Com uma segunda metade do mês muito fraca em vendas, impactada em especial pelo carnaval, fevereiro fechará com um resultado baixo. De acordo com dados preliminares do Renavam obtidos pela Agência AutoData até a quinta-feira, 26, foram emplacadas apenas 171 mil unidades de autoveículos – automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus – no mercado brasileiro.
Com isso, restando apenas a sexta-feira, 28, para o fechamento definitivo do resultado, fevereiro deverá fechar no máximo na faixa de 185 mil unidades licenciadas, frustrando assim a estimativa de varejistas ao fim da primeira quinzena, quando se esperava pelo menos volume um pouco acima de 200 mil unidades.
Se confirmado, este será o fevereiro mais fraco desde 2009, quando o resultado também foi menor que 200 mil unidades, com 199 mil. O mês em 2015 assim seria melhor, dos últimos anos, apenas que o de 2007, que registrou 147 mil unidades.
A média diária está em apenas 9,5 mil unidades, considerando-se como úteis a segunda-feira, 16, e a quarta-feira de cinzas, 18, o que resulta em total de 19 dias úteis neste mês. Se retirados estes dois dias do cálculo o volume sobe para 10,7 mil.
Este volume próximo de 185 mil emplacamentos representaria queda de aproximadamente 29% ante fevereiro de 2014, de 259,3 mil unidades vendidas – é necessário considerar entanto que esta análise carrega uma distorção, vez que neste período do ano passado não houve carnaval, que ocorreu em março, ao contrário de 2015. Ante janeiro, de média diária de 12 mil unidades e 21 dias úteis, total de 254 mil, a queda será próxima de 27%.
A projeção desenha um primeiro bimestre com fechamento próximo a 439 mil unidades, queda de 23% ante a soma dos dois primeiros meses de 2014, 572 mil – resultado recorde para o período puxado, além do carnaval em março, pela oferta de modelos com IPI reduzido e veículos sem air bag e ABS na rede, com grandes descontos.
A rede de distribuição está extremamente preocupada com o resultado de fevereiro. De acordo com fonte ligada ao segmento os estoques estão altos, mesmo com as iniciativas de retração da produção promovidas por diversas fábricas, e deverão fechar o mês próximos a 50 dias na média, sendo que em algumas marcas o índice é ainda maior.
A fonte afirmou ainda que o movimento de varejo está muito fraco e que mais uma vez as vendas diretas foram determinantes para o resultado do mês. Segundo suas informações uma grande montadora fechou contrato com uma das maiores locadoras do País e licenciou forte volume de seu compacto de entrada, lançado há poucos meses, o que ajudou fevereiro a não apresentar volume ainda menor de vendas.




As vendas de máquinas para construção devem apresentar recuo de até 12% neste ano. A projeção foi feita por representantes das fabricantes Case New Holland Construction, John Deere Construction Equipment e Volvo Construction Equipment em workshop realizado pela AutoData Editora na quarta-feira, 25, no Centro de Convenções Milenium, em São Paulo.
Para Gino Cucchiari, diretor comercial da Case New Holland Construction, a queda das vendas deste ano também será motivada pelas incertezas econômicas: “Passamos por um período de ajustes”.
Já na John Deere 2015 começou de forma mais positiva na comparação com o início do ano passado, mas por uma situação particular. Thiago Cibim, gerente de suporte ao cliente, lembra que a fabricante iniciou a produção em Indaiatuba, SP, em fevereiro de 2014, e assim os volumes neste ano são naturalmente maiores.
Segundo Ana Paula Firmato, sócia da consultoria KPMG, o ritmo de crescimento do agronegócio deve diminuir no País na próxima década. A consultora fez uma palestra durante o workshop realizado pela AutoData na quarta-feira, 25, no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo, SP.