São Paulo – O governo federal anunciou uma nova frente de financiamento dedicada à aquisição de máquinas e implementos agrícolas. A medida, chamada de Move Agrícola, prevê a liberação de R$ 10 bilhões em crédito, com foco na modernização do parque de equipamentos no campo e no estímulo a projetos com conteúdo nacional e inovação.
A linha é derivada do programa Move Brasil e deve começar a operar nas próximas semanas, com recursos gerados por superávit do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, FNDCT. Além disso, a gestão ficará a cargo da Finep, que também poderá operar em parceria com instituições financeiras credenciadas.
A proposta amplia o escopo do programa Move Brasil, inicialmente direcionado à renovação da frota de caminhões e teve os recursos esgotados em 90 dias. Agora, passa a contemplar desde tratores e colheitadeiras até soluções de agricultura digital, conforme destacou o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, durante a abertura da Agrishow, feira dedicada à tecnologia agrícola:
“São R$ 10 bilhões para financiar trator, implementos, colheitadeiras, toda a parte de máquinas agrícolas. Pela própria Finep diretamente ou pelos parceiros: cooperativas, bancos privados e o Banco do Brasil. Em três semanas, a gente vai ter R$ 10 bilhões com juros bem mais baixos para poder financiar a modernização e a troca de máquinas e equipamentos”.
Mercado em queda
O anúncio ocorre em um momento de desaceleração do mercado de máquinas agrícolas no Brasil. Dados da Anfavea indicam que o segmento acumula quatro anos consecutivos de queda nas vendas. Em 2025 foram comercializadas 49,8 mil unidades, retração de 3,6% na comparação anual e cerca de 10 mil a menos do que em 2021.
No primeiro trimestre de 2026 o desempenho seguiu em queda: as vendas recuaram 13,1%, para 9,8 mil unidades. Ao mesmo tempo as importações avançaram de forma expressiva, com alta de 48,4%, ampliando a pressão competitiva sobre a indústria nacional.
A entidade projeta que o cenário negativo deve persistir ao longo do ano. A estimativa é de retração de 5,6% nas vendas totais de máquinas agrícolas e rodoviárias em 2026, para 82 mil unidades, além de queda de 11,2% nas exportações.
Segundo a entidade fatores como juros elevados, aumento dos custos de produção e queda nos preços das commodities têm limitado a capacidade de investimento dos produtores. Mesmo diante de safras recordes a rentabilidade mais apertada tem freado a renovação de equipamentos.
O impacto das condições financeiras também aparece no perfil das compras: mais de 30% das aquisições recentes foram feitas com recursos próprios, reflexo da dificuldade de acesso ao crédito.