Barretos, SP – A nova Amarok, que será produzida na Argentina em 2027, foi revelada com camuflagem pela primeira vez na Festa de Peão de Boiadeiro em Barretos. AutoData conversou com Alexander Seitz, chairman executivo da Volkswagen América do Sul, que revelou pontos interessantes e inéditos sobre este novo projeto, feito a partir de uma picape de origem chinesa e que vai carregar muitas soluções específicas para o terreno e o consumidor latino-americano.
A conversa ocorreu logo após a revelação da picape compacta Tukan. Seitz disse que está particularmente envolvido neste projeto porque trabalhou cinco anos na China, justamente na parceria da Volkswagen com a gigante SAIC, que tem a marca de picapes Maxus, base produtiva da nova Amarok em seu portfólio. Logo após a festa em Barretos, ele contou, tomaria avião com destino a Xangai para tratar de “negócios relevantes para a América do Sul”.

Investimento na Argentina
A nova Amarok é o principal projeto para a fábrica de General Pacheco, Argentina, que recebe R$ 4 bilhões do ciclo de R$ 20 bilhões de investimento da Volkswagen na América do Sul. Essa nova geração será, segundo a VW, a picape mais potente vendida na região. Terá, de acordo com Seitz, “versões híbridas e híbridas plug in”.
Seitz contou que este desenvolvimento trará muita tecnologia da Maxus chinesa, mas também será aplicado todo o conhecimento de 70 anos da Volkswagen tanto do terreno quanto dos consumidores latino-americanos. “A nova Amarok tem origem chinesa mas carregará toda a expertise da Volkswagen. Por isto eu sempre fico chateado quando alguém fala ‘Ah, mas você pegou lá um carro da SAIC e reproduziu aqui’. Não é nada disto.”
Muito conteúdo adaptado para a América do Sul
A base da nova picape VW é a Maxus Terron 9, mas dos mais de 5 mil itens que compõem o veículo, cerca de 2,5 mil serão feitos e adaptados exclusivamente para a Amarok fabricada na região.

“Mudamos 50% das peças. Não só do exterior, também do interior. Configuramos o ADAS e o IS porque a comunicação do carro com o cliente, aqui no Brasil, é diferente lá do chinês.”
O executivo, um especialista em custos operacionais e em desenvolvimento de projetos na indústria automotiva global, vai no pormenor da utilização como o conforto ao rodar: “Sobre o drive confort o chinês é muito parecido com o estadunidense. O alemão prefere uma configuração mais rígida e o latino-americano um meio-termo. Então, quando você faz uma curva numa picape chinesa, a bunda sai. Estamos fazendo um balanceamento desse comportamento para a Amarok”.
Estes pormenores podem chegar à forma e à função do botão que aciona os vidros, de acordo com o desejo de cada consumidor, até a adaptação do chassis por causa das exigências de segurança de cada região: “Utilizamos aqui aços diferentes para atender aos parâmetros de crash test, mais exigentes aqui”.

Motor ainda é mistério, mas será a mais potente Amarok
Sobre a tecnologia de propulsão Seitz confirmou que a Amarok será a picape mais potente da região, mas sem revelar qual será a motorização utilizada. No entanto ele informou que os sistemas híbridos utilizados em novos projetos da Volkswagen farão aumentar o porcentual de componentes de origem chinesas: “As peças chinesas em nossos produtos chegavam a 5%, passaram para 15% mas para os novos projetos será 30%”.
Mesmo considerando que a cadeia de fornecimento da região participa dos novos projetos de veículos da VW, Seitz lamenta que aqui ainda não haverá condições na produção de itens essenciais das novas tecnologias, como baterias:
“Até os fornecedores europeus têm problema com isso. E a cadeia dos fornecedores do Brasil ainda está mais atrasada do que a europeia. Preciso falar deste jeito, infelizmente, porque não foi investido na tecnologia o suficiente nos últimos anos. E o investimento é muito alto, de bilhões de dólares, e os volumes não justificam a produção na região”.

Mas há expertise aqui em softwares e ótimas oportunidades para as empresas regionais fazerem parcerias com a cadeia de fornecimento estabelecida na China: “Os engenheiros do software aqui na América Latina são bons. É possível fazer a localização, mas eles precisam ter um conhecimento do software básico chinês. Aí é necessário colaboração. E se você comparar o custo de desenvolvimento hoje em dia o Brasil é competitivo com a China. Por quê? O preço de um software engineer aumentou muito lá”.
Ao fim desta entrevista com o principal executivo da Volkswagen na América do Sul é razoável dizer que a Amarok não será uma cópia da picape Maxus. Terá muita originalidade, como a camuflagem utilizada em sua revelação. Os desenhos reúnem referências de diferentes paisagens, culturas e territórios da América do Sul.
























