Osasco, SP – A venda de peças usadas sempre foi um negócio marginalizado no Brasil. No passado era associado, inclusive, a práticas ilegais – quem não se lembra de ouvir falar de determinada rua na Zona Sul de São Paulo que vendia peças mais baratas, de origem não muito confiável?
De uns tempos para cá, especialmente com a influência das boas práticas de economia circular, o setor se regularizou e hoje é bem organizado. Mas, segundo a Abcar, Associação Brasileira de Reciclagem Automotiva, apenas 1,5% dos 2 milhões de veículos que chegam ao fim da vida, por ano, recebem destinação adequada.
Outra estimativa da associação, que reúne mais de trezentos associados, é que R$ 14 bilhões de peças recuperáveis, por ano, são jogadas no lixo. Isto sem falar da quantidade de matéria-prima, como metais e plástico, que poderia ser devidamente reaproveitada.
Do lixo ao caixa
Além das centenas de pequenas empresas que integram a Abcar alguns grandes competidores, como a Porto e a Stellantis, enxergaram potencial no mercado de desmontagem de veículos. Peças, devidamente rastreadas e certificadas, são vendidas em plataformas como o Mercado Livre e Shopee, e já passam a aliviar o bolso do motorista que busca reposição para seu veículo.

A reportagem da AutoData Mobility foi convidada pela Stellantis para participar da desmontagem de um veículo em seu CDV, Centro de Desmontagem Veicular, em Osasco, SP. A iniciativa é pioneira – foi a segunda do mundo, depois de Mirafiori, Itália – e em um ano desmontou mais de 1 mil carros, recuperou mais de 20 mil peças e reciclou 862 toneladas de material, além de 14 mil litros de fluidos.
Estamos acostumados a visitar linhas de montagem: uma de desmontagem ainda é algo novo, e curioso. Colocar a mão na massa, então, foi desbravador.
Neste vídeo abaixo a reportagem conta um pouco mais sobre a experiência, além de conversar com Maiara Castro, vice-presidente de economia circular da Stellantis, sobre os próximos passos da iniciativa.























