São Paulo – A maioria dos metalúrgicos da Renault e da Horse em São José dos Pinhais, PR, aprovou a proposta de data-base e PLR, participação nos lucros e resultados, oferecida pelas companhias. Esta é a primeira vez em dez anos que o acordo coletivo é fechado com os trabalhadores sem a necessidade de greve – vale lembrar a paralisação de 2024, que durou 29 dias e tirou da produção 16,3 mil veículos, além de atrasar o cronograma do Kardian, recém-lançado.
Em assembleia realizada na quarta-feira, 22, pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, foi ratificado que sobre os salários será aplicada a reposição da inflação pelo INPC, sem aumento real. Como o reajuste passará a valer em setembro será considerado o acumulado nos doze meses de setembro de 2025 a agosto. Até março o índice acumulou 3,77%.
Para compensar a ausência do aumento real o vale-mercado será corrigido em 12% também a partir de setembro e passará a R$ 1,6 mil. Além disto em julho será pago, em parcela única, abono de R$ 1,9 mil no cartão do vale-mercado.
Também foi aprovada a manutenção das cláusulas sociais, adicional noturno de 25% até o fim da jornada no terceiro turno e ampliação de benefícios para trabalhadores machucados ou doentes que estiverem afastados — por exemplo: o vale-mercado foi ampliado de doze para até dezoito meses.
Ainda foi submetido ao crivo dos trabalhadores PLR no valor de R$ 26,6 mil, com a primeira parcela de R$ 19 mil. De acordo com a Renault o benefício é pago em sua totalidade conforme o atingimento da meta de produção de 198 mil 814 veículos em 2026. No ano passado, para efeito de comparação, foram fabricadas 194 mil 915 unidades.
Atualmente saem das linhas de produção de São José dos Pinhais os modelos Kwid, Kardian, Duster, Boreal, Master e Oroch. Segundo o sindicato a média diária atual é de 940 veículos/dia. A partir do segundo semestre terá início a produção local do Geely EX5 EM-i, hoje ainda importado da China.
Quanto à meta da Horse para a PLR a entidade informou que é de 247,8 mil motores para este ano – na unidade paranense são fabricados produtos para os carros nacionais e para exportação intercompany.
Para Sérgio Butka, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, a proposta foi difícil de ser construída em virtude da demanda dos trabalhadores mas, no fim, prevaleceram os direitos e a valorização do profissional: “Com isto em mãos levamos a proposta para avaliação e decisão dos trabalhadores, cuja maioria achou por bem aceitá-la. Agora ela segue para assinatura do sindicato e da empresa”.
Este acordo tem validade até 31 de agosto de 2027. Trabalham na Renault em São José dos Pinhais em torno de 4,5 mil profissionais e na Horse, que funciona dentro da montadora, outros 750.