Ford investe US$ 1,3 bilhão para ampliar produção de motores no México

O complexo da Ford em Chihuahua, no México, receberá U$ 1,3 bilhão em investimentos para produzir até 1 milhão de motores por ano – o dobro da capacidade atual e equivalente a cerca de 10% da sua produção total no mundo.

Segundo a companhia, em comunicado divulgado à imprensa mexicana, uma nova geração de motores a gasolina será produzida na unidade, que também terá ampliadas as linhas dos propulsores I-4 e diesel.

Na segunda-feira, 27, houve a cerimônia de assentamento da pedra fundamental da nova fábrica de motores. A Ford não deu pormenores a respeito da nova geração que abastecerá mercados dos Estados Unidos, Canadá, América do Sul e a região Ásia-Pacífico.

 “Serão motores de alto rendimento e grande economia de combustível”, disse no comunicado o presidente e diretor geral da Ford no México, Gabriel López. “O investimento em Chihuahua abrirá novos horizontes, permitindo exportações para mercados onde ainda não tínhamos presença”.

O valor prevê também a ampliação da capacidade de produção dos motores I-4 e diesel, que equipam modelos comercializados nos Estados Unidos. No total serão gerados 1,8 mil postos de trabalho somados os dois projetos, de acordo com a companhia.

Em meados de abril a companhia havia anunciado US$ 2,5 bilhões de investimentos no México, para a ampliação de Chihuahua e a fabricação de transmissões em Guanajuato, que chegará a 800 mil unidades por ano.

O problema é o que vem depois

Há um ponto que emergiu no Workshop AutoData Tendências Setoriais – Caminhões, realizado na segunda-feira, 27, em São Paulo, que merece exame à parte. Trata-se da constatação de que, quando é demais, até incentivo governamental atrapalha.

Houve relativo consenso de que em parte, boa parte, a atual queda de vendas do setor superou todas as projeções e acabou alcançando proporções catastróficas porque, de tão elevados, os incentivos que existiam até o ano passado geraram fortes distorções no mercado.

E distorções tão pronunciadas que, a rigor, conforme também ficou evidente no evento, ninguém sabe mais dizer hoje, com maior dose de certeza, qual seria, afinal, o real tamanho do mercado doméstico de caminhões.

Ninguém acredita que seja tão grande quanto as 160 mil a 180 mil unidades/ano que chegaram a ser registradas em passado ainda nem tão distantes. Mas todos tem certeza, também, de que o número que agora se projeta para este ano, na casa das 80 mil a 90 mil, também é irreal, baixo demais – até porque todos se declaram convencidos de que o pior já passou e que a média diária de vendas tende a subir a partir de maio.

A verdade, conforme comentou um dos participantes do evento, deve estar em algum ponto que vai de um extremo ao outro. A questão é saber hoje qual seria, afinal, este ponto e, mais que isto, quando poderá ele ser alcançado. Em um ano? Dois?

Explica-se: para contornar a dura queda de vendas de caminhões nos dois primeiros meses do ano passado o governo manteve as linhas oficiais de crédito, em especial as ligadas ao PSI, com taxas de juros negativas e possibilidade de financiamento do valor quase que integral do bem.

Funcionou. O mercado, de fato, melhorou a partir do segundo trimestre. Mas, como agora já se sabe, esta melhora só aconteceu às custas de antecipações de compras por parte de transportadoras interessadas em não perder aquela oportunidade financeira. Neste contexto, um tanto da pronunciada queda de vendas que marca este princípio de 2015 explica-se a partir da constatação de que parte das unidades que deveriam ser vendidas agora já está no pátio das transportadoras desde meados do ano passado. Algumas ainda sem uso.

Outro tanto da queda vem a bordo das empresas transportadoras que, embora até tenham se sentido tentadas, acabaram não aproveitando, em 2014, a oportunidade dos juros negativos que foram abolidos pelo ajuste fiscal.

A questão é que não são poucos os empresários do transporte a apostar que como as vendas de caminhões estão, agora, até mais fracas do que no inicio de 2014, o governo acabará sendo obrigado a voltar às condições do ano passado. E, assim, adiam a compra.

Para colocar um pouco mais de condimento neste prato, vale ressaltar que, devidamente alimentada por tantos incentivos, a idade média das frotas das grandes transportadoras é hoje relativamente baixa, o que aumenta o fôlego para eventual adiamento das compras. No mínimo até que surjam, no horizonte, sinais bem evidentes de que a economia garantirá cargas a serem transportadas.

E há mais um pormenor: como nenhuma outra modalidade de crédito tinha como competir com os juros negativos do PSI as montadoras, seus concessionários e as próprias transportadoras têm de reaprender a trabalhar com CDCs, leasing e até consórcios. Saindo praticamente do zero. E tendo contra si, como termo de comparação, as condições financeiras utilizadas no ano passado.

Vale ressalvar que, com o ajuste fiscal, inflação alta, aumento do desemprego, projeção de PIB negativa e, de quebra, indefinições de toda ordem na área política, a queda nas vendas de caminhões neste inicio de ano seria inevitável.

É bastante provável, todavia, que sem o impacto simultâneo das distorções geradas pelo excesso de incentivos no ano passado, tudo tivesse ficado mais próximo do que estava projetado: queda suportável, na faixa de um dígito porcentual ou, no máximo, de dois dígitos baixos, não muito além dos 10%.

A dificuldade, agora, é trazer o setor de volta à sua realidade. Afinal, tal como comentou outro participante do evento, quando em excesso incentivo é como droga, tipo cocaína: gera dependência.

Pois é. E como os psiquiatras costumam dizer, o problema de se tratar um dependente de droga, seja ela qual for, é que no momento em que está sendo utilizada a vida do usuário fica uma maravilha. O problema, como aprendeu, agora, o setor automotivo, é o depois. É o que vem depois…

FCA estuda novo investimento na Argentina

A Fiat prepara um aporte na Argentina. Durante a inauguração da fábrica da Jeep em Goiana, PE, o CEO da Fiat Chrysler Automobiles, FCA, Sergio Marchionne, afirmou que haverá um investimento de “grande importância” para a unidade de Córdoba, na Argentina. As informações foram veiculadas pelo Argentina Autoblog.

Marchionne afirmou que os pormenores do investimento serão revelados em cerca de doze ou vinte meses. “Nas últimas 48 horas realizamos reuniões com a liderança da região para concluir a definição do portfólio da América Latina para os próximos anos. Tudo o que posso dizer é que haverá um produto e um investimento muito significativo para a fábrica de Córdoba”, afirmou a representantes da imprensa local o CEO em Goiana.

Recentemente Renault, Nissan e Mercedes-Benz anunciaram investimento conjunto para produzir picapes médias na Argentina. O CEO global negou que o projeto da FCA para a Argentina seja para atender este segmento – uma futura picape média da Fiat está nos planos da montadora, mas esta deverá ser produzida em Pernambuco, na mesma plataforma do Jeep Renegade.

A Argentina tem tradição na produção deste tipo de veículo: a Toyota produz ali a Hilux, a Ford a Ranger e a Volkswagen a Amarok. No Brasil são produzidas a Chevrolet S10, a Nissan Frontier e a Mitsubishi L200 Triton.

Ainda de acordo com o site argentino o Jeep Renegade fabricado em Pernambuco começará a ser comercializado na Argentina apenas em outubro. Durante a inauguração da unidade brasileira o CEO da companhia afirmou ainda que nos próximos dezoito meses dois novos modelos serão produzidos no local – o executivo não ofereceu outros pormenores, mas estes devem ser um segundo produto Jeep e a picape média Fiat.

Segundo o Argentina Autoblog o modelo Fiat é chamado internamente de Projeto 226, e representa uma picape de porte intermediário da S10 para a Strada – ou seja, similar à futura picape Renault, apresentada como o conceito Oroch –, com capacidade de carga para até uma tonelada.

Atualmente a unidade argentina da Fiat em Córdoba produz os modelos Palio e Siena, destinados especialmente àquele mercado.

Nascimento planejado

Erguer uma fábrica de automóveis em meio a um grande canavial, em região sem tradição industrial e, consequentemente, sem nenhuma base fornecedora por perto, certamente não era tarefa fácil. O desafio era imenso: tudo tinha de partir do zero.

Mas com a inauguração do Polo Automotivo Jeep, efetivada na terça-feira, 28, os envolvidos no projeto avaliam que aquilo que a princípio parecia ser uma grande desvantagem acabou tornando-se um fator competitivo. A fábrica de veículos e seu parque de fornecedores foram concebidos juntamente, um diferencial que trouxe importantes ganhos logísticos e operacionais, de acordo com Stefan Ketter, vice-presidente mundial de manufatura da FCA, Fiat Chrysler Automobiles, responsável para construção do complexo industrial pernambucano.

Da padronização do uniforme, que veste sem distinção desde o operário do chão de fábrica aos diretores e a todos os envolvidos no projeto, ao maquinário de última geração com uso intensivo de robôs, o novo polo de Goiana, PE, é realmente inovador.

Seu parque de fornecedores é formado por dezesseis empresas que ocupam doze edifícios em área total construída de 270 mil m², responsáveis por dezessete linhas estratégicas que respondem por 40% da demanda de componentes.

O SUV compacto tem hoje 70% de nacionalização, índice que chegará a 80% dentro dos próximos meses. Os demais componentes vêm principalmente de Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco. Para integrarem-se ao parque os sistemistas tiveram de cumprir uma série de exigências, dentre as quais a compra de maquinário novo.

Ao fim o investimento total foi superior a R$ 2 bilhões, dos quais R$ 1 bilhão da FCA em obras civis e suporte de infraestrutura do parque de fornecedores, e mais de R$ 1,1 bilhão dos sistemistas em equipamentos. As obras começaram em janeiro de 2014 e as empresas fornecedoras iniciaram a pré-produção em Goiana no início do primeiro trimestre deste ano.

Atualmente o parque emprega 2,3 mil trabalhadores, número que até o fim deste ano – quando a produção estiver em ritmo pleno – atingirá 3,2 mil pessoas. A meta é produzir componentes ao ritmo de 30 veículos/hora, com projeção de chegar aos 45/hora ainda neste semestre.

De acordo com o diretor de gestão de projetos estratégicos da FCA, Antônio Damião, a estruturação do parque de fornecedores envolveu processo totalmente inédito:

“Ao contrário de como costuma ocorrer, primeiro foram definidas as linhas estratégicas de produtos e seus respectivos processos. Só depois partimos para a escolha dos fornecedores, elencando dezesseis dentre 29 candidatos, definindo na sequência e, em conjunto com os eleitos, os fluxos logísticos e leiautes para dimensionar seu tamanho”.

Dos cerca de dois mil novos itens que serão demandados pela montadora 450 serão fornecidos a partir do parque de fornecedores, o que representa, segundo Damião, “fluxo anual de mais de 27 milhões de operações logísticas do Supplier Park para a nova planta”.

CONDOMÍNIO – Como forma de garantir a harmonia do polo algumas áreas como relações trabalhistas, alimentação, segurança e assuntos legais são comuns. Um item inovador em todo esse processo foi a de uniformização dos funcionários: todos têm a mesma vestimenta, sendo impossível identificar nas linhas quem é operário ou engenheiro, por exemplo, apenas pela roupa.

Na fábrica do Jeep Renegade todos vestem calça e camisa polo na cor cinza, com um acabamento em branco com destaque para o logotipo Jeep. A proposta estende-se aos funcionários do parque dos fornecedores, que também se vestem de cinza – só que com o complemento de outras cores em substituição ao branco, na parte superior da blusa. No caso da Pirelli, por exemplo, é o vermelho, em outro fornecedor o azul ou verde e assim por diante.

MÃO DE OBRA – Assim como a FCA também os fornecedores têm priorizado a contratação de mão de obra local. Muitos dos contratados fizeram estágios nos países-sede das empresas para compartilhar conhecimento dentro das fábricas. De acordo com Alfredo Fernandes, diretor do parque de fornecedores, 63% da mão de obra local é de pessoas do Nordeste, a maioria de Pernambuco e da Paraíba, neste caso principalmente João Pessoa.

A previsão é a de que até 2016 os sistemistas empregarão perto de 5 mil funcionários.

Na fábrica da Jeep as mulheres respondem por 16% da força de trabalho, índice que chega a 24% nos fornecedores. Dentre as empresas que têm maior participação das mulheres a Lear mostra a forte presença delas na área de costura dos bancos. Além de entregarem peças e conjuntos diretamente para a fábrica do Renegade alguns sistemistas também têm intercâmbio de componentes.

Dentre as doze empresas presentes no parque estão a Adler Pelzer [componentes de acabamento interno e de isolamento acústico], Brose [sistemas das portas], Denso [sistemas térmicos], Lear [bancos], Pirelli [pneus], PMC [conjuntos soldados estruturais de chassis e das estruturas dos bancos], Revestcoat [tintas], Saint-Gobain [vidros] e Tiberina [conjuntos soldados estruturais de chassis].

As demais unidades produtivas, num total de dezesseis, são do Grupo Magnetti Marelli: MMH PCMA [soldagem e montagem de sistemas de produção, tanques plásticos, montagem do conjunto de pedais e sequenciamento do sistema de exaustão], MMH Suspension Assembly, MMH Suspension Welding, MM Stamping [estampagem de componentes estruturais e de suspensão] e MM Welding [soldagem de subchassi], além das joint ventures com a Faurecia [FMM] e com a Sole Prima [SPMM].

Michelin produzirá marca 25% mais barata no País

A Michelin trará uma nova marca de pneus radiais para ônibus e caminhões ao Brasil e aposta em preços 25% menores para atrair consumidores. A BFGoodrich, braço estadunidense da companhia de origem francesa, chega para tentar ganhar espaço fora do mercado premium, onde a Michelin continuará atuando.

A linha de pneus, que conta com três produtos, será importada da Polônia em um primeiro momento. Mas, de acordo com Feliciano Almeida, diretor de marketing e vendas de pneus de caminhão e ônibus da Michelin para América do Sul, a partir do segundo semestre dois modelos serão produzidos na fábrica de Campo Grande, RJ.

“Nos últimos anos preparamos a unidade da Michelin para fabricar a nova marca. Não precisaremos contratar mais funcionários, pois eles foram chamados gradativamente nos últimos meses para serem treinados. Desta forma ganharemos flexibilidade na unidade, o que é importante em momentos de retração do mercado como o que estamos passando.”

Ao menos no início a produção brasileira servirá para abastecer apenas o mercado local. “As exportações para a América Latina não estão nos planos por enquanto, uma vez que as configurações e tamanhos são diferentes.”

Almeida afirmou que o investimento para nacionalizar a marca BFGoodrich e produzir os pneus em solo nacional está dentro do pacote de € 1 bilhão anunciado pela Michelin para o Brasil no período de 2011 a 2016.

Segundo o executivo o principal chamariz para a nova marca está nos menores preços em relação aos Michelin. “Queremos atrair novos clientes, que podem usar a BFGoodrich como porta de entrada e acabar migrando para a Michelin em um segundo momento.”

Almeida afirmou que a maior parte dos novos clientes devem ser transportadores autônomos e frotistas pequenos e médios, que buscam produto com bom desempenho aliado a um baixo valor inicial. O executivo não revelou a durabilidade dos produtos e disse que a empresa ainda não realizou testes no Brasil.

“A BFGoodrich é conhecida por ser uma marca tradicional em competições. Nosso objetivo é trazer esse boa desempenho para os desafios das estradas brasileiras.”

Marchionne confirma mais dois produtos para Goiana

O CEO da Fiat Chrysler Automobiles, Sergio Marchionne, confirmou durante a cerimônia de inauguração do Polo Automotivo Jeep em Goiana, PE, na terça-feira, 28, que a fábrica receberá dois novos produtos nos próximos dezoito meses: um segundo da marca Jeep, que fará companhia ao Renegade, e um com emblema Fiat.

Ainda que o executivo não tenha oferecido outros pormenores sobre os novos produtos, sabe-se que serão dois utilitários. “Goiana não concorrerá com Betim [fábrica da Fiat em Minas Gerais] em produtos. A unidade de Pernambuco produzirá sempre produtos de segmentos superiores, que não têm sofrido tanto com o recuo do mercado.”

Questionado sobre a forte participação de bancos estatais no financiamento da obra, o executivo não perdeu a chance de rebater qualquer insinuação a benevolências oficiais em excesso: “O dinheiro do financiamento do governo federal tem juros, e estes serão pagos” – de acordo com discurso da presidenta Dilma Rousseff na cerimônia de inauguração da fábrica, foram concedidos créditos de PIS e Cofins até 2020. Segundo Marchionne, a FCA bancou diretamente de 20% a 25% do total investido em Goiana.

O executivo entende, quanto ao atual momento econômico do País, que “o Brasil superou como nenhum outro país a crise mundial de 2008 e 2009. Era momento de ajustes e portanto o mundo saberá aguardar o Brasil agora. Os brasileiros precisam se manter calmos, porque o País tem um grande potencial”.

Cledorvino Belini, presidente da FCA para a América Latina, acrescentou ver alguma possibilidade de recuperação do mercado interno no ultimo trimestre: “Tudo dependerá do aumento do índice de confiança do consumidor”. Caso ocorra, estimou, o índice de queda do ano poderá ser inferior ao estimado hoje – de 13%, no caso da Anfavea.

O CEO global, entretanto, lembrou que “as condições de exportação do Brasil não permitem grandes sonhos”. Para ele, “a competitividade é prejudicada por questões tributárias, como impostos embutidos não recompensáveis no momento dos embarques”.

Durante a inauguração Marchionne comemorou os recentes números da Jeep em termos globais: as vendas cresceram 22% no primeiro trimestre, em boa parte graças aos resultados do Renegade na Europa. O CEO recordou que até o fim do ano mais uma fábrica da marca será inaugurada, desta vez na China, para produção de dois modelos. A capacidade total da unidade brasileira é de 250 mil unidades, mas segundo Stefan Ketter, VP mundial de manufatura da FCA e responsável pela construção de Goiana, há espaço físico suficiente para uma expansão a até 600 mil unidades/ano.

Quanto a possíveis negociações globais da FCA com a PSA Peugeot Citroën, Marchionne disse apenas que estudos são frequentes e que sempre têm como diretriz a rentabilidade. E aproveitou a oportunidade para brincar: “O fato do Carlos Tavares [CEO global da PSA] falar português pode ser uma vantagem”.

Sindipeças participa da Automechanika Johannesburg

Pela primeira vez o Sindipeças participará da Automechanika Johannesburg, mostra de autopeças da principal cidade da África do Sul. Um estande coletivo reunirá 21 empresas brasileiras que buscam oportunidades naquele país – e no continente africano – durante o evento que ocorrerá de 6 a 9 de maio, no Pavilhão 6 do Johannesburg Expo Centre.

Segundo Antônio Carlos Bento, conselheiro do Sindipeças responsável pela área de Feiras e Eventos, a mostra em Jo’burg é uma vitrine para a África do Sul e os demais países da região. Em nota, ele afirma que os expositores poderão encontrar clientes, prospectar novos compradores e observar tendências para o setor.

“Por isso decidimos participar pela primeira vez. O mercado externo é muito importante para o nosso setor e estamos em um momento favorável ao fomento das exportações, em virtude do desaquecimento do consumo doméstico e da desvalorização cambial”.

A última edição, em 2013, recebeu 10,6 mil visitantes durante os quatro dias. Foram 643 expositores de 23 países diferentes.

De acordo com a Naamsa, a associação das montadoras da África do Sul, no primeiro trimestre foram vendidos 113,3 mil veículos no país, queda de 29% com relação a igual período de 2014.

No ano passado os sul-africanos consumiram 644,5 mil unidades, 1% abaixo do volume comercializado em 2013, de acordo com dados da Oica, organização global que representa as associações de montadoras nacionais. A produção cresceu 3,7%, para 566,1 mil veículos.

O mercado é o mais relevante do continente africano, com quase o dobro do volume do segundo – o Egito, que encerrou o ano passado com 350 mil unidades consumidas.

O estande coletivo do Sindipeças na feira será composto pela ABR, Autolinea, Autotravi-Metalmatrix, Chiptronic, Controil, Duroline, Farj, Fras-le, Fremax, Frum, Fundição Batatais, Master Power, Reserplastic, Riosulense, Sampel, Schadek, Suporte Rei, Suspensys, Tecfil, Univel e Urba-Brosol.

A participação brasileira é coordenada pelo programa Brasil Auto Parts, uma parceria do Sindipeças com a Apex-Brasil. Iniciativa semelhante ocorrerá um mês depois, quando autopeças brasileiras participarão de feira na Colômbia.

Inaugurado o Polo Automotivo Jeep de Goiana, Pernambuco

Com a presença da presidenta da República Dilma Rousseff e de vários governadores do Nordeste, além de Sérgio Marchionne, CEO mundial da Fiat Chrysler Automobiles, a FCA, e John Elkann, presidente do conselho do sétimo maior conglomerado automotivo do mundo, foi inaugurada na terça-feira, 28, a unidade fabril de Goiana, Pernambuco. O evento reuniu cerca de dois mil convidados e apenas formalizou o que já aconteceu, de fato, há cerca de dois meses, mais precisamente em 19 de fevereiro: o íniciou de produção do Jeep Renegade, primeiro modelo a sair da linha de montagem.

O complexo, batizado de Polo Automotivo Jeep, ocupa mais de 500 mil metros quadrados de área de construída e, além de fábrica de veículos, abriga dezesseis fornecedores. Tem capacidade produtiva de 250 mil unidades anuais e consumiu  investimentos de R$ 7 bilhões, dos quais R$ 3 bilhões na fábrica Jeep, R$ 2 bilhões no parque de fornecedores e o restante em desenvolvimento de produtos. Contará com cerca de 9 mil funcionários até o fim do ano, 3,3 mil deles na fábrica de veículos e o restante nos fornecedores e serviços comuns.

De mãos dadas a presidenta, juntamente aos executivos e autoridades, acionou simbolicamente as gigantescas prensas, marcando o ato da inauguração. Em seu discurso, enfatizou a importância do complexo industrial para a economia do Estado e da região e o papel do governo federal no financiamento do novo polo – o custo total do projeto, afirmou Dilma, supera os R$ 10 bilhões, incluindo obras de infraestrutura na região, sendo que dois terços deste valor foram financiados pelo BNDES, Banco do Brasil e Banco de Desenvolvimento do Nordeste. 

A presidenta da República aproveitou a solenidade para anunciar que na segunda-feira, 27, foi aprovada a licença prévia ambiental que permitirá ao governo federal, finalmente, abrir licitação para o trecho rodoviário da BR-101 que circundará a região metropolitana de Recife e ligará o Norte do Estado, onde está o polo Jeep, até o porto de Suape, de onde os veículos serão embarcados para mercados internos e exportação.

Até a conclusão da obra, ainda sem data definida, os modelos produzidos pela FCA em Goiana seguirão em cegonheiras por longo trecho urbano, o que dificulda a logística. O transporte das primeiras unidades tem sido feito apenas no período noturno, em função do grande tráfego na região de Olinda, Paulista e Abreu e Lima, municípios da Grande Recife.

A FCA tem mais dois veículos para entrar em produção na nova fábrica até o fim de 2016. Além do SUV compacto, cujas vendas começaram há poucos dias, sairão de Goiana ainda este ano uma inédita picape média Fiat – já vista inclusive rodando nos arredores da fábrica pernambucana durante o evento – e, no ano que vem, outro modelo Jeep. Oficialmente, contudo, a montadora não confirma quais serão os veículos.

“Este foi também o projeto mais complexo já feito na história da companhia, considerando o objetivo de construir não somente uma fábrica de automóveis, mas de incluir em seu perímetro um parque de fornecedores de classe mundial”, afirmou Stefan Ketter, vice-presidente mundial de manufatura da FCA, que coordenou o projeto e a construção do complexo.

O Renegade já sai da linha com índice de nacionalização de mais de 70%. Nos próximos meses, diz a FCA, esse índice de localização deve superar 80%, porcentual que será perseguido também nos demais veículos a serem fabricados em Pernambuco. Apenas os fornecedores internos ao perímetro da fábrica já fornecem cerca de  40% dos conteúdos. Os demais têm origem em São Paulo, Minas Gerais e outros Estados – os investimentos no parque de fornecedores foram compartilhados com a FCA. A empresa investiu R$ 1 bilhão em obras civis e utilidades e os fornecedores mais R$ 1 bilhão em equipamentos.

Quatro modelos brigam pela liderança de vendas em abril

A disputa pela liderança de vendas por modelo em abril no mercado brasileiro está acirradíssima: nada menos do que quatro modelos disputam diretamente a ponta do ranking – e somente cerca de duzentas unidades separam o primeiro do quarto colocado até a segunda-feira, 27, restando três dias úteis até o fechamento definitivo do mês, da terça, 28, à quinta, 30.

O Hyundai HB20 ainda é o ponteiro no período, repetindo o resultado da primeira quinzena. O hatch da montadora de origem sul-coreana registra, até o dia 27, 7,3 mil emplacamentos de acordo com dados preliminares do Renavam obtidos pela Agência AutoData.

Mas o modelo vê rivais diretos muito próximos: os Fiat Palio e Strada somam, no mesmo período, 7,1 mil emplacamentos cada, idêntico resultado do Chevrolet Onix. Assim, qualquer um deles pode encerrar o mês à frente – o que para os modelos da Hyundai e da GM representaria um feito inédito.

Ao término da primeira metade do mês o HB20 acumulava quatrocentas unidades de vantagem para o Onix e quinhentas para o Palio e a Strada.

Bem distante da disputa está o VW Gol, que aos poucos se recupera no ranking dos mais vendidos, em quinto com 6,2 mil. Completam os dez primeiros o Uno, com 6,1 mil, Ka, 5,9 mil, Corolla, 4,8 mil, Prisma, 4,7 mil, e Sandero, também com 4,7 mil.

Mais uma vez destaque para o Honda HR-V, que no primeiro mês cheio de comercialização já soma 4 mil emplacamentos no período, o que lhe confere a 13ª. posição no geral. Além de registrar número bem acima dos concorrentes diretos – ainda que seja muito cedo para análise mais aprofundada de seu desempenho comercial –, seu volume é superior ao de modelos bem mais baratos, como Fiat Siena, 3,9 mil, Hyundai HB20S e VW Voyage, 3,7 mil, e VW Up!, 3,2 mil. O SUV compacto será certamente o Honda mais vendido de abril, pois o Fit, modelo da marca mais próximo na tabela, registra até a última segunda-feira 2,8 mil emplacamentos.