São Paulo – Na esteira da queda de 5% esperada para a venda de caminhões prevista para este ano, o mercado de implementos rodoviários deverá recuar um pouco mais: de 8% a 10%, para um volume de 67 mil a 70 mil unidades. Foi o que estimaram José Carlos Sprícigo, presidente do conselho da Librepar e presidente da Anfir, e Ricardo Escoboza, EVP para a América do Sul para montadoras e autopeças da Randon, no Fórum Veículos Comerciais, organizado por AutoData.
“Até este momento, na reta final de agosto, a queda com relação a 2025 está em 2%, reflexo positivo do programa Move Brasil. Ainda que os recursos tenham acabado até setembro deveremos sentir os impactos na produção, principalmente de basculantes e graneleiros”, afirmou Sprícigo. “No entanto, no último trimestre, a retração deverá ser ampliada por causa dos juros altos, na média de 17%, 4 pontos acima dos 13% praticados pelo programa, mesmo com a Fenatran, que deverá ter reflexos só no ano que vem.”
Escoboza disse que no campo dos semirreboques pesados, devido à conexão com os cavalos mecânicos, os caminhões tratores, vocacionados para transportes de longa distância, como os do agronegócio, tem-se cenário mais desafiador, apesar de julho ter registrado emplacamentos recordes, retomando patamares vistos nos anos de 2022, 2023 e 2024.
Ao passo que no segmento leve, relacionado ao transporte urbano, com um outro tipo de financiamento, segundo o executivo da Randon, não necessariamente correlacionado 100% com taxa de juros, tem-se um outro tipo de apetite.
“Para atender a esse volume impulsionado pelo Move Brasil tivemos cautela para as contratações e usamos horas extras, porque aquele volume não se mantém no mesmo patamar nos próximos meses. Aumentamos um pouco a produção mas fomos com cautela e bastante parcimônia para não exagerar na dose e ter problemas depois e ter que fazer ajustes mais pesados na nossa organização.”
O presidente da Anfir disse, no entanto, que este “não será um ano desastroso”, ao lembrar que em 2025 houve recuo de 20% frente a 2024, e ao citar, também, que ainda há uma capacidade ociosa, uma vez que a indústria investiu para que a capacidade produtiva do setor alcançasse de 90 mil a 100 mil implementos pesados: “Isto onera muito as nossas margens, que estão bem achatadas. Ao mesmo tempo houve aumento de custos com pessoas e muitas restrições na área tributária”.
Para equilibrar o recuo no mercado doméstico as exportações têm animado o setor: no ano passado foram embarcados 5 mil 93 implementos, principalmente para Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia. Graças à parceria renovada com a Apex, para o programa Move Brazil, até 2028, que propiciará, por exemplo, a participação no IAA, salão internacional dos transportes, na Alemanha, a expectativa é exportar, este ano, 7 mil equipamentos.























