que demanda caminhões e ônibus, principalmente. Seria bom para o setor porque, em bloco, nosso poder de negociação é maior frente aos grandes fabricantes”.

No ano passado algumas empresas de caminhões e ônibus aumentaram as exportações. A MAN, segundo dados da Anfavea, exportou 2 mil 548 ônibus em 2016, 33,4% a mais do que em 2015. Ainda que o maior volume tenha sido enviado à Argentina e ao México Megale afirmou que a participação caribenha tem aumentado nos últimos dois anos.

Ainda no segmento de ônibus a Scania Latina America viu suas exportações no ano passado aumentarem 90% em função dos negócios fechados na região caribenha. Em 2016 os embarques totalizaram 3 mil 962 veículos ante 2 mil 84 unidades. Somente para a Costa Rica, de acordo com a Scania, em 2015 e 2016, as exportações aumentaram 87%. Os negócios foram fechados junto a empresas que atuam no segmento de turismo.

Segundo Rogério Rezende, diretor de assuntos institucionais e governamentais da empresa, a região possui um potencial de crescimento interessante porque são países que estão vivendo em um período de melhoria econômica, com os governos locais investindo em áreas de infraestrutura:

“Nos últimos dois anos, principalmente, a empresa se esforçou para criar uma rede comercial que torne viável os negócios na região. O segmento de turismo é promissor para as vendas de ônibus. Em caminhões os projetos de infraestrutura em alguns países demandarão veículos pesados e estamos atentos às oportunidades”.

Para Luiz Carlos de Moraes, diretor de assuntos institucionais da Mercedes-Benz, “todo e qualquer acordo que o País conseguir assinar neste momento será benéfico para a indústria”. Além disso, ele lembra que a região tem demanda conjunta reprimida:

“Individualmente os países caribenhos são mercados menores comparados a Brasil, Argentina ou México. No entanto, juntos, podem chegar a números interessantes, como os verificados no Peru, por exemplo”.

Em fevereiro, segundo dados da Secex, Secretaria de Comércio Exterior, para o mercado peruano foram exportados 1 mil 78 veículos, alta de 146% no comparativo com o mesmo período de 2016.

Crise chega à Mitsubishi: 350 demissões, diz sindicato.

A Mitsubishi demitirá mais 350 funcionários de sua fábrica de Catalão, GO: na semana passada sessenta empregados foram desligados, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Catalão. Eram funcionários das áreas administrativa e de engenharia. De acordo com Thiago Cândido Ferreira, secretário geral do sindicato, os próximos cortes devem se concentrar nas mesmas áreas. A Mitsubishi não quis comentar o assunto.

Segundo Ferreira “essas demissões são uma continuidade dos cortes feitos nos últimos anos, que atingiram a produção. Desde 2014 cerca de 1 mil colaboradores foram desligados da empresa”.

A Mitsubishi emprega, atualmente, 1,8 mil funcionários na unidade. Há três anos eram 3,5 mil.

No ano passado empresa e sindicato haviam acordado a utilização do banco de horas e a estabilidade de emprego até março.

“Assim que terminou o acordo as pessoas foram demitidas. Na sexta-feira, dia 7, tivemos uma reunião na Justiça do Trabalho para tentar reverter os desligamentos. Mas a empresa foi irredutível e somente se comprometeu em não realizar cortes este mês.”

Ferreira acrescentou que o sindicato propôs a adoção de lay-off, suspensão temporária do contrato de trabalho, ou do PSE, Plano do Seguro Emprego, antigo PPE: “A empresa alegou que o seu plano de negócios não permite esse tipo de flexibilização”.

Os funcionários demitidos receberão, além da multa rescisória, um abono de R$ 3,5 mil e mais três meses de vale alimentação. O plano de saúde, segundo Ferreira, não foi estendido por mais tempo: “Não acredito que a empresa possa reverter esse corte e os próximos que virão. A fábrica está trabalhando bem abaixo de sua capacidade”.

Para este ano a Mitsubishi negociou com o sindicato a produção de 27 mil veículos. A fábrica de Catalão foi projetada com capacidade instalada de 110 mil unidades/ano. Atualmente, por hora, são fabricados cerca de setenta veículos. No melhor ano para a empresa, 2014, saíram da linha de montagem 56 mil unidades.

Em Catalão são produzidos os modelos da linha L200, Pajero Full e Outdoor e o Suzuki Jimny. De acordo com dados da Anfavea de janeiro a março a Mitsubishi licenciou 2 mil 550 unidades, queda de 33,4% com relação ao mesmo período do ano passado. Já a Suzuki comercializou 862 veículos, 3,5% a menos que no primeiro trimestre de 2016.

Vendas de papelão ondulado crescem no trimestre

As vendas de papelão ondulado mostraram alta acumulada, no primeiro trimestre, de 5,23%, para 816 mil 39 toneladas. Em março as expedições brasileiras de caixas, acessórios e chapas de papelão subiram 7,07% frente a março de 2016, para 292 mil 153 toneladas. Com relação às vendas de fevereiro o aumento foi de 15,79%. Os dados preliminares foram divulgados pela ABPO, Associação Brasileira do Papelão Ondulado.

No ano passado as vendas desse tipo de embalagem no País caíram 2,27%, para 3 milhões 260 mil toneladas.

As expedições de papelão ondulado são importante indicador do nível de atividade do País. Para 2017 a entidade projeta crescimento de 1,5% a 2% nas vendas desse tipo de embalagem, após dois anos de quedas superiores a 2%.

Cai produção do primeiro trimestre. Na Argentina.

A Argentina produziu 90 mil 905 veículos no primeiro trimestre, 7,4% a menos do que no mesmo período do ano passado. Segundo a Adefa, associação que reúne as montadoras instaladas lá, o desempenho negativo de janeiro a março tem uma explicação: em março as empresas concentraram as paradas de produção, com férias coletivas, o que teve impacto sobre o volume de fabricação. Os ajustes no ano passado aconteceram em janeiro e fevereiro.

De acordo com os dados da Adefa em março foram produzidos 40 mil 107 unidades, queda de 13,2% no comparativo com o terceiro mês de 2016, quando as fabricantes montaram 46 mil 209 veículos. Foram 22 os dias úteis de produção.

As vendas ao mercado interno chegaram a 187 mil 62 unidades no primeiro trimestre, alta de 15,4% no comparativo com o mesmo período do ano passado. Já em março, a comercialização foi de 68 mil 947 unidades, incremento de 13,6% com relação ao terceiro mês de 2016, quando foram vendidos 60 mil 694 veículos. Vale lembrar que 65% do volume vendido na Argentina são de carros brasileiros. Hoje, o país vizinho é o maior parceiro comercial das montadoras instaladas no Brasil.

Já as exportações somaram 40 mil 193 unidades de janeiro a março, queda de 14% no comparativo com o mesmo período de 2016. Em março o desempenho foi um pouco melhor, com alta de 1,8% com relação à mesma base de 2016, quando foram embarcados 12 mil 931 veículos.

Luis Ureta Sáenz Peña, presidente da Adefa, recordou, por meio de comunicado, que o comportamento do setor no comércio exterior depende muito do mercado brasileiro: “Mesmo com a queda nas vendas no Brasil os volumes registrados nas exportações mostram o esforço das empresas em desenvolver novos mercados na América Latina”.

Peña ressaltou, neste sentido, a necessidade de seguir o trabalho para alcançar acordos de livre comércio para abrir acesso a esses mercados sem a pena de tarifas e com a adoção de medidas que permitam a melhoria da competitividade, como o aumento de reembolso para as exportações, dentre outros.

Anfavea percebe vendas no caminho da estabilidade

O ritmo de queda das vendas de veículos no Brasil está diminuindo, de acordo com dados da Anfavea: em março foram emplacadas 189,1 mil unidades, um crescimento de 5,5% com relação ao mesmo mês do ano passado. Desde dezembro de 2014 não se via evolução como essa no comparativo de mesmos períodos.

Para o presidente Antônio Megale, da Anfavea, “a tempestade diminuiu de intensidade. Estamos caminhando para a estabilidade, mas sobre volumes ainda muito baixos. Precisamos ter cautela”.

No acumulado do ano os licenciamentos somaram 472 mil unidades ante 481 mil 320 de janeiro a março de 2016. O volume do trimestre representou uma queda de 1,9%. Megale ressaltou que a média diária de vendas em março foi de 8 mil 224 unidades, melhoria de 0,9% no comparativo com o terceiro mês do ano passado, quando os licenciamentos diários foram, em média, de 8 mil 147 veículos.

“O que explica, também, o crescimento em março é que muitas empresas renovaram suas frotas e foram às compras. Além disso os veículos produzidos no Brasil tiveram um desempenho melhor do que os importados no mês passado. Muitas empresas já nacionalizaram a produção e isso puxou as vendas. Mas é importante ressaltar que o nosso mercado ainda não está apresentando um crescimento robusto.”

Já abril a Anfavea prevê que será um mês mais complicado de vendas: em razão da quantidade de feriados serão dezoito dias de negócios, o mesmo de fevereiro. Naquele mês a média diária de vendas foi de 7 mil 537 unidades.

Produção é crescente, mas ociosidade permanece alta

A produção de veículos aumentou 24% no primeiro trimestre, com as fabricantes instaladas aqui produzindo 606 mil 840 unidades diante das 491 mil 710 no mesmo período de 2016. Em março a montagem de veículos somou 234,7 mil unidades, aumento de 18,1% no comparativo com terceiro mês de 2016. Os dados foram divulgados pela Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, na quinta-feira, 6.

O seu presidente, Antônio Megale, disse que mesmo com a melhora da produção no período o nível de ociosidade ainda continua alto, principalmente nas fabricantes de veículos comerciais.

“Estamos trabalhando em um nível inferior à média dos últimos dez anos. Esse ritmo não reduz a ociosidade das fábricas. Hoje as empresas utilizam cerca de 50% da capacidade instalada no País e em veículos comerciais essa relação está em 75%.”

Essa capacidade instalada é suficiente para a produção de 5 milhões de unidades/ano.

Para abril a Anfavea já espera um volume menor de produção. Segundo Megale as empresas aceleraram a produção neste trimestre para atender à demanda de exportação e para formar estoque para abril, que terá menos dias úteis de produção e de vendas: “Estamos com estoques adequados para o mês”.

Em março os estoques eram de 218,6 mil unidades, o que equivale a, em média, 35 dias de vendas. Nas concessionárias estavam 139, 6 mil veículos, e nos pátios das fabricantes coisa de 79 mil unidades: “É um volume acima do ideal, que é de trinta dias de vendas. Mas não está muito distante. Isso indica que o mercado está chegando perto da estabilização”.

Em fevereiro o giro era de 205,5 mil unidades, sendo 139 mil nas revendas e 66,5 mil nas montadoras.

Mesmo com a melhora no nível de atividade da indústria automotiva as empresas empregavam, em março, contingente de 103 mil 635 pessoas. A folha de pagamento foi reduzida em 8,7% no comparativo com março de 2016, quando as empresas tinham 113 mil 523 empregados. Quando se compara o número de funcionários também nas fabricantes de máquinas agrícolas e rodoviárias, em março eram 121 mil 48 pessoas empregadas, recuo de 6% com relação ao mesmo mês de 2016.

Megale credita essa queda no volume de mão-de-obra empregada aos ajustes que foram feitos pelas companhias para se adequarem ao mercado. De acordo com o levantamento da Anfavea 10 mil 636 funcionários se encontravam em algum programa de ajuste da produção, ou em lay-off, suspensão temporária do contrato de trabalho, ou no PSE, Programa de Seguro do Emprego, antigo PPE.

“Há um trabalho forte no aumento da produtividade nas fábricas”, contou Megale. “Muitas empresas conseguem melhorar a produção sem abrir mais um turno de trabalho. Esse tem sido o esforço das fabricantes no País.”

Mercado de caminhões mantém queda

O desempenho do mercado de caminhões permanece aquém das expectativas: os dados da Anfavea mostram que, nos três primeiros meses do ano, as vendas internas continuaram ladeira abaixo. No período foram licenciados 9 mil 665 unidades, o que representa queda de 26,3% com relação à mesma base do ano passado, quando foram emplacados 13 mil 110 caminhões. Os resultados também mostram que este foi o pior primeiro trimestre desde 1996, com 9 mil 354 unidades vendidas.

No que diz respeito ao desempenho em março a redução foi de 15,3% na comparação com o mesmo mês de 2016, com 4 mil 104 unidades emplacadas. Este também foi o pior março desde 1996, que teve 2 mil 953 licenciamentos.

Segundo o presidente Antônio Megale, da Anfavea, durante conferência de imprensa realizada na quinta-feira, 6, “a situação da indústria de caminhões continua a ser preocupante, mas ainda há a perspectiva de crescimento, de 6% a 10%, no acumulado do ano”.

Luiz Carlos de Moraes, vice-presidente da Anfavea, disse que quando se compara março com relação a fevereiro, que teve 2 mil 614 caminhões emplacados, esta reação ainda é insuficiente.

“Contudo as sinalizações de melhorias no ambiente macroeconômico, que incluem a redução da taxa de juros, ajudam a melhorar a confiança dos clientes.”

De acordo com ele as consultas continuam e isto demonstra cenário de recuperação: “O crescimento virá a partir do segundo semestre”.

Moraes lembrou que as transportadoras que deixaram de comprar caminhões há dois anos precisarão renovar a frota a partir de agora. Ele ressaltou que, em mercado mais reduzido, a tendência, agora, é que as vendas sejam mais pulverizadas e que as áreas comerciais das fabricantes de caminhões se esforçam para se aproximarem dos seus clientes: “É esta postura que ajudará aquecer este mercado”.

A produção de caminhões cresceu 4% no trimestre. De acordo com dados da Anfavea as fabricantes montaram 15 mil 748 unidades ante 15 mil 136 de janeiro a março de 2016. Em março foram montados 5 mil 952 caminhões, alta de 5,1% com relação ao mesmo período do ano passado.

Segmentos – Com 724 unidades emplacadas no primeiro trimestre o segmento de caminhões semileves registrou queda de 11,1% com relação ao mesmo período do ano passado. Em leves o recuo foi de 31,5%, 2 mil 236 unidades.

Já na categoria de médios foram vendidas 785 unidades, com retração de 28%. No mercado de caminhões com maior PBT a queda foi de 31,5% no segmento de semipesados, com a comercialização de 2 mil 548 unidades, e recuo de 20,2% nos pesados, para 3 mil 372 emplacamentos.