São Paulo — A Volkswagen Caminhões e Ônibus deu o primeiro passo na comercialização de caminhões movidos a biometano. A montadora informou com exclusividade a Autodata Mobility que fechou a venda de 56 unidades do Constellation 26.280 para a Loga, empresa responsável pela coleta de resíduos na cidade de São Paulo.
O negócio representa a estreia comercial do modelo e confirma plano da empresa de iniciar a tecnologia pelo segmento de limpeza urbana, considerado o mais preparado para receber esse tipo de solução. Os caminhões passaram por testes operacionais desde o segundo semestre de 2025. Após validar o desempenho nas operações de coleta a Loga decidiu ampliar a frota com as novas unidades.
Segundo Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus, a aceitação do mercado com relação à tecnologia a gás vem superando as expectativas. Tanto que a produção do modelo já está praticamente comprometida.
“Nós já realizamos as primeiras vendas e toda a produção está comprometida pelo menos até setembro. As primeiras unidades vão operar na Grande São Paulo. Mas já negociamos novos negócios em outras cidades, como Rio de Janeiro, Curitiba e Campo Grande. A tendência é de crescimento.”
Agronegócio e bebidas estão no radar da Volkswagen
Embora a limpeza urbana tenha servido como porta de entrada para a tecnologia a Volkswagen já trabalha para ampliar a atuação do Constellation a biometano em outros segmentos. Nesse sentido, de acordo com Alouche, o agronegócio e o transporte de bebidas despontam como outras oportunidades de expansão.
“O segmento de bebidas realmente apresenta potencial. No entanto o agronegócio desperta uma expectativa ainda maior. Primeiro escutamos a demanda do cliente, depois desenvolvemos a solução, realizamos os testes e, somente então, ampliamos a oferta. Não queremos dar um passo maior do que a perna.”
O executivo disse que novos anúncios devem ocorrer ainda este ano, embora cada aplicação siga um cronograma próprio de desenvolvimento.
Desempenho equivalente ao diesel e redução de até 90% das emissões
Desenvolvido especificamente para operações de coleta de resíduos o Constellation 26.280 a biometano integra a linha vocacional Compactor da Volkswagen.
Desta forma o modelo utiliza motor ciclo Otto da Cummins e transmissão automática. Segundo a fabricante o conjunto gera desempenho semelhante ao de um caminhão a diesel, com bom torque para arrancadas frequentes, aceleração rápida e elevada capacidade de tração, características importantes nas operações urbanas.
Outro diferencial é a autonomia. O caminhão transporta 240 m³ de gás, equivalentes a 960 litros caso ele fosse líquido, distribuídos em tanques de aço-carbono. Assim garante até 300 quilômetros rodados a cada abastecimento. Além disso a motorização reduz significativamente o nível de ruído durante a operação. Trata-se de uma vantagem importante para a coleta em áreas densamente povoadas.
Na avaliação da Volkswagen, quando abastecido com biometano, o veículo pode reduzir em até 90% as emissões de CO₂ em comparação ao diesel. A montadora também destaca que cada unidade evita, anualmente, emissões equivalentes ao consumo de aproximadamente 35 mil litros de óleo diesel.

Loga acelera renovação sustentável da frota
Para a Loga a aquisição faz parte de projeto mais amplo de descarbonização da operação. Segundo André Meira, diretor operacional da empresa, a meta é ampliar gradualmente a participação de veículos movidos por energias limpas.
“A aquisição representa mais um avanço na renovação sustentável da nossa frota. A meta é que as próximas compras priorizem veículos movidos por biometano e eletricidade. Trata-se de um investimento que reúne eficiência operacional, inovação e redução dos impactos ambientais.”
Caminhões devem liderar avanço do biometano
Apesar de também desenvolver soluções para ônibus a Volkswagen avalia que o potencial de crescimento do biometano será maior no transporte de cargas. Segundo Alouche o principal motivo é a viabilidade econômica da tecnologia.
“O caminhão apresenta um TCO mais favorável. A economia operacional faz o cliente optar espontaneamente pela tecnologia. Já no ônibus, normalmente, é necessário algum tipo de incentivo ou subsídio do poder público, porque este custo dificilmente consegue ser repassado para a tarifa.”

















