São Paulo – Ao tecer fortes críticas à forma como até então eram concedidos ex-tarifários, tanto pela falta de critérios mais rígidos quanto pelo tempo de duração da exceção a produtos que entram no Brasil com redução de impostos, o Sindipeças reiterou a importância da recente mudança de prazo de dois anos para a medida.
Foi o que afirmou o presidente da entidade, Cláudio Sahad, durante o Congresso AutoData Revisão das Perspectivas 2026, ao lembrar que o pleito foi atendido após reunião com o MDIC, e que para o pedido de renovação do benefício a partir de agora será preciso realizar solicitação com antecedência de noventa dias.
“Ex-tarifários tornaram-se solução de longo prazo. Alguns produtos estão usando a condição há dez, quinze anos. E muitos foram contemplados atendendo a critérios totalmente subjetivos, o que é injusto. Só a necessidade de conteúdo local, em contrapartida, trará isonomia competitiva, mas existe uma falta de estímulo para isso.”
Sahad defendeu, também, que o benefício seja atribuído ao componente e não ao conjunto. Ele lembrou que em determinados conjuntos colocados como ex-tarifários metade dos itens podem ter um similar nacional mas, como é avaliado o todo, ele ingressa no País com imposto reduzido, o que não estimula o desenvolvimento da produção local.

“Exemplo clássico é a transmissão automática, que até hoje não é fabricada no País embora quase não haja mais carro novo com transmissão manual vendido no mercado local. É um exemplo de ex-tarifário concedido de forma indiscriminada.”
Instabilidade econômica desestimula localização de componentes
Para Melissa Mattedi, diretora geral da fábrica da BorgWarner de Itatiba, SP, algumas peças precisam ser importadas porque simplesmente não são feitas no Brasil, como a carcaça de turbina, que é uma parte grande e importante do turbo produzido localmente.
“Depois da crise iniciada em 2013, que resultou na recessão de 2015 e 2016, muitos fornecedores fecharam as portas. Diversos eram empresas familiares de fundição e usinagem que desistiram de seguir com o negócio por causa do cenário de instabilidades.”

A executiva queixou-se da dificuldade de depender, muitas vezes, de uma indústria nacional enfraquecida: “Não queremos ter de esperar semanas para uma peça chegar no Brasil. Quem não quer ter o fornecedor aqui do lado?”, questionou. “Mas é preciso combinar políticas públicas com empresas fortalecidas para que possamos ampliar o índice de nacionalização”.
Presidente da Cummins Adriano Rishi ressaltou que para manter a competitividade industrial é preciso ter escala. Portanto: se o componente não tiver tanta demanda no País, se for algum específico para a produção de máquinas, por exemplo, será mais difícil investir em sua localização e a saída será recorrer ao importado livre de imposto.




















