Governo legaliza isenção fiscal estadual

O presidente da República sancionou na terça-feira, 8, a lei complementar 160, que trata da legalização de benefícios fiscais concedidos por estados a empresas e indústrias naquilo que se habituou considerar guerra dos portos ou guerra fiscal, segundo informações da Agência Brasil. O texto tramitou por mais de três anos no Congresso Nacional e foi aprovado em julho. A lei já foi publicada no Diário Oficial da União.

O texto trata da regularização de incentivos, isenções e benefícios fiscais oferecidos pelos estados e pelo Distrito Federal ao longo dos anos em desacordo com a legislação vigente. As unidades da Federação buscaram, com isso, atrair empresas e indústrias para gerar empregos e crescimento econômico. A competição dos estados por esses investimentos, com o uso dos incentivos como instrumento, é conhecida como guerra fiscal. A prática está em análise pelo STF e foi condenada pelo Confaz, o Conselho Nacional de Política Fazendária.

De acordo com o texto não é mais necessário que um Estado obtenha concordância unânime dos integrantes do Confaz para conceder um incentivo fiscal: a partir de agora será necessária a anuência de dois terços dos estados. Esse total deverá ser distribuído nacionalmente, com pelo menos um terço dos estados de cada região do país concordando com a concessão.

A concessão de novos incentivos fiscais, e a prorrogação dos que já estejam em vigor, só poderá ter vigência por um prazo determinado, a depender do setor de negócios beneficiado. O prazo pode chegar a até quinze anos no caso de setores como agropecuário, indústria e transporte urbano. O ponto mais polêmico é o paragrafo 8º do artigo 3º, segundo o qual os estados poderão aderir a isenções e a incentivos e a benefícios fiscais concedidos por outra unidade federativa da mesma região.

Foram vetados pelo presidente os artigos 9º e 10º do documento após serem ouvidos os ministérios da Fazenda, da Justiça e Segurança Pública e a Advocacia-Geral da União. Na mensagem em que expõe as razões do veto o presidente disse que os dois artigos foram vetados “por não apresentarem o impacto orçamentário e financeiro decorrente da renúncia fiscal”.

Grupo PSA busca sócio…

O Grupo PSA, dono das marcas Peugeot, Citroën e DS – e também Opel e Vauxhall – busca sócio para voltar a operar nos mercados da América do Norte, principalmente nos Estados Unidos, do qual saiu nos anos 90. O responsável pela operação, Larry Dominique, disse que a criação de uma rede de concessionários “custaria bilhões de dólares” e que, por isso, a empresa aposta na “busca por sócios progressistas, inovadores e com mentalidade digital” para crescer dentro do plano elaborado para os próximos dez anos. As informações são do Flash de Motor, da Venezuela.

Ao finalizar a compra de Opel e Vauxhall no início do mês, começou a exercer seu serviço de compartilhamento de veículos, o Free2Move, em parceria com Travelcar, em Los Angeles, Califórnia. Dominique, CEO da operação, disse, em um seminário sobre automação, que o grupo “aproveitou a nova tecnologia mantendo os valores de uma empresa de automóveis”.

Segundo ele, para chegar ao objetivo, a PSA determinará as necessidades do mercado segundo por segundo: “Em seguida operaremos com velocidade, qualidade e baixo custo. Mas de uma forma prática, tradicional, usando a tecnologia. Teremos a oportunidade de fazer isso uma vez, só uma vez”.

Exportações serão sustentáveis no longo prazo?

Em um ano em que o mercado doméstico está em baixa exportações passaram a ser a tábua de salvação da indústria automotiva. Só de janeiro a julho os embarques superaram os sete meses de 2005, o melhor ano das vendas externas no Brasil: foram exportados 439 mil 586 veículos, alta de 55,3% no comparativo com 2016

Na Volvo Bus Latin America, por exemplo, 70% da produção de ônibus são destinadas ao mercado externo. E, segundo o seu presidente, Fabiano Todeschini, a receita com as exportações é que sustentará seus resultados na região este ano:

“Apesar de todas as despesas que chegam com as exportações, como o custo logístico e o de produção, as vendas externas, queira ou não queira, serão rentáveis este ano”.

Em 2011, com o mercado interno demandante, 40% da produção eram exportados. Naquela época a fábrica de Curitiba, PR, produzia dez chassis de ônibus por dia. Hoje o ritmo não ultrapassa cinco veículos/dia.

Os maiores mercados para a Volvo no segmento de ônibus são Argentina, Chile, Colômbia e Peru. Este ano ela conquistou vendas importantes, para Panamá e Tunísia. Todeschini disse que para o Panamá foram enviadas duzentas unidades e, no ano que vem, mais trezentas. E para a Tunísia foram exportados sessenta ônibus articulados:

“A exportação cresceu muito porque o mercado interno está ruim. A partir do momento em que as vendas internas voltarem, os embarques devem diminuir a sua participação na produção. Essa relação, de 70% do volume produzido serem exportados, não é sustentável no longo prazo”.

Olivier Murguet, presidente da Renault para a America Latina, também acredita que depender muito do mercado externo não é sustentável para o Brasil. Segundo ele o custo Brasil, que inclui as despesas cambiais, logísticas, com a burocracia, deixa o País menos competitivo do que outros países da região, como Colômbia e México:

“Há três anos usamos a unidade da Colômbia como base de exportação de Duster, Logan e Sandero. O Brasil perdeu esse negócio por não ser competitivo. O negócio aqui não pode ser construído no longo prazo com base na exportação, pois isso é muito frágil. Nós, da Renault, apostamos no mercado interno”.

No ano passado 36% do que a Renault produziu no Brasil foram destinados às exportações e, no primeiro semestre, o crescimento foi de 63%: “As empresas estão fazendo o trabalho delas, mas há muito caminho a percorrer do lado de fora da fábrica para deixar o Brasil mais competitivo internacionalmente”.

Transantiago – A Volvo Bus Latin America está de olho na nova licitação para o sistema de transporte de Santiago, Chile. Todeschini disse que pelo projeto serão comprados 2,2 mil ônibus, todos eles dotados de motor Euro 6, noventa veículos elétricos e outros noventa com atributos especiais.

Ele esclareceu que os negócios com empresas do Chile devem ocorrer só no ano que vem: “Essa licitação é para descentralizar o transporte na cidade. Até hoje eram quatro empresas que operavam o sistema em Santiago. A proposta agora é para seis operadores, sendo que pode ser de qualquer lugar do mundo. Não é prerrogativa ser chilena”.

Caso a Volvo forneça para as empresas ganhadoras Todeschini disse que os veículos serão importados da Suécia pois, no Brasil, não há produção de motores Euro 6: “Todo o negócio será fechado pela Volvo Bus America Latina. Não pagaremos o imposto de importação desses chassis porque quando um produto é importado destinado à exportação não se cobra a taxa pois entramos no regime de drawback”.

Mercedes-Benz quer crescer em serviços

A Mercedes-Benz tem planos para crescer no segmento de serviços para caminhões como forma de buscar espaço em outras áreas enquanto as vendas de veículos seguem a passos lentos no País. Um dos caminhos escolhidos foi expandir o modelo de oficina dedicada, aquele no qual a empresa mantém alguma estrutura nos domínios do cliente. Outra alternativa é um plano de modernização do atendimento nas concessionárias.

O diretor de vendas para caminhões, Robert Leoncini, disse que trabalha já há algum tempo na adoção de um processo que traga mais receitas ao segmento de serviços da M-B. Com o declínio das vendas de caminhões, principalmente nos últimos dois anos, o que era um projeto tornou-se demanda urgente: “Afora o plano de investir na diversificação há, também, uma frota circulante importante que precisa de atendimento de alto desempenho. Precisamos atrair o caminhoneiro para um lugar onde a manutenção seja rápida e com preços competitivos”.

Um serviço que possui importante valor agregado, e que traz previsibilidade do ponto de vista de receita para a M-B, são as oficinas dedicadas, uma oferta que não é novidade no mercado mas que tem recebido atenção especial por parte da companhia. Clientes considerados chave, e que atuam em áreas ligadas à infraestrutura, por exemplo, investiram recentemente em formas de trazer para perto as células de manutenção.

Jaqueline Neves, gerente de serviços ao cliente e concessionários, contou que a demanda destes clientes não é apenas ganhar tempo na reposição de componentes, mas ter acesso a profissionais que possam auxiliar na gestão da manutenção: “Clientes envolvidos em grandes operações, como é o caso de construtoras e mineradoras, investiram mais neste tipo de serviço, e nós queremos leva para outros segmentos, como o de logística”.

Já o modelo de oficina, que a empresa trata de levar ao mercado com o nome de oficina de alta performance 2.0, é uma parceria com a rede de concessionários para que os processos de gestão da manutenção dos clientes sejam mais precisos e padronizados do que o modelo atual. O concessionário recebe treinamento da M-B e, então, passa a seguir novos protocolos de atendimento.

Desde a sua adoção, em meados do ano passado, disse a gerente, esse tipo de oficina já é realidade em mais de 50% da rede, e que os atendimentos aumentaram nas lojas: “Até agora foram mais de 370 mil atendimentos, o que significa 120 mil veículos. São clientes que optaram por um atendimento mais profissional”.

A Mercedes-Benz tem 180 pontos de atendimento no País, com 3,1 mil funcionários.

Motor verde-amarelo da M-B equipa caminhão alemão

A Mercedes-Benz do Brasil iniciou a exportação de motores Euro 3 para a Daimler, na Alemanha: essa é a primeira vez que os motores produzidos em São Bernardo do Campo, ABC paulista, o foram para uma fábrica alemã. Os motores equiparão o modelo rodoviário Actros e os fora de estrada Arocs e Zetros, que serão exportados para mercados da África e Oriente Médio.

A companhia não informou quantas subsidiárias participaram da concorrência interna para o fornecimento dos motores. Garantiu, no entanto, que a escolha pela unidade brasileira foi em razão do custo e da similaridade do Brasil com os países que receberão os caminhões. A expectativa é a de que esse contrato tenha vigência pelo menos até 2020.

O primeiro embarque foi realizado na semana passada, com destino à fábrica localizada em Wörth, onde se produz o Actros. A versão escolhida para esse contrato, de acordo com a companhia, é a OM 460 Euro 3. Desde os anos 2000 a M-B exporta motores para o México e para os Estados Unidos, neste caso as versões Euro 5.

Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e seu CEO para a América Latina, disse, em nota, que a tradição da unidade brasileira na produção de motores contou a favor na escolha pelo Brasil: “O Grupo Daimler escolheu a Mercedes-Benz do Brasil para atender esses mercados devido à sua tradição na produção de motores robustos, resistentes e adequados para as mais severas condições de transporte de cargas, similares às características da região da África e Oriente Médio”.

Schiemer esclareceu, também, que o trem de força dos caminhões produzidos no Brasil é referência em qualidade e confiabilidade no grupo: “Há o baixo consumo de combustível e o baixo custo de manutenção durante toda a vida útil dos veículos”.

A Mercedes-Benz informou, ainda, que os motores brasileiros foram testados, durante a fase de desenvolvimento, em bancos de provas nas fábricas de veículos comerciais de São Bernardo do Campo e de Stuttgart, Alemanha. Também passaram por testes de operação no Brasil, Alemanha e Oriente Médio.

Em mais de sessenta anos já saíram da unidade de motores da M-B no Brasil cerca de 3 milhões de unidades.

Parceria KBB e Itaú concorre com a tabela Fipe

A KBB, Kelley Blue Book, empresa de precificação de carros novos e usados dos Estados Unidos, firmou parceria comercial com o portal iCarrros do banco Itaú. A novidade, anunciada no 27º Congresso & ExpoFenabrave, entrará em operação em outubro. Esta é a primeira iniciativa no Brasil da empresa que também, este ano, fincou sua bandeira em Portugal.

A empresa chega ao País apostando na retomada do setor automotivo, após três anos consecutivos de quedas nas vendas, segundo Dan Ingle, vice-presidente de desenvolvimento de negócios internacionais da companhia:

“Acreditamos que o mercado brasileiro tem um enorme potencial de crescimento. O País é a maior economia do hemisfério Sul e o nono maior mercado automotivo do mundo. Os números da Fenabrave mostram alta de 4,25% na venda de carros no primeiro semestre deste ano”.

A empresa quer trazer para o Brasil toda a sua experiência acumulada praticada no mercado dos Estados Unidos, onde duas em cada três pessoas usam o site kbb.com no processo de compra e venda de veículos, de acordo com Rodnei Bernardino, diretor do Itaú Unibanco: “A KBB tem décadas de experiência neste segmento e suas informações são muito mais precisas do que a tabela Fipe”.

Com a ferramenta o consumidor identificará todas as variações do preço de um carro, tanto na compra quanto na venda, mensurando, por exemplo, como o conteúdo e a quilometragem interferem no valor dependendo da região do País em que ele é negociado.

Uma equipe de analistas gera informações mais precisas para a negociação dispondo de milhares de dados sobre preços de carros novos e cotações de usados, com base em transações reais e não em valores de venda anunciados. Para veículos novos há informações de preços de todas as versões dos modelos, bem como os valores determinados por fabricantes e importadores. Já para os usados, há preços praticados por agências, concessionárias e pessoas físicas.

Fundada na década de 1920 a KBB é integrante do Grupo Cox Automotive, qur obteve faturamento global de US$ 18 bilhões em 2016.

Randon fecha semestre com lucro

A Randon, de Caxias do Sul, RS, encerrou o primeiro semestre de 2017 com indicadores mais positivos, mesmo que inserida em cenário de baixo crescimento. De um lado houve aumento na produção de caminhões, especialmente suportada pela exportação crescente, o que beneficiou o segmento de autopeças. De outro, embora o mercado de implementos ainda enfrente quedas tanto em produção quanto em vendas, a Randon ganhou participação de mercado graças à estratégia iniciada, no ano passado, com o lançamento de novos produtos como o basculante, e ao reforço em sua estrutura de vendas.

O que disse o presidente da Empresas Randon, David Randon?: “É preciso deixar a crise para trás, reinventando a condução dos negócios”.

A receita bruta total, com impostos e antes da consolidação, somou R$ 1,9 bilhão no semestre, queda de 6,4% sobre igual período do ano passado. A receita líquida consolidada, de R$ 1,3 bilhão, foi 8,5% menor na mesma base de comparação. Já o segundo trimestre somou receita líquida de R$ 730 milhões, em alta de 4,8%, e bruta de R$ 1 bilhão, incremento de 5,1%. No acumulado de seis meses o lucro líquido consolidado somou R$ 20,6 milhões contra prejuízo de R$ 2,7 milhões no mesmo período de 2016.

No semestre a empresa entregou 4 mil 999 implementos rodoviários, declínio de 9,7%, e o segmento de vagões tem forte resultado negativo: no semestre as vendas somaram 438 unidades ante 1 mil 155 no período semelhante de 2016.

O crescimento da produção de caminhões beneficiou a divisão de autopeças da Randon, que teve alta 5,7% na receita líquida com relação ao segundo trimestre de 2016. As vendas para montadoras voltaram a representar quase metade das receitas da divisão de autopeças, revertendo cenário dos últimos trimestres em que haviam perdido representatividade.

Onix aventureiro chega à Colômbia

A General Motors iniciou a exportação para a Colômbia, a partir do Brasil, do Chevrolet Onix Activ, versão aventureira do carro mais vendido aqui. A companhia já envia o modelo para Argentina, Paraguai e Uruguai.

De acordo com a GM o modelo exportado tem algumas diferenças com relação à versão vendida no Brasil, lançada em 2016: é equipada com motor de 1,4 litros e 98 cv de potência, câmbio manual de cinco marchas e sistemas de navegação e entretenimento ChevyStar MyLink. O brasileiro é mais potente, com 106 cv, e dispõe de transmissão com seis marchas.

O Onix Activ já está nas 25 concessionárias Chevrolet na Colômbia a partir da quinta-feira, 10. Em entrevista para o site Flash de Motor, da Venezuela, Jaime Gil, vice-presidente de vendas da General Motors Colômbia, disse que “o consumidor busca um carro com o qual se identifique, como conectividade e baixo consumo de combustível, que são atributos encontrados no veículo”.

O site ainda indica o valor do veículo: US$ 17 mil 650.

Em julho o mercado colombiano fechou com 18 mil 625 mil unidades vendidas, alta de 6,2% na comparação com julho de 2016. A Chevrolet foi líder naquele mercado no primeiro semestre, com 29 mil 175 unidades vendidas, e a Renault foi a segunda colocada, com 26 mil 744 unidades.

No Brasil os dados de vendas do Onix somam todas as suas versões. Até julho, segundo a Fenabrave, foram emplacadas 98 mil 469 unidades, o que o tornou o carro mais vendido no País. O concorrente Renault Sandero, que possui a versão aventureira Stepway, foi o quarto mais vendido, com 45 mil 530 unidades.

Ford demite no ABC e produção para

A Ford demitiu 364 funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo, SP, que estavam com os seus contratos de trabalho suspensos temporariamente, em lay off, na quinta-feira, 10. Em comunicado a empresa informou que as dispensas foram realizadas em razão da queda do mercado nos últimos anos e que, por isso, ajustou sua folha de pagamento:

“Nos dois últimos anos a Ford adotou uma série de medidas para administrar o excesso de empregados decorrente da redução do volume de produção em São Bernardo do Campo, tais como PPE, PDV, suspensão temporária do contrato de trabalho, lay off, e férias coletivas. Entretanto, devido à necessidade de adequar os níveis de mão-de-obra às demandas de mercado, estamos fazendo o desligamento dos funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo que estavam em lay off”.

Alexandre Colombo, diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e funcionário da Ford, observou que os funcionários da estamparia ficaram parados na sexta-feira, 11, em protesto pelas demissões anunciadas no dia anterior. Segundo ele a Ford teria descumprido acordo de estabilidade em vigor desde 2015 e que terminaria em janeiro de 2018: “Os demitidos foram classificados como excedentes pela montadora. Mas todos os funcionários tinham estabilidade garantida até 2018. Por isso, na semana que vem, se não acontecer alguma reunião com a empresa, paralisaremos a fábrica novamente”.

Em 2015, á época do acordo de estabilidade, a Ford alegava que tinha cerca de oitocentos empregados a mais em seu quadro de funcionários ali, no ABC, contando os que tralhavam na produção e nas áreas administrativas. Colombo disse que, durante os últimos dois anos, a Ford abriu programa de demissão voluntária e muitos se aposentaram.

Hoje a Ford tem cerca de 3 mil funcionários, contando com os 364 demitidos. Colombo contou, ainda, que para este ano a Ford programou a produção de até 12 mil caminhões e de 36 mil carros: “Com um turno de trabalho a empresa pode fabricar até 110 mil veículos. A produção caiu muito este ano e, por isso, estamos com essa tática de parar áreas essenciais e assim paralisar todo o processo”.

Ele contou, também, que em 14 e 15 de agosto a companhia programou parada de produção para ajustar os seus estoques.

No ano passado, de acordo com a Anfavea, a Ford produziu, em todas as suas fábricas no País, 219 mil 519 veículos. Em 2015 foram 240,5 mil unidades. Em São Bernardo do Campo fabrica caminhões e o New Fiesta, tanto a versão hatch como sedã.

Al-Ko, do Grupo Dexko, chega para disputar mercado

A Al-Ko, fabricante de eixos e chassis para semirreboques leves, começou a operar no Brasil no fim de julho de olho em um naco de mercado com potencial de venda de 100 mil semirreboques por ano. A unidade que instalou em Atibaia, SP, atualmente serve como centro de distribuição de componentes, mas no primeiro semestre do ano que vem será finalizada, ali, a instalação de linha de produção que terá trinta funcionários.

De acordo com Arndt Budweg, gerente de vendas para América do Sul, o mercado brasileiro tem potencial para absorver um volume de semirreboques leves superior aos pesados, os quais atualmente vivenciam um momento delicado em função da queda das vendas de caminhões: “Em 2016 foram 25 mil semirreboques pesados licenciados no País. No segmento de leves foram quase 120 mil e ainda há demanda reprimida”.

Dados da Anfir, a associação dos fabricantes de implementos rodoviários, da qual a Al-Ko já é associada, apontam que de janeiro a julho houve retração de 17,95% nos emplacamentos na comparação com o mesmo período em 2016.

Na contramão dos implementos para veículos pesados, que dependem das vendas de caminhões, o segmento de leves está em franca expansão no Brasil, disse Budweg: “Na América do Sul existe uma demanda por 150 mil unidades de reboques, sendo o Brasil o principal mercado. As maiores oportunidades estão em empresas que atuam na área náutica e em prestadoras de serviço de infraestrutura, como as que fazem manutenção em estradas e redes de energia elétrica”.

O CD de Atibaia possui 1 mil m² e foi alugado pela Al-Ko em janeiro, quando começaram os trabalhos para nacionalizar a empresa, um processo que durou seis meses e envolveu, afora a busca por espaço, a obtenção de licenças para funcionamento: “Optamos por começar em um lugar alugado para avaliar o mercado e, mais adiante, expandir a operação em um espaço próprio”.

A Al-Ko faz parte do Grupo Dexko, que surgiu a partir de joint-venture com a Dexter, dos Estado Unidos, que tem um portfólio complementar. Na Alemanha, seu país de origem, a Al-Ko emprega 2,5 mil funcionários e dispõe de oferta mais ampla do que a da filial brasileira: acessórios para trailers, peças plásticas e amortecedores.