Paulo Butori foi um dos poucos, pouquíssimos, a apresentar projeções positivas para o ano que vem no segundo dia do Congresso AutoData Perspectivas 2016, realizado na Fecomercio, na zona Central de São Paulo. Justo ele, que em eventos anteriores usualmente demonstrava previsões pessimistas em especial para o segmento de autopeças.
Desta vez é diferente: o presidente do Sindipeças estima que no ano que vem o faturamento total das fabricantes de autopeças no País crescerá 2% com relação a 2015, puxado em particular pelas exportações e mercado de reposição, além de um pouco, ainda que levemente, pelas vendas às montadoras.
O dirigente, entretanto, deixou claro que este índice de crescimento estimado está mais ligado a uma base muito baixa de 2015 do que propriamente a uma clara tendência de recuperação nos negócios. Mas, de qualquer forma, entende que “2016 será um pouco melhor do que 2015. Já fui mais pessimista, mas acredito que os tempos serão melhores”.
A base desta projeção do Sindipeças é estimativa apresentada por Butori no evento de que a produção nacional de veículos também crescerá 2% no ano que vem na comparação com este, com destaque para os caminhões, que deverão, pelas projeções, crescer 18% em volume produtivo, alcançando 82,5 mil unidades. A produção de máquinas agrícolas, estima o Sindipeças, deverá igualmente crescer 2%.
Outra projeção apresentada por Butori que chamou a atenção foi aquela para o câmbio: ele estimou taxa de R$ 4,59 para o dólar em dezembro de 2016, com a ressalva de que “pode até chegar a R$ 5”. Com isso as exportações devem crescer, bem como a nacionalização de peças, pois “com este câmbio importar não é um bom negócio”.
Mas ele estimou que este cenário será visto com maior clareza para os novos projetos produzidos no Brasil, uma vez que “os processos de nacionalização levam muito em conta o ciclo de vida do produto”. Butori, contumaz crítico do regime automotivo, acrescenta que esta tendência de maior produção de autopeças no País “se deve à alta do dólar e não ao Inovar-Auto”.
Notícias mais positivas, porém, acabam por aí. O presidente do Sindipeças alerta que a saúde financeira das empresas Tier 2 e 3 é “bastante delicada” – por seus cálculos catorze empresas destas faixas fecharam no País no ano passado e mais dezessete apenas neste primeiro semestre – e, além disso, que “ainda vão ocorrer demissões [nas empresas de autopeças]”, mesmo que o segmento já tenha cortado 56 mil postos de trabalho desde 2013, chegando agora a quadro de 164 mil ao todo.
A razão, segundo Butori, é que muitas empresas sequer contavam com recursos para dispensar empregados. “O custo de demissão é enorme, descapitaliza a empresa.” Com um leve aumento de recursos no ano que vem este processo continuará apesar do PPE, iniciativa da qual a indústria de autopeças é a maior usuária, atestou Butori.
Para enfrentar os muitos desafios presentes no setor automotivo brasileiro atual o novo presidente da Volkswagen no Brasil, David Powels, propõe uma agenda na qual fabricantes e entidades representativas do setor, como Anfavea, Sindipeças, Fenabrave e sindicatos de trabalhadores discutam juntos os problemas para encontrar as possíveis soluções.

“O Brasil precisa de um ajuste ético e político. Enquanto isso não acontecer, a economia e o mercado automotivo não voltarão a crescer.” A avaliação é de Cledorvino Belini, presidente do Grupo FCA na América Latina. O executivo foi um dos palestrantes do Congresso AutoData Perspectivas 2016, realizado em seu primeiro dia na terça-feira, 20, na sede da Fecomércio, em São Paulo.
Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, garantiu em sua apresentação no Congresso AutoData Perspectivas 2016, na segunda-feira, 20, na sede da Fecomércio, em São Paulo, que os investimentos da montadora no País – que somam no total R$ 1,2 bilhão – estão mantidos.
Um cenário positivo foi apresentado por Jörg Hofmann, presidente da Audi, em sua palestra no Congresso AutoData Perspectivas 2016, na terça-feira, 20, na sede da Fecomércio, em São Paulo. Mas o executivo apresentou também um negativo – segundo ele, o mais provável de ocorrer, dada a condição política do País:
Prever como fechará 2016 é, hoje, missão quase impossível. Este é o entendimento da Anfavea, na pessoa de seu presidente, Luiz Moan, que abriu o Congresso AutoData Perspectivas 2016, que teve início na terça-feira, 20, e prosseguirá na quarta-feira, 21, na sede da Fecomercio, na região central de São Paulo.