Feliz ano novo!

Estamos quase todos retornando ao trabalho após um curto e merecido descanso de 15 dias. E voltamos já com algumas boas notícias. A primeira delas é que finalmente o difícil 2014 ficou para trás oficialmente na semana passada e estamos iniciando uma nova temporada de boas aventuras.

A segunda boa notícia – e aqui tomo a liberdade de copiar na cara de pau o que foi dito por meu sócio S Stéfani na abertura do Prêmio AutoData, em novembro – é que o carnaval acontecerá em fevereiro e não em março, como aconteceu no ano passado, não teremos copa do mundo em junho e também não seremos obrigados a escolher presidente novo em dois turnos em outubro. Ou seja: teremos o ano inteiro para trabalhar e nem os tais dos onze feriados prolongados previstos para este 2015 irão atrapalhar tanto quanto estes três eventos atrapalharam todo 2014.

Tenho a virtude – ou defeito, dependendo do ponto de vista – de ser um eterno otimista. Acredito no Brasil e acho realmente que ainda teremos um lugar de destaque no mundo no futuro, independente de quais forem os rumos políticos que seguirmos.

E nesta minha visão de futuro positiva incluo este nosso setor automotivo brasileiro. Tenho a certeza que ninguém tirará do Brasil este posto já alcançado de ser um dos maiores mercados e bases produtivas de veículos de todo o mundo. Em 2014 até que tentaram, mas mesmo assim, fechamos o ano como o quinto maior mercado mundial – algumas dezenas de milhares de unidades atrás da Alemanha, o quarto – e sétimo ou oitavo maior produtor. Pormenor importante: se estivéssemos na Europa, teríamos sido o segundo maior mercado daquele continente.

Para este 2015 ainda não vejo razão para mudar a projeção da maioria dos executivos da nossa indústria feita no Congresso AutoData Perspectivas, em outubro. Ou seja: teremos um ano muito parecido com o que vimos em 2014 tanto em termos de produção como de vendas. E isto em termos de negócios não será nada ruim, vez que a grande maioria das empresas já se reestruturou ao longo dos últimos seis meses para trabalhar com este cenário, digamos, um pouco mais modesto.

E um pouco mais à frente, lá em 2016 ou 2017, a volta do ciclo de crescimento regular em patamar muito mais sustentado. Neste ponto nunca é demais lembrar que, segundo estudos recentemente divulgados pela Anfavea, o mercado brasileiro ainda deverá dobrar de tamanho nos próximos 20 anos, chegando próximo da faixa dos sete milhões de veículos vendidos anualmente. Vai demorar um pouco, mas vamos chegar lá…

No curto prazo, nestes três primeiros meses, alguns pormenores importantes deverão ser acompanhados com atenção. O nível do estoque de caminhões nas concessionárias e nos pátios das montadoras, por exemplo, irá determinar o ritmo da produção deste tipo de veículo ao longo de todo o ano. O preço do dólar também deve ser acompanhado de perto, pois se continuar alto fatalmente provocará uma corrida de nacionalização de componentes.

E, é lógico – e não menos emocionante –, temos que ficar atentos aos primeiro passos do novo trio da economia nacional. Se eles não atrapalharem muito tenho certeza que teremos um ano positivo…

Ônibus: projeção é fechar 2014 em 27,5 mil chassis vendidos.

As vendas de ônibus fecharam novembro em 2 mil 340 emplacamentos, queda de 15% ante os 2 mil 752 registrados no mesmo mês do ano passado.

De acordo com números da Anfavea revelados quinta-feira, 4, o comparativo com os 2 mil 883 chassis comercializados em outubro, melhor mês do ano até aqui, resulta em queda de 18,8%.

No acumulado até novembro as vendas somam 25 mil 208 unidades, baixa de 15,2% em relação às 29 mil 725 comercializadas no ano passado.

De acordo com volume anualizado, mesmo sem sinais de recuperação, as vendas de chassis de ônibus deverão fechar 2014 dentro das estimativas da Anfavea, que são de 27,5 mil entregas.

Produção – Todos os comparativos do volume de chassis de ônibus produzidos este ano são negativos. Em novembro saíram das linhas 1 mil 844 veículos, baixa de 44,4% ante 3 mil 315 unidades do mesmo mês do ano passado.

No acumulado foram produzidos 32 mil 334 chassis, 15,9% abaixo dos 38 mil 466 em período equivalente de 2013.
Em exportações o cenário é também negativo: 662 ônibus embarcaram em novembro, 38,6% menos que os 1 mil 78 no ano passado. No acumulado as vendas ao Exterior somam 6 mil 134 unidades, 30,5% abaixo das 8 mil 829 do mesmo intervalo de 2013.

Incertezas derrubam vendas de máquinas

As vendas domésticas de máquinas agrícolas e rodoviárias caíram 12,5% em novembro comparadas com o mesmo mês do ano passado. Dados divulgados pela Anfavea na quinta-feira, 4, indicam que 5,3 mil tratores, máquinas e colheitadeiras foram comercializados, volume que ainda foi 21% menor do que em outubro.

Segundo Ana Helena de Andrade, vice-presidente da Anfavea, a queda na confiança do agricultor diante das incertezas que envolvem os programas de financiamento destinados ao setor prejudicaram o resultado do mês passado.

“Não estão definidas as futuras taxas do Moderfrota, apesar da garantia de sua permanência durante a safra. Tradicionalmente há demanda forte por colheitadeiras em novembro e dezembro, além dos primeiros três meses do ano, mas esse fato ainda não ocorreu neste ano. Aguardamos para muito em breve essas definições.”

No acumulado do ano foram vendidas 64,4 mil máquinas agrícolas e rodoviárias, redução de 16,6% na demanda do mesmo período de 2013.

Nos últimos doze meses as vendas de máquinas alcançaram 70,4 mil unidades. A projeção da Anfavea para o ano é de 73 mil unidades, queda de 12% com relação a 2013, resultado que deverá ser alcançado ou ficar muito próximo.

O impacto do mercado também é sentido na produção: em novembro saíram das linhas de montagem 6,4 mil unidades, queda de 22,4% com relação ao mesmo mês do ano passado e de 20% na comparação com outubro. No acumulado do ano as vendas somam 78,7 mil unidades, queda de 16,2%.

As exportações seguem a mesma trajetória: foram 1,1 mil embarques em novembro, queda de 16,6% na comparação com novembro de 2013 e de 15,5% com outubro. No acumulado são 13 mil embarques, retração de 10,2%.

Brasil tentará reduzir importância da Argentina nas exportações

Depender menos das exportações para a Argentina é um dos objetivos da Anfavea para o próximo ano. Segundo Luiz Moan, presidente da associação, o país vizinho ainda responde por cerca de 65% a 70% das remessas de veículos brasileiros. “É um número que não nos agrada e buscamos outras possibilidades de forma a reduzir essa dependência.”

Dentre as ações previstas está a renovação do acordo comercial com o México. Na última semana representantes da associação estiveram naquele país e uma nova reunião será realizada em janeiro. “O acordo atual expira em março de 2015, mas queremos resolver essa questão antes disso.”

A Colômbia também é outro país que interessa às montadoras instaladas no Brasil. Na próxima semana a Anfavea enviará representes para uma nova rodada de negociações com a iniciativa privada colombiana, em busca de acordo que será apresentado aos governos das duas nações. “As perspectivas são muito boas.”

Alguns países africanos também estão na lista de destinos em estudo pela Anfavea, especialmente para a exportação de máquinas agrícolas e rodoviárias. “Em um segundo momento tentaremos iniciar conversas para caminhões.”

Enquanto a dependência da Argentina ainda prevalece as exportações voltaram a cair em novembro. Segundo dados da Anfavea divulgados na quinta-feira, 4, o volume das transações ficou em US$ 916,2 milhões no último mês, queda de 30,7% na comparação anual e de 2,5% em relação a outubro.

Foram enviados ao exterior 25,9 mil veículos em novembro, baixa de 42,6% em relação ao mesmo mês de 2013. As máquinas agrícolas e rodoviárias também viram seus volumes de remessa encolherem 16,6% no comparativo, para 1,1 mil unidades.

No acumulado do ano foram exportados US$ 10,7 bilhões, em queda de 30% na comparação anual.

Caminhões devem fechar 2014 em 133 mil unidades vendidas

As vendas de caminhões alcançaram 12 mil 159 unidades em novembro, alta de 4,4% em relação às 11 mil 641 registradas em novembro do ano passado.

Segundo números revelados pela Anfavea quinta-feira, 4, embora o resultado tenha se mantido estável frente aos 12 mil 172 licenciamentos de outubro, a média diária subiu 15% de um mês para outro, passando de 529 para 608 unidades.

No acumulado até novembro o mercado nacional de caminhões absorveu 123 mil 378 unidades, 12% abaixo dos 140 mil 129 emplacamentos realizados em período equivalente de 2013.

Ainda assim o resultado pode ser considerado positivo, vez que sinaliza confirmação da atual projeção da associação para o segmento, de 133 mil licenciamentos para o ano. O volume alçaria o mercado de caminhões de 2014 ao quinto melhor da história.

Luiz Carlos Moraes, vice-presidente da Anfavea, evitou projeções para o próximo ano: “As incertezas nos impedem de fazer qualquer previsão. É preciso o governo divulgue, além das taxas de juros do Finame PSI 2015, quais serão suas condições”.

Sobre uma taxa ideal, Moraes considerou ser “aquela que mantiver o programa ao longo de todo o próximo ano. Com a Selic a 11,75% há um descolamento da atual taxa, de 6%, que se torna impraticável. Por isso subir o índice aos poucos seria uma opção. Seja qual for a decisão, pedimos ao BNDES sua divulgação o mais rápido possível. O mercado precisa de previsibilidade e é nisso que insistimos”.

De acordo com Moraes o projeto de renovação de frota para o segmento, outro pleito do setor, já avançou junto ao BNDES. “A instituição apoia uma linha para novos e outra para usados dentro do programa. As taxas de cada uma dependerão daquelas praticadas pelo Finame PSI.”

O executivo revelou também que há estudo para que a aquisição do caminhão usado, com mais de trinta anos, seja revertida em créditos tributários de R$ 20 mil a R$ 40 mil, ainda que como sucata o valor do veículo gire em torno de R$ 1,5 mil. “É preciso que haja um fator indutor ao consumo.”

Produção – 11 mil 778 caminhões foram produzidos em novembro, baixa de 20% ante os 14 mil 752 no mesmo mês do ano passado.

No acumulado 136 mil 261 veículos saíram das linhas, queda de 24% ante os 179 mil 741 no mesmo período do ano passado.

As exportações também estão em curva decrescente: embarcaram em novembro 1 mil 560 caminhões, queda de 33,4% ante o mesmo mês de 2013, com 2 mil 341 unidades. No acumulado anual 16 mil 891 veículos foram vendidos ao Exterior, 26,7% abaixo dos 23 mil 58 no ano passado.

Novembro registrou a maior média diária do ano em vendas

A média diária de vendas em novembro atingiu o maior patamar do ano, com 14 mil 734 unidades. O índice finalmente superou aquele registrado em janeiro, o mais elevado até então, com 13 mil 737 veículos comercializados por dia útil. Naquela ocasião, entretanto, houve estímulo devido a veículos sem air bag e freios ABS, oferecidos com valores reduzidos na rede de concessionárias.

Segundo Luiz Moan, presidente da Anfavea, o número de novembro confirma a tendência de recuperação esperada para o segundo semestre. “No segundo período do ano as vendas estão 5,7% maiores do que as verificadas no primeiro semestre.”

Contudo, apesar da média diária alta as vendas mensais somaram 294,7 mil unidades em novembro, em queda de 2,7% na comparação anual e de 4% ante outubro. Isso porque o último mês teve vinte dias úteis, desconsiderando o feriado da Consciência Negra, que fechou concessionárias em cerca de 1 mil cidades do País, ante 23 em outubro.

Moan atribuiu o bom desempenho diário de novembro ao aumento de crédito disponível para financiamentos depois das medidas de estímulo anunciadas pelo Banco Central no fim de agosto. Segundo ele o volume liberado no último mês foi 13,9% maior do que antes das medidas e 63% dos veículos 0 KM foram financiados, ante 61,2% do período anterior ao incentivo do governo.

“A maioria dos bancos já reformulou seus contratos e as novas normas já estão valendo. É o início concreto da retomada.”

As vendas acumuladas do ano ainda apresentam recuo de 8,4%, com 3,1 milhões de veículos comercializados ante 3,4 milhões há um ano. Em outubro o índice fechou em 8,9% e, em setembro, 9,1%.

Já a taxa anualizada de vendas apresenta retração de 7,7%: nos últimos doze meses foram licenciados 3,48 milhões de veículos ante 3,77 milhões de unidades no período imediatamente anterior.

Perspectivas – Segundo Moan a recomposição da alíquota do IPI a partir de janeiro já está confirmada: “O governo bateu o martelo”. A taxação dos veículos com motor 1 litro retorna ao patamar de 7% – quatro pontos acima do atual –, e nas contas da Anfavea os veículos poderão sofrer reajuste de até 4,5% nos preços de venda. “Cada montadora decidirá se realizará ou não o repasse.”

A associação divulgará as projeções para 2015 apenas em janeiro. Entretanto o dirigente deu pistas do que está por vir: “Se vendermos em 2015 a mesma média mensal registrada de julho a novembro deste ano, de 293 mil unidades, chegaremos a 3,5 milhões de unidades e superaremos os números de 2014”.

Produção cai quase 10% em busca de ajuste de estoques

Menos dias úteis e a necessidade de readequação dos estoques derrubaram a produção automotiva em novembro. Segundo dados divulgados pela Anfavea na quinta-feira, 4, saíram das linhas de montagem 264,8 mil veículos, queda de 9,7% com relação ao mesmo mês do ano passado.

Por coincidência a produção automotiva de novembro de 2013 foi idêntica à de outubro deste ano: 293,3 mil veículos. Portanto a queda na comparação com o mês passado também foi de 9,7%.

Luiz Moan, presidente da Anfavea, afirmou que a redução no ritmo das linhas já era esperada: “O estoque fechou outubro em níveis elevados e era preciso uma readequação. Só existem duas maneiras de fazer isso – elevando as vendas ou reduzindo a produção”.

Como as vendas não cresceram reduzir o ritmo das linhas foi a alternativa encontrada pelas montadoras para evitar que os estoques chegassem a níveis ainda maiores. Ainda assim, eles subiram: ao fim de novembro havia 414,3 mil unidades nos pátios das montadoras e da rede de distribuição ante 413,4 mil registradas no fim de outubro. O volume é suficiente para abastecer 42 dias de vendas no ritmo atual do mercado.

No acumulado do ano foram produzidos 2,9 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus, queda de 15,5% com relação ao período de janeiro a novembro do ano passado.

Deixaram de ser produzidos 539,1 mil veículos de janeiro a novembro ante mesmo intervalo de 2013. Além do mercado em baixa houve também redução nas exportações, especialmente pelo encolhimento do mercado argentino neste ano – o país vizinho e parceiro de Mercosul é o principal cliente dos automóveis e comerciais leves produzidos no País.

Nos últimos doze meses foram produzidos 3,2 milhões de veículos, abaixo da projeção da Anfavea de 3 milhões 339 mil unidades para o ano, que representaria queda de 10% na comparação anual.

Os empregos da indústria ficaram estáveis com relação a outubro, com redução de pouco mais de oitocentos postos de trabalho. As montadoras de automóveis, caminhões, chassis de ônibus e máquinas agrícolas e rodoviárias empregam agora 146 mil 165 pessoas.

Desde o começo do ano foram cortados 10,7 mil postos de trabalho. Nenhum, entretanto, ocorreu por demissão, garantiu Moan: “Foram pedidos de afastamento, adesão a PDVs [Programas de Demissão Voluntária], encerramento de contratos temporários, aposentadorias ou acordos com sindicatos. Nos comprometemos com o governo a não demitir ninguém e estamos cumprindo esse acordo”.

MAN negocia flexibilização de contratos em Resende

A diretoria de recursos humanos da MAN Latin America preparou uma série de propostas para flexibilização de contratos dos funcionários da fábrica de Resende, RJ. Segundo Roberto Cortes, presidente da montadora, as alterações começaram a ser apresentadas na tarde de quarta-feira, 3, a representantes do sindicato dos metalúrgicos na região sul-fluminense, e serão discutidas nos próximos dias.

“Por ora prefiro não comentar quais seriam essas medidas para não atrapalhar as conversas. Antecipo apenas que são fruto de debates com o sindicato e que estamos dispostos a negociar a flexibilização dos contratos de trabalho com o objetivo de manter empregos e os investimentos na fábrica.”

Segundo Cortes a MAN está à frente das negociações em nome das empresas do consórcio modular, de sistemistas e prestadores de serviços que integram seu parque produtivo. Lá estão Maxion, Meritor, Remon, Powertrain, AKC Aethra, Carese e Continental.

O executivo recordou que o período de lay off de cem funcionários ali acaba nas próximas semanas. “É preciso equacionar a baixa de mercado e o quadro de funcionários. É cedo para falar quais medidas seriam adotadas, mas o esforço é para não demitir.”

De acordo com as projeções do executivo o mercado de caminhões fechará 2014 em baixa de 10% ante 2013, na faixa de 133 mil unidades vendidas, e o de ônibus em queda de 15%.

“O ano não foi como esperado, mesmo com o Finame PSI com taxas de 6% ao ano. Imagine se não contássemos com este incentivo.”

Cortes afirmou esperar manutenção do modelo de financiamento do BNDES para o próximo ano e a publicação de suas regras o quanto antes: “Para que o investimento em capital seja atraente a nova taxa de juros [do PSI] deveria sofrer elevação de no máximo 1,5 ponto porcentual. E se as definições não saírem em breve a paralisação de mercado ocorrida no início deste ano vai se repetir no próximo”.

Em sua análise as projeções para o mercado de caminhões e ônibus em 2015 dependem de quatro pontos-chave: crescimento da economia, confiança do consumidor e do empresariado, políticas de fomento – como programa de renovação de frota e manutenção do PSI – e, por fim, aumento das exportações.

“O primeiro sinal de inversão da atual curva de mercado é o anúncio do time de economia do novo governo, que recebemos bem. O Brasil tem bons fundamentos econômicos, estruturados, mas que precisam de ajustes para voltar a crescer. No longo prazo o País demandará mais produção, novos e necessários investimentos em infraestrutura e será mais competitivo nas exportações. A questão é quando.”

O executivo, por ora, evitou estimar números de mercado no curto prazo: “Consideramos que 2015 deverá ser parecido com este ano, sem mudanças abruptas”.

Setor de caminhões teme fim do Finame PSI em 2015

Executivos do segmento de veículos pesados estão apreensivos quanto à possibilidade de encerramento do programa BNDES Finame PSI, atualmente a principal ferramenta para aquisição de caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e implementos rodoviários no mercado brasileiro, no ano que vem.

O anúncio da manutenção do programa para 2015 ocorreu em junho, pelo Ministério da Fazenda. Porém nenhum pormenor ou regulamentação foi divulgado desde então.

Os pedidos de financiamentos para a linha PSI Finame encerram-se nesta sexta-feira, 5, mas muitos bancos já não estão mais aceitando novos cadastros. O programa vale até 31 de dezembro mas é necessário um prazo anterior para aprovação das fichas e outros trâmites do financiamento.

Fontes ligadas a pelo menos duas grandes montadoras do segmento confidenciaram à Agência AutoData severa preocupação diante da demora na definição nas regras do programa para o ano que vem e, em especial, pelas claras indicações de alteração nos rumos da política econômica da nova equipe ministerial do segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff.

Estas fontes admitiram que já trabalham com uma espécie de Plano B, desenhando cenário de mercado para o ano que vem sem o programa de financiamento subsidiado do BNDES – embora também não exista nenhuma confirmação com relação à sua descontinuidade.

Uma fonte graúda do segmento revelou à reportagem que uma das alternativas em estudo pelo governo é a manutenção do PSI apenas até julho, e com taxa de juros de 9% ao ano a partir de janeiro.

“Seria uma maneira de manter o mercado organizado até que ele consiga voltar a andar com suas próprias pernas, com os instrumentos convencionais”, entende a fonte.

Esses instrumentos convencionais seriam as linhas de crédito alinhadas à TJLP, Taxa de Juros de Longo Prazo, atualmente em 5% ao ano acrescida da inflação do período. Segundo a fonte, o sistema funcionava “muito bem” antes da criação do Finame PSI, em 2009 – como forma de enfrentar a crise financeira global.

Outra fonte da área financeira sinalizou a mesma possibilidade porém acrescida do fim da oferta de financiamento de 100% do bem, disponível na linha atual. Essa alternativa, segundo a fonte, mexeria com o mercado, pois reduziria a procura de caminhões novos por pequenos frotistas, que migrariam para o segmento de usados.

É consenso no setor, entretanto, que um rápido anúncio das futuras regras do PSI, ou mesmo de sua extinção, é importantíssimo independentemente de seu teor. Há o temor que ocorra em 2015 um fenômeno semelhante ao do início deste ano, quando a demora na regulamentação do programa provocou represamento nos pedidos e estancou o mercado no primeiro trimestre.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou à Agência Brasil na quarta-feira, 3, que as novas políticas operacionais do banco de fomento serão divulgadas “em breve”. Sua declaração deu combustível às preocupações dos executivos do segmento: um dos objetivos, segundo ele, é “reduzir a dependência do BNDES com relação a aportes financeiros governamentais”.

Coutinho confirmou que haverá aumento da taxa de juros nos empréstimos, porém compatível com a viabilidade dos projetos. “O objetivo não é tornar os aportes inviáveis, mas atender à orientação da política econômica ao mesmo tempo em que possamos cumprir a missão de financiar o setor privado de maneira adequada.”

Ao mesmo tempo foi publicada na edição de quarta-feira, 3, do Diário Oficial da União, a Medida Provisória 661, que liberou mais R$ 30 bilhões em recursos ao BNDES. Esse valor, entretanto, não é adicional: servirá para fechar a conta dos financiamentos deste ano, de acordo com o atual ministro da Fazenda.

À Agência Brasil, Mantega fez coro aos que temem redução no montante de recursos disponíveis para o ano que vem: segundo o ministro esse tipo de transferência em 2015 “certamente será menor”.

Participação da Ford cresce dois pontos depois do novo Ka

O lançamento do novo Ka, modelo global desenvolvido por engenheiros da Ford no Brasil, rendeu aumento da fatia de mercado de dois pontos porcentuais à montadora nos últimos quatro meses – no período foram comercializadas cerca de 26 mil unidades no modelo.

Antes da estreia do compacto, em agosto deste ano, a Ford detinha 8,7% de participação no mercado de automóveis e comerciais leves. A partir de setembro, quando foram emplacadas sete mil unidades do modelo, a fatia da montadora do oval azul aumentou para 8,9% e em novembro chegou em 10,6%, segundo dados da Fenabrave.

De acordo com Rogelio Golfarb, vice-presidente de assuntos corporativos, o novo Ka foi lançado em um momento de dificuldade da indústria, com retração nas vendas, mas conseguiu surpreender. “Ele foi o compacto mais vendido no mês de estreia e em novembro o quarto modelo mais comercializado no País.”

Ajustes – Em evento realizado em São Paulo na quarta-feira, 3, o presidente da Ford para América do Sul, Steven Armstrong, falou do que espera para o mercado brasileiro: para o executivo o primeiro semestre de 2015 apresentará vendas menores na comparação anual, devido aos esperados ajustes econômicos da nova fase do governo federal. “Mas acreditamos em segundo semestre de recuperação, o que deverá manter os números parecidos com o deste ano. E 2016 deve ser o momento da retomada.”

Armstrong disse ainda que as vendas na América do Sul devem cair aproximadamente 10% em 2014, motivadas principalmente pela Argentina, Venezuela e Brasil. “Alguns destes países estão passando por recessão e em outros, como Chile e Peru, as economias estão afetadas pela queda nos preços das commodities.”

O executivo, entretanto, destacou a manutenção do investimento de R$ 4,5 bilhões no País, de 2011 a 2015, e anunciou que no próximo ano a montadora realizará oito grandes ações – sem, entretanto, pormenorizá-las. “Não ficamos satisfeitos pelo fato do Brasil perder o posto de quarto maior mercado do mundo, e faremos o possível para que o País volte a crescer o quanto antes.”