Câmara analisará novas alterações na lei do motorista

A alta no valor dos fretes é um dos principais motivadores de projeto que pretende tornar mais flexíveis as regras da lei 12.619/ 2012, mais conhecida como Lei do Motorista, que regulamenta a profissão e a jornada de trabalho na CLT. Propostas como a da ampliação do tempo máximo ao volante das atuais 4 horas para 5,5 horas, dentre outras, estão reunidas no projeto de lei 4.246.

Seu texto-base já fora aprovado em julho do ano passado e a expectativa é de que os chamados destaques, que são questões pontuais do projeto ainda sem consenso, sejam analisados pela Câmara dos Deputados em Brasília, DF, nos próximos dias.

Em entrevista à Agência AutoData, Narciso Figueiroa Junior, assessor jurídico da NTC, Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, analisa que as alterações propostas são complexas e substanciais – há quem fale em Nova Lei do Motorista, tamanha é a lista de mudanças sugeridas. No entanto, a associação é favorável às mudanças:

“Alguns aspectos são necessários e tornam a lei mais fácil de ser aplicada e compreendida. O atual descanso de 11 horas ininterruptas, por exemplo, compromete a segurança do motorista: nem todas as estradas têm pontos adequados de parada. Somos a favor de 8 horas de descanso ininterrupto mais 3 horas com fracionamento, como foi proposto. Isso não compromete a saúde ou a segurança do condutor, ao contrário.”

A extensão de máximo de duas horas extras para quatro horas mediante acordo coletivo também é apoiada pela NTC.
“Na atividade de transporte rodoviário e urbano há fatores externos que influenciam diretamente na jornada, tais como trânsito, restrição na circulação em grandes cidades, dentre outros. Com a fiscalização da real necessidade de horas extras pelos sindicatos, a lei fica mais aplicável.”

Figueiroa Junior não acredita, contudo, que as alterações propostas sejam a salvação da alta nos fretes. “É difícil avaliar, depende do tipo de transporte. Para o transporte agrícola e industrial, por exemplo, o impacto pode ser mais favorável. Para o segmento de carga fracionada, talvez nem tanto. Depende da rota e do tipo de produto transportado, pois o setor é muito dinâmico.”

Embora o texto-base já tenha sido aprovado em vários âmbitos, questões como a da alta de 5% para 10% de tolerância nos limites de peso bruto do caminhão por eixo para rodagem não tiveram a concordância do Senado.

“Estamos na expectativa de como o projeto será recebido, ainda, pela Casa Civil e pela Presidente da República. O momento é de incerteza.”

Saldo de financiamentos cai 7,8% em novembro

O saldo da carteira de financiamentos de veículos para pessoas físicas apresentou queda em novembro, de acordo com dados da Anef, associação que representa os bancos de montadoras, divulgados na terça-feira, 20. Fechou em R$ 211,9 bilhões, valor 7,8% inferior ao de novembro do ano passado e 0,2% abaixo do resultado de outubro.

Os recursos liberados pelas instituições financeiras das montadoras registrou leve avanço de 0,3% de janeiro a novembro, na comparação com o mesmo mês de 2013, somando R$ 103,1 bilhões. Em novembro foram concedidos R$ 9,8 bilhões em financiamentos, valor 0,5% inferior ao mesmo mês do ano passado e 6,1% abaixo do volume liberado em outubro.

A inadimplência registrou nova retração em novembro: os atrasos superiores a noventa dias somaram 4% da carteira, redução de 0,2 ponto porcentual no mês, 1,2 p.p. no ano e 1,3 p.p. nos últimos doze meses.

As taxas de juros chegaram a 1,4% ao mês, leve redução de 0,1 p.p. com relação a outubro. O prazo máximo de planos oferecidos foi de 60 meses, mas a média ficou em 42 meses.

O presidente da Anef, Décio Carbonari, afirmou em comunicado que a redução na inadimplência foi o fator mais positivo para o setor no ano passado. “Esperamos que 2015 a inadimplência seja ainda mais baixa, devido à nova lei de retomada de veículos, que tranquiliza as instituições financeiras das montadoras e, consequentemente, favorece o crédito aos consumidores.”

Setor automotivo avalia novas medidas do governo federal

As medidas anunciadas pelo novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na segunda-feira, 19, para aumentar a arrecadação de impostos em R$ 20 bilhões neste ano, ainda não foram totalmente digeridas pelo setor automotivo.

A maioria das empresas e associações do setor aguarda a publicação do texto completo da Medida Provisória das medidas no Diário Oficial da União para compreender o que de fato mudará na tributação e qual será o possível impacto nos negócios.

Na lista de mudanças anunciadas pelo governo federal que devem afetar diretamente o setor estão o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras, IOF, de 1,5% para 3,5%, a volta da Cide e reajuste da alíquota de PIS/Cofins para gasolina e diesel e o aumento, de 9,25% para 11,75%, do PIS/Cofins sobre importação.

As medidas relacionadas ao crédito devem gerar a maior fatia de arrecadação para o governo, estimada em cerca de R$ 7,4 bilhões neste ano. Os financiamentos de veículos entram na lista mas, segundo nota da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, a Anefac, a elevação do IOF será restrita a financiamentos até 12 meses, contratados por pessoas físicas. Para operações acima desse período a taxa de 1,5% continua valendo.

A Anefac realizou uma simulação de compra de veículo quando a medida passar a valer. Antes da elevação do IOF um financiamento de automóvel de R$ 25 mil em doze meses, com taxa de juros de 1,84% ao mês, o consumidor pagaria parcelas mensais de R$ 2.384,83, totalizando R$ 28.617,96. Com a elevação para 3% as parcelas serão de R$ 2.419,94 e o total de R$ 29.039,28 – acréscimo de R$ 35,11 na prestação e de R$ 421,32 no valor do financiamento.

Procurada, Associação Nacional Empresas Financeiras Montadoras, a Anef, afirmou não ter porta-voz disponível para comentar a medida. De acordo com seu relatório até novembro, último disponível, o prazo médio de financiamento de veículos de suas associadas é de 42 meses.

A mudança da tributação sobre importação deve gerar uma arrecadação extra de R$ 694 milhões neste ano, segundo as contas do governo federal. Fonte ligada ao setor de importação de veículos ouvida pela reportagem afirmou que impacto da medida na indústria de veículos ainda não pode ser mensurado – se é que de fato ocorrerá –, uma vez que o texto da MP não foi publicado, o que torna impossível entender como será o funcionamento da nova regra. A expectativa é que o DO traga o texto ainda nesta semana.

A fonte declarou que “o aumento do PIS/Cofins sobre importação pode se dar de diversas formas e precisamos das regras claras para compreender o que mudará. Pode ser que ocorra um impacto pequeno no setor automotivo, mas também é possível estimar uma mudança importante”.

Procurada para falar sobre os possíveis desdobramentos nas vendas de veículos importados a Abeifa informou que o presidente da associação, Marcel Visconde, está em viagem de férias ao Exterior e que, assim, não comentaria o assunto.

Já o retorno da Cide e o aumento do PIS/Cofins na gasolina e no diesel, que devem gerar arrecadação extra de R$ 12,2 bilhões, foram bem vistos pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar, a Unica. Para a presidente da entidade, Elizabeth Farina, em entrevista coletiva realizada na terça-feira, 20, “o reajuste da gasolina melhora a competitividade do etanol”.

Ela acrescentou que “apesar de não ser uma medida direta para o setor sucroalcooleiro estamos otimistas com seu desdobramento. Essa diferenciação tributária valoriza o combustível renovável e o etanol pode voltar a ser competitivo”.

A presidente da Unica ressaltou ainda que os investimentos nas usinas devem voltar: “A gasolina ficará mais cara e a tendência é que haja uma migração para o etanol, o que vai gerar demanda e justificará investimentos”.

As mudanças anunciadas pelo ministro da Fazenda tributarão a gasolina em R$ 0,22 e o diesel em R$ 0,15 por litro a partir de 1º de fevereiro. Estimativas da Unica indicam que o preço nas bombas deve apresentar reajuste ligeiramente menor, com elevação de cerca de 7% no valor cobrado pelo litro da gasolina nos postos de combustível.

Consultada pela Agência AutoData quanto a um possível impacto do reajuste dos dois combustíveis nas vendas de veículos 0 KM a Anfavea afirmou que não pretende revisar suas projeções de volume de comercialização para 2015 – de estabilidade ante 2014, em 3,5 milhões de unidades – por conta da iniciativa.

Procurada, a Fenabrave afirmou que a diretoria encontrava-se em viagem de negócios aos Estados Unidos e que desta forma não poderia comentar as medidas.

Brasil e México se enfrentam em primeira reunião para renovar acordo

Representantes dos governos brasileiro e mexicano se reuniram em Brasília, DF, na sexta-feira, 20, para a primeira reunião oficial de negociação da renovação do acordo automotivo bilateral, que vence em 18 de março – ou seja, em menos de um mês.

Não houve acordo e novo encontro foi agendado para daqui uma semana, ou a próxima sexta-feira, 27, na Cidade do México.

De acordo com informações reveladas à Agência AutoData por fonte próxima às negociações, as conversas estão duras e as tratativas tendem a se arrastar, como aconteceu em 2012, quando, a pedido do Brasil, foram adotadas cotas no comércio bilateral. De acordo com a fonte enquanto o governo mexicano cobra o retorno ao livre comércio a partir de 19 de março, conforme negociado há três anos, o governo brasileiro não só quer manter o sistema como ainda pediu a redução do valor das cotas anuais.

O presidente da Anfavea, Luiz Moan, esteve em Brasília na sexta-feira, 20, ainda que não participasse diretamente da reunião. Procurado por telefone o dirigente optou por não falar com a imprensa, mas afirmou por meio de nota que durante o encontro “os governos reiteraram seu interesse mútuo na rápida conclusão destas negociações e novo encontro deverá ocorrer em uma semana. Como representante do setor privado a Anfavea considerou a reunião muito positiva, dado o interesse demonstrado pelos governos no fortalecimento das relações bilaterais das duas maiores economias da América Latina”.

Em nota o MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, afirmou apenas que “as negociações avançaram”, salientando ainda que “os governos brasileiro e mexicano reiteram seu interesse na pronta conclusão dessas negociações”.

Ainda de acordo com a fonte ouvida pela reportagem uma das razões para o México reivindicar o retorno do livre comércio é a Argentina: quando o Brasil acertou o uso do sistema de cotas por três anos o parceiro do Mercosul logo exigiu o mesmo, iniciativa rechaçada pelo México. Depois de conversas duríssimas, em junho de 2012 a Argentina rompeu unilateralmente o acordo automotivo com o México, que por sua vez denunciou o país à OMC. A disputa só se encerrou em dezembro daquele ano, seis meses depois, quando foi acertado o uso das cotas também no comércio dos dois países, igualmente até 18 de março de 2015.

Como o governo mexicano não quer de forma alguma repetir o desgastante processo de negociação com os argentinos, segundo a fonte, a estratégia adotada foi a de cobrar dos brasileiros o retorno ao livre comércio, conforme combinado em 2012, o que eliminaria qualquer tentativa dos argentinos de também continuar com o sistema de cotas.

Em 2012 os governos brasileiro e mexicano chegaram a conversar quanto à hipótese de incluir veículos comerciais, como caminhões e ônibus, no acordo bilateral – hoje restrito a automóveis e comerciais leves –, o que poderia ajudar a balança comercial do lado brasileiro.

Porém, à época, divergências quanto às regras de emissões de cada país tornaram essa iniciativa inviável: o Brasil usa o padrão europeu enquanto os mexicanos adotam o estadunidense. Na ocasião os governos afirmaram que o tema seria reestudado para possível inclusão destes veículos no acordo a partir de abril de 2015.

Fenatran 2015 tem nova data: de 9 a 13 de novembro.

A 20ª. edição da Fenatran, Salão Internacional do Transporte, abrirá as portas ao público neste ano em 9 de novembro, e seguirá até 13 de novembro. O local de sua realização continua o mesmo, o Pavilhão de Exposições do Parque do Anhembi, em São Paulo.

Anteriormente a Fenatran estava agendada para de 26 a 30 de outubro. Segundo porta-voz da Anfavea a alteração foi necessária porque a data coincidia com a do Salão Internacional de Tóquio, no Japão, de 28 de outubro até 8 de novembro.

A Anfavea voltou a ser filiada à Oica, associação mundial de fabricantes de veículos, e desta forma a Fenatran, que a associação apóia, entrou ao calendário oficial de eventos globais da indústria automotiva em 2015. Como a associação japonesa de fabricantes de veículos havia reservado a data antes, coube à Reed Exhibitions Alcantara Machado, que organiza a Fenatran, postergar o início do evento em quinze dias.

Em comunicado oficial a organização justificou que “atendendo às necessidades, demanda e sazonalidade de vendas das empresas, a organização alterou a data de realização da Fenatran em prol do melhor para o mercado”.

Diante da posição da Anfavea, João Paulo Picolo, diretor do portfólio automotivo da Reed Exhibitions Alcantara Machado, atendeu à reportagem de AutoData por email e acrescentou que “o fato da antiga data coincidir com o Salão de Tóquio foi também um dos pontos decisores para a mudança, já que as empresas querem estar com sua melhor performance em todos os eventos. Logo, a participação simultânea em dois eventos internacionais poderia comprometer tal atuação”.

Participantes – A Reed Exhibitions Alcantara Machado revelou que a edição deste ano da Fenatran reunirá 376 marcas expositoras, dentre fabricantes de caminhões e veículos comerciais, autopeças, fornecedores de combustíveis e derivados, empresas de implementos, equipamentos de movimentação de carga, bancos e outras.

O espaço dedicado à mostra tem 130 mil m² e a estimativa é receber 62 mil profissionais.

A última edição, realizada de 28 de outubro a 1 de novembro de 2013, reuniu 370 empresas e recebeu 61,3 mil visitantes.

Randon e Bosch têm novidades em suas diretorias

Grupo Randon e Bosch anunciaram na terça-feira, 20, mudanças em suas diretorias no Brasil.

Na empresa de Caxias do Sul seu presidente, David Abramo Randon, revelou mudanças na estrutura organizacional que alterarão responsabilidades dos gestores a partir de março. Em comunicado, considerou que “as movimentações e trocas de posições dentro da organização são saudáveis, produtivas e necessárias para mantê-la globalmente competitiva dentro do conceito de empresa vencedora de classe mundial”.

Ainda na nota o diretor vice-presidente de Administração e Finanças, Daniel Raul Randon, complementou afirmando que “o aproveitamento dos conhecimentos e da expertise dos diretores em diferentes posições dentro das empresas dá sustentabilidade à Companhia em sua ambição de manter a liderança nos mercados nos quais atua”.

No segmento de implementos e veículos a Randon S.A Implementos e Participações passa integralmente à responsabilidade do diretor corporativo Alexandre Gazzi, uma vez que o diretor corporativo Norberto Fabris assumirá a gestão da área corporativa de Compras das Empresas Randon, uma estratégia que teve o acompanhamento da McKinsey, consultoria internacional especializada, e que, efetivamente, inicia operação em fevereiro.

Fabris também continua respondendo pela Randon Veículos e atuando na função de Relações Institucionais do Grupo perante as entidades de classe e governos.

Na área de autopeças o diretor corporativo Pedro Ferro, que também é diretor-superintendente da Fras-le, assume o comando da Master e passa a compor o Conselho da Jost Brasil, enquanto que Luis Antônio Oselame continua responsável, pela Suspensys e pela Castertech Fundição e Tecnologia, como diretor corporativo das Empresas Randon.

A companhia também anunciou criação de diretoria específica de Compras Corporativas, sob a responsabilidade de Esdânio Nilton Pereira, que se reportará ao diretor corporativo Norberto Fabris. Na nota, a Randon afirma que “também se preocupa com a gestão integrada de suprimentos, uma medida que, a exemplo de modelos amplamente utilizados pelas montadoras de veículos, visa organizar e administrar a área corporativa de suprimentos para as empresas integrantes do Grupo”.

Desta forma, complementa o comunicado da Randon, “o instrumento de gestão estratégia busca uma maior produtividade na área de compras e mostra, de maneira transparente, a melhoria de desempenho dos fornecedores de quaisquer portes, trazendo resultados positivos para todas as partes interessadas”.

Já na Bosch Mauro Lima-Vaz foi nomeado novo vice-presidente de vendas e marketing da divisão Security Systems para América Latina. O executivo trabalha no Grupo Bosch desde 1989 e desde então atuou em várias divisões e países, como Áustria, Polônia, Alemanha e agora no Brasil. À frente da divisão desde julho de 2014, é responsável por todos os negócios de sistemas de segurança eletrônica que levam a marca Bosch, além das linhas de áudio profissional, da marca ElectroVoice e os produtos do segmento de comunicação crítica das marcas.

Lima-Vaz é formado em Economia pela Universidade Estadual de Campinas e possui especialização pela Universidade de Economia de Viena, na Áustria.

Indústria de pneus registra estabilidade em 2014

Fechou com estabilidade a produção de pneus das empresas associadas à Anip no ano passado. Dados da associação divulgados na terça-feira, 20, indicam que foram produzidas 68,8 milhões de unidades em 2014, leve retração de 0,2% na comparação com o volume do ano anterior.

A Anip encarou o resultado como negativo, vez que nos dados do ano passado estão computados os pneus produzidos pela fábrica da Dunlop, em Fazenda do Rio Grande, PR, inaugurada no último trimestre de 2013. Os associados esperavam, portanto, que o volume crescesse com a entrada em operação de mais uma fábrica.

“Em 2010 a entrada de mais um fabricante [Continental em Camaçari, BA] elevou a produção em 24,4% com relação ao ano anterior”, disse Alberto Mayer, presidente-executivo da Anip, em comunicado. “No ano passado ficamos estagnados, o que significa, na verdade, um retrocesso.”

Segundo Mayer são duas as razoes principais para a freada do setor. Uma delas foi a redução de 17,6% nas vendas de pneus para as montadoras, que caíram de 22,5 milhões para 18,5 milhões de unidades de 2013 para 2014. “Reflete a queda nas vendas de veículos.”

Outra razão, argumenta o executivo, foi o alto patamar de importações. No ano passado foram importados 27,2 milhões de pneus, o equivalente a quase 40% da produção do componente no Brasil. Mais de metade deste volume, ou 14,2 milhões de unidades, teve a China como origem.

As vendas de pneus no mercado doméstico, somadas as importações, chegaram a 74,9 milhões de unidades – os dados incluem apenas as associadas da Anip. O segmento de reposição compensou a retração nas vendas para montadoras e cresceu 11,4%, para 43,9 milhões de unidades.

A Anip considera incerto o cenário do segmento para 2015 e o presidente evitou fazer projeções. “Precisamos aguardar as próximas iniciativas do governo federal para o setor automotivo. Só aí poderemos desenhar um cenário mais provável para 2015.”

Mahle compra divisão Thermal da Delphi por US$ 727 milhões

A matriz alemã do Grupo Mahle anunciou na quinta-feira, 19, acordo definitivo para aquisição global da divisão Thermal da Delphi por US$ 727 milhões, em operação que depende da aprovação de órgãos antitruste internacionais. Adicionalmente, as empresas assinaram também carta de intenção para aquisição da parcela da Delphi Thermal em joint-venture na China.

A operação engloba treze fábricas, instaladas nos Estados Unidos, México, Brasil, Polônia, Eslováquia, Hungria, China e Índia, além de centros de desenvolvimento instalados nos Estados Unidos e Luxemburgo.

No Brasil a unidade de negócios conta com fábrica em Jaguariúna, no Interior de São Paulo.

A expectativa das empresas é que o negócio seja concluído no terceiro trimestre deste ano.

A divisão Thermal da Delphi produz globalmente sistemas de ventilação e ar-condicionado, incluindo compressores, e também de refrigeração para veículos, como radiadores.

A Mahle já possuía uma divisão semelhante, formada a partir da aquisição total da Behr, em 2013. Em comunicado o CEO da empresa, Heinz Junker, afirmou que “com a aquisição vamos reforçar nosso compromisso com este segmento promissor. De um lado aumentaremos a presença produtiva na Europa, América do Norte e Ásia, e de outro reforçaremos nossa linha de produto e competências, em especial com os compressores para ar-condicionado. Foi um passo estratégico para a Mahle”. Na mesma nota o diretor da unidade Thermal Management, Jörg Stratmann, considerou que “com este negócio a Mahle reforçará significativamente sua competitividade na área de gerenciamento térmico na indústria automotiva”.

Para Rodney O’Neal, CEO e presidente da Delphi, também em comunicado, “a transação coloca a Delphi na direção de um portfólio focado em segurança, sustentabilidade e conectividade”. Para ele, “sob a direção da Mahle a divisão se tornará uma das líderes mundiais no fornecimento de sistemas térmicos, beneficiando nossos clientes e nossos funcionários”.

No ano passado a divisão Thermal da Delphi registrou faturamento de US$ 1,6 bilhão. São ao todo 6,7 mil funcionários.

Muita saúva, pouca saúde

“Muita saúva, pouca saúde. Os males do Brasil são!” Com esta frase, eternizada no clássico da literatura brasileira, Macunaíma, escrito na primeira metade do século passado, Mário de Andrade tentou mostrar que em uma sociedade predominantemente agrária, como o era naquela época, qualquer praga que prejudicasse a produção poderia ser muito ruim para o povo.

Hoje, para ilustrar a realidade da economia brasileira, na qual a produtividade e a competitividade têm se mostrado como os principais obstáculos rumo ao desenvolvimento, talvez seja melhor usar outra frase que, no mesmo livro, era dita o tempo todo pelo seu personagem central, o próprio Macunaíma: “Ai, que preguiça…”.

Guardados os devidos exageros demonstra bem a marcha à ré que o Brasil engatou nos últimos anos no que se refere às atividades industriais.

Na semana passada a Confederação Nacional da Indústria, CNI, divulgou o seu estudo de competitividade, refletindo o ambiente de negócios vivido ao longo de 2014. Dentre quinze países estudados o Brasil ocupou a penúltima posição, à frente da Argentina. A lista incluiu também Colômbia, México, Polônia, Turquia, Índia, Rússia, África do Sul, Chile, China, Espanha, Austrália, Coréia do Sul e Canadá.

Este estudo referenda o Relatório de Competitividade Global, divulgado em setembro do ano passado pelo WEF, Fórum Econômico Mundial, que colocou o Brasil na 57ª posição de 144 países.
Também neste caso ficamos atrás de vários vizinhos da América Latina, como Chile, 33º, Panamá, 48º, e Costa Rica, 51º. E também dos outros companheiros do Bric, China, Rússia e África do Sul que ficaram nas 28ª, 53ª e 56ª posições.

A maior e mais perigosa coincidência destes dois estudos reside no fato de apontarem a produtividade como o maior problema atual do Brasil. O trabalho da CNI, por exemplo, revela que, em comparação aos outros catorze países, estamos bastante atrasados nos fatores disponibilidade e custo da mão de obra e de capital, infraestrutura, peso dos impostos, ambientes macro e microeconômicos, educação e tecnologia e inovação.

Já na avaliação do WEF a situação também foi quase dramática, com o Brasil ocupando o 85º lugar em desempenho macroeconômico e tendo uma das piores avaliações em educação, 126ª colocação. E isto, segundo o estudo, deixa claro que o País não consegue, em teoria, fornecer trabalhadores com o conjunto de habilidades necessárias para uma economia que está em processo de desenvolvimento.

O peso dos impostos é outro item que aparece no topo dos principais problemas nos dois estudos. No trabalho da CNI o Brasil ficou na décima-terceira posição dentre os quinze países estudados. No da WEF também foi citado como um dos principais fatores a serem resolvidos no futuro, seguido das regulamentações trabalhistas.

Na prática tudo isto significa que a economia brasileira não vem sendo gerida com a eficácia necessária nos últimos anos, sobretudo no que diz respeito à alocação e à administração dos recursos arrecadados que, convenhamos, não são poucos. E explica um pouco da fuga de capitais que temos assistido nos últimos anos, com mais e mais empresários e executivos, notadamente de grandes multinacionais do setor de autopeças, gritando aos quatro ventos que estão sistematicamente perdendo investimentos para outros países.

A junção de tudo isto, política tributária, trabalhista, falta de investimento em educação, infraestrutura ruim, etc, acaba meio que desembocando em um vertedouro estreito que responde pelo nome de produtividade que, num grande resumo, funciona quase como sinônimo de competitividade.

A partir daí é lógico que a falta de preparo do nosso trabalhador e a própria legislação trabalhista brasileira são assuntos que devem ser resolvidos com urgência. Só que atrelar os nossos problemas somente a isto é um erro que deve ser evitado, pois a nossa baixa produtividade tem origem mais ampla e profunda e aspectos como infraestrutura defasada e burocracia talvez até sejam mais importantes.

Estão estamos perdidos? É claro que não. Existem exemplos que mostram que, mesmo com todas as limitações atualmente encontradas no Brasil, é possível destacar-se nesta questão da produtividade. A agricultura brasileira é um deles e viu sua produtividade crescer com índices chineses nas últimas décadas.

O problema é que continuamos presos aos movimentos do governo e de sua nova equipe econômica. E, pelos primeiros passos dados, se antes a situação para a indústria estava ruim em termos de competitividade pode ficar ainda pior nos próximos meses, porque os custos estão subindo no Brasil e caindo no resto do mundo.

Recuperação tributária, reajuste de 30% na energia elétrica, aumento do aço, cotação dos derivados de petróleo em alta internamente, tudo isto além dos estoques altos advindos do ano passado, são alguns dos problemas que surgiram com força nos primeiros dias deste ano. E podem estar colocando em risco o tão esperado cenário de recuperação da indústria.

Por tudo isto é bom deixar a preguiça de lado.

BMW Group bateu recorde de vendas no Brasil em 2014

Enquanto o mercado de veículos apresentou retração de 7% no Brasil em 2014, segundo dados da Anfavea, o BMW Group local foi na contramão e encerrou o ano passado em alta de 7%, com 15 mil 50 unidades vendidas, recorde para a fabricante de veículos de luxo.

Em comunicado o presidente e CEO do BMW Group Brasil, Arturo Piñeiro, comemorou o resultado e ressaltou que a companhia mudou de patamar no País, passando de importadora a fabricante no último ano. “Por isso 2014 representa um marco importante da nossa história. Apesar da instabilidade econômica registrada no período, terminamos o ano com recordes nas vendas de nossas marcas, contando com uma rede de concessionários mais abrangente”.

Os números de emplacamentos cresceram para todas as marcas do BMW Group Brasil em 2014. O modelo BMW Série 3, que é produzido em Araquari, SC, desde o último trimestre de 2014, permaneceu como o carro-chefe do portfólio, respondendo por 50% do total das vendas da marca no País.

Além dele o BMW X1 também começou a ser produzido no País e, segundo a companhia, os modelos BMW Série 1, BMW X3 e Mini Countryman são os próximos a entrar na linha de montagem, todos em 2015.

A família de produtos X da BMW vendeu 4,4 mil unidades, respondendo por 30% das vendas totais do grupo. A marca anunciou durante o Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro, a chegada de outros modelos desta gama ao País, como o X5 Diesel e o X4.

Por sua vez a Mini completou cinco anos de atuação no Brasil e emplacou 2,4 mil unidades em 2014, crescimento de 26,5%. A nova geração do hatch foi o modelo mais vendido aqui, com mais de 60% dos emplacamentos.

A BMW Motorrad, divisão de motocicletas do BMW Group, comercializou 7,8 mil unidades, em alta de 3% ante 2013. No último ano houve o início da produção nacional dos modelos com motorização boxer, como a R 1200 GS e R 1200 GS Adventure.

Em 2014 a produção na unidade de Manaus, AM, respondeu por 67% do total de modelos comercializados pela BMW Motorrad no País.

Ainda de acordo com comunicado da montadora no ano passado houve investimento para expansão da rede de concessionários: o Grupo passou de 95 pontos de venda para 113 no último ano, crescimento de 16%.

Em 2013 a BMW contava com 39 representantes no País e passou a 47 lojas. Já a Mini inaugurou quatro novas concessionárias, chegando a 28 pontos, enquanto a BMW Motorrad abriu seis, passando para 38 em 2014.