Ensaio da recuperação definitiva

As boas notícias que chegam do campo, e a atenção especial que o governo tem dado aos empresários desse setor, refletiram de forma positiva nas vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias, segundo o balanço da Anfavea. Em março foram negociadas 3,7 mil unidades, incremento de 28,6% com relação a igual período do ano passado. Na comparação com fevereiro houve crescimento de 14,8%.

“Tem havido sensibilidade do governo para não faltar recursos para o setor agrícola” afirmou Antônio Megale, presidente da Anfavea, que nas rodadas de negociações com representantes do governo federal insiste na necessidade de apoiar os produtores com linhas de financiamento atraente para tornar viáveis as vendas.

O resultado acumulado das vendas mostra que há, de fato, uma recuperação dos volumes perdidos em anos anteriores. No primeiro trimestre foram negociadas 9,8 mil unidades, crescimento de 41,1% com relação a igual período de 2016. No entanto esse volume ainda está abaixo dos melhores anos do segmento, como 2008, quando as vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias acumulavam 11,2 mil unidades no primeiro trimestre.

De acordo com Ana Helena Corrêa de Andrade, vice-presidente da Anfavea e representante do segmento de máquinas e implementos, “ainda estamos muito distantes da média histórica. Mas o importante é a tendência do crescimento”.

O otimismo segue na pauta da indústria devido aos bons resultados obtidos em feiras agropecuárias, que movimentam a produção de máquinas e implementos. A próxima edição da Agrishow, maior evento desse segmento no País, de 1º a 5 de maio, em Ribeirão Preto, SP, promete manter a produção e as vendas em ritmo acelerado.

A expectativa é de volume representativo de negócios, e a razão é simples, resgata Andrade: “A tendência é a de que na Agrishow sejam realizados lançamentos significativos e o agricultor muitas vezes espera esse evento para comprar”.

Exportações batem recorde

As exportações de veículos foram recorde no primeiro trimestre deste ano. De janeiro a março os embarques alcançaram 172 mil 693 unidades, 69,7% a mais do que o registrado no mesmo período do ano passado, 101,8 mil unidades. Os dados são da Anfavea. Considerando participação no volume exportado, os principais destinos dos veículos brasileiros foram Argentina, com 65%, México, com 13% e Chile, com 5%.

A entidade justifica o crescimento verificado no período com a estratégia das fabricantes, que buscaram novos mercados nos últimos dois anos em razão da queda na demanda interna.

Antônio Megale, presidente da Anfavea, disse na quinta-feira, 6, que é possível que se exerça, ainda este ano, uma revisão das previsões:

“Se as exportações continuarem neste ritmo pode ser que haja revisão nas previsões sobre as exportações já no segundo semestre”.

Para este ano, e por enquanto, a previsão de exportações é de 558 mil unidades, 7,2% a mais do que ano passado.

O presidente da entidade apontou, também, os acordos comerciais costurados pelo Brasil com os países vizinhos como um fator que ajudou o setor a obter um desempenho recorde no trimestre. O acordo com o Uruguai, firmado no fim de 2015, segundo Megale, refletiu nas exportações do setor deste ano:

“No ano passado exportamos 11 mil unidades ao Uruguai. Só no primeiro trimestre deste ano foram 8 mil. Isso mostra como os acordos são importantes e como o governo está auxiliando o setor neste sentido”.

A expectativa da indústria é a de que o acordo de livre-comércio com a Colômbia, que deverá ser oficializado ainda este ano, impulsione ainda mais as exportações de veículos. Além disso existe a possibilidade de a Argentina, o principal destino dos veículos produzidos aqui, bater o recorde de veículos vendidos este ano:

“Em 2016 o país fechou o ano com 700 mil veículos. Este ano tudo indica que será um recorde, chegando a 900 mil. Como somos o seu principal parceiro comercial em automóveis, tudo indica que teremos uma balança comercial maior nos próximos trimestres”.

As exportações de veículos leves somaram no trimestre 165,2 mil unidades, 71,9% a mais do que no igual trimestre do ano passado. Já caminhões somaram 5 mil 844 unidades, mais 42,4%, enquanto que ônibus somaram 1 mil 636 unidades, mais 3,9%.

No segmento de caminhões destaque para os pesados, sendo 2 mil 106 unidades enviadas ao Exterior, 27,2% a mais do que a quantidade exportada no mesmo período no ano passado. Crescimento expressivo no comparativo anual também foi o dos caminhões semipesados, sendo exportadas 1 mil 963 unidades, 57,7 a mais do que no primeiro trimestre de 2016.

Perto do recorde – Os incrementos nas exportações para a América do Sul proporcionados pelos acordos refletiram diretamente nas receitas obtidas pelo setor no primeiro trimestre. De janeiro a março os negócios com o Exterior envolvendo veículos e máquinas agrícolas injetaram nas fabricantes brasileiras US$ 3 bilhões 343 milhões 991 mil. Esse valor é o maior desde 2014, quando o setor exportou em valores US$ 2 bilhões 888 milhões, e se aproxima do valor recorde do setor, obtido em 2012, quando as exportações renderam US$ 3 bilhões 553 milhões 940 mil.

As máquinas agrícolas, segmento que tem gerado bons resultados dentro do setor nos últimos meses, registraram um aumento de 14,4% nas exportações. No primeiro trimestre foram exportadas 2 mil 268 unidades, que geraram receita de US$ 544 milhões 987 mil frente aos US$ 439 milhões 247 mil obtidos no mesmo trimestre do ano passado. Este segmento voltou a apresentar números positivos nas exportações a partir de junho, mas o crescimento ainda é considerado tímido porque o produto nacional tem enfrentado dificuldades na concorrência nos mercados vizinhos.

Segundo Ana Helena Corrêa Andrade, vice-presidente da Anfavea e diretora de assuntos governamentais da AGCO na América do Sul, “o Brasil tem perdido negócios nos mercados tradicionais da região por causa de outros países que estão exportando para eles, e isso é um sinal de alerta. Os asiáticos, por exemplo, estão equalizando preços para tornar seus produtos mais competitivos”.

Vendas de ônibus caem 34,2% no trimestre

O setor de ônibus continua a amargar queda de vendas no mercado interno: no primeiro trimestre as fabricantes de chassis comercializaram 1 mil 789 unidades, o que representou recuo de 34,2% com relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação mensal os resultados também são críticos: em março foram emplacados 857 ônibus, retração de 13,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

De acordo com Luiz Carlos de Moraes, vice-presidente da Anfavea, mais uma vez um dos motivos que desfavorece o desempenho deste setor é o impasse do programa Refrota 17 do governo federal, criado em dezembro de 2016 para fomentar a renovação da frota de ônibus urbanos no País. Para esta iniciativa foram destinados R$ 3 bilhões para financiar 10 mil unidades. No entanto a Caixa Econômica Federal, único banco credenciado para realizar estes financiamentos, tem dificuldades para realizar análises de crédito e isto contribui para a demora do processo: “A Caixa é um banco especializado em financiamento de imóveis e essa é a razão dessa lentidão”.

De acordo com ele esta realidade contribui para barrar o andamento do programa: “Ele foi lançado em dezembro do ano passado e até o momento não melhorou as vendas”

Consultada por AutoData em fevereiro a Caixa informou, por meio de nota, que o prazo de análise para a aprovação depende do perfil do cliente. Veja aqui

Pelo programa podem ser financiados ônibus urbanos dos tipos micro-ônibus, miniônibus, ônibus básicos e biarticulados. As taxas de juros devem ser de 9% ao ano, menor do que todas as outras disponíveis no mercado.

Moraes disse que esta morosidade deve diminuir nos próximos meses com o credenciamento de alguns bancos de fabricantes de veículos como agentes financeiros deste programa. Fontes do setor disseram que o Banco Mercedes-Benz e o Banco Scania já conseguiram se credenciar.

Produção – As fabricantes de chassis de ônibus também registram recuo no volume de produção no primeiro trimestre. No período foram fabricados 4 mil 113 unidades, o que representa recuo de 5,2%.O segmento de rodoviários registrou queda de 9,3%, com 1 mil 30 unidades. Já no de urbanos a retração foi de 3,7%, com 3 mil 83 unidades.

Na análise somente de março as empresas fabricaram 1 mil 686 unidades, crescimento de 1,9% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Quem puxou a produção foi o segmento de urbanos, com 1 mil 288 unidades e alta de 29,7%. A produção de rodoviários foi de 398 unidades, com redução de 39,8%.

De acordo com informações da Anfavea a ociosidade atualizada das fábricas de veículos comerciais é de 80%.

Toyota elege seus melhores fornecedores

Em evento com a presença de cerca de 350 executivos de praticamente toda sua cadeia de fornecedores, a Toyota, uma das atuais e mais conceituadas montadoras instaladas no Brasil, realizou, na quarta-feira (5 de abril), em São Paulo, a cerimônia do seu já tradicional Prêmio Toyota Suppliers Conference. Neste ano em sua 15ª edição, o prêmio reconheceu 47 empresas como seus melhores parceiros em três categoriais, além de eleger a Panasonic do Brasil como a melhor fornecedora de 2016.

Um dos mais conceituados e aguardados prêmios concedidos a fornecedores no Brasil neste ano foi dividido em três categorias: qualidade, logística e redução de custos. Também foram entregues prêmios de reconhecimento especial nas categorias análise de valor e engenharia de valor, que reconheceu três empresas pela adoção de novos processos produtivos ou projetos de produtos que resultaram em redução de custos. A preparação de projetos premiou outras duas fabricantes.

Das 47 empresas homenageadas na cerimônia do Prêmio Toyota, além da Panasonic, eleita a melhor do ano por ter apresentado os melhores resultados em todas as três categorias, 19 companhias foram merecedoras de placas com o título de excelência. As outras 27 receberam certificados.

O evento foi prestigiado por Steve St Angelo, CEO da Toyota para a América Latina e Caribe. Ele aproveitou a oportunidade para parabenizar os vencedores e agradecer todas empresas presentes pelo esforço, dedicação e compromisso com a qualidade e parceira com a Toyota durante todo o ano passado.

Na categoria Qualidade, as empresas premiadas com o titulo de excelência foram as que obtiveram o PPM – partes por milhão, ou seja, não tiveram nenhum defeito ou reclamação grave durante 2016. Na Logística, foram premiados os fornecedores que cumpriram todos os prazos de entrega sem nenhuma divergência. Já na categoria Redução de Custos, levaram os troféus os fornecedores que excederam as expectativas da Toyota a partir de ideias já em curso para redução de custos e obtiveram reduções acima de 4%.

A seguir, a lista das empresas homenageadas no Prêmio Toyota Suppliers Conference 2016:

MELHOR FORNECEDOR
Panasonic do Brasil

QUALIDADE

Excelência
Casco
Cestari
Cobra Metais
GKN do Brasil
NSK
Sanko
SNR

Certificados
3M
Adient
Basf
Benteler
Cooper
Delga
Denso
G-KTB
Plásticos Mueller
Nitto Denko
Pilkington
Plascar
Rassini
Sanoh
Schaeffler
Scorpios
Stanley
Sumidenso
TRBR
Triospuma
Tyco
ZF

LOGÍSTICA

Excelência
3M
Olsa
Sanko
Stabilus
ZF

Certificados
Casco
Cestar
Delga
Enertec
G-KTB
GKN
Kautex
NSK
thyssenkrupp
Trimtec

Marchionne deixa a FCA em 2019

John Elkann, presidente da Fiat Chrysler Automobilies, FCA, disse que Sergio Marchionne, vai deixar o cargo de CEO da companhia em 2019. “Marchionne vai deixar Fca em 2019. No ano que vem ele trabalhará todo porque quer levar adiante o plano FCA”, disse Elkann durante entrevista no Panorama da Itália. As informações são do Flasch de Motor, da Venezuela.

Sobre o sucessor, o atual presidente disse que dentro da empresa “temos muitíssimas pessoas boas que podem sucedê-lo”. “A FCA vai adiante sob a direção de Marchionne, mas com ele trabalha uma equipe de pessoas competentes. Marchionne continuará a trabalhar conosco. Ele se ocupa da Ferrari de maneira extraordinária e continuará a fazê-lo . Há ainda muitas coisas para fazermos juntos”, finalizou Elkann.

Faturamento da Agrale cai 32%

A Agrale apresentou recuo de 31,7% no faturamento no ano passado. A companhia faturou R$ 611,7 milhões. No ano anterior, o valor chegara a R$ 896,2 milhões. Já a receita líquida consolidada foi de R$ 539,3 milhões, recuo de 22,9%. Em seu relatório, a diretoria da fabricante de Caxias do Sul, RS, observa que o desempenho negativo decorre da forte crise política e econômica que afeta o País nos últimos três anos, que produziu quedas de 67,2% no mercado interno de caminhões, de 66% em ônibus e de 44,9% em tratores.

Mas a diretoria reconhece que, desde o final do ano passado, o mercado, em especial o de tratores agrícolas, aponta para uma recuperação de vendas. Também pondera que o programa Refrota, anunciado pelo governo para estimular o mercado de ônibus urbanos, trará resultados positivos neste ano.

O mercado interno foi o principal responsável pelo declínio das vendas totais. O valor bruto de R$ 508,8 milhões representou queda de 35%. Já as exportações, que participaram com 24,6% da receita, quase 10 pontos acima do registrado em 2016, tiveram recuo de 8%, para R$ 102,9 milhões.

Em função do menor volume de vendas e do aumento das despesas financeiras, a Agrale encerrou o balanço com prejuízo de R$ 66,8 milhões. No exercício passado, o resultado negativo fora de R$ 1,2 milhão. No final de 2016, a montadora empregava 1 mil 158 funcionários. A média de benefícios em saúde, transporte, alimentação e lazer paga a cada um dos trabalhadores foi de R$ 8 mil 824.

CAOA lança novo caminhão Hyundai em maio

A Hyundai CAOA inicia a produção do caminhão leve HD 80 cujas vendas terão início até o fim de maio. Ele chega para substituir o HD 78, que continuará nas revendas até o fim do estoque.

O HD 80, terá peso bruto total, PBT, de 8 toneladas, superior ao seu antecessor, com PBT de 7,8 toneladas.
Segundo o diretor de engenharia e processos de manufatura da CAOA, Marcio Alfonso, este novo caminhão tem 65% das peças feitas no Brasil: “Além disso, 50% deste novo projeto foi criado pelo Centro de Pesquisa e Eficiência Energética em Anápolis”.

O HD 80 chega em um segmento de grandes volumes e pouca competição. O líder disparado é o Ford F-Series. De acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea, de janeiro a março, foram comercializados 2 mil 236 caminhões leves no País. Somente no mês passado, os licenciamentos desses veículos somaram 942 unidades.

Um alento no fundo do poço

Depois de um longo e tenebroso inverno que se estendeu por mais de dois anos, o setor automotivo voltou a registrar, em março, resultados positivos em relação ao mesmo mês do ano anterior. E em todas as frentes: vendas domésticas, exportações e, naquilo que fala mais de perto aos interesses da cadeia como um todo, empregados incluídos, também de produção.

É razão mais que suficiente para começar a escolher a marca do champanhe. Mas é melhor esperar um pouco para comprá-la. E mais ainda para erguer um brinde.

A atual crise econômica brasileira vem se especializando em desmoralizar estatísticas. Para o bem e para o mal. E os números de março vem carregados de interferência que, embora pequenas, podem acabar mostrando que, afinal, nem tudo que reluz é ouro voltando a brilhar no balanço das empresas no final do período.

O primeiro fator que precisa ser levado em conta é a quantidade de dias uteis, tanto os de vendas quanto os de produção. Foram 23 em março, três a mais que em fevereiro e um acima do mesmo mês do ano passado.

É bem verdade que a média diária de vendas também subiu e, depois de muito tempo, voltou a superar a casa das 8 mil unidades comercializadas. Mas é igualmente verdadeiro que o fato do Carnaval ter caído nos ultimos dias de fevereiro deve ter postergado para março o registro no Renavan de parte das vendas que, em realidade, foram realizadas em fevereiro e não no mês passado.

E há que considerar, ainda que, em março, a quantidade total de vendas, a partir da qual a média diária é calculada, foi artificialmente puxada para cima por um crescimento anormal das vendas no atacado, cuja qualidade é sempre bem pior do que as relativas ao varejo.

No segmento de comerciais leves, em particular, segundo dados divulgados na segunda-feira,3, pela Fenabrave, o atacado respondeu por nada menos que 62,3% das vendas realizadas, frente aos 45,5% em março do ano passado. Nos automóveis, estes índices foram de respectivamente 34,2% e 26,7%.

Na soma de automóveis e comerciais leves, a participação do atacado no todo comercializado subiu quase dez pontos porcentuais de um ano para o outro. Os 29,5% registrados em março de 2016 chegaram, agora, a 38,1%.

Quanto a produção, a questão do número de dias úteis também deve ser levada em consideração, ainda que por outra razão. Sai o passado e entra o futuro: em abril, com os feriados da Semana Santa e de Tiradentes, serão apenas 19 dias úteis, quatro a menos do que em março.

E, conforme mostrou a Agência AutoData em sua edição de sexta-feira, 7, em matéria da editora Ana Paula Machado, Antônio Megale, presidente da Anfavea, não esconde que, para se antecipar a esta redução do número de dias úteis, algumas montadoras, em particular as mais envolvidas com contratos de exportação, tiveram o cuidado de aumentar a produção ao longo dos três primeiros meses do ano. Isto fez com o setor fechasse o trimestre com 610 mil unidades fabricadas, 24% acima do mesmo período de 2016.

As vendas externas, por sinal, representaram a maior e melhor das surpresas neste início de 2017. Com crescimento de 57,4% em março em relação ao mesmo mês do ano passado, as empresas filiadas a Anfavea encerraram o trimestre com exportações de US$ 3,3 bilhões, 51,5% acima dos US$ 2,2 bilhões anotados em igual período de 2016. Bem mais do que os 7% de crescimento inicialmente projetados para este ano.

Sempre é bom lembrar, todavia, que o dólar permanece estacionado abaixo de R$ 3,30, o que reduz a competitividade dos veículos brasileiro no exterior. E, sobretudo, que, consideradas por volume, 81% das vendas externas do setor estão concentradas em apenas três países: Argentina, 63%, México, 13% e Chile, 5%, conforme matéria do repórter Bruno de Oliveira na mesma edição da Agência AutoData.

Como nota destoante deste amontoado de bons resultados, os veículos comerciais continuaram derrapando. No segmento específico de caminhões, com nova queda de vendas da ordem de 15,3% em março na comparação com o mesmo mês do ano passado, o setor fechou o trimestre com 9 mil 885 unidades comercializadas, 26,3% a menos do que o registrado em idêntico período de 2016 e, mais grave, o pior resultado em vinte anos, desde 1996, conforme computou a repórter Aline Feltrin na Agência AutoData.

Neste caso, contudo, o cuidado com os números deve ser o inverso. Do mal para o bem. Animados com a safra agrícola recorde, com o crescimento das consultas por parte dos clientes e, em particular, com o aumento dos novos financiamentos já aprovados pelo BNDES e que somente deverão se refletir nas estatísticas do Renavan dentro de dois a três meses, a aposta das montadoras continua sendo a de boa retomada no segundo semestre e fechamento do ano com crescimento de pelo menos 10% nas vendas.

De qualquer forma, com tudo devidamente colocado num microprocessador, os resultados de março não deixam de ser um forte alento para um setor que já começava a desconfiar ter encontrado mais um porão no fundo do poço e estar, assim, correndo sério risco de estar a caminho de mais uma vigorosa queda de vendas e de produção em 2017.

Agora, com a queda de vendas em relação ao mesmo período do ano passado restrita a 1,9%, um legitimo empate técnico, já passa a ser até possível manter, sem tanto medo de errar, as projeções oficiais feitas em janeiro pela Anfavea, Fenabrave e Sindipeças, todas apostando que o fechamento de 2017 mostraria alguma luz no fim do túnel, o que seria o ponto de partida para o início de nova fase, agora com sinal invertido, para cima.

Cabe, todavia, uma ressalva: olhados mais em seus pormenores, os números indicam muita disparidade entre os resultados que vem sendo colhidos pelas diversas montadoras, o que parece indicar que, qualquer que seja o resultado do ano, o ranking setorial vai mudar. E muito.

Algumas montadoras mais preocupadas com sua imagem institucional perante o mercado — como, por exemplo, a Toyota e Hyundai — estão aproveitando para ganhar terreno a avançar rumo às primeiras posições do ranking setorial. Em contrapartida, outras, inclusive marcas bastante tracionais, tais como a Fiat e VW, vem perdendo espaço no coração e na mente dos consumidores que, depois, poderão ter muita dificuldade para recuperar.

Diesel e ônibus velhos são entraves de SP na redução de emissões

A prefeitura de São Paulo instituiu em 2009 a Política de Mudança do Clima, cuja principal meta era chegar a 2018 com 100% da frota de ônibus movida a combustíveis alternativos na cidade. Há pouco menos de nove meses para o prazo estipulado expirar, no entanto, a realidade do transporte público do município está longe da projetada na legislação. Segundo dados do SPTrans, empresa que opera o sistema na capital, 211 dos 14 mil 607 ônibus que circulam na cidade não utilizam combustível fóssil em seus motores. A maior parte utiliza uma mistura de diesel com biodiesel, mistura que, segundo especialista em mobilidade, não é o suficiente para que as emissões sejam reduzidas de acordo com a lei.

Segundo Claudio de Senna Frederico, vice-presidente da Associação Nacional dos Transportes Públicos, ANTP, e especialista em mobilidade urbana, as iniciativas de redução de emissões que surgiram na cidade a partir da vigência da lei, em 2009, fracassaram por não terem sido criadas com base na escolha das matrizes energéticas alternativas. À época, uma série de veículos movidos a combustíveis renováveis, como etanol e biodiesel, foi testada nas ruas da capital e não vingaram.

Diz ele: “Não ficou clara a proposta que a cidade tinha para reduzir as emissões. Foram testadas várias matrizes que depois se mostraram inviáveis por razões técnicas e econômicas. O mais indicado seria estudar qual a melhor matriz energética para o perfil do transporte da cidade e então concentrar os esforços em sua aplicação, e não apostar em diversas frentes”.

A principal iniciativa bancada pelo município de 2009 para cá foi o Programa Ecofrota, na gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab. O objetivo do programa era promover os veículos movidos a biocombustíveis e veículos elétricos. Eram 1 mil 621 ônibus que prometiam, juntos, reduzir as emissões entre 40% e 50%. No entanto, a proposta falhou na estimativa do prazo necessário para que essas opções tecnológicas se revelassem viáveis técnica e financeiramente às empresas de transporte. As metas anuais não foram cumpridas e, em abril de 2014, o programa foi cancelado.

Neste ano, a frota de ônibus movidos a alguma matriz renovável é de 216 unidades de um universo de mais de 14,5 mil veículos, entre trólebus e ônibus movidos a etanol, segundo dados da SPTrans. A maior parte da frota circulante utiliza uma mistura de biocombustível com o diesel S10, uma versão do diesel comum que emite menos partículas de enxofre em sua queima. Para Cláudio de Senna, da ANTP, a mistura não pode ser considerada uma alternativa “limpa” que permita o município atingir a meta estipulada na lei de 2009. “Se é mistura então não podemos chamar de biocombustível. Para se chegar ao patamar anunciado, a cidade deve ter ônibus novos ou adaptados às legislações ambientais mais recentes, e isso demanda tempo para as empresas se adaptarem”.

No mercado, as principais fabricantes de ônibus do País chegaram a produzir veículos para atender às demandas do município. No entanto, muitas recuaram após observarem que o modelo de diversificação utilizado pela capital paulista estava impondo uma série de desafios para as empresas de transporte. Sobre isso, Rogério Rezende, diretor de assuntos institucionais e governamentais da Scania Latin America, afirma que as empresas possuem tecnologias viáveis para atender demandas ambientais, e que os entraves para a massificação de veículos “verdes” na cidade têm origem na estratégia econômica.

O executivo conta: “Todas as montadoras possuem veículos que atendem diversas legislações ambientais até porque na Europa, onde estão as matrizes, as leis são rigorosas neste sentido. No caso de São Paulo, levou-se em consideração apenas a questão da matriz energética, e não os numerosos fatores econômicos que viabilizam um projeto deste porte”. Entre eles, Rezende aponta, por exemplo, o custo de certos combustíveis e o reflexo nos números operacionais das empresas. “Esta foi uma reclamação recorrente entre os operadores do sistema”, completou.

Luiz Carlos de Moraes, diretor de assuntos institucionais da Mercedes-Benz, ressalta também a questão da idade dos ônibus em circulação em São Paulo. “A idade média da frota de São Paulo está em aproximadamente cinco anos, mas há linhas que operam com veículos com dez anos de uso, por exemplo. A renovação é uma saída mais viável do que um eventual processo de retrofit dos veículos que estão circulando. Demanda um pouco mais de tempo, mas todos conseguem equacionar custos e benefícios de maneira mais assertiva.” Segundo dados do SPUrbanuss, o sindicato das operadoras de transporte urbano da capital, a idade média da frota é de 5 anos e 6 meses.

O assunto da idade da frota em São Paulo voltou à tona nas últimas semanas. No final de março, o Tribunal de Contas do Município determinou que dois consórcios de ônibus da capital devolvam aos cofres públicos R$ 1 bilhão por não cumprirem, entre outras coisas, as cláusulas do contrato de concessão de 2003 que previam renovação da frota. Os consórcios são o Unisul, da Zona Sul e o Plus, da Zona Leste. Segundo o Tribunal, as empresas rodavam com uma frota velha. Procuradas, as empresas não atenderam à reportagem.

Sai do papel acordo automotivo com a Colômbia

Brasil e Colômbia validaram, finalmente, o acordo de livre comércio no setor automotivo. Em 2015, os países já havia iniciado o processo, mas na ocasião existia uma trava que o impedia de sair do papel. No texto de 2015, previa-se o livre comércio também com a Venezuela e, para a efetivação do tratado, era preciso que este país concordasse com as condições. Até então, o governo de Nicolás Maduro se recusava em assinar. Na última sexta-feira, 7, durante a reunião do Fórum Econômico Mundial para a América Latina, em Buenos Aires, a Venezuela foi excluída do acordo.

Margarete Gandini, diretora do departamento das indústrias para a mobilidade e logística do MDIC, Ministério de Indústria, Comércio Exterior e Serviços, disse que o acordo valerá somente para os veículos de até cinco toneladas. “A Colômbia deve protocolar, por meio de decreto, o documento em 60 dias. Já o Brasil tem até 40 dias para este protocolo.”

Até março, segundo a ANDEMOS, Associação dos fabricantes da Colômbia, o Brasil exportou para lá 4 mil veículos, o que representou aumento de 82,5% no comparativo com o mesmo período do ano passado. No total, foram comercializados no mercado colombiano 56 mil 242, queda de 1% com relação aos licenciamentos de janeiro e março. Somente em março, foram vendidos 21 mil 49 veículos, alta de 6,5%.

Para o presidente da Anfavea, Antonio Megale, esse acordo é de “extrema importância para a indústria automobilística, pois permitirá mais integração e negócios para ambos os lados”. A expectativa é de que o mercado colombiano alcance 350 mil veículos este ano.