Venda de etanol hidratado bate recorde para março

As usinas fabricantes de etanol da região Centro-Sul do Brasil venderam 2,3 bilhões de litros do combustível no mês passado, incremento de 21,8% ante mesmo período de 2014. Segundo a Unica, União da Indústria de Cana-de-açúcar, o crescimento foi puxado pelo consumo de etanol hidratado, aquele oferecido nas bombas dos postos de combustível, que alcançou 1,4 bilhão de litros – maior volume para março na história.

O consumo de etanol anidro, que é misturado à gasolina, caiu no período, de 905 milhões de litros para 866 milhões de litros, queda de 4,3%.

Nos últimos doze meses o consumo de etanol permaneceu praticamente estável: de abril de 2013 a março de 2014 foram 25,7 bilhões de litros e de abril de 2014 até o mês passado chegou a 25,2 bilhões de litros. Deste volume, 23,7 bilhões de litros foram para o mercado doméstico, sendo 9,6 bilhões de litros etanol anidro e 14,1 bilhões de litros etanol hidratado.

A Unica informou também os dados da safra 2014/2015 da região Centro-Sul: a moagem alcançou 571,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 4,3% abaixo da safra anterior. O volume de produção de etanol cresceu 2,2%, para 26,1 bilhões de litros – puxado pelo etanol hidratado, cuja produção somou 15,4 bilhões de litros, crescimento de 5,5%.

Protesto interrompe produção na Ford do ABCD

Milhares de metalúrgicos realizaram protesto contra o PL 4 330, que regulamenta a terceirização, na manhã de quarta-feira, 15. No ABCD trabalhadores da Volkswagen, Ford, Mercedes-Benz e Scania fecharam parte da Rodovia Anchieta. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC cerca de 20 mil funcionários de montadoras da região participaram do protesto.

Em decorrência da manifestação não houve produção na unidade da Ford de São Bernardo do Campo, SP, na quarta-feira, 15, segundo nota da montadora. A fábrica do ABCD emprega 4,7 mil funcionários e é responsável pela produção do New Fiesta, além de caminhões.

Na Mercedes-Benz também não houve produção, mas a parada já estava previamente programada, uma vez que a montadora concedeu duas folgas remuneradas para os trabalhadores nesta semana, nos dias 14 e 15.

Nas unidades do ABCD da Volkswagen e Scania houve produção normal, segundo o sindicato.

Os metalúrgicos decidiram realizar uma série de manifestações na tentativa de impedir a sanção da lei da terceirização. Segundo o sindicato, outros protestos podem acontecer “a qualquer momento”.

O texto-base do PL foi aprovado pela Câmara dos Deputados no último dia 8, depois que o presidente da Casa, Eduardo Cunha, colocou o projeto para aprovação em regime de urgência. A proposta legaliza a terceirização em todos os postos de trabalho da cadeia produtiva – atualmente é permitida apenas nas atividades-meio das empresas, como limpeza, portaria e segurança.

Em comunicado o presidente do sindicato, Rafael Marques, afirmou que “o sonho de todo trabalhador terceirizado é ser contratado e não é isso que está sendo proposto no Congresso. A proposta é fazer de forma disfarçada uma reforma trabalhista de interesse do empresariado. Querem tirar a força os direitos da classe trabalhadora”.

Também houve manifestação em São José dos Campos, SP. Trabalhadores da General Motors iniciaram o protesto por volta das 5h30 da manhã. De acordo com o sindicato local cerca de 2 mil trabalhadores participaram de passeata.

Chery – A greve da Chery em Jacareí chegou ao décimo dia na quarta-feira, 15. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos anunciou ação de dissídio coletivo, ajuizada no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª. Região, em Campinas.

Em nota a Chery afirmou que está avaliando, junto à matriz, a possibilidade de apresentar nova proposta e que continua aberta às negociações com o sindicato. A empresa acrescentou que não foi notificada do pedido de dissídio coletivo. 

De acordo com comunicado do sindicato, na última rodada de negociação, realizada na terça-feira, 14, a Chery propôs reajuste apenas para o piso salarial. Com isso todas as outras faixas de salário permaneceriam inalteradas.

Segundo a proposta apresentada pela montadora o piso passaria de R$ 1,2 mil para R$ 1,4 mil neste mês e para R$ 1 mil 470 em setembro, data-base da categoria. O sindicato alega que na General Motors de São José dos Campos o piso para montadores é de R$ 3,5 mil.

A proposta foi rejeitada ainda na mesa de negociação pelo sindicato e, em assembleia realizada na manhã de quarta-feira, os trabalhadores decidiram entrar com a ação de dissídio coletivo.

Também houve pouco avanço nas negociações a respeito da jornada de trabalho. A empresa propôs a redução de meia hora neste ano, mais meia hora em 2016 e uma hora em 2017. Ainda assim seriam duas horas acima da jornada cumprida pelos metalúrgicos da GM, de 40 horas semanais. O sindicato afirma ainda que estão na pauta de reivindicações estabilidade no emprego e normas de segurança do trabalho.

“A Chery continua se recusando a seguir as normas coletivas da categoria e, portanto, a greve dos trabalhadores vai continuar”, disse em nota o presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá.

Separando os vencedores dos vencidos

Há um ponto na pronunciada queda das vendas domésticas de veículos neste início de ano que merece atenção especial e um bom punhado de reflexões.

Todos no setor automotivo projetavam um ano difícil, eventualmente até com alguma redução nas vendas e na produção ao longo do primeiro trimestre. Com reflexos diretos e previsíveis no resultado do semestre, que provavelmente fecharia com números negativos. As dificuldades e a queda já eram, portanto, esperadas. E estavam devidamente projetadas nas estratégias e nos resultados a serem alcançados pelas empresas neste ano.

O que ninguém esperava, e que a todos colheu de surpresa, é a dimensão que a redução alcançou: queda de dois dígitos! E na faixa dos trinta pontos porcentuais nos caminhões!

Desta vez todos erraram a projeção: montadoras, fabricantes de autopeças, distribuidores, analistas e empresas de consultoria. E é exatamente este caráter coletivo do erro que merece reflexão mais profunda: teriam perdido, do dia para a noite, todos os altos executivos do setor automotivo, a capacidade de enxergar a realidade e projetar minimamente o futuro? Certamente que não.

Acontece que quando se examina com mais profundidade as mudanças no quadro macroeconômico nacional do final do ano passado ao primeiro trimestre deste ano não se encontra nada, absolutamente nada, que pudesse justificar tão pronunciada retração nas vendas de veículos. Tudo bem que o real se desvalorizou em relação ao dólar, que a energia elétrica teve forte reajuste nos preços, que tudo isto fez com que a inflação ultrapassasse o teto da meta, o que forçou a elevação das taxas de juros. E é igualmente certo que o inicio do processo de ajuste fiscal provocou desaquecimento da demanda de forma geral, em particular a automotiva.

Mas não era exatamente este o quadro com o qual todos dentro do setor já estavam trabalhando? Pode ter ocorrido até algum erro de calibragem, um ou dois pontos percentuais aqui ou ali. Mas, por certo, ao menos em termos de macroeconomia, nada se mostrou tão diferente e negativo em relação ao que estava projetado a ponto de justificar tamanha baixa.

Os chamados fundamentos econômicos permanecem relativamente dentro daquilo que se projetava – o que no mínimo representa bom indicador de que, desta vez, a questão a ser enfrentada não é, felizmente, estrutural mas, sim, conjuntural. Ou seja: o mercado potencial, a rigor, permanece inalterado. Mas o rápido e marcante crescimento da insegurança dos consumidores em relação ao futuro de curto prazo derrubou as vendas com a mesma rapidez e intensidade.

Sem a certeza de que teriam carga para transportar ou emprego garantido até o final do prazo do financiamento os consumidores, sejam de caminhões ou automóveis, trataram de adiar a compra. O mercado parou, os estoques subiram e vieram as demissões, que aumentaram ainda mais a insegurança.

No caso dos caminhões a queda bem mais acentuada provavelmente decorreu da soma deste atual processo de adiamento com as antecipações de compras realizadas no ano passado, em função da grande possibilidade de que qualquer processo de ajuste fiscal desembocasse em mudanças na política de crédito e de juros negativos do Finame PSI – o que, de fato, aconteceu.

Primeira reflexão: se a questão não é estrutural mas basicamente conjuntural, retirado ou ao menos suavizado o fator conjuntural que mais atazana as vendas – no caso a insegurança dos consumidores em relação ao futuro –, o mercado deverá buscar um novo patamar. E isto poderá começar a acontecer a qualquer momento, à luz do eventual feliz encadeamento de duas ou três boas notícias – Luiz Moan, presidente da Anfavea, projeta melhora no quadro geral já na segunda metade deste ano.

Outra reflexão tão ou mais importante: parece provável que o mercado brasileiro de veículos, leves e pesados, talvez não seja tão grande quanto as vendas registradas nos últimos anos pareciam indicar. Mas também é absolutamente certo que ele não é tão pequeno quando o verificado no primeiro trimestre deste ano.

Reflexão final: este é uma daqueles momentos na vida do setor automotivo que separa os fortes dos fracos, os vencedores dos vencidos.

Em algum momento o novo patamar, que certamente é mais elevado do que atual, dará o ar graça. E quando isto acontecer quem tiver o cuidado, neste momento, de manter sua estrutura operacional, estará preparado para atender a demanda e irá aproveitá-la. Mas quem não estiver…

A indústria dissecada

A partir desta sexta-feira, 15, AutoData passa a publicar série de publicações especiais que, ao longo do ano, comporão um verdadeiro guia da indústria automotiva brasileira. Em versão exclusivamente criada para o meio digital, a nova publicação busca traçar um perfil de vários segmentos.

Eletrônica, matérias-primas, autopeças, aftermarket e outros segmentos terão espaço neste novo meio, que trará as tendências e perspectivas mais imediatas de cada um deles, o mercado inclusive, e que poderão servir de balizamento para decisões, negócios e parcerias – além de dados institucionais das empresas que os compõem.

As três primeiras publicações envolverão o powertrain de veículos comerciais. Assim, motores a diesel, transmissões e suspensões serão abordados, separadamente, nesta sexta-feira e nos dias 22 e 29.

Cummins South America, FPT Industrial e MWM International, os três fabricantes independentes de motores a diesel, foram ouvidos para a primeira publicação. As empresas deixam claro que novas oportunidades para máquinas agrícolas e de construção, graças às normas de emissões Proconve MAR-1, promoverão o mercado e avanços em tecnologia para redução de emissões e de consumo de combustível.

Ao ampliar o espaço para informações acerca destas e tantas outras áreas a AutoData amplia a cobertura jornalística e a visibilidade de empresas, produtos, aplicações e serviços.

Para acessar, clique em www.autodata.com.br/arquivos/ad-msp

Jac Motors promete produzir SUV compacto T3 no Brasil

Mesmo ainda longe de sair do papel, a Jac Motors anunciou na terça-feira, 14, que pretende produzir um novo SUV compacto, que será batizado T3, em sua futura fábrica de Camaçari, na Bahia.

A revelação foi feita por Sérgio Habib, presidente da montadora e do Grupo SHC. “Será uma derivação do modelo compacto que produziremos no País e que também sairá da fábrica. Antes, porém, vamos vender o modelo no Brasil, importado da China.”

O anúncio da fábrica ocorreu no fim de 2011. Após algumas idas e vindas por conta do regime automotivo e do Inovar-Auto a pedra fundamental foi assentada em novembro de 2012. E de lá para cá, ainda que em outubro de 2013 a Jac tenha anunciado fechamento de contrato com sete fornecedores locais, nada além da terraplanagem aconteceu. Durante o Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro de 2014, Habib condicionou a obra a liberação de empréstimo do Governo da Bahia e consequente reabilitação ao Inovar-Auto, o que assegurou que ocorreria até novembro. Ali a previsão de início de produção era o primeiro semestre de 2016, e agora foi mais uma vez adiada para “final de 2016 ou começo de 2017”.

O empresário se diz “feliz com o atraso”, ao considerar que “inaugurar uma fábrica em um momento de baixa de mercado e dólar em alto significaria prejuízo garantido”.

Habib revelou à Agência AutoData que pretende também produzir um derivado de outro SUV da Jac Motors, o T5, em Camaçari. Com isso planeja comercializar aqui os dois modelos, T5 e T3, utilizando-se da cota de importação a que teria direito como futura fabricante, de metade da capacidade da fábrica, benefício estendido aos modelos J2 e J3 hatch e sedã, de mesma plataforma daquelas que seriam produzidas localmente.

O cronograma de Habib prevê a chegada do T5 importado em dezembro em versão manual e maio de 2016 em automática. O T3 está previsto para três meses depois – o modelo será apresentado mundialmente no Salão de Xangai, nos próximos dias.

Assim a cota de importação do Inovar-Auto da Jac Motors, de 4,8 mil unidades/ano, ficaria apenas para a van T8, para o sedã J5, que terá nova geração apresentada ainda este mês, e para o SUV T6, lançado na terça-feira, 14.

TAMANHA X PREÇO – O T6, segundo define Habib, é um SUV “do tamanho de um Kia Sportage ou um Hyundai Ix35 pelo preço de um Ford EcoSport”. O modelo será oferecido a partir de R$ 70 mil. Kit multimídia que espelha smartphones Android e iOS em tela no console central e câmera de ré levam o valor a R$ 75,7 mil. Há ainda opção intermediária, que acrescenta barras no teto, frisos e retrovisores rebatíveis eletricamente a R$ 72 mil.

O modelo tem previsão de vendas de 3,6 mil unidades em 2015, o que, pelos cálculos do presidente da Jac, representará 1% do mercado total de SUVs no País neste ano. 90% das vendas estarão concentradas na versão mais cara, deixando 5% para cada uma das demais.

As três oferecem o mesmo powertrain: motor 2.0 VVT 16V flex com 155 cv na gasolina e 160 cv no etanol, câmbio manual de cinco marchas e tração 4×2. Versão automática pode chegar no ano que vem, “dependendo das cotas”, segundo Habib. Opção de 4×4 está definitivamente afastada dos planos: “No Brasil não há neve e tração 4×4 só é necessária na neve. Sim, no País há lama, mas quem coloca seu carro na lama? Ninguém”.

São itens de série do T6 volante eletricamente assistido, ar-condicionado, sensor de estacionamento, faróis de neblina, volante com comandos e revestido em couro e outros. A garantia, como em outros modelos da Jac Motors, é de 6 anos.

Chery brasileira usa Irã para seduzir fornecedores

O projeto original da Chery na inauguração da fábrica de Jacareí, SP, previa a produção em paralelo das versões hatch e sedã do Celer e da nova geração do subcompacto QQ, modelo com maior potencial de volume para a marca de origem chinesa no mercado nacional. No meio do caminho, porém, houve a necessidade de priorizar um dos projetos – e o QQ ficou para depois.

Segundo Luis Curi, vice-presidente da Chery, as condições do mercado brasileiro de veículos e principalmente a alta volatilidade do dólar fizeram a empresa tomar essa decisão. “Queremos que o QQ entre no mercado com mais conteúdo local.”

O QQ tem no seu DNA o atrativo do preço baixo. Muitas peças e componentes importados aumentariam a exposição do modelo ao dólar, hoje acima de R$ 3 – no fim do ano passado, segundo Curi, a empresa trabalhava com a cotação a R$ 2,85. “Cada 1% ou 2% de variação cambial afetam muito nossos planos. Portanto resolvemos trabalhar na nacionalização das peças e adiar o lançamento dele para o fim do ano.”

Agora a Chery trabalha para encontrar fornecedores dispostos a investir no projeto. E tem uma carta na manga: sua operação no Irã.

Aqueles que fornecerem peças para o Celer ou QQ nacionais poderão também exportar para a fábrica da Chery que produz os mesmos modelos no Irã, uma operação que monta em torno de 55 mil unidades por ano e que atualmente é abastecida com peças importadas da China, Tailândia e outros mercados asiáticos.

”É uma situação de ganha-ganha: nós ganhamos com a nacionalização das peças e os fornecedores ganham em volume, com potencial de produzir mais e ganhar novos mercados.”

Curi disse que peças de menor porte, como chicotes, retrovisores, limpadores de para-brisa e componentes de ignição são candidatas naturais a fazer parte do programa de exportação. Ele entende que componentes maiores, que exigem grande operação logística, provavelmente não conseguirão ser competitivos.

Ao mesmo tempo a Chery luta para conquistar mercados sul-americanos, candidatos naturais a receber os modelos de Jacareí. Atualmente não há nenhum contrato fechado, mas a facilidade de transporte e redução no tempo de entrega podem ajudar nas negociações com distribuidores instalados na Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela – em nenhum destes países a Chery é dona do negócio.

“Na Argentina existe o agravante da balança comercial. Por isso procuramos também fornecedores lá para abastecer nossos modelos de Jacareí com peças argentinas e podermos exportar para o país.”

O atual cenário do mercado brasileiro e a decisão de postergar a produção do QQ fizeram a montadora mexer em seus prognósticos para 2015: reduziu de 30 mil para 20 mil veículos sua meta de vendas, metade produzida localmente. Ainda assim o resultado seria o dobro do ano passado, quando foram vendidos cerca de 10 mil unidades da marca.

“Antes os bancos estavam seletivo para liberar financiamentos. Agora é o consumidor que está seletivo para assumir compromisso de longo prazo.”

GREVE – O lançamento do Celer nacional, realizado na terça-feira, 14, em Tuiuti, SP, coincide com a primeira greve enfrentada pela Chery desde sua instalação no Brasil, em agosto do ano passado. Para Curi “essa greve estava escrita nas estrelas. Todos conhecem a forma de atuação do sindicato [de São José dos Campos] e a estratégia deles é a de parar a produção junto com o lançamento, quando nossa rede estará ansiosa por receber os veículos”.

Na terça-feira, 14, houve reunião da diretoria com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, que rejeitou a proposta dos representantes da empresa e manteve a greve por tempo indeterminado.

“Seguiremos negociando. Já oferecemos antecipação do dissídio, que seria em setembro, com valores até 20% superiores, e eles não aceitaram. Fazem comparações irreais, de salário nível três de empresas concorrentes com nível um das nossas. Nós pagamos menos que as outras, sim, mas estamos começando agora, não podemos nos comparar com Ford ou General Motors, que estão há anos no País”.

Curi reclama que o sindicato pede jornadas de 40 horas semanais, quando a lei prevê 44 horas. E destaca: “Ford e GM estão fazendo lay off e reduzindo seus quadros, enquanto nós estamos contratando. O cenário é outro. Não podemos oferecer jornada de 40 horas logo no começo. Precisamos de tempo”.

A greve teve início no dia 6. Em comunicado, o sindicato afirmou que “a proposta apresentada pela empresa é muito ruim, por isso já foi rejeitada na mesa de negociação. Enquanto a Chery não melhorar os salários e condições de trabalho, ninguém volta a produzir”.

Para Habib, vendas de leves cairão 18% em 2015

Sérgio Habib, presidente do Grupo SHC, está pessimista com relação ao mercado brasileiro de 0 KM. Por seus cálculos as vendas de veículos leves neste ano cairão 18% com relação a 2014, para 2 milhões 750 mil unidades – a previsão da Anfavea é de queda de 12,3%, para 2 milhões 925 mil.

“Acredito que as vendas possam cair ainda mais, pois estimo que o resultado será no mínimo de queda de 18%. Sou mais pessimista que a Anfavea. Talvez o ano feche em 2,7 milhões, ou nem isso.” Ele, além de presidente do Grupo SHC, é concessionário Citroën, Volkswagen e Jaguar Land Rover.

Sua justificativa: “O mercado cai basicamente por falta de confiança do consumidor, que é o item mais importante para o mercado de carros. Além disso o índice de desemprego está subindo, o que igualmente afeta a confiança e acaba por retroalimentar este cenário”.

Para os anos a seguir a projeção de Habib não é exatamente das mais animadoras. “2016 será um pouco melhor que 2015, mas não muito melhor, algo como crescimento de 3% a 5%. Nos períodos seguintes, vamos supor que as vendas registrem alta de 10% a cada ano. Isso significará que em 2019 retornaremos ao patamar registrado em 2012, de 3,7 milhões de unidades. Serão sete anos para recuperar este volume. Vai demorar.”

O empresário salienta que “nesta época, 2012, prevíamos para 2015 um mercado ao redor de 4 milhões de unidades, e teremos 2,7 milhões. Em 2018 ou 2019 vislumbrávamos 5 milhões e serão 3,7 milhões. Todo mundo terá de refazer seus projetos”.

Esse processo passará necessariamente pelo ajuste da rede de concessionários, acrescenta Habib. “Há 5 mil lojas, uma estrutura preparada para vender 4 milhões de veículos. Não há como manter esse quadro vendendo 2,7 milhões.” O próprio Grupo SHC já começou este movimento, fechando casas Citroën. “Agora estamos com 32 lojas, creio que um tamanho suficiente” – algumas, entretanto, terão operações unificadas com a Peugeot. Na Jac Motors das 50 concessionárias inauguradas no Dia J, há quatro anos, sobraram 35: três tiveram as operações encerradas neste ano.

Outro fator prejudicará uma recuperação mais rápida do mercado, na opinião de Habib: o preço dos veículos. “Vão subir acima da inflação pelos próximos dois anos”, garante. “Muita coisa em um veículo tem preço ligado ao dólar, mesmo quando adquirida no Brasil: aço, vidro, pintura, plástico, eletroeletrônica. Antes uma variação cambial podia ser compensada pelo aumento do volume, com um mercado em crescimento. Agora não mais.”

Pelos cálculos de Habib os automóveis no País já subiram 5% de preço apenas no primeiro trimestre, sem considerar os pontos extras do fim da redução do IPI.

Chery Celer: sem olhos puxados nem sotaque chinês.

O primeiro automóvel chinês produzido em terras brasileiras finalmente saiu do papel. As 72 concessionárias Chery já têm em seu estoque unidades do Celer nacional, que desde fevereiro sai das linhas de montagem da fábrica de Jacareí, SP, em carrocerias hatch e sedã com cerca de 35% de conteúdo local.

São mais de vinte fornecedores locais – empresas multinacionais, como Basf, Bosch, Delphi, HVCC, Petronas, Pilkington, Pirelli etc. –, número que deverá crescer até o fim do ano, quando a Chery projeta chegar a 50% de conteúdo local no seu veículo de estreia. Em dois anos a meta é superar os 60%.

O Celer nacional recebeu alterações com relação ao modelo importado da China desde 2013, tanto em design quanto mecânica. A começar pelo motor Acteco 1,5 litro flex, com 16V e que agora alcança 113 cv graças à calibração feita em parceria com a Delphi para adaptação ao mercado local. Suspensão e sistema de freio também foram tropicalizados, visando aproximar o carro mais ao gosto do consumidor brasileiro.

A frente ganhou novos para-choques e mudanças na grade frontal em ambas as carrocerias. A traseira do sedã tem alterações nos desenho das lanternas, agora em LED – assim como no hatch –, e na tampa do porta-malas.

Os dois modelos tiveram ainda o painel de instrumentos totalmente redesenhado.

Essas mudanças dão traços de ineditismo ao Celer jacareiense, que ainda traz novo sistema de ar-condicionado, mais preparado para enfrentar as altas temperaturas do Brasil. Por isso Roger Peng, presidente da Chery do Brasil, trata o modelo como novo dentro do portfólio da marca: “O Celer é o primeiro veículo sem olhos puxados ou sotaque chinês. É inteiramente brasileiro”.

Segundo Luciano Resner, da área de qualidade, houve especial atenção com relação à qualidade e segurança do veículo. Além dos obrigatórios ABS e air bag, a carroceria dos modelos usa aço de alta densidade. Os crash-testes feitos internamente preveem nota de três a quatro estrelas nas avaliações do Latin NCap.

Outra diferença com relação à estratégia anterior da Chery foi oferecer item opcional, o rádio I-Connect, que traz TV digital e bluetooh por R$ 1,8 mil, e duas versões para ambas as carrocerias – antes o modelo era completo de série.

O Celer, de qualquer forma, ainda sai da fábrica com um bom pacote de itens. Ar-condicionado, sensor de estacionamento e trio elétrico são de série por R$ 39 mil no modelo hatch e R$ 40 mil no sedã. A versão Act traz ainda rodas de liga-leve de 15 polegadas, faróis de neblina e alarme antifurto por R$ 41 mil no hatch e R$ 42 mil no sedã.

Desde o lançamento, em 2013, foram comercializados em torno de 2 mil Celer no mercado nacional. A edição brasileira deverá, apenas neste ano, quintuplicar o volume de vendas, de acordo com Filipe Pereira, da área de vendas. “Por esse preço e com esse pacote de opcionais, 10 mil unidades é uma projeção até conservadora.”

Quem comemora são os concessionários, que ganharão em volume. A rede, que chegou a ter 110 casas, foi reduzida para 72 pontos de vendas – mais cinco serão abertos até o fim do ano. O objetivo, segundo o vice-presidente Luis Curi, é aumentar as fatias do bolo para aqueles que investiram antes – bolo, agora, com tempero brasileiro.

Produção mexicana supera em 22% a brasileira no trimestre

A produção de veículos cresceu 9,6% no México no primeiro trimestre deste ano. Segundo dados divulgados pela Amia, associação equivalente à Anfavea naquele país, saíram das linhas de montagem mexicanas 849 mil veículos no período ante 774,7 mil um ano antes.

Assim o México se consolida à frente do Brasil em termos de produção. Por aqui, no mesmo período, foram fabricados 663,1 mil veículos, queda de 16,2% na comparação anual.

Portanto o volume produzido no México de janeiro a março deste ano superou em 21,9% o número de veículos que deixaram as linhas de montagem brasileiras.

Somente em março as fabricantes instaladas no México produziram 299,8 mil unidades, avanço de 8,1% em relação ao mesmo mês de 2014.

MERCADO – As vendas de veículos no México apresentaram avanço de 22% durante o primeiro trimestre. Foram comercializadas 306,1 mil unidades no período ante 251,1 mil de janeiro a março de 2014.

Ainda segundo a Amia somente em março foram emplacados 104,9 mil veículos no México, volume 22,4% maior do que o verificado no mesmo mês do ano passado, quando foram vendidas 85,6 mil unidades.

Por marcas a Nissan liderou as vendas no mês passado naquele país ao comercializar 28,5 mil veículos, alta de 29,5% ante o mesmo mês do ano anterior. A General Motors e a Volkswagen praticamente dividem a segunda colocação, com 15 mil 853 mil e 15 mil 850 unidades, respectivamente.

A montadora de origem estadunidense apresentou crescimento de 27,4% em relação a março de 2014, enquanto a fabricante alemã teve números 9% mais altos na mesma comparação.

FORD – De acordo com informações divulgadas pela publicação estadunidense Just-Auto a Ford anunciará investimento de US$ 2,5 bilhões no México na próxima sexta-feira, 17.

Segundo a publicação metade do aporte a montadora será destinado à ampliação da unidade instalada no Estado de Chihuahua do Norte, onde a empresa montará dois novos motores a diesel. A outra parte seria aplicada em fábrica de transmissões no Estado de Guanajuato.

O mesmo Estado deve receber uma fábrica da Toyota, de acordo com informações da mesma publicação. A unidade teria capacidade produtiva anual de 200 mil unidades e criaria cerca de 2,4 mil empregos diretos.

VW, Hyundai Caoa e M-B anunciam novas paradas para adequação à demanda baixa

Uma nova leva de mecanismos para ajustar a produção de veículos a atual demanda começou a ser anunciada nesta segunda-feira,13. Volkswagen, Mercedes-Benz e Hyundai Caoa vão paralisar a produção por ao menos algum período nos próximos dias.

A unidade de São Bernardo do Campo, SP, da Volkswagen será a responsável pela maior parada. A montadora terá apenas doze dias úteis em maio. Segundo informações obtidas pelo portal Car and Driver a companhia concederá férias coletivas de 1 a 13 de maio para os funcionários da unidade. Procurada, a Volkswagen preferiu não comentar o assunto, mas o sindicato local confirmou a parada.

A publicação teve acesso a um comunicado da montadora distribuído para fornecedores no qual afirma que não haverá recebimento de componentes durante as férias coletivas, com exceção de itens críticos que serão acertados pela logística da fábrica diretamente com os fornecedores.

Ainda no ABC a Mercedes-Benz concederá dois dias de licença remunerada aos funcionários: na terça-feira, 14, e quarta-feira, 15. Segundo nota da montadora de caminhões a breve parada “trata-se de mais uma medida para continuar a gerenciar o excedente na fábrica de São Bernardo do Campo, SP”.

A unidade tem 719 funcionários em lay-off e a data prevista para o retorno é 30 de abril. O Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC informou, por meio de porta-voz, que já há uma negociação para tratar da situação do grupo de trabalhadores. A M-B informou em comunicado que “tem dialogado a todo momento com o sindicato para buscar soluções e gerenciar o excesso de pessoas na unidade”.

Centro-Oeste – A partir do dia 22 de abril os 1,6 mil funcionários da Hyundai Caoa  em Anápolis, GO, terão férias coletivas de dez dias. Em nota a montadora afirmou que a medida serve “apenas para a readequação de estoque”.

Na unidade da Mitsubishi, em Catalão, GO, o temor é por demissões, de acordo com o sindicato local. A entidade foi notificada pela montadora que está revisando suas contas e que tem excedente de pessoal, porém não informou sobre medidas para contornar a situação. Em nota a montadora disse apenas que “como todas as empresas do Brasil está reavaliando as contas por causa da atual situação econômica do País”.

Chery – Enquanto isso a greve na Chery, instalada em Jacareí, SP, chegou ao oitavo dia na segunda-feira, 13. Representantes da montadora e do sindicato local reuniram-se durante a tarde, mas não chegaram a um acordo durante encontro na Superintendência Regional do Trabalho do Estado de São Paulo.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região afirmou em comunicado que o Ministério do Trabalho se comprometeu a enviar fiscais à fábrica da Chery para apurar as denúncias de irregularidades, que incluem má qualidade da alimentação oferecida aos operários.

No encontro o sindicato também cobrou dos representantes da Chery a assinatura da convenção coletiva da categoria, cumprindo salários e direitos dos trabalhadores. A resposta da direção da empresa deve ser apresentada ao sindicato na terça-feira, dia 14, em reunião agendada para 9h na unidade da Chery.