AutoData - Renovação, por enquanto, só no papel
news
18/04/2017

Renovação, por enquanto, só no papel

Por Aline Feltrin

- 18/04/2017

Há três meses a renovação da frota de caminhões voltou a fazer parte da pauta de discussões do governo com a Anfavea, Associação Nacional da Fabricantes de Veículos, e outras entidades. Desta vez a proposta é que o tema esteja na nova política industrial para o setor automotivo. Segundo Fernando Trujillo, consultor da IHS Automotive, um dos maiores desafios para tirar do papel a renovação da frota é a regulamentação do desmanche, a venda de peças e a captação de subsídios para a troca de caminhões antigos por novos.

“Serão necessários incentivos governamentais. Para ser sincero este é o grande entrave, porque o governo está enxugando custos.”

De acordo com Trujillo também será preciso estruturar um processo para a realização da reciclagem da frota. Atualmente não existem ações neste sentido.

Enquanto a renovação de frota não sai do papel pelas ruas e estradas do País circulam quase 1,7 milhão de caminhões com idade média de 13,7 anos. Deste total cerca de 590 mil estão nas mãos de motoristas autônomos e neste caso a idade média é de 17,2 anos. Os dados são do RNTRC, Registro Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas. Isto significa que estes veículos rodam com combustível mais poluente, com a emissão de partículas tóxicas, pincipalmente de material particulado e óxido de nitrogênio.

Com a obrigatoriedade da motorização Euro 5 em 2012 a expectativa era a de que este impacto ambiental diminuísse consideravelmente. Isto porque os poluentes emitidos por um motor Euro 5 equivalem a cinco caminhões com motorização Euro 1 e 2, de acordo com especialistas.

Segundo Élcio Farah, presidente da Afeevas, Associação dos Fabricantes de Equipamentos para Controle de Emissões Veiculares da América do Sul, há atualmente uma frota de 470 mil caminhões com motorização Euro 5 que utiliza a tecnologia de pós-tratamento de gases poluentes. Contudo, estes veículos pouco estão contribuindo para a redução de emissão de poluentes: o consumo de Arla 32, agente para anular a emissão de particulados, está 50% abaixo do necessário.

“O ideal é que estes caminhões consumissem 37 milhões de m³ de Arla 32 por mês, mas este volume não passa de 18 milhões de m³.”

O baixo consumo ocorre porque há mistura de água no tanque de Arla. Para Farah esta situação anula os benefícios ambientais que deveriam ser gerados por esta motorização.
Caminhoneiro – Nos últimos anos esforços foram realizados para rejuvenescer a frota de caminhões que está nas mãos dos autônomos e que é a responsável pela maior parte das emissões de gases. Mas nenhuma delas teve êxito.

Em 2006 o governo lançou o programa de financiamento ProCaminhoneiro com a proposta de gerar acesso a caminhões zero quilômetro com juros subsidiados. Segundo o BNDES o programa deixou de existir no fim do ano passado e foi incorporado pelo Finame. Em 2016 o banco desembolsou R$ 22,5 milhões para o ProCaminhoneiro.

Em alguns estados existiam programas para a renovação de frota de caminhões. Uma delas foi o Renova SP, criado em 2013 no Estado de São Paulo. A meta era renovar a frota que circulava no porto de Santos com mais de 30 anos de idade. O programa era subsidiado com juro zero para a compra de caminhões equipados com motor Euro 5. O programa foi destinado a caminhoneiros autônomos e empresários individuais que prestam serviços no porto.

No entanto nos últimos quatro anos apenas 93 novos veículos foram entregues aos caminhoneiros que atuam no porto, totalizando desembolso de R$ 22,6 milhões. Atualmente o programa está suspenso e, de acordo com informações do governo, passará por reformulação.


Whatsapp Logo