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Juros altos e menos compras governamentais freiam mercado de ônibus

Executivos de Mercedes-Benz, Volvo Bus e Volkswagen apontaram os fatores que vem segurando o mercado no Fórum Veículos Comerciais
Fórum Veículos Comerciais AutoData - Ônibus

São Paulo — Após dois anos de volumes excepcionais o mercado brasileiro de ônibus deve perder força em 2026. A combinação de juros elevados, restrição ao crédito e menor participação das compras governamentais deve levar os emplacamentos para perto de 20 mil unidades. A avaliação é dos executivos da Volvo Bus, Mercedes-Benz e Volkswagen Caminhões e Ônibus que participaram do Fórum Veículos Comerciais, organizado por AutoData.

“Para 2026, no segundo semestre, estamos projetando que este cenário de queda continuará”, afirmou Ricardo Seixas, diretor comercial da Volvo Bus. Em 2027, segundo ele, o mercado pode repetir o desempenho. “Se não houver nenhuma alteração no cenário de taxa de juros deve ser um mercado similar a 2026.”

Walter Barbosa, vice-presidente de vendas, marketing e peças e serviços de ônibus da Mercedes-Benz, trabalha com uma estimativa próxima de 19,5 mil unidades em 2026. A projeção considera um segundo semestre mais fraco devido ao período eleitoral: “É muito difícil o segundo semestre ser mais forte ou igual ao primeiro, porque as compras governamentais cessam a partir de julho”.

O mercado chega a este cenário depois de dois anos fora da curva. Em 2025 foram cerca de 23,8 mil ônibus emplacados. Segundo Barbosa a retração aparece principalmente nos segmentos que formam a base do mercado privado: “Os urbano caíram 16,5%, os rodoviário caíram 32% e os para fretamento 22%. Obviamente há uma conjuntura total para isto estar acontecendo”.

Para ele juros na casa de 14%, aumento do diesel e a menor disponibilidade de programas como Move Brasil e Refrota são fatores que pressionam o mercado.

Jorge Carrer, diretor de vendas de ônibus da Volkswagen Caminhões e Ônibus, afirmou que ainda existe possibilidade de o mercado superar 20 mil unidades este ano. Os números, porém, ainda são influenciados por programas governamentais: “O primeiro semestre foi ajudado por algumas questões pontuais. Ainda tivemos entregas dos ônibus escolares para o programa Caminho da Escola, entregas dos ônibus do Ministério da Saúde, o Move Brasil e o Refrota”.

A avaliação é que esse suporte não deve se repetir na mesma intensidade: “No mercado privado, que depende mesmo de financiamento, investimento e de algumas políticas públicas mais sustentadas e de longo prazo, teremos um pouco mais de dificuldade daqui para a frente.”

Para Barbosa a saída passa por reduzir o custo do financiamento: “O que se requer para motivar e para acelerar realmente são programas de subsídio de taxas de juros. Isto, obviamente, deve fazer o mercado voltar”.

Seixas também vê a demanda por transporte como um fator positivo: “A demanda por passageiro continua alta, tanto no urbano quanto no rodoviário, mas temos um cenário de juros elevados, de restrição ao crédito e incertezas econômicas”.

Elétricos avançam, mas ainda têm participação limitada

O mercado de ônibus elétricos ainda representa uma parcela pequena das vendas no Brasil, apesar do avanço em algumas cidades. Segundo Walter Barbosa o segmento urbano a diesel acumula queda de 25% e os elétricos avança 70%.

Para o executivo da Mercedes-Benz a eletrificação tende a avançar de forma gradual, principalmente porque os municípios têm necessidades diferentes de autonomia e infraestrutura.

Ricardo Seixas defendeu uma transição com diferentes tecnologias, incluindo ônibus elétricos e combustíveis renováveis. Segundo ele não haverá uma única solução para a descarbonização do transporte coletivo. Ele destacou, ainda, que a eletrificação está mais concentrada em São Paulo, onde políticas públicas e infraestrutura favorecem a sua adoção.

Para ele outras alternativas, como biodiesel e biometano, podem acelerar a redução das emissões em cidades que ainda não têm condições para eletrificar suas frotas: “A solução é uma combinação de tecnologias”.

Já Jorge Carrer, da Volkswagen Caminhões e Ônibus, afirmou que a eletrificação é uma tendência inevitável: “Existe uma demanda muito grande e reprimida para que possamos fazer negócios no futuro. Desde que tenhamos condições mais razoáveis de financiamento para poder vender”.

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