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BYD tem meta de nacionalizar 50% da produção até janeiro

A partir de 35% de localização é permitido à montadora exportar veículos para o Mercosul, o que é pretendido ainda no primeiro trimestre

Camaçari, BA – O plano da BYD para garantir a competitividade no mercado brasileiro e, posteriormente, iniciar exportações para a América Latina, passa diretamente pelo adensamento da cadeia de fornecimento e consequente aumento do índice de nacionalização. A meta da fabricante é, até janeiro de 2027, atingir 50% de conteúdo local.

Foi o que afirmou Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD, ao contar que a empresa já homologou mais de quatrocentos fornecedores, sendo que 250 estão em negociação. O plano é abrigar dezessete unidades industriais parceiras dentro do próprio complexo em Camaçari.

“Nós fabricamos componentes, partes e peças, mas queremos interagir com o Sindipeças para que possamos trazer também os sistemistas e fornecedores”, dise Baldy. “Para nós é de extrema urgência que o quanto antes comecemos a produzir localmente e implantar o conteúdo local. Assim conseguiremos ser mais competitivos no Brasil e exportar para outros países. Não temos como aguardar.”

Baldy ressaltou a importância de buscar fornecedores locais, sejam da Bahia ou de outros Estados. E, com a escala, segundo ele será uma forma de estímulo para que fornecedores instalem-se na região.

Além do fornecimento externo, a unidade abriga a fabricação própria do pack de baterias e motores elétricos. Contudo a produção das células de lítio permanece 85% concentrada na China, o que mantém no horizonte o desejo corporativo de promover a transferência dessa tecnologia para o solo brasileiro. “Temos bacias e lítio no continente, mas tudo depende de decisões mais diplomáticas”, disse. “Queremos que Camaçari torne-se o Vale do Silício brasileiro.” 

Exportação para a América Latina

A localização geográfica estratégica de Camaçari e a proximidade com a infraestrutura portuária baiana situam a unidade como polo exportador de veículos elétricos e híbridos da marca na América Latina. A empresa inclusive já assumiu compromissos de fornecimento para países vizinhos, mas, antes, visa atender aos acordos bilaterais de comércio exterior.

“A Stella Li [vice-presidete executiva da BYD e CEO da BYD Américas, Europa, Oriente Médio e África] anunciou e até hoje estamos pendentes para entregar 50 mil carros para a Argentina e 50 mil carros para o México que serão fabricados aqui em Camaçari.”

O executivo citou que a marca é líder no Uruguai e a sétima na Argentina, além de estar crescendo no Chile e na Colômbia.

Com 35% de conteúdo local já é possível embarcar para países do Mercosul, porém, a ideia é, primeiro, abastecer o mercado local e, posteriormente, enviar a outros países. Baldy afirmou que a perspectiva é de que as exportações tenham início no primeiro trimestre do ano que vem.

Dentro do investimento de R$ 11,3 bilhões não está incluso aporte para adquirir o porto existente atrás da fábrica, que a Ford utilizava para exportar seus veículos. “A BYD tem total interesse no porto, nossa estratégia é nos tornarmos empresas regional que abranja não só a América do Sul como a Central e do Norte também.”

No entanto, o executivo evitou falar em valores e em negociações. 

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