Camaçari, BA – A BYD prepara-se para ingressar em um dos segmentos que mais crescem no mercado automotivo brasileiro: o das picapes intermediárias. Com lançamento previsto ainda para este ano a Mako será o primeiro veículo da empresa a nascer produzido fora de seu país de origem, direto do complexo industrial em Camaçari, BA, e com motorização híbrida plug-in flex. E a ideia é comercializar, ao longo do ano que vem, pelo menos de 15 mil a 20 mil unidades, o equivalente a 1,2 mil ou 1,6 mil emplacamentos mensais.
Foi o que projetou Henrique Antunes, diretor comercial de picapes da BYD: “Para ser oficialmente lançada e podermos iniciar a comercialização da Mako no Brasil obrigatoriamente temos de ter concluído todas as fases da produção da fábrica, porque é um carro que nasce produzido aqui no Brasil. Não tem produção de Mako na China, não tem produção de Mako em outros mercados”.
O primeiro carro chinês com sotaque baiano tem a previsão de sair das linhas de Camaçari até o fim do ano, quando a estamparia, última etapa da produção que ainda está em fase de obras, será finalizada. Sua carcaça já está em testes na unidade, tendo sido vistas portas do modelo e um veículo todo soldado, além de unidades na pintura. Em agosto, durante o Festival Interlagos, foi apresentado um protótipo do modelo, na cor amarela, cheio de fitas que remetem ao Nosso Senhor do Bonfim.
O plano da montadora é que, até janeiro, o índice de nacionalização do processo de fabricação seja de 50%. Como para exportar ao Mercosul é exigido porcentual de 35%, pelo menos, a perspectiva é também embarcar a picape para mercados da região a partir do primeiro trimestre.

A categoria das picapes intermediárias hoje representa cerca de 4% do mercado total de automóveis e comerciais leves no Brasil, amplamente dominada pela Fiat Toro, detentora de 65% das vendas da categoria. Foram emplacadas de janeiro a setembro, conforme dados da Fenabrave, quase 43 mil unidades do modelo.
O plano inclui fazer frente, ainda, à Renault Niagara, que chegará ao mercado brasileiro ainda este mês, e à Volkswagen Tukan, lançada no primeiro semestre do ano que vem, tal qual a Mako com motorização híbrida flex. Assim como à picape que a Toyota está desenvolvendo, também híbrida plug-in flex, derivada do Corolla Cross e com nome provisório de Corolla Deck, com projeção de chegar ao mercado no segundo semestre.
De acordo com Antunes o lançamento da Mako visa, ainda, preencher uma das poucas lacunas remanescentes no portfólio da BYD no País, ao mesmo tempo em que aproveita a tendência de transição de consumidores que migram de picapes compactas e médias para a categoria intermediária.
“Todas as previsões de mercado, quando se olha para o segmento de picapes, apontam que a picape compacta tende a perder fatia de mercado, como Saveiro e Strada, e o mercado da picape pequena, como chamamos, onde estão Toro, Maverick e Rampage, tende a crescer. A oferta de produtos dentro daquela faixa mercado ficará maior nos próximos dois anos.”
A Mako, cujo nome significa tubarão no idioma Maori, da Nova Zelândia, combina elementos do Song Pro, que tem motor 1.5 aspirado e hoje é montado no complexo industrial de Camaçari, e do Song Plus, com motor 1.5 turbo – que devido ao volume expressivo de importações o plano é trazê-lo para a linha baiana em breve. A autonomia total estimada da picape deverá ultrapassar 1 mil quilômetros.























