São Paulo – A mobilidade urbana brasileira vive uma fase de desenvolvimento com investimentos de empresas e governos no sentido de melhorar as condições de deslocamento da população. Mas os envolvidos no ecossistema do transporte coletivo estão se deparando com passageiros cada vez mais exigentes e, em muitos casos, insatisfeitos.
É o que revela pesquisa inédita realizada pela Prompt Consultoria em parceria com o aplicativo Cittamobi, que traçou uma radiografia da relação do usuário com o transporte público brasileiro. O estudo obteve mais de 10 mil respostas em 246 cidades, incluindo grandes centros urbanos de todas as regiões. O dado mais alarmante é que seis de cada dez passageiros estão descontentes com os serviços prestados.
Falta de pontualidade, 34,1%, lotação, 28,8%, e tempo de espera, 28,8%, foram apontados como principais gargalos da insatisfação dos passageiros. Mas, ao mesmo tempo, servem de subsídios para gestores e operadores tentarem aprimorar a qualidade e a eficiência da mobilidade urbana no país.
Afinal, o objetivo da Pesquisa Qualimob foi captar a percepção dos entrevistados sobre o nível do serviço oferecido, identificar pontos críticos e coletar dados analíticos essenciais para a tomada de decisões. Do total 98,4% afirmaram usar transporte público e 77,8% o utilizam diariamente ou de cinco a seis dias por semana, comprovando sua importância na vida dos passageiros.
O ônibus apareceu como principal modal e a opção mais adotada por 58,6% dos participantes. Nas metrópoles com infraestrutura sobre trilhos 22,8% dos usuários combinam ônibus e metrô, enquanto 9,1% utilizam trem e ônibus e 7,9% optam pelo sistema BRT e ônibus.
“A combinação de modais demonstra que a intermodalidade é aliada para agilizar deslocamentos, especialmente nos grandes centros urbanos”, afirmou Tiago Araújo, CEO da Prompt Consultoria. “Isto evidencia demanda crescente por soluções que otimizam o transporte e o conforto dos passageiros.”
Pontualidade em primeiro lugar
Em contraposição às críticas três critérios tiveram avaliação favorável, com índice superior a 50%: a condução do motorista, 69,8%, acessibilidade, 51,1%, e limpeza interna dos veículos, 50,7%. O tema clareza das informações também foi relevante para 47,1% dos entrevistados.
Para Araújo comunicar com assertividade não altera a dinâmica dos deslocamentos porém pode mudar a percepção de quem espera e ajuda a reduzir a incerteza e a sensação da espera: “Quando utilizamos a comunicação a favor do transporte conseguimos ampliar positivamente a experiência do passageiro”.
No quesito duração da viagem 37,7% dos entrevistados gastam de 30 minutos a uma hora por trecho, período longo que impacta diretamente na qualidade de vida. Este é um dos maiores desafios aos gestores do transporte, porque 66,5% dos usuários priorizam a pontualidade e 47,5% se importam com a rapidez no tempo de espera.
A pesquisa indicou ainda que a totalidade dos participantes recorrem a soluções de mobilidade no dia-a-dia dos deslocamentos: 51% buscam aplicativos que oferecem informações do transporte público e 49% procuram ferramentas de transporte individual, como motoristas de aplicativo. No entender de Araújo este comportamento indica que os apps são capazes de suprir lacunas na agilidade e pontualidade que o serviço das operadoras de transporte muitas vezes não consegue atender.
A facilidade de ter uma atualização a respeito do trajeto em tempo real melhora a percepção do passageiro. Para as pessoas que usam aplicativos de informação de transporte público a clareza da mensagem, 50,4%, e o tempo de espera, 30,9%, tiveram melhor avaliação.
Os resultados da Pesquisa Qualimob vêm ao encontro das informações divulgadas pelo anuário 2025-2026 da NTU, Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos. De acordo com a entidade o número de viagens realizadas no transporte coletivo por ônibus caiu 3,7% em 2025 na comparação com o ano anterior. Hoje a demanda corresponde a 77,5% do volume registrado em 2019, antes da pandemia da Covid-19.
Perfil da amostragem
A Pesquisa Qualimob revelou o perfil dos 10 mil entrevistados de 246 cidades brasileiras:
Mulheres: 52,5%
Homens: 47,5%
Até 18 anos: 6,4%
De 18 a 25 anos: 7,7%
De 26 a 40 anos: 16,9%
De 41 a 50 anos: 25,3%
De 51 a 65 anos: 32,6%
Acima de 65 anos: 11,0%























