Novos modelos da FCA impulsionam negócios da Styrolution no Brasil

Além das dezesseis empresas que formam o parque de fornecedores da Jeep em Goiana, PE, dezenas de outras companhias pegaram carona nos negócios gerados pela instalação da montadora no País. A fabricante alemã de plásticos Styrolution foi uma delas: segundo Paulo Motta, diretor de Negócios na América do Sul, a Styrolution também será fornecedora dos novos modelos fabricados em solo pernambucano.

Atualmente a Styrolution é a fornecedora exclusiva de matérias primas para a produção de espelhos retrovisores e revestimentos de colunas do Jeep Renegade.

“Estamos desenvolvendo novos produtos para os futuros modelos que sairão de Goiana. Isso deve impulsionar nossos negócios no País, que não foram abalados pela queda nas vendas de veículos justamente pela chegada de novos modelos e novos contratos de fornecimento.”

Durante a inauguração da fábrica da Jeep, na última semana, o CEO da Fiat Chrysler Automobiles, Sergio Marchionne, confirmou que a fábrica receberá dois novos produtos nos próximos dezoito meses – ainda que o executivo não tenha oferecido outros pormenores sobre os novos produtos, sabe-se que serão dois utilitários, provavelmente um segundo da marca Jeep, que fará companhia ao Renegade, e um com emblema Fiat.

Motta disse ainda que a competitividade da indústria automotiva é um dos pontos explorados para gerar crescimento. “Por uma questão de competição as montadoras estão encurtando os ciclos de renovação. O facelifit tem ampliado os negócios, uma vez que nossos principais clientes fabricam produtos ligados diretamente à identidade visual, como grades frontais.”

Além disso, uma nova área de atuação está sendo explorada pela empresa: o segmento de ônibus e caminhões. Durante a Feiplastic 2015, que acontece até 8 de maio no Pavilhão de Exposições do Parque Anhembi, em São Paulo,  a empresa apresenta o Terblend N, uma mistura de poliamida e ABS, que oferece absorção acústica para aplicações de interiores e uma chapa de extrusão para a guarnição interna de ônibus e caminhões.

Os produtos comercializados pela Styrolution no País são importados de unidades fabris da companhia no México, Estados Unidos e Europa. Ao todo a companhia possui 15 fábricas em nove países e emprega cerca de 3,1 mil pessoas. “Nossa equipe comercial brasileira trabalha integrada com as unidades no mundo todo”.

A construção de uma fábrica da Styrolution no Brasil está em estudos. Segundo o executivo há “um projeto em andamento, mas que ainda não tem data de conclusão”.

Em outubro de 2013 a Braskem e a Styrolution assinaram um memorando de entendimento para avaliar a formação de uma joint venture no Brasil e construir uma unidade com capacidade de produção de 100 mil toneladas por ano de elementos presentes na composição de eletrodomésticos e automóveis para atender o Brasil e a América do Sul. A consumação da joint venture ainda está sujeita a aprovações regulatórias e concorrenciais.

Ainda de acordo com o executivo a indústria automotiva responde por 25% do faturamento da companhia no Brasil e por 12% do montante mundial. “É um mercado estratégico para nós.”

Volkswagen concede férias coletivas em São Bernardo do Campo

Uma nova medida para adequar a produção ao atual ritmo de venda de veículos foi adotada na fábrica da Volkswagen de São Bernardo do Campo, SP. Segundo informações do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC oito mil trabalhadores da unidade ficarão em férias coletivas por dez dias corridos: a partir de segunda-feira, 4, e até 13 de maio.

A fábrica emprega cerca de 13 mil funcionários, mas apenas a área produtiva será afastada nesse período. O sindicato informou ainda que os trabalhadores foram notificados sobre as férias coletivas há cerca de dez dias.

Procurada, a Volkswagen não se manifestou até o fim da tarde da segunda-feira, 4. O porta-voz do sindicato afirmou que a empresa alegou necessidade de controle dos estoques.

Todos os trabalhadores da unidade da Anchieta possuem estabilidade no emprego até 2018, depois de acordo da montadora firmado com o sindicato no início deste ano.

A Volkswagen também adotou medidas de adequação da produção, como lay-off, em duas outras unidades do País: São José dos Pinhais, PR, e Taubaté, SP.

Chery – A greve da Chery em Jacareí, SP, chegou ao 29º. dia na segunda-feira, 4. Depois de uma audiência de conciliação sem sucesso realizada no TRT de Campinas, SP, na última semana, a montadora e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos ainda aguardam a data de um julgamento da paralisação pelo tribunal.

Em comunicado o sindicato informou que cerca de 600 unidades do modelo Celer já deixaram de ser fabricadas durante a greve e afirmou que nos próximos dias lançará uma campanha nacional de solidariedade para formar um fundo de greve destinado aos metalúrgicos da Chery.

O sindicato afirmou que entrou com pedido de liminar, no TRT, para garantir o pagamento de salários aos trabalhadores em greve.

Vendas caíram 25% em abril no comparativo anual

O mercado em abril ficou mais próximo das projeções pessimistas do que das estimativas otimistas traçadas pelos varejistas para o mês. Segundo dados preliminares do Renavam obtidos pela Agência AutoData foram licenciados 219,2 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mês passado, volume 25,2% inferior ao do mesmo período do ano passado, quando o mercado chegou a 293,2 mil unidades.

Fonte do varejo consultada pela reportagem afirmou na semana passada que os lojistas estimavam de 220 mil a 225 mil emplacamentos. O número final ficou, portanto, um pouco abaixo do estimado.

Com relação a março o mercado recuou 6,6%: naquele mês foram emplacados 234,7 mil veículos, o segundo maior volume do ano. Apenas janeiro registrou dados superiores, com 253,8 mil unidades comercializadas.

O ponto positivo foi o retorno da média diária de vendas para as 10,9 mil unidades, mesmo índice de fevereiro. Em março essa média havia caído para 10,6 mil veículos. Ainda assim, ficou abaixo das 12 mil unidades registradas em janeiro. Os varejistas, de qualquer forma, consideraram positivo o resultado de abril, que mesmo com dois feriados registrou curva ascendente da média diária, tomando-se do início ao fim do mês.

A comparação do primeiro quadrimestre deste ano com os quatro primeiros meses do ano passado indica déficit de 19,2% nas vendas de 2015, com 893,5 mil unidades. Há um ano os brasileiros consumiram 1,1 milhão de veículos.

Assim a queda se acentuou com relação ao primeiro trimestre, que registrou retração de 17%.

A Fiat segue na liderança do mercado brasileiro, seguida por General Motors e Volkswagen – posições registradas tanto em abril quanto no acumulado do ano. Chamou a atenção no período a sexta posição alcançada pela Toyota, ultrapassando a Renault, ainda que por apenas algumas dezenas de unidades – no acumulado do ano a francesa ainda ocupa o posto, com cerca de três mil veículos a mais. Enquanto isso a Hyundai se solidificou como a quinta mais vendida no quadrimestre.

De acordo com os dados preliminares obtidos pela reportagem as vendas diretas foram responsáveis por 30% do total licenciado no mês. Ainda que estável ante abril de 2014, o índice representa crescimento perante os meses de janeiro, fevereiro e março. A média do quadrimestre ficou em 26% para os negócios fechados via modalidade direta.

Os dados oficiais de licenciamentos e o balanço do quadrimestre serão divulgados pela Fenabrave na manhã de terça-feira, 5, com cobertura completa da reportagem da Agência AutoData de Notícias.

Apenas duzentas unidades separaram líder do quarto colocado em abril

Abril terminou como um dos meses mais acirrados em termos de disputa pela liderança do ranking dos modelos mais vendidos de todos os tempos: nada menos do que quatro veículos de três montadoras brigaram unidade a unidade até o último dia útil do período, a quinta-feira, 30. E ao fim um velho conhecido sagrou-se campeão: o Fiat Palio.

A vitória do hatch compacto da Fiat – considerando-se suas duas versões de carroceria em oferta no mercado –, entretanto, foi apertadíssima: com 8 mil 841 emplacamentos, ficou somente 58 unidades à frente do Chevrolet Onix, com 8 mil 783, assim o vice em abril.

Os números do Renavam foram divulgados pela Agência AutoInforme na sexta-feira, 1º de maio. A Fenabrave fará a revelação oficial dos índices na terça-feira, 5.

A três dias do fechamento o Palio estava empatado com o Onix e perdia por 200 unidades para o HB20. O Hyundai, que liderou a maior parte do mês, perdeu a ponta na reta final e encerrou abril em terceiro, com 8 mil 753, a apenas trinta unidades do Onix e a 88 do Palio.

Fechando a empolgante disputa ficou a líder de março, Strada, em quarto com 8 mil 598: diferença de 155 unidades para o HB20, de 185 para o Onix e de 243 para o Palio.

Como referência, a média diária de vendas do Palio em abril foi de 442 unidades e, da Strada, 430. Ou seja: considerando-se o horário comercial de funcionamento regular de uma concessionária, em todo o mês o Palio venceu o quarto colocado por algo como uma tarde a mais de vendas.

Fecharam os dez primeiros de abril o Uno, 8 mil 14, Ford Ka, 7 mil 845, VW Gol, 7 mil 525, Renault Sandero, 7 mil 238, VW Fox, 5 mil 927, e Chevrolet Prisma, 5 mil 771, sempre de acordo com os dados da Agência AutoInforme.

Quem teve um mês muito bom foi o Toyota Corolla, em décimo-primeiro com 5 mil 760. Foi seguido pela VW Saveiro, com 5 mil 426, e pelo Honda HR-V, com um excepcional desempenho em seu primeiro mês de vendas, com 4 mil 958 emplacamentos, suficiente para lhe dar a décima-terceira posição de abril. Foi melhor que o Fiat Siena, 4 mil 793, e que o Hyundai HB20S, que fechou os 15 primeiros com 4 mil 419.

Dentro dos SUVs compactos o lançamento da Honda desbancou com facilidade seus rivais diretos, o Ford EcoSport, 24º. em abril com 2 mil 290, e o Renault Duster, com 2 mil 893. O Jeep Renegade registrou seus primeiros 575 emplacamentos no mês passado, e o Peugeot 2008, outra novidade desta faixa, estreou suas primeiras 181 unidades licenciadas.

Dois compactos que comumente ocupavam posições altas no ranking tiveram resultado fraco em abril: o VW Up!, que chegou a frequentar os dez mais em março, foi o 18º. com 3 mil 725 unidades emplacadas, enquanto o Ford Fiesta hatch registrou a 20ª. colocação, com 3 mil 401. Os dois ficaram à frente do Toyota Etios hatch, 22º. com 3 mil 179.

Setor automotivo é beneficiado em nova lista de ex-tarifários

Resolução publicada pela Camex, Câmara do Comércio Exterior, no Diário Oficial da União de quinta-feira, 30, reduz de 14%  para 2% a alíquota de importação de 177 bens de capital até 31 de dezembro  de 2016. Desses, 158 são referentes a novos pedidos e 19 são renovações.

Os itens, agora incluídos no regime de ex-tarifários, não possuem similar nacional e por isso podem agora fazer uso do benefício fiscal.

Em comunicado o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o MDIC, afirmou que os ex-tarifários incentivarão investimentos de US$ 1,9 bilhão no País. A aquisição de equipamentos importados deverá custar ao todo US$ 186 milhões.

O setor automotivo foi o segundo maior beneficiado na nova lista, com 31,3% do montante de investimentos, perdendo apenas para construção civil, com 46,3%. Na sequência aparecem os setores de energia, com 5,4%, cerâmica, 2,6%, bens de capital, 2,4%, autopeças, 1,68%, siderúrgico 1,4%, madeira e móveis, 1,1% e outros, com 3,2%.

Segundo o comunicado do MDIC dentro do setor automotivo os projetos beneficiados diretamente serão “aumento da capacidade produtiva de motores em Minas Gerais” e também o “fornecimento de linha de produção para a fabricação de peças estampadas de carrocerias de veículos no Paraná”.

Como exemplo, foi concedido benefício para “equipamentos geradores de vácuo pneumático, dotados de acumulador e sistema especial de sucção com cilindros plásticos com finalidade de garantir a não deformação de peças durante o processo de dobradura feito por robôs na linha de montagem de componentes de veículos”.

Um porta-voz do MDIC afirmou à Agência AutoData que não há pormenores sobre as empresas que farão uso dos benefícios e ressaltou que a lista é baseada em produtos sem similares nacionais e não nas companhias interessadas na aquisição.

Os produtos importados virão principalmente da Alemanha, Estados Unidos, Itália e Japão. Mas Áustria, Holanda, Taiwan, Coreia do Sul e Espanha também enviarão remessas ao País, de acordo com o MDIC.

Audiência termina sem acordo e greve na Chery completa 25 dias

Terminou sem acordo a audiência de conciliação da Chery com o Sindicato dos Trabalhadores de São José dos Campos realizada na quinta-feira, 30, no TRT da 15ª região, em Campinas, SP.

Com isso, a greve na unidade de Jacareí, SP, completou 25 dias. A unidade responsável pela produção do modelo Celer produz cerca de 25 unidades por dia e emprega 450 trabalhadores.

Em nota, a montadora afirmou que solicitou o novo encontro por estar empenhada em resolver a questão “o mais rápido possível”. No comunicado a empresa afirma que ofereceu reajuste de 54,3% no salário-base, que passaria a ser de R$ 1 mil 850, “valor já aprovado pelos funcionários durante assembleia realizada no último dia 27”.

Como contrapartida a Chery negociava o encerramento da paralisação, com compensação parcial dos dias paralisados no decorrer deste ano. “Os demais pontos reivindicados pelo sindicato seguiriam em negociação”, afirmou a montadora.

O comunicado da Chery considerou que “o sindicato manteve a postura intransigente e mostrou-se mais preocupado em enfatizar seu posicionamento contrário à terceirização, tema alvo de discussões no Congresso e na mídia nacional. Diante disso, a Chery lamenta e fica no aguardo da decisão do TRT”.

O sindicato, por meio de porta-voz, informou que as reivindicações incluem 32 pontos e não apenas o piso salarial. Segundo os representantes dos trabalhadores há necessidade de melhoria nas condições de segurança e alimentação na fábrica, dentre outros pontos citados como críticos pelos metalúrgicos.

Diante da discordância das partes o TRT julgará a greve, em data ainda a ser definida.

Secretaria da Saúde do Piauí compra 30 ônibus Volkswagen

Trinta chassis de ônibus VW Volksbus 9.160 serão responsáveis pelo transporte gratuito de pacientes a serviços médicos no Estado do Piauí. Os modelos farão o transporte a hospitais e postos de saúde públicos de Teresina e de outras cidades próximas para tratamentos de média e alta complexidade.

A estimativa é de que 1,5 milhão de pessoas de mais de 40 municípios sejam beneficiados – em alguns casos a viagem para atendimento médico no Piauí chega a 300 quilômetros.

Os veículos foram adquiridos pela Secretaria de Estado da Saúde do Piauí por meio do QualiSUS, projeto do Governo Federal de qualificação e atenção à saúde, com apoio do Ministério da Saúde e recursos do Banco Mundial.

Com 26 lugares e poltronas reclináveis e ar-condicionado, os veículos passam pelas cidades atendidas e buscam os pacientes em suas casas.

A entrega dos modelos foi realizada pelo Grupo Mônaco, concessionário da MAN Latin America no Piauí, que também fará o atendimento da frota.

Antônio Cammarosano, diretor de vendas nacionais da MAN Latin America, destaca que “o compromisso é entregar veículos de qualidade e também atender demandas que beneficiem a população”.

Quadrimestre confirma retorno aos níveis de 2009

Pela primeira vez desde 2009 o mercado brasileiro de autoveículos não alcançará a marca de 1 milhão de unidades vendidas nos primeiros quatro meses do ano. Segundo as projeções dos varejistas, sequer chegará a 900 mil veículos – ficará muito próximo, porém, retornando aos níveis de seis anos atrás, mantendo a trajetória do trimestre.

A um dia do encerramento do mês as vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus em abril somavam 209,6 mil unidades, de acordo com dados preliminares do Renavam obtidos pela Agência AutoData. Em média foram emplacados pouco mais de 11 mil veículos por dia útil.

Fonte do varejo consultada pela reportagem projeta de 11 mil a 16 mil licenciamentos na quinta-feira, 30, último dia útil, fazendo com que abril feche com 220 mil a 225 mil emplacamentos, em torno de 24% abaixo das 293 mil unidades comercializadas no mesmo mês do ano passado. Na comparação com março, de dois dias úteis a mais – 22 a 20 – o resultado será próximo de retração de 5%.

Na mais otimista das projeções, de 225 mil unidades, as vendas alcançariam 899,3 mil unidades. Em 2009, última vez que o mercado brasileiro ficou abaixo de 1 milhão de veículos no primeiro quadrimestre, as vendas chegaram a 902,7 mil unidades.

Alcançado este resultado projetado pelos varejistas, os brasileiros consumiriam de janeiro a abril 19% menos veículos do que em igual período do ano passado – que teve 1,1 milhão de licenciamentos. A queda se agrava quando comparado com o primeiro trimestre, em que as vendas retraíram 17% com relação ao período de janeiro a março do ano passado.

Mas no meio de tantos dados negativos, a média diária aponta para o lado oposto. Em fevereiro estava em 10,9 mil unidades, caiu para 10,6 mil veículos no mês passado e deverá fechar abril acima de 11 mil veículos. O fato aponta indício de recuperação, mesmo que ligeira, a partir de maio, confirmando panorama observado na primeira quinzena de abril.

Os dados oficiais da Fenabrave serão divulgados apenas na terça-feira, 5 de maio.

A logística das idas e vindas

Estruturar o recebimento de peças que vêm de outros Estados brasileiros e também do Exterior de modo a não prejudicar a produção e nem acumular estoques foi um dos grandes desafios no processo de instalação do Polo Automotivo Jeep em Goiana, PE, inaugurado oficialmente na terça-feira, 28.

Assim como também não foi tarefa simples organizar a distribuição dos veículos produzidos em Pernambuco para todo o restante do País.

Para esses trabalhos a FCA, Fiat Chrysler Automobiles, criou duas bases: a primeira em São Paulo, que recebe e distribui as peças, e a segunda em Betim, Minas Gerais, que centraliza a distribuição de veículos para o Centro-Sul do País. Os galpões estratégicos para as autopeças, chamados de cross-docks, estão distantes de Goiana em 2,1 mil quilômetros, no caso de Betim, e 2,8 mil quilômetros, em São Paulo.

“A grande maioria dos fornecedores Jeep estão instalados nas regiões Sul e Sudeste. Os caminhões menores sairão carregados dessas empresas e deixarão as peças e componentes nos cross-docks, os responsáveis por reorganizar o material em veículos de maior capacidade”, explica Mauricélio Faria, gerente de logística e distribuição da FCA para a América Latina.

“São estes, em menor número, que farão o transporte das peças para Goiana.”

Segundo o executivo essa operação reduzirá o volume de caminhões nas estradas e as viagens de idas e vindas de Goiana para outros Estados. Há ainda os fornecedores do parque anexo à fábrica da Jeep, que farão a distribuição just-in-time para o Centro de Distribuição de Carga, um galpão de 54 mil m² construído ao lado da unidade.

Ali as peças chegam na mesma ordem em que serão utilizadas na linha da Jeep.

“Esse modelo contribui na redução do estoque de peças, diminui as movimentações internas e, por consequência, o risco de danos aos materiais. É um modelo bem mais eficiente do que o tradicional.”

Também de modo a aproveitar ao máximo a capacidade de transporte de cargas dos caminhões foi estruturada a operação logística de distribuição dos veículos. Quando estiver a todo o vapor a fábrica da Jeep terá capacidade para produzir 250 mil veículos, dos quais 80% terão como destino os Estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

AO CONSUMIDOR – A base de distribuição para as concessionárias dessas regiões será a fábrica de Betim. Os caminhões-cegonha sairão de lá com modelos Fiat para distribuição no Norte e Nordeste e voltarão com os Jeep, aumentando assim a eficiência dos carregamentos.

 “A Fiat vende em torno de 700 mil a 800 mil unidades por ano, das quais cerca de 20% na região Norte e Nordeste. Temos, portanto, caminhões-cegonha suficientes para transportar carros de uma fábrica para a outra sem desperdício de viagens, pois o volume Jeep inicialmente chegará a cerca de 140 mil a 150 mil unidades/ano.”

O executivo calcula que a estratégia logística poupará 23 mil viagens por ano, o que representa economia de 104 milhões de quilômetros e 42 milhões de litros de diesel, que por sua vez resultariam na emissão de 101 mil toneladas de dióxido de carbono.

A distribuição está nas mãos da Sada Transportes, que já realiza o serviço na unidade de Betim, MG, há muitos anos.

De acordo com Faria todo o transporte será feito por rodovias: “Teremos atenção especial com essa operação, porque precisamos evitar possíveis danos”. A preocupação e o zelo com os veículos são tamanhos que a FCA assumirá a operação no pátio de veículos de Goiana em vez de terceirizá-la para operadores logísticos especializados, como é o usual.

SUAPE – Faria revelou ainda que há previsão de exportação dos primeiros Jeep Renegade para países sul-americanos ainda este ano. Neste caso toda a logística será conduzida a partir do Porto de Suape, em Pernambuco.

“Fizemos um acordo com o governo local para a construção de um pátio de veículos em Suape. Ele está lá e é público, pode ser usado por qualquer montadora. Nós usaremos para exportação e importação de modelos que tiverem como destino as regiões Norte e Nordeste.”

Mais para frente, a depender de regulamentações e questões burocráticas, a FCA pretende fazer operações de cabotagem no porto, onde originalmente foi assentada a pedra fundamental da fábrica da Fiat que, em 28 de abril, foi inaugurada como legítima unidade Jeep.

Caminhões devem encerrar quadrimestre em baixa de 40%

Ainda que o segmento de caminhões alimente estimativas de recuperação de volumes a partir de maio, os índices do segmento em abril e no primeiro quadrimestre não serão exatamente animadores.

De acordo com cálculos preliminares da Agência AutoData baseados em números do Renavam, o volume de caminhões licenciados no acumulado dos primeiros quatro meses do ano deverá ficar muito perto de 25 mil unidades, o que representaria retração de 39,5% ante o mesmo período de 2014, 41,3 mil. Em volumes, a diminuição é de cerca de 16 mil caminhões, sendo que em todo o primeiro trimestre deste ano as vendas chegaram a 19 mil unidades.

A prévia da reportagem indica que abril encerrará com aproximadamente 5,7 mil caminhões emplacados no País – até a terça-feira, 28, foram 5,1 mil, média diária de 285 unidades, um pouco menor que a registrada em março, 295. Se confirmado o resultado representará queda de 48% ante abril de 2014, de 10,9 mil emplacamentos, e de 12% ante março, de 6,5 mil.

Estas 5,7 mil unidades ainda significariam o segundo mês mais fraco do ano até agora para o segmento, melhor apenas que fevereiro e suas 5,1 mil unidades. Até agora janeiro segue com o índice mais favorável, 7,7 mil, seguido por março.

Além disso o resultado de abril, se sacramentado, aprofundará a curva de queda no resultado acumulado de 2015 para caminhões, que ensaiara uma recuperação ao término do primeiro trimestre. Em janeiro o comparativo anual acumulado indicara retração de 29%, que desceu a 39,4% em fevereiro, evoluiu a 36,6% e agora deverá retornar à baixa de 39,5%.

Na segunda-feira, 27, durante evento promovido pela AutoData Editora, executivos das áreas de venda de MAN e Mercedes-Benz previram média de sete mil caminhões vendidos ao mês no País a partir de maio. “Parece pouco, mas se conseguirmos chegar a este patamar já será um bom avanço. Já não existe mais a expectativa de que a taxa do Finame irá cair, o que é bom, uma vez que essa possibilidade estava adiando as compras”, considerou Ricardo Alouche, vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós-Vendas da MAN Latin America na ocasião.

ÔNIBUS – Por sua vez os chassis de ônibus devem encerrar o mês de abril com 1 mil 590 emplacamentos, de acordo com os cálculos da Agência AutoData realizados com base nos números do Renavam – até a terça-feira, 28, foram 1 mil 440 licenciamentos registrados para o segmento.

Caso confirmado este volume, abril fechará para os chassis de ônibus em queda de 29% ante mesmo mês de 2014, de 2,2 mil, e de 12% ante março, de 1,8 mil. No quadrimestre o resultado será próximo de 6,8 mil emplacamentos para o segmento, retração de 26% no comparativo com mesmo período de 2014, de 9,2 mil – no trimestre o índice foi negativo em 25%.