São Paulo — As empresas encarroçadoras de ônibus esperam por recuperação gradual do mercado em 2027, após um 2026 marcado por queda. A avaliação foi apresentada por Rubens Bisi, presidente da Fabus, e André Vidal Armaganijan, presidente e CEO da Marcopolo, durante o Fórum Veículos Comerciais, promovido por AutoData.
Segundo Bisi a produção efetiva das fabricantes associadas à Fabus cresceu 4% nos primeiros sete meses de 2026, considerando mercado interno e exportações. O resultado, porém, esconde desempenhos distintos dos segmentos. A produção destinada ao mercado interno avançou 8% e as exportações recuaram 16%.
Nos primeiros sete meses a produção de ônibus urbanos caiu 17% e a de rodoviários 26%. Em contrapartida os micro-ônibus cresceram 43% e os miniônibus avançaram 160%, impulsionados principalmente por programas governamentais.
“Quando olhamos para o mercado como um todo, ainda é positivo. Mas estamos vendo a questão do aumento do diesel no urbano, que não teve repasse para as tarifas, e as taxas de juros. Muito mais que isto é a restrição ao crédito”.
Para o presidente da Fabus o mercado de ônibus pode terminar 2026 com queda superior à inicialmente prevista. A expectativa no início do ano era de estabilidade ou recuo de 5% a 7%: “Talvez terminemos o ano aí com uma queda um pouquinho mais acentuada, principalmente nos mercados urbanos e rodoviários”.
A avaliação de Armaganijan é semelhante. Para ele o mercado deve recuar de 5% a 10% neste ano, enquanto 2027 ainda está em construção: “Os segmentos se movimentaram de forma distinta. No caso da Marcopolo o urbano e o rodoviário tiveram uma queda acentuada. E o segmento realmente que despontou de forma positiva para nós foi o micro-ônibus no primeiro semestre”.
Exportações como alternativa
Para a Marcopolo a expansão internacional também pode ajudar a compensar a fraqueza do mercado brasileiro, principalmente no segmento rodoviário. O executivo citou Chile e Peru, onde a atividade de mineração continua aquecida, além de oportunidades futuras na Argentina e no México: “Olhando para o mercado, e como a oportunidade que enxergamos é realmente exportação, devemos buscar alternativas, principalmente no segmento rodoviário”.
A empresa também avalia que a valorização do real reduz a competitividade das exportações mas mantém o plano de ampliar a presença internacional: “A Marcopolo está bem posicionada, é uma empresa global, tem ônibus circulando por todos os cantos. Exportamos de forma recorrente para trinta, quarenta países todos os anos, é presença muito forte na América Latina”.
Perspectivas para 2027
Para 2027 Armaganijan espera que o Caminho da Escola, a renovação de frota, a redução dos juros e novos financiamentos contribuam para uma melhora do mercado: “Em todos os segmentos teremos alguma melhora diante do que está sendo este segundo semestre”.























