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Novo Fiat Argo X assegura relevância de Betim em seus 50 anos

Presidente da Stellantis, Herlander Zola, enfatizou que a fábrica precisa ser competitiva para continuar protagonista no futuro

Betim, MG — Além de relembrar a trajetória construída desde a inauguração da fábrica de Betim, MG, em 1976, a Fiat aproveitou a comemoração dos seus 50 anos de Brasil para discutir o futuro de sua principal operação industrial na América do Sul. O presidente da Stellantis América do Sul, Herlander Zola, deixou claro que a capacidade produtiva, a engenharia e o conhecimento acumulado da unidade mineira continuam sendo ativos fundamentais para a companhia.

Mas, em meio às profundas transformações tecnológicas pelas quais passa o setor automotivo, ele ressaltou que a preservação desse protagonismo dependerá, acima de tudo, da competitividade da indústria brasileira.

Mais do que uma fábrica a unidade de Minas foi apresentada como um dos principais centros de conhecimento, desenvolvimento e produção da marca no mundo, responsável por 40% das vendas globais da Fiat. E tem futuro garantido: Zola revelou o nome do novo Argo X, modelo inédito que começará a ser produzido ainda em 2026.

O veículo será o primeiro produto totalmente novo da Fiat gerado a partir do ciclo de investimentos de R$ 32 bilhões anunciado pela Stellantis para a América do Sul até 2030, dos quais R$ 14 bilhões estão sendo destinados ao complexo mineiro.

“O Argo X conviverá com o Argo atual e deverá assumir papel estratégico na renovação da linha de automóveis da Fiat, preservando o protagonismo da fábrica mineira no desenvolvimento dos futuros produtos da marca”.

A programação dos 50 anos também foi marcada pelo lançamento de duas séries especiais comemorativas: Fiat Fastback 50 Anos e Fiat Toro 50 Anos. Desenvolvidas para celebrar o aniversário da marca no País as versões receberam acabamento exclusivo e elementos visuais relativos à data, reforçando o caráter histórico das comemorações.

Papel relevante na construção de soluções

Ao longo destas cinco décadas de operação Betim não cumpriu apenas a função de montar veículos mas assumiu papel relevante na criação de soluções adaptadas às características do mercado brasileiro e de outros países da América Latina.

Os números explicam por si só porque a fábrica ocupa posição tão importante dentro da operação da Stellantis não só no Brasil mas no mundo. O complexo industrial, hoje um dos maiores em operação no País, ocupando área de 2,2 milhões de m², emprega mais de 19 mil trabalhadores e mantém cadeia formada por mais de quatrocentos fornecedores diretos. Com a recente adoção do terceiro turno de produção passará a contar com capacidade instalada para produzir cerca de 650 mil veículos por ano.

Desde a sua inauguração, em 1976, já foram produzidos em Betim mais de 18 milhões de unidades, dos quais cerca de 4 milhões destinadas à exportação para quase quarenta países.

Além da produção propriamente dita Betim também ampliou sua relevância tecnológica dentro do grupo. Recentemente o complexo passou a sediar o Centro de Expertise em Cibersegurança da Stellantis, tornando-se um polo de desenvolvimento de tecnologias dedicadas a veículos conectados e às futuras arquiteturas eletrônicas da companhia.

“Toda essa capacidade de compreender o consumidor regional, desenvolver produtos adequados às suas necessidades e encontrar soluções industriais competitivas foi determinante para o crescimento da Fiat no Brasil.”

Na sua avaliação esta experiência permitirá à operação brasileira participar dos próximos ciclos de transformação da indústria, incluindo a eletrificação, a conectividade e a adoção de novas arquiteturas veiculares.

Segundo o presidente da Stellantis no futuro a empresa não pretende adotar tecnologias apenas para acompanhar tendências globais. A introdução de novos produtos e de novos sistemas de propulsão estará diretamente condicionada à existência de demanda e, principalmente, à possibilidade de oferecer veículos com custos compatíveis com a realidade do mercado brasileiro.

Cinco novos produtos até 2030

Zola relembrou que a empresa lançará cinco novos produtos até 2030, ou seja, um por ano pelos próximos cinco anos. Mas evitou antecipar quais serão estes lançamentos ou quais tecnologias poderão ser incorporadas. Afirmou que a empresa está preparada para adaptar seus planos caso o consumidor brasileiro avance de forma mais acelerada na direção dos veículos elétricos e híbridos plug-in.

“O ponto central será a competitividade”, afirmou, deixando claro que, na sua avaliação, os veículos elétricos e híbridos plug-in comercializados atualmente no Brasil ainda não possuem nível de localização suficiente para competir em igualdade de condições com os modelos produzidos por fabricantes chineses.

Por esta razão a Stellantis pretende manter aberta a possibilidade de usar diferentes alternativas para atender ao crescimento da demanda por veículos eletrificados. A companhia poderá recorrer às importações ou simplesmente utilizar parcerias internacionais se considerar necessário para acelerar a introdução de novas tecnologias.

O plano reflete postura pragmática diante das mudanças do mercado. Para Zola a discussão não deve se limitar simplesmente à escolha por veículos a combustão, híbridos ou elétricos mas considerar onde e em quais condições cada tecnologia poderá ser produzida de maneira economicamente viável.

Zola também recordou que a Fiat alcançou volumes expressivos no passado e voltou a enfatizar que poderá voltar a níveis superiores sempre que encontrar condições competitivas para isso. O desafio, portanto, não está apenas na disponibilidade de capacidade instalada mas na definição de produtos capazes de ocupar esta estrutura de forma eficiente ao longo dos próximos anos.

Políticas de defesa da produção nacional

O presidente da Stellantis aproveitou a comemoração dos 50 anos da Fiat para enaltecer a importância de políticas públicas que preservem a produção nacional como atividade estratégica. E, embora não tenha feito uma defesa direta de medidas protecionistas, indicou que o País precisa oferecer regras, incentivos e condições que favoreçam a localização de tecnologias e componentes, pois, na sua avaliação, mudanças que venham a reduzir a competitividade da indústria instalada poderão, sim, comprometer investimentos, empregos e a capacidade de desenvolvimento futuro da cadeia automotiva brasileira.

“Este equilíbrio será especialmente importante nos próximos ciclos de produtos”, disse Zola, destacando que as decisões industriais precisam obrigatoriamente respeitar o comportamento dos consumidores e o ciclo de vida dos veículos.

Ao completar 50 anos no Brasil a Fiat chega, assim, a um momento decisivo de sua história. Betim permanece como uma das operações mais importantes da marca no mundo e a mensagem deixada por Zola durante as comemorações foi clara: a Fiat acredita no potencial da indústria brasileira e na relevância mundial de Betim e os próximos projetos serão definidos pela capacidade de combinar tecnologia, escala, fornecedores e custos.

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