São Paulo – Mesmo em um ano em que não faltam desafios climáticos e econômicos a Abraciclo mantém sua projeção de superar as 2 milhões de motocicletas produzidas no Polo Industrial de Manaus, AM, em 2026. Foi o que afirmou seu presidente, Marcos Bento, durante o Congresso AutoData Revisão das Perspectivas 2026.
Os desafios climáticos aparecem diante das possibilidades de El Niño e da volta do fantasma que assombrou o Polo Industrial de Manaus ao paralisar linhas de produção em 2024 por causa da estiagem, disse Bento. No campo econômico as barreiras estão no cenário marcado por pressão de custos por causa das guerras, dos juros altos e do tarifaço de Donald Trump.
“No primeiro semestre atingimos a marca de 40 milhões de motos produzidas em Manaus, o que nos classifica como o maior polo de duas rodas do mundo fora do eixo asiático. Lá empregamos diretamente 22 mil pessoas, sendo 150 mil em todo o País.”
Para ele a indústria brasileira tem potencial para permanecer no patamar de 2 milhões de motocicletas, em linha com a capacidade produtiva do Polo Industrial de Manaus, de 2,1 milhões de unidades: “Embora o ano seja desafiador o plano é encerrar 2026 aos 2 milhões 70 mil unidades fabricadas, com alta de 4,5% com relação ao ano passado”.

No primeiro semestre saíram das linhas 1 milhão 63 mil unidades, alta de 6,3% frente ao mesmo período do ano passado. Apesar do destaque dos seis meses iniciais Bento reforçou que o segundo semestre terá de ser analisado mês a mês, principalmente por causa da possibilidade de El Niño, que da última vez, apesar da ação rápida do poder público, trouxe grandes desafios de logística na Região Amazônica frente à seca histórica.
“Precisamos do rio tanto para a entrada de mercadorias quanto para a saída de produtos acabados. A seca de dois anos atrás trouxe uma curva de aprendizagem. Desta vez a indústria está mais preparada, inclusive com a formação de estoques e o estabelecimento de novos portos logísticos. Foi com sofrimento mas foi positivo. Seguimos caminhando firmes.”
Delivery e maior participação de mulheres puxa mercado
No primeiro semestre foram emplacadas 1 milhão 174 mil motos, volume recorde para o período, com alta de 14,1% frente aos seis meses iniciais do ano passado, o que representou 144 mil unidades a mais: “O mercado anda muito positivo graças à forte demanda do delivery e à crescente participação feminina no setor”.
O dirigente reforçou que o consórcio tem parcela significativa na ampliação das vendas, respondendo por um terço da forma de pagamento. E, além disto, a entrada em vigor do Move Brasil Entregadores e Motoapp deve gerar efeito positivo na demanda, embora a entidade não tenha divulgado projeção sobre o tema.
Quanto às exportações Bento as classificou de “ainda tímidas”, a despeito da alta de 30% de janeiro a junho em comparação ao mesmo período em 2025, com 5,4 mil embarques: “Apesar de pequeno o volume registramos recorde. Nossos maiores destinos são a Argentina, a Colômbia, a Guatemala e os Estados Unidos”.
Disse, também, que políticas protecionistas refletem negativamente na exportaçãpo de motos mas que, apesar disto, o destino segue relevante para alguns segmentos específicos.
Outro desafio é a questão das diferentes regras de emissões nos países latinos, o que, por vezes, deixa o produto brasileiro menos competitivo pelo fato de exigirem menos com relação ao lançamento de poluentes.
O Brasil é o único país da América Latina a adotar a norma Promot M5. Outros países, como Argentina, Colômbia, Chile, Peru, Equador e Bolívia, adotam fases menos restritivas, como o Promot M3.
“Uma regulamentação no setor é algo de extremo interesse a fim de alavancar nossas exportações.”


















