São Paulo — A GWM pretende transformar o hidrogênio em uma nova frente de negócios no transporte pesado brasileiro. A empresa já negocia com sete empresas e centros de tecnologia no País e projeta faturar R$ 20 milhões este ano com caminhões e soluções equipadas com células a combustível.
O plano inclui a venda de caminhões novos e a conversão de veículos a diesel que já estão em operação. A ideia, segundo a empresa, é uma forma de avançar mesmo diante de um dos principais obstáculos para a expansão do hidrogênio no Brasil: a falta de rede pública de abastecimento.
Para 2027 a projeção de faturamento sobe para R$ 200 milhões. A GWM informou que considera o Brasil um mercado prioritário para a tecnologia fora da China e mantém no País a única operação da GWM Hydrogen.
A empresa também negocia com companhia ligada a negócios sustentáveis na América do Sul. O acordo pode representar a primeira aplicação comercial da tecnologia da GWM Hydrogen fora do Brasil.
Retrofit reduz custo de entrada
A conversão de caminhões a diesel é uma das principais apostas da empresa para ampliar a presença do hidrogênio nas frotas.
No retrofit o chassi e a carroceria que já pertencem ao cliente são mantidos. A empresa substitui o conjunto motriz e instala uma célula a combustível, tanques de hidrogênio de alta pressão, motor elétrico, bateria de apoio e sistemas eletrônicos de controle. O caminhão passa, então, a operar como um veículo elétrico alimentado por hidrogênio. A emissão pelo escapamento é apenas vapor d’água.
Além de reduzir o investimento necessário para a troca da frota a solução permite criar estruturas de abastecimento dedicadas. Assim o cliente pode operar em rotas específicas sem esperar pela expansão de uma rede nacional de postos de hidrogênio.
Autonomia
A GWM Hydrogen utiliza no Brasil um caminhão elétrico equipado com célula a combustível. O conjunto tem potência de até 400 kW, equivalente a 544 cv, e torque de 2,3mil Nm.
O veículo utiliza bateria de 105 kWh e sistema de recuperação de energia nas frenagens e desacelerações. Os cilindros de fibra de carbono armazenam até 40 kg de hidrogênio a uma pressão de até 350 bar.
Com os tanques cheios a autonomia chega a 500 quilômetros. O caminhão tem PBT de 49 toneladas e peso vazio de 10,8 toneladas. Segundo a GWM a tara é aproximadamente 500 kg inferior à média dos concorrentes, o que permite ampliar a capacidade útil de carga.
Bahia é laboratório de operação
A aplicação da tecnologia em condições reais ganhou uma nova etapa com o primeiro abastecimento do caminhão utilizando hidrogênio verde produzido no Brasil. O procedimento ocorreu no Centro de Referência em Tecnologias de Baixo Carbono e Hidrogênio Verde do Senai Cimatec Park, em Camaçari, BA.
O centro produz hidrogênio por eletrólise da água e reúne geração de energia renovável, estação de abastecimento veicular e laboratórios para a descarbonização industrial.
A estrutura é resultado de parceria do Senai Cimatec com Hytron e Petrogal Brasil, e de joint venture de Galp com Sinopec. A iniciativa também conta com apoio da ANP e da Embrapii.
A GWM Hydrogen ofereceu o caminhão para os projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação conduzidos no local. Os testes avaliam consumo de energia, autonomia, desempenho e a própria infraestrutura de abastecimento.
O caminhão já percorreu mais de 500 quilômetros. A meta é superar 1 mil quilômetros rodados nas instalações do centro nos próximos dois meses.
Segundo a empresa o modelo foi o primeiro caminhão pesado movido a hidrogênio em mais de 130 países a superar a marca de 500 quilômetros percorridos.



















