As oitocentas demissões na fábrica da Volkswagen na fábrica da Anchieta, em São Bernardo do Campo, anunciadas no começo do mês, não vão mais acontecer. Os empregos destes metalúrgicos, portanto, estão mantidos.
Após dez dias de greve a montadora e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC fecharam acordo, aprovado em assembleia na manhã da sexta-feira, 16, na porta da unidade. As atividades produtivas voltaram ao normal na própria sexta-feira.
As bases do acerto foram retrabalhadas diante daquelas rejeitadas pelos metalúrgicos em dezembro, e preveem extensão até 2019 do atual acordo, então válido até 2016, além de abertura de PDV, Programa de Demissão Voluntária, e outros tópicos. O plano prevê ainda garantia de emprego e produção de uma nova plataforma global na unidade.
Em comunicado, a montadora afirmou que vê “com satisfação a aprovação do novo acordo coletivo por seus empregados. Empresa e Sindicato retomaram as discussões nesta semana e chegaram a uma proposta balanceada que possibilitará a adequação da estrutura de custos e efetivo da unidade”.
Ainda segundo a nota da VW “o resultado contempla a continuidade dos mecanismos de adequação de efetivo por meio de programas voluntários, com incentivo financeiro, e também ‘desterceirizações’ temporárias para alocação de parte do excedente de pessoal, dentre outras medidas. Além disto, assegura a vinda de uma nova plataforma mundial de produto, solidificando as bases de um futuro sustentável para a Unidade Anchieta”.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC o acordo foi aprovado por unanimidade em assembleia que reuniu oito mil trabalhadores. “Conseguimos mudar os pontos que os companheiros não concordavam na antiga proposta e assim, contemplamos as reivindicações de todos”, afirmou o secretário-geral do Sindicato, Wagner Santana, o Wagnão.
Além da garantia de emprego até 2019 os principais pontos do novo acordo são reajuste integral da inflação incorporado ao salário para o período de 2016 a 2019 e aumento real de 2017 até 2019. Neste ano haverá reajuste da inflação e aumento real de 2%, pagos em forma de abono e antecipados já na próxima terça-feira, 20.
As cláusulas sociais também valem até 2019, segundo o sindicato, que entende que o acordo avançou em relação à proposta rejeitada no ano passado, vez que em 2016 haverá reajuste pelo INPC incorporado ao salário, enquanto que inicialmente este ocorreria como abono, além da antecipação do abono de 2015 e o complemento da PLR, Participação nos Lucros e Resultados, de 2014 conforme as novas regras.
Na prática as demissões não chegaram a ser efetivadas, vez que os oitocentos trabalhadores, informados da decisão por telegrama no fim do ano, se encontravam em licença remunerada até o início de fevereiro.
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