Ainda que para este ano sejam positivas as projeções de vendas de veículos nos Estados Unidos, Europa e China, cujas economias refletem diretamente no setor automotivo brasileiro, o BID, Banco Interamericano de Desenvolvimento, sugeriu a criação de uma zona de livre comércio da América do Sul com países do Caribe. A ideia é proteger a corrente de comércio dos países da região de eventuais barreiras impostas por esses mercados.
Segundo o banco a região, que ficaria conhecida como LAFTA, Área de Livre Comércio da América Latina e Caribe, tem potencial de mercado de US$ 5 trilhões, o que corresponde a 7% do PIB global. Segundo a Anfavea, Associação Nacional de Veículos Automotores, a indústria tem se esforçado nos últimos dois anos em obter acordos que aumentem os volumes das exportações, e as projeções do BID seria um incentivo direto ao crescimento das exportações.
Diz Antônio Megale, presidente da entidade, que “não temos nenhum acordo com o Caribe, que demanda caminhões e ônibus, principalmente. Seria bom para o setor porque, em bloco, nosso poder de negociação é maior frente aos grandes fabricantes”.
No ano passado algumas empresas de caminhões e ônibus aumentaram as exportações. A MAN, segundo dados da Anfavea, exportou 2 mil 548 ônibus em 2016, 33,4% a mais do que em 2015. Ainda que o maior volume tenha sido enviado à Argentina e ao México Megale afirmou que a participação caribenha tem aumentado nos últimos dois anos.
Ainda no segmento de ônibus a Scania Latina America viu suas exportações no ano passado aumentarem 90% em função dos negócios fechados na região caribenha. Em 2016 os embarques totalizaram 3 mil 962 veículos ante 2 mil 84 unidades. Somente para a Costa Rica, de acordo com a Scania, em 2015 e 2016, as exportações aumentaram 87%. Os negócios foram fechados junto a empresas que atuam no segmento de turismo.
Segundo Rogério Rezende, diretor de assuntos institucionais e governamentais da empresa, a região possui um potencial de crescimento interessante porque são países que estão vivendo em um período de melhoria econômica, com os governos locais investindo em áreas de infraestrutura:
“Nos últimos dois anos, principalmente, a empresa se esforçou para criar uma rede comercial que torne viável os negócios na região. O segmento de turismo é promissor para as vendas de ônibus. Em caminhões os projetos de infraestrutura em alguns países demandarão veículos pesados e estamos atentos às oportunidades”.
Para Luiz Carlos de Moraes, diretor de assuntos institucionais da Mercedes-Benz, “todo e qualquer acordo que o País conseguir assinar neste momento será benéfico para a indústria”. Além disso, ele lembra que a região tem demanda conjunta reprimida:
“Individualmente os países caribenhos são mercados menores comparados a Brasil, Argentina ou México. No entanto, juntos, podem chegar a números interessantes, como os verificados no Peru, por exemplo”.
Em fevereiro, segundo dados da Secex, Secretaria de Comércio Exterior, para o mercado peruano foram exportados 1 mil 78 veículos, alta de 146% no comparativo com o mesmo período de 2016.
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