Mesmo em queda, Brasil ainda é terceiro maior mercado global da GM

As vendas da General Motors no Brasil registraram no ano passado queda de quase 11%, de acordo com balanço global da montadora revelado na quarta-feira, 14. Ainda assim, com 579 mil unidades, o País manteve com folga a condição de terceiro maior mercado do Grupo no mundo – distante dos dois primeiros, China e Estados Unidos, e bem à frente do quarto e quinto colocados, Reino Unido e Canadá.

Entretanto, destes, o Brasil foi o único a registrar retração em 2014. Na China as vendas da GM cresceram 12%, nos Estados Unidos 5,3%, no Reino Unido 1,2% e no Canadá 6,3%.

No total as vendas globais da GM bateram novo recorde no ano passado, o segundo consecutivo – e indicação de que a maciça convocação de recalls pela fabricante no ano passado não abalou a confiança dos consumidores em seus produtos.

Foram 9 milhões 925 mil unidades de todas as marcas General Motors comercializadas em todo o mundo no ano passado, 2% acima do resultado alcançado em 2013, que fora igualmente o melhor até então.

Na América do Norte os índices subiram 6%, para 3,4 milhões de unidades – 2 milhões 935 mil apenas nos Estados Unidos. Na China alcançaram 3,5 milhões, sendo 717 mil modelos da marca Chevrolet, volume recorde. O marco também alcançado no país asiático por Cadillac, Buick, Wuling e Baojun.

Na América do Sul o resultado GM foi negativo em 15,3%, para 878 mil unidades.

No Reino Unido o volume total do Grupo alcançou 304,7 mil unidades e no Canadá 250 mil.

Participação dos importados deve recuar em 2015

A participação de veículos importados nos licenciamentos totais no País deve recuar ainda mais em 2015. A avaliação é do presidente da Anfavea, Luiz Moan, que estima que o índice fique em cerca de 16% neste ano.

“O câmbio é um dos principais fatores para essa estimativa. Prevemos uma cotação de R$ 3,10 para o final deste ano, taxa que não é convidativa para as importações de veículos.”

Além disso, Moan pondera que algumas relevantes importadoras passarão a produzir localmente em 2015 – ou terão seu primeiro ano cheio de fabricação local. É o caso da Jeep, Chery, Audi e BMW. “Isso reduz matematicamente a parcela dos importados e repassa os volumes para produção local. É um cenário positivo quando observado por este ponto de vista.”

Caso confirmada a previsão de Moan devem ser importados cerca de 560 mil veículos neste ano. O montante é baseado na projeção da própria Anfavea, que fala em estabilidade nos licenciamentos ante 2014 e vendas de 3 milhões 498 mil veículos neste ano.

Em 2014 o volume de veículos trazidos de fora do País respondeu por 17,6% do mercado total, o menor índice verificado nos últimos cinco anos – em 2009 o patamar foi de 15,6%.

Segundo dados da Anfavea em volumes foram importados 614,8 mil automóveis e comerciais leves, 2 mil caminhões e 69 ônibus. O montante de 617 mil unidades foi 12,7% menor do que o apurado em 2013.

No auge das importações, em 2011, os veículos importados responderam por fatia de 23,6% e 858 mil unidades chegaram ao País. Porém, com o aumento da alíquota do IPI em trinta pontos porcentuais a participação dos importados só recuou: 20,9% em 2012 e 18,8% em 2013, até chegar aos atuais 17,6% em 2014.

VW e sindicato prosseguem em negociação por demissões no ABC

Depois da passeata que reuniu cerca de vinte mil trabalhadores em protesto contra oitocentas demissões na Volkswagen de São Bernardo do Campo, SP, na segunda-feira, 12, a montadora alemã contatou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para uma nova rodada de negociações que começou na terça-feira, 13.

De acordo com porta-voz do sindicato a primeira reunião terminou sem acordo e um novo encontro foi agendado para a tarde de quarta-feira, 14.

Em nota o secretário-geral do sindicato, Wagner Santana, considerou que mesmo sem qualquer resultado concreto a retomada das negociações pode ser considerada como positiva. Mas deixou claro que “as conversas só avançarão para uma proposta depois que empresa aceitar reverter as demissões”.

Por sua vez a Volkswagen afirmou, em comunicado, que foi procurada “por autoridades representantes dos governos federal, estadual e municipal” para retomada das negociações com o sindicato. “Sempre aberta ao diálogo e na busca de uma solução balanceada, a companhia confirma que retomou as reuniões com a entidade que representa os trabalhadores com vistas a estabelecer condições para um futuro sólido e sustentável para a unidade Anchieta.”

O encontro das duas partes com o Ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, inicialmente previsto para a quarta-feira, 14, em São Paulo, foi desmarcado. O ministro propôs-se a mediar o diálogo da empresa com o sindicato e, de acordo com porta-voz do ministério, nova data para o encontro será agendada nos próximos dias.

A greve na Volkswagen Anchieta completou na quarta-feira, 14, nove dias corridos e, segundo o sindicato, cerca de 10,5 mil veículos deixaram de ser produzidos ali neste período. Todos os funcionários da unidade foram orientados pelo sindicato a comparecer diariamente à fábrica durante o horário do primeiro turno, que começa às 6h. Segundo porta-voz do sindicato “desta forma a comunicação com os metalúrgicos fica mais fácil, uma vez que estão sendo realizadas assembleias diárias para prestar contas sobre o andamento das negociações”.

Gefco expande receita com novos negócios em 50%

Mesmo com o cenário negativo da indústria automotiva do ano passado, quando os principais clientes reduziram seus volumes, a operadora logística Gefco conseguiu expandir em 50% seu faturamento com novos negócios em 2014 no Brasil. Com novos contratos e investimento na área comercial a empresa pavimentou a estrada para os próximos anos que, segundo aposta seu diretor comercial e de marketing Alex Feijolo, serão de mais crescimento.

“Não vejo como não crescer novamente este ano”, assegurou o executivo em entrevista exclusiva à Agência AutoData. “Fechamos dois grandes contratos no ano passado, com Valeo e CNHi, que darão maior retorno agora. O com a CNHi foi assinado nos últimos meses de 2014 e terá impacto na receita deste ano.”

A Gefco ainda tem como principal cliente global a PSA Peugeot Citroën, por quem era controlada até 2012, quando 75% de suas ações foram negociadas. No Brasil cerca de 40% da receita da companhia vem dos serviços para a montadora. “Nosso crescimento de 50% desconta os valores com a PSA. No total, recuamos um pouco.”

Mas o resultado é relevante dentro da estratégia da Gefco, de diversificar cada vez mais seus negócios. Passo importante para cumprir essa meta está sendo dado com a construção de uma plataforma em Guaíba, RS, onde serão oferecidos todos os serviços da companhia para potenciais clientes. O investimento chega a R$ 33 milhões e deverá gerar 360 empregos diretos.

Atualmente as operações da empresa estão concentradas em Porto Real, RJ, onde divide espaço com a PSA Peugeot Citroën. “A operação é da montadora e assim, apenas usamos o espaço e precisamos de autorização para atender outros clientes ali. Já em Guaíba a área será 100% Gefco.”

Dentre os serviços que a operadora oferecerá na nova plataforma destaca-se a chamada Industrialização de Importados. “Podemos, por exemplo, instalar sistemas de exaustão mais adaptados à realidade brasileira, ou fazer pequenas adaptações. Já fazemos isso em Porto Real e em Guaíba teremos maior liberdade.”

Enquanto segue o investimento a operadora logística busca novos clientes. A Foton, fabricante de caminhões que constrói fábrica na mesma cidade – e em terreno próximo – surge como parceiro natural, mas ainda não há acordo fechado. Segundo Feijolo, entretanto, as conversas já começaram:

“Ainda não há nada definido, estamos negociando. Há muitos novos competidores chegando ao mercado, alguns já clientes da empresa no Exterior, que surgem como oportunidade”.

Com relação ao mercado geral o executivo entende que 2015 será um ano desafiador para a indústria. “De todo modo haverá procura por nossos negócios: quando o mercado está em alta temos demanda para ajudar na capacidade, e quando em baixa para auxiliarmos na redução de custos.”

Além do segmento automotivo, onde há expertise, a Gefco busca ampliar a participação em outras áreas. Segundo Feijolo a empresa começará a procurar clientes em óleo e gás e em cargas de projeto – aquelas de alta dimensão e tonelagem.

O objetivo é ampliar a participação do Brasil nos negócios globais. Em 2013 o faturamento mundial chegou a € 4 bilhões e as operações locais contribuíram com 3% a 4% deste valor. “O Brasil está no coração da estratégia de diversificação de negócios da Gefco. Somos fortes na Europa e agora buscamos crescer na Ásia e na América Latina.”

1.0: Dezembro marca melhor resultado de vendas em 30 meses.

Os veículos equipados com motor 1.0 tiveram em dezembro seu melhor mês de vendas de 2014. Segundo dados da Anfavea, o patamar de participação chegou a 42,7% da comercialização de automóveis no País – não se via um índice tão alto desde junho de 2012, há trinta meses, quando chegou a 43,6%.

Um dos motivos para esta retomada está no lançamento de modelos de entrada equipados com motores 1 litro mais modernos, em especial os de três cilindros, no decorrer do ano passado. Estão na lista o Volkswagen Up! – oferecido exclusivamente com esta configuração de motor – e Ford Ka. Além disso reforçaram o segmento no ano passado novas versões de Fiat Uno, Renault Sandero e Nissan March.

Outro motivo é o preço dos veículos do segmento de entrada, vez que os modelos 1.0 tiveram durante 2014 a maior faixa de desconto do IPI, com alíquota reduzida de 7% para 4%.

Em janeiro o índice de vendas dos modelos 1.0 era de 37,8% e, apesar de alguns decréscimos ao longo do ano, o segmento foi ganhando força até atingir o patamar de dezembro.

No ano passado 40% dos veículos vendidos no Brasil, ou pouco mais de um milhão de unidades, possuíam motorização 1.0. O volume é praticamente estável ao verificado em 2013, 39,9%, e assim interrompeu sequência de queda observada nos últimos cinco anos: em 2009 os 1.0 responderam por 52,7% dos automóveis licenciados no País, índice que caiu para 50,8% em 2010, para 45,2% em 2011 e 41,7% em 2012 até chegar aos 39,9% de 2013.

Observando-se a série histórica o resultado de 2014 é exatamente o mesmo verificado em 1994, de 40%. Há vinte anos este tipo de modelo começava de fato a ser relevante nos números de venda no País.

De acordo com Luiz Moan, presidente da Anfavea, o patamar de 40% deve manter-se nos próximos anos. “É um porcentual saudável para o mercado e a oferta de veículos de entrada deve permanecer como uma fatia relevante.”

A faixa de veículos dotados de motores acima de 1.0 foi de 59,3% no último ano, apresentando decréscimo de 0,2 pontos porcentuais na comparação anual. Já os modelos com motores acima de 2 litros responderam por uma fatia de 0,7%, em alta de 0,1 p.p. ante o resultado de 2013.

Meritor e MWM International promovem mudanças no marketing

Meritor e MWM International anunciaram na quarta-feira, 14, mudanças em seus departamentos de marketing no Brasil.

Na sistemista, uma das principais fornecedoras de eixos e sistemas para drivetrain de veículos comerciais, Mário Morelli passa a dirigir o departamento de vendas e marketing na divisão OEM, instalada em Osasco, SP, além de dar continuidade às suas atividades como diretor da unidade de negócios Aftermarket.

A Meritor, em comunicado, acrescentou que com a alteração irá se reportar ao executivo o time formado por Osmar Silva, gerente sênior de vendas, Luís Marques, gerente de marketing e vendas, Leandro Carvalho, gerente de estratégia e produto, Stefan Schaeffer, gerente de contas líder, todos da unidade OEM, além de Marcelo Rosa, gerente comercial, produto e assistência técnica, e Flávio Farias, supervisor de operações, ambos da unidade Aftermarket.

A empresa informa ainda que José Manoel Fernandes, outrora responsável pela direção do departamento de marketing e vendas da unidade de Osasco, encerra ciclo profissional de mais de 33 anos na Meritor e passa a atuar como consultor com foco principal para o mercado de reposição, “apoiando plano estratégico de crescimento desta unidade de negócios”.

Por sua vez a MWM International, fabricante de motores diesel parte do Grupo Navistar, nomeou Rodrigo Kanno como seu novo gerente de marketing.

O executivo passa a ser responsável pelas áreas de comunicação, inteligência de mercado, eventos, identidade corporativa e propriedade intelectual das divisões de motores e peças de reposição, reportando-se diretamente a Thomas Püschel, diretor de vendas e marketing.

Ele é publicitário, graduado em Comunicação Social com MBA em Marketing e pós-graduado em Gestão de Negócios. Ingressou na MWM International em 2001, após passagens por empresas de diversos segmentos, incluindo o mercado publicitário.

Palio mantém liderança e Onix é vice no começo de janeiro

O ano começou com alterações no ranking de automóveis e comerciais leves. Os dados, ainda preliminares e baseados no Renavam, apontam nova composição nas primeiras colocações, com o Volkswagen Gol caindo da vice-liderança para a quinta posição e o Chevrolet Onix, terceiro colocado em 2014, assumindo o segundo lugar.

A liderança, entretanto, permaneceu inalterada: o Fiat Palio segue na ponta com 5,5 mil licenciamentos até a segunda-feira, 12 – sete dias úteis. O Onix, agora vice-líder, acumulou 4,5 mil registros no período, seguido pela picape Strada, que teve 3,9 mil licenciamentos nos primeiros dias do ano. Hyundai HB20, com 3,4 mil unidades comercializadas, e o Gol, com 3,3 mil emplacamentos, completam os cinco primeiros.

O mercado em janeiro sofre ainda muita influência do resultado de dezembro. Segundo os varejistas e executivos do setor é natural que muitos modelos negociados no fim do ano passado sejam efetivamente emplacados apenas nos primeiros dias de janeiro, inflando, de certa forma, os resultados do primeiro mês do ano.

Em 2015 há outro fator importante a se considerar: é alto o estoque nas concessionárias de modelos faturados ainda com o IPI antigo, com redução. Na semana passada a Agência AutoData realizou pesquisa com concessionárias das principais marcas e encontrou ampla oferta de unidades ainda com desconto na alíquota.

Ao ranking de modelos incide outro fator: a corrida pela liderança do ano passado. Na última entrevista coletiva à imprensa, quando divulgou os resultados de 2014 e as projeções para 2015, Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, não negou a possibilidade do chamado rapel – quando são emplacados modelos não vendidos aos consumidores a fim de inflar o resultado de algumas marcas ou modelos – durante dezembro.

“Só vamos saber se houve prática de rapel com o resultado de janeiro. Se determinada marca ou modelo cair muito, há grandes chances de isso ter ocorrido.”

Completam as sete primeiras posições o Ford Ka, com 3,1 mil licenciamentos, e o Fiat Uno, com 3 mil emplacamentos. Daí ao décimo-primeiro colocado, com VW Fox, Fiat Siena, Chevrolet Prisma e VW Saveiro, há um empate técnico, todos na faixa de 2,4 mil unidades licenciadas.

Keko inicia embarques para França, Rússia e Guiana Francesa

A Keko Acessórios fechou contratos de exportação para três novos mercados: França, Rússia e Guiana Francesa.

Além disso a empresa ampliou sua presença na Tailândia e retomou as vendas para o Reino Unido.

Graças aos negócios destinados ao mercado externo a fabricante de itens de personalização automotiva estima ampliar seu faturamento anual em R$ 1 milhão, além de crescer no País.

Segundo Juliano Scheer Mantovani, diretor do mercado de inovação da Keko, em comunicado, a estimativa é fechar 2015 com alta de 13% ante o ano passado, o que representa faturamento na casa dos R$ 175 milhões.

“Vamos crescer a partir de projetos novos, especialmente para as montadoras, e utilizar nossa capacidade já instalada para impulsionar os negócios e tornar a empresa mais competitiva no mercado brasileiro e mundial.”

Com os novos negócios a empresa passa a atender a 37 países, tanto no mercado de reposição quanto no OEM.

O primeiro pedido para a França embarca no fim de janeiro: capotas marítimas e santantônio para picapes Ford Ranger, Isuzu D-Max, Toyota Hilux e Volkswagen Amarok.

Na Rússia o contrato de exportação envolve peças para o Ford EcoSport, lançado em novembro naquele mercado. Os contêineres, segundo informa a empresa, já seguem ao destino.

Na Guiana Francesa é a picape Nissan Frontier que será equipada por capotas marítimas e estribo integral K1 brasileiros da Keko.

Recentemente a Keko retomou as vendas para o Reino Unido. Um novo pedido está programado para embarcar também no fim de janeiro, para equipar as picapes Ford Ranger e Volkswagen Amarok.

Já na Tailândia a empresa ampliou sua operação junto à General Motors: fornecia itens em Peças & Acessórios e agora enviará mensalmente, ao longo deste ano, racks de teto diretamente para a linha de montagem de versão especial da picape S10.

China fecha 2014 com crescimento de 7% nas vendas de veículos

O crescimento nas vendas do maior mercado de veículos do mundo caiu pela metade no ano passado. Se em 2013 os chineses consumiram 14% mais do que em 2012, em 2014 as vendas no mercado chinês cresceram 7%, para 23,5 milhões de unidades, de acordo com informações da Agência Reuters com base nos dados divulgados pela CAAM, a associação das montadoras chinesas.

Ainda que o acréscimo de cerca de 1,5 milhão de unidades de um ano para o outro seja o equivalente ao tamanho total de mercados maduros, como França e Coreia do Sul, a desaceleração do crescimento chinês começou a provocar desentendimentos das montadoras com suas redes de distribuição. O motivo: altos estoques. Como o ritmo das fábricas não acompanhou o do mercado, os níveis subiram e deram início a reclamações dos concessionários.

A CAAM projeta para 2015 repetir o crescimento do ano passado, segundo informações da Agência Bloomberg. O mercado chinês saltaria, portanto, para 25,1 milhões de unidades, caso os 7% de elevação sejam alcançados.

“O crescimento está se desacelerando, mas o mercado ainda evoluirá de 1,5 milhão a dois milhões de unidades”, afirmou Lin Huaibin, analista da IHS Automotive baseado em Shangai, ainda antes da divulgação oficial das projeções da associação. “Ainda há espaço para todas as montadoras jogarem.”

Ford, GM e Volkswagen registraram entregas recordes de veículos no ano passado, mesmo com o menor crescimento da economia chinesa desde 1990 – segundo estimativas o PIB chinês subiu 7,4% no ano passado e deverá apresentar 7% de evolução em 2015.

Rede Peugeot Citroën já tem a primeira casa unificada no País

O presidente da Associação Brasileira dos Concessionários da Citroën, Abracit, Luiz Carlos Bianchini, afirmou que a unificação das operações da rede de concessionárias Peugeot e Citroën, hoje totalmente independentes, é um processo facultativo no País. “Nenhum concessionário será obrigado a aderir ao processo se não se sentir confortável.”

Reportagem veiculada pela Agência Autodata em dezembro revelou que a unidade brasileira da PSA Peugeot Citroën trabalha há alguns meses no chamado Projeto Y, que pretende unificar as redes no País, a exemplo do que já acontece na Europa. Na prática apenas fachadas, entradas, showroom e equipe de vendas terão necessariamente que ser distintas.

Bianchini disse que a Abracit foi informada sobre o processo há cerca de quatro meses e que o movimento ainda é recente, portanto é difícil prever como os concessionários se adaptarão. “Estamos cientes do processo de reestruturação da PSA no mundo e isso também inclui mudanças no Brasil. No entanto não é uma questão que será resolvida do dia para a noite.”

A cidade de Taguatinga, a vinte quilômetros de Brasília, DF, foi eleita para testar o novo formato da operação: desde setembro a concessionária da cidade, a Saga France, engloba as duas marcas.

Segundo Jameson Hoewell, gerente comercial da concessionária, a unidade recebeu investimentos do Grupo Saga e também da PSA para ser formatada. “A PSA nos procurou para iniciar um projeto-piloto. Julgamos o formato interessante e nos adaptamos.”

A previsão, segundo Hoewell, é que o faturamento da unidade aumente de 20% a 25% neste ano devido ao novo formato. O Grupo Saga tem 60 concessionárias no País e representa dezoito marcas. “Acreditamos que a consolidação é uma tendência para enfrentar tempos de maior concorrência. Ainda avaliamos a adoção do formato em outras concessionárias, pois tudo ainda é muito novo.”

Dentre os pontos positivos da unificação o gerente pontua a otimização dos custos, com compartilhamento do setor administrativo e de pós-vendas, e o aumento do fluxo de pessoas. “Os clientes têm mais atrativos para nos visitar, e além disso se sentem amparados ao notar que as marcas estão investindo.”

A concessionária, que abriga as duas marcas em um mesmo espaço, porém com showroom diferenciado, passou a dividir até mesmo o número de telefone. “Estamos aproveitando cada sinergia possível.”

Para o presidente da Abracit, que representa 155 concessionários da marca Citroën no País, em alguns casos a solução de unificar as redes pode ser positiva. “Em localidades aonde uma concessionária não vai bem a outra marca pode ajudar a alavancar as vendas a partir da união. Essa integração ajudará na redução de custos, pois a área administrativa poderá ter uma sinergia.”

Como alguns modelos das duas marcas francesas dividem a mesma plataforma Bianchini afirma que na área de reposição de peças e estoques a sinergia pode alcançar 80%. No entanto ele ressalta que a identidade visual das marcas deve ser mantida intacta, além da política comercial de cada companhia – que atua, com CNPJs diferentes.

“No caso de optar pelo compartilhamento os concessionários precisarão investir nas adaptações físicas.”

Mesmo não sendo um processo simples, principalmente na fase inicial, Bianchini qualifica a possibilidade de unificação como benéfica. “É uma ferramenta a mais a ser avaliada em um momento de aumento da competitividade na indústria automotiva. No entanto, há de haver concordância integral dos concessionários envolvidos e esse não é um processo muito simples.”

Na avaliação do presidente da Abracit, que possui uma revenda da Citroën em São José dos Campos, SP, o movimento de unificação deve ser mais intensificado nas grandes cidades em um primeiro momento. “Sei de discussões em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde há mais concentração da concorrência e a união pode representar um trunfo. Já nas cidades menores acredito que essa onda deve demorar mais a chegar.”