Spinetti e Mello substituem Del Noce na Iveco

Dois executivos substituem o italiano Paolo Del Noce na direção da divisão de veículos especiais da Iveco na América Latina, em iniciativa da empresa para elevar os negócios desta área na região. A companhia anunciou na terça-feira, 16, Humberto Spinetti como novo diretor das divisões de ônibus e veículos de defesa e Marco Mello como diretor comercial e de novos negócios da Magirus, divisão de veículos para combate a incêndio.

A produção nacional do chassi de ônibus 170S e a expansão da operação de veículos de defesa na região são os principais motivos da nomeação de Spinetti, justificou a Iveco em comunicado.

“Estar à frente desse processo de crescimento dentro da empresa e atuar em dois setores tão importantes para o País é, ao mesmo tempo, desafiador e gratificante”, afirmou o executivo, formado em engenharia mecânica automobilística e MBA em administração de empresas e gestão corporativa, em nota.

Já Mello, que agora está à frente da Magirus, tem mais de trinta anos de carreira e trabalhou na General Electric e Helibras antes de chegar à Iveco. Sua responsabilidade na nova função será de gerir os contratos firmados com os Bombeiros, Ministério da Justiça e Infraero e prospectar novos clientes no Brasil e países vizinhos.

“A gama de produtos fabricados pela Iveco e pela Magirus nos permite oferecer soluções completas para o cliente. Vamos dar ênfase a esse diferencial”, afirmou Mello, também no comunicado.

Del Noce, que esteve à frente dos negócios especiais da Iveco nos últimos anos, deixou a companhia rumo à França, mais especificamente na Akka Technologies, como CEO daquela operação. A empresa atua na área de consultoria de engenharia e informática.

VW fecha novo acordo e desiste de demitir oitocentos na Anchieta

As oitocentas demissões na fábrica da Volkswagen na fábrica da Anchieta, em São Bernardo do Campo, anunciadas no começo do mês, não vão mais acontecer. Os empregos destes metalúrgicos, portanto, estão mantidos.

Após dez dias de greve a montadora e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC fecharam acordo, aprovado em assembleia na manhã da sexta-feira, 16, na porta da unidade. As atividades produtivas voltaram ao normal na própria sexta-feira.

As bases do acerto foram retrabalhadas diante daquelas rejeitadas pelos metalúrgicos em dezembro, e preveem extensão até 2019 do atual acordo, então válido até 2016, além de abertura de PDV, Programa de Demissão Voluntária, e outros tópicos. O plano prevê ainda garantia de emprego e produção de uma nova plataforma global na unidade.

Em comunicado, a montadora afirmou que vê “com satisfação a aprovação do novo acordo coletivo por seus empregados. Empresa e Sindicato retomaram as discussões nesta semana e chegaram a uma proposta balanceada que possibilitará a adequação da estrutura de custos e efetivo da unidade”.

Ainda segundo a nota da VW “o resultado contempla a continuidade dos mecanismos de adequação de efetivo por meio de programas voluntários, com incentivo financeiro, e também ‘desterceirizações’ temporárias para alocação de parte do excedente de pessoal, dentre outras medidas. Além disto, assegura a vinda de uma nova plataforma mundial de produto, solidificando as bases de um futuro sustentável para a Unidade Anchieta”.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC o acordo foi aprovado por unanimidade em assembleia que reuniu oito mil trabalhadores. “Conseguimos mudar os pontos que os companheiros não concordavam na antiga proposta e assim, contemplamos as reivindicações de todos”, afirmou o secretário-geral do Sindicato, Wagner Santana, o Wagnão.

Além da garantia de emprego até 2019 os principais pontos do novo acordo são reajuste integral da inflação incorporado ao salário para o período de 2016 a 2019 e aumento real de 2017 até 2019. Neste ano haverá reajuste da inflação e aumento real de 2%, pagos em forma de abono e antecipados já na próxima terça-feira, 20.

As cláusulas sociais também valem até 2019, segundo o sindicato, que entende que o acordo avançou em relação à proposta rejeitada no ano passado, vez que em 2016 haverá reajuste pelo INPC incorporado ao salário, enquanto que inicialmente este ocorreria como abono, além da antecipação do abono de 2015 e o complemento da PLR, Participação nos Lucros e Resultados, de 2014 conforme as novas regras.

Na prática as demissões não chegaram a ser efetivadas, vez que os oitocentos trabalhadores, informados da decisão por telegrama no fim do ano, se encontravam em licença remunerada até o início de fevereiro.

Gol reage, lidera no mês e encosta no Palio no acumulado

O vencedor do ranking dos modelos mais vendidos no País em 2014 está definitivamente em aberto. O VW Gol reagiu às investidas do Palio e na última semana somou volume agressivo de emplacamentos, o que lhe deu a liderança na primeira quinzena e o jogou de volta, e com muita força, à briga pela vitória no acumulado do ano.

Segundo dados preliminares do Renavam obtidos pela Agência AutoData o Gol lidera as vendas até a segunda-feira, 15, ou onze dias úteis, com 10,4 mil emplacamentos. Em seguida está o Palio, com 9,7 mil, e em terceiro o Chevrolet Onix, com 9 mil.

O galgar do Gol nos últimos dias impressiona: até o sétimo dia útil de dezembro o VW estava em terceiro, oitocentas unidades atrás do Palio. Agora, apenas quatro dias úteis depois, está à frente por quase seiscentos licenciamentos. Ou seja: apenas neste período o hatch Volkswagen emplacou 1,4 mil unidades a mais que o concorrente da Fiat.

Até o sétimo dia útil de dezembro a média diária de licenciamentos do Gol no período era de 720 unidades ante 838 do Palio. Agora o índice do VW subiu para 946 e o do Fiat para 878.

Com isso o quadro no acumulado ficou apertadíssimo e se tornou aposta quase impossível definir o vencedor do ano. A diferença a separar os dois é de míseras 1 mil unidades a favor do Palio – vez que no acumulado até o fechamento de novembro o Fiat, ultrapassando o VW pela primeira vez no ano, ficou 1,6 mil à frente.

Restam apenas onze dias úteis para o fechamento do mês e, consequentemente, do ano, mas as duas últimas semanas, que somam sete dias úteis, deverão ser fracas no varejo por conta dos feriados e festividades de natal e ano novo. Mas nos bastidores, considerando em especial as vendas diretas, a disputa promete ser ferrenha até lá.

O quadro é tão apertado que caso se mantenham os atuais volumes de vendas diárias do Gol e do Palio – aqueles registrados nos primeiros onze dias úteis – até o fim do mês o ano fecharia com diferença inferior a somente duzentas unidades a favor do Fiat.

Produção mexicana se mantém acima da brasileira no ano

As montadoras de veículos instaladas no México produziram 284,8 mil unidades em novembro. O volume é 11,4% superior ao verificado um ano antes, segundo dados divulgados pela Amia, entidade daquele país similar à brasileira Anfavea.

No acumulado do ano saíram das linhas de montagem mexicanas 3 milhões 11 mil unidades, em alta de 8,7% em relação ao período de janeiro a novembro de 2013, quando foram produzidos 2 milhões 769 mil veículos.

O volume fabricado no México em 2014, assim, continua acima da produção brasileira, de 264,8 mil unidades em novembro e de 2 milhões 942 mil veículos no acumulado do ano. Enquanto a produção mexicana registra alta de 8,7% neste ano, o índice é 15,5% menor no Brasil.

Segundo a Oica, associação mundial de fabricantes de veículos, o Brasil é hoje o oitavo produtor global de veículos – sétimo em 2013, foi ultrapassado justamente pelo México com a soma dos resultados do primeiro semestre. No total até novembro pouco mais de 69 mil unidades garantem a melhor colocação mexicana.

Em vendas ao mercado interno em novembro o México registrou 111,6 mil unidades, avanço de 11,2% na comparação anual. No acumulado do ano as vendas somam 1 milhão de unidades, alta de 6,2% ante os 944 mil veículos vendidos de janeiro a novembro de 2013.

Por marcas a Nissan liderou as vendas em novembro com 28,3 mil unidades, seguida por General Motors, 20,1 mil, e Volkswagen, 18 mil. A mesma ordem se repete no acumulado do ano.

As exportações chegaram a 237,9 mil unidades em novembro. Segundo os dados da Amia o número é 5,8% maior do que o verificado no mesmo mês do ano passado. A General Motors foi a maior exportadora do período, com 52,9 mil unidades.

No acumulado do ano foram enviadas ao exterior 2 milhões 447 mil veículos mexicanos, em alta de 8,2% em relação aos onze meses de 2013.

Anfavea e Fenabrave vão a Brasília discutir Lei Renato Ferrari

Três das principais associações que representam o setor automotivo brasileiro estarão reunidas no plenário 5 da Câmara dos Deputados em Brasília, DF, na terça-feira, 16, às 14h30. Luiz Moan, presidente da Anfavea, Alarico Assumpção Jr., atual presidente executivo e presidente eleito da Fenabrave e Sebastião Araújo Costa Jr., assessor jurídico da Abeifa, participarão de audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, a CDEIC. É aguardada ainda a presença de Ricardo Schaefer, ministro interino do MDIC, vez que o titular Mauro Borges está oficialmente em férias.

Os dirigentes atenderão solicitação da casa para debater o Projeto de Lei 7200/14, que prevê alterações na Lei Renato Ferrari. A audiência fora agendada inicialmente para o início de junho, mas na ocasião foi adiada e sua realização acontecerá somente agora, pouco mais de seis meses depois.

O PL altera a Lei 6 729, mais conhecida como Renato Ferrari, de 1979, que rege a distribuição de veículos no País. O autor da proposta, deputado por Sergipe, argumenta que “a Lei Renato Ferrari tem permitido uma relação unilateral de submissão entre concedente e concessionária, fazendo prevalecer sempre, o desejo e as imposições do maior. É como uma guilhotina armada, prestes a disparar. Há, portanto, necessidade de se restabelecer o equilíbrio, preservando os direitos e mantendo as obrigações das partes”.

Sua justificativa acrescenta ainda que “a Lei como posta não dá nenhuma segurança e garantia de sobrevivência ao Concessionário, em caso de rescisão contratual, já que pode, a qualquer momento, ter seu contrato rescindido, pelo simples fato de não estar cumprindo as metas traçadas pela concedente, muitas vezes absurdas e incompatíveis com seu mercado”.

O PL estabelece, dentre outros, que os pedidos de veículos pela concessionária e os fornecimentos pela respectiva fabricante deverão corresponder à média aritmética de vendas dos últimos seis meses, “seguindo assim a conjuntura do respectivo mercado”. E também que a montadora não poderá faturar às concessionárias veículos que não tenham sido solicitados “formalmente”. O Projeto de Lei prevê ainda uso de ferramentas que garantam a sobrevivência de concessionárias de veículos em caso de rescisão contratual.

Além dos representantes de MDIC, Anfavea, Fenabrave e Abeifa foi convidada para a Audiência a secretária Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça, Juliana Pereira da Silva.

Fábrica de Goiana a 2% da conclusão completa

As obras da fábrica da FCA em Goiana, PE – já chamada publicamente pela montadora de unidade produtiva Jeep – chegaram a 98% de sua conclusão. A informação foi revelada na segunda-feira, 15, por Cledorvino Belini, presidente da companhia, que também confirmou para o primeiro trimestre de 2015 a inauguração do complexo produtivo, o primeiro desde a fusão da italiana Fiat com a estadunidense Chrysler, concluída em outubro deste ano.

Também em ritmo acelerado estão as obras do parque de fornecedores integrado com a fábrica pernambucana. “Teremos capacidade para produzir 250 mil veículos por ano. O primeiro será o Jeep Renegade, que chegará ao mercado no começo de 2015.”

Belini adiantou, sem oferecer outros pormenores, que outro modelo Jeep nacional será lançado no mercado brasileiro nos próximos dois anos. Prometeu também quatro lançamentos Fiat no período – um deles, segundo apurou a reportagem, a tão sonhada picape média, que terá como base o conceito exposto no Salão do Automóvel de São Paulo, e também produzida em Goiana.

Antes do lançamento do utilitário esportivo compacto a Jeep trabalha na expansão de sua rede de concessionarias. Segundo Belini serão duzentas as revendas da marca até o fim do ano que vem, somadas às seiscentas Fiat – a FCA terá, portanto, nada menos oitocentos pontos de vendas espalhados pelo País.

O tamanho da rede suporta o volume vendido no mercado nacional: somados Chrysler e Jeep foram comercializadas quase 667 mil unidades de janeiro a novembro, ou 21,3% de participação conjunta de mercado. “Pelo décimo-terceiro ano a Fiat será líder em vendas no Brasil.”

A inauguração de Goiana, a primeira fábrica do Grupo na Região Nordeste, ocorre logo após a expansão das atividades de Betim, MG, o maior complexo produtivo da companhia, que ganhou novas prensas de alto desempenho, robôs, cabine de pintura com capacidade para 180 unidades por hora e sistema de transportadores aéreos, “o que melhorou o transporte interno da fábrica”.

Segundo Belini o potencial do mercado brasileiro, que de acordo com estudo da Anfavea deverá dobrar de tamanho em menos de vinte anos, justifica os investimentos da FCA por aqui. O Brasil é o segundo maior da companhia em volume, atrás apenas dos Estados Unidos.

Olivier Philippot é o novo presidente da Magneti Marelli Latam

O francês Olivier Philippot foi nomeado presidente da Magneti Marelli Latam, divisão da fabricante de autopeças responsável pelos negócios da América Latina. O executivo acumula o cargo com os de diretor geral das unidades de negócios powertrain e eletrônica da região, em divisão considerada extremamente estratégica pela companhia em comunicado divulgado à imprensa na segunda-feira, 15.

A América Latina responde por cerca de 20% do faturamento global da Magneti Marelli, que possui fábricas no Brasil e na Argentina e está presente em todos os países da região por meio das divisões Aftermarket e Exportações.

Philippot, engenheiro mecânico formado pela UTC, Université de Technologie de Compiègne, com MBA em Sorbonne, tem 40 anos e trabalha na Magneti Marelli desde 2006. Acumula passagens nas unidades de negócios iluminação e powertrain e antes atuara na Valeo.

No comunicado a sistemista afirmou que a missão do executivo é “manter o forte compromisso da Magneti Marelli de crescer e investir na região que apresenta forte potencial de desenvolvimento, apesar das dificuldades atuais”.

A companhia promoveu programa de investimentos este ano, de valor não revelado, especialmente em Pernambuco, onde faz parte do parque de fornecedores da futura fábrica da Jeep que será inaugurada no primeiro trimestre do ano que vem.

Edison Lino Duarte, que presidia a operação Mercosul da Magneti Marelli desde 2013, permanece na empresa como diretor comercial de equipamento original para a Latam. No comunicado a companhia afirmou que o executivo dará suporte a Philippot, com apoio de Eliana Giannoccaro, diretora de marketing e relações externas do Grupo no Mercosul.

Workshop AutoData antecipa tendências

O segmento de máquinas agrícolas e de construção foi um dos que mais sofreram com a redução da produção automotiva brasileira no ano passado, encerrando 2014 com 82,4 mil máquinas fabricadas, volume que representou redução de sensíveis 17,9% frente aos mais de 100 mil equipamentos produzidos em 2013.

Nas vendas o quadro não foi diferente. O segmento, segundo a Anfavea, terminou o ano com queda de 17,4% no comparativo com o exercício anterior, com 68,5 mil unidades. Em 2013 haviam sido comercializadas 83 mil máquinas, volume que representou o recorde histórico de vendas deste tipo de produto no Brasil. Nas exportações o quadro não foi diferente, com queda de 20,7%.

Uma série de fatores influenciou este desempenho no ano passado. A demora da liberação dos recursos do BNDES Finame PSI no início do ano, por exemplo, foi um deles, com reflexos tanto do lado agrícola como no de construção. O não cumprimento dos cronogramas de várias obras públicas foi outro dos problemas enfrentados ao longo do ano.

Entender o princípio deste ano, portanto, passou a ser prioritário para o futuro do segmento. O Brasil já é hoje um dos principais produtores mundiais deste tipo de máquinas agrícolas e de construção. Só que, infelizmente, seu futuro de curto prazo permanece nebuloso, principalmente em razão de as novas regras, que serão apresentadas pela nova equipe econômica ao longo dos próximos meses, ainda não serem totalmente conhecidas.

Justamente com este objetivo, de levar para as empresas do setor – sejam montadoras, fabricantes de autopeças e concessionários – o maior conjunto possível de informações sobre este futuro de curto prazo é que a AutoData Editora promoverá, em fevereiro, em São Paulo, workshop reunindo os executivos das principais montadoras de máquinas agrícolas e de construção instaladas no Brasil, para explicitar e discutir suas perspectivas comerciais e de produção para os próximos meses, principalmente frente às primeiras iniciativas que já estão sendo adotadas pelo novo governo.

Vários executivos já confirmaram suas presenças como debatedores neste workshop, como Mirco Romagnoli, vice-presidente da Case IH, Roberto Marques, country manager da John Deere Construction e Forestry, Gino Cucchiari, diretor comercial da New Holland Construction, e Afrânio Chueire, presidente da Volvo CE. Representantes da John Deere Agrícola, da AGCO e da Anfavea também foram convidados.
Como participação especial o evento contará também com a presença de Alan Diddel, sócio da consultoria KPMG especializado no setor agrícola, que analisará as tendências de curto prazo da agro-indústria brasileira.

Neste workshop a AutoData Editora estreará um novo formato de organização. O evento será realizado em meio período, com todos os painéis analíticos apresentados em uma única tarde. De acordo com Palo Fagundes, editor de seminários da AutoData Editora, “a ideia é termos um evento bastante prático e útil”.

Ele chama a atenção para o fato de que este novo formato, mais rápido e direto, possibilitou a substancial redução no valor das inscrições.

O evento será realizado em 25 de fevereiro no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo. As inscrições já estão abertas e poderão ser feitas até o fim deste mês com direito a desconto especial. Estão disponíveis descontos também para pacotes com mais de três inscrições de uma mesma empresa ou entidade.

Informações sobre este workshop são obtidas por meio do telefone 11 5189 8938/9040 e pelo e-mail seminários@autodata.com.br. O programa para consulta também já está disponível no site www.autodata.com.br.

Thomas Schmall segue despedindo-se dos amigos

Thomas Schmall, ainda presidente da Volkswagen do Brasil, segue sua maratona de despedidas. Na noite da quinta-feira, 11, muitos amigos – políticos, atuais executivos VW, ex-executivos VW, presidentes de entidades, jornalistas – encontraram-se com ele no Centro de Treinamento da companhia, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo. Na noite da sexta-feira, 12, jantará com a rede Volkswagen, sob os auspícios da Assobrav e de seu presidente, Sérgio Reze.

Foi evento de poucas amarras nas alocuções e de explícitas manifestações de bem querer. Reze, por exemplo, já presente ao encontro da quinta, 11, declarou sua predileção pela convivência com Schmall e garantiu que sentirá sua falta. O presidente interino da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha, Wolfram Anders, lembrou instantes marcantes da presença de Thomas Schmall na sua presidência – como o desfecho da Copa do Mundo de Futebol e a presença da chanceler Merkel e do presidente da República Federal da Alemanha no Brasil.

O vice-presidente de Recursos Humanos da VW, Holger Rust, realçou a juventude de Schmall e seus feitos em sete anos na direção da empresa aqui. Mas ninguém foi tão afiado quanto Josef Fidelis Senn, presidente da Volkswagen Argentina, que presenteou Schmall com garrafa de bom vinho de Mendoza, uma boleadeira, um kit completo para churrasco e uma bolsa de mão de autêntico couro nativo para transportar tanto presente.

Ele observou que a boleadeira e a bela faca do kit poderiam servir, perfeitamente, para que Thomas enfrentasse “o cardume de tubarões que habita o Conselho da corporação, em Wolfsburg”.

Foram de plena confiança as palavras finais do futuro presidente da VW aqui, David Powels. Ele disse acreditar na força do mercado brasileiro e na sua retomada.

Polímeros abrem espaço nos plásticos automotivos

Tudo começou nos botões no painel, depois alcançou o exterior, espalhou-se sob o capô e, agora, se estende até mesmo às janelas: os polímeros superaram barreiras em uma série de aplicações automotivas. O desafio agora, para esses materiais, é o de simplificar processos produtivos e, dessa forma, reduzir custos – movimento que já soma diversos exemplos bem-sucedidos no País.

Alexandre Keith Tamura, técnico de aplicações da unidade de negócios HPM, High Performance Materials, da Lanxess, afirma que os plásticos de engenharia fornecidos pela empresa podem resistir a até 200°C de temperatura e reduzir o custo em até 40% na comparação com peças metálicas tradicionais: “Isso é possível com a integração de funções, redução do número de etapas de fabricação e investimento necessário no projeto”.

De acordo com Tamura, os materiais da linha Lanxess XTS1, quando usados em componentes do motor, podem diminuir o peso em 50% ante os mesmos em aço.

A integração das peças plásticas conta pontos para a escolha pelo material, pois facilita a montagem de subconjuntos por fornecedores – tendência mundial que reduz custos e, em alguns casos, chega a eliminar acessórios de fixação em metal.

Em alguns deles essas vantagens somam-se à ampliação da segurança. Heitor Silveira Netto Trentin, gerente de contas de polipropileno da Braskem, petroquímica produtora de resinas termoplásticas, exemplifica o sucesso dos plásticos de engenharia na substituição dos tanques de combustível metálicos: “Mais resistentes em razão do poder de deformação, que impede vazamentos em caso de impactos, os tanques em plástico oferecem mais segurança, têm processo de produção mais simples e de menor custo. Mais finos, ainda colaboram para a redução do peso total do veículo”.

Segundo Trentin a maioria dos modelos produzidos no País, cerca de 70%, já aposentaram os tanques metálicos. Algumas linhas de grande volume, no entanto, na faixa de modelos compactos, ainda os utilizam, mas, ele acredota, “são modelos que em suas próximas gerações passarão a utilizar tanque de plástico. Este fato certamente ampliará a demanda por essa matéria-prima nacionalmente”.

Ederson Munhoz Reis Matos, gerente de contas de polietileno da Braskem, aponta o uso crescente de plataformas globais pelos fabricantes brasileiros como outra forma de elevar, mesmo que gradativamente, o uso de plástico nos veículos brasileiros. “Atualmente os carros nacionais levam de quarenta a cinquenta quilos de polietileno e polipropileno, enquanto na Europa esse volume já é de cem quilos. Com o ingresso das plataformas globais essa participação local aumentará gradativamente, pois modelos antigos saem de linha e o novo mix traz mais plástico.”

Otimista com os novos projetos em curso, o gerente da Braskem projeta que o porcentual de plástico nos carros brasileiros dobre dos atuais 15% para 30% até 2030. “As empresas trabalham para substituir compósitos importantes e na nacionalização dos produtos ainda importados.”

A Lanxess compartilha com as projeções otimistas e estima que a demanda por plásticos de engenharia deva crescer 7% ao ano por unidade de veículo produzido até 2020. Tanto que em abril inaugurou fábrica de plásticos de alta tecnologia em Porto Feliz, SP, com investimento de R$ 62 milhões, o que ampliou sua capacidade produtiva em 20 mil toneladas/ano.

Com fábrica em Campinas, SP, e em Tortuguitas, na Argentina, a Sabic concentra no Brasil sua maior produção de resinas para termoplásticos especiais e revestimentos da América Latina. Destaca-se a substituição de vidros automotivos por plásticos, que reduzem em até 50% o peso das peças e já são utilizados em diversos mercados, segundo o diretor global de marketing automotivo da unidade Innovative Plastics da Sabic, Scott Fallon:

“Com as plataformas globais os fabricantes locais têm que atender aos mesmos altos níveis de desempenho de outras regiões. Por isso oferecemos recursos para que as montadoras cumpram essas exigências aqui”.

A empresa não revela investimentos, mas entende que sua missão é dar as mesmas condições mundiais aos clientes locais, ainda que o material para algumas aplicações seja mais caro do que o convencional. Para Fallon é preciso refazer as contas: “Muitas vezes não é considerado que as funcionalidades em peças termoplásticas podem ser incorporadas por meio da consolidação ou de um desenho que permita melhor eficiência. É uma questão de olhar para o custo de uma forma diferente, considerando o total envolvido no processo de fabricação e montagem, e não apenas do material”.

Para o executivo a indústria automotiva brasileira pode dar um salto: “Toda a estrutura produtiva foi construída em torno de materiais convencionais, como metal e vidro. E é neste momento, de busca por novas soluções, que se pode dar um novo passo: desenvolver processos de fabricação e montagem que tornariam o Brasil referência em inovação e produção”.

Compostos e resinas com cores e efeitos personalizados fornecidos pela Sabic permitem, por exemplo, eliminar operações secundárias, como pintura, reduzindo o custo do processo. “O plástico é um material maleável, moldado em formas inimagináveis, à frente de metal, vidro e outros. Como resultado as montadoras podem melhorar a aerodinâmica de seus veículos, reduzir custos em processos com integração de componentes, simplificar a montagem, eliminar a pintura e outras etapas do processo de fabricação, o que economiza energia.”

O diretor-geral da MVC, Gilmar Lima, endossa a facilidade de processamento e estética do material: “A vantagem dos componentes de plástico é seu baixo peso, aliada à possibilidade de mudar a cara do automóvel com baixo investimento. Assim, há flexibilidade de projeto”.

De acordo com o diretor da MVC, dentre os itens que têm sido substituídos pelo material estão os para choques e os revestimentos internos de teto, com foco em melhora acústica e isolamento térmico. Na média, a redução de peso, segundo Lima, é de 20%. “O plástico está em evolução e pode gerar diferencial para o cliente. Quando se utiliza plástico reciclado, então, os custos ficam ainda mais baixos, ampliando a competitividade.”