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Faltam rodas, pneus e matéria-prima para implementos rodoviários

São Paulo - As fabricantes de implementos rodoviários nacionais estão passando por um momento complicado no País, mesmo com a perspectiva de crescimento no ano, diversas empresas, principalmente do segmento de pesados, estão com equipamentos parados em suas garagens porque faltam rodas e pneus no mercado, o que também acontece com aço e alumínio, e dificulta a operação das linhas de produção, de acordo com apuração realizada pela Agência AutoData. 

São Paulo – As fabricantes de implementos rodoviários nacionais estão passando por momento complicado, mesmo com a perspectiva de crescimento no ano: diversas empresas, especialmente do segmento de pesados, estão com equipamentos parados em suas garagens porque faltam rodas e pneus no mercado, o que também acontece com aço e alumínio. Isto dificulta a operação das linhas de produção, de acordo com apuração realizada pela Agência AutoData. 

Esse é um problema que já acontecia em 2020, quando a retomada da indústria foi maior do que era esperado e deixou os fornecedores com problemas para acompanhar a demanda, depois da paralisação da produção por causa da pandemia da covid-19. Mas o problema se agravou no começo deste ano. 

Alcides Braga, CEO da Truckvan e da diretoria da Anfir, entidade que representa o setor, relatou que o preço do aço passa por variação de até 85% no mercado e que, junto com o aumento, veio a escassez. O mesmo acontece com rodas e pneus, em escala menor, mas também é considerado um problema grave para o setor, que sem esses componentes não consegue entregar seus produtos, mesmo que todos os demais problemas da cadeia estejam resolvidos:

"O aço sumiu do mercado, assim como as rodas e os pneus. Essa é uma luta diária: estamos brigando para conseguir manter as linhas de produção abastecidas, mas está muito difícil".

A 4Truck sofreu com o aumento ainda maior no preço do aço, que no começo de 2020 estava em torno de R$ 4 o quilo e, agora, já chega a R$ 9, segundo seu CEO, Osmar Oliveira, que também relatou a dificuldade de encontrá-lo no mercado, pois a produção está em ritmo menor e a competição externa é um entrave relevante.

A falta de rodas e pneus no mercado também foi citada por Oliveira, que acrescentou mais alguns itens como embalagens, vidros e plásticos, e contou fato curioso: "Já chegamos a receber caminhões que estão saindo de fábrica sem a roda interna do eixo traseiro, usando apenas a roda externa. Os compradores estão recebendo o caminhão assim porque é como podiam entregar. Depois ele vai ter que correr atrás dessa segunda roda e do pneu".

O aço é a principal matéria-prima para produção de rodas para pesados e a sua escassez justifica a baixa oferta desse componente. A falta do aço, segundo os implementadores, ocorreu por causa da paralisação da produção de diversos setores durante a pandemia: diante desse cenário as siderúrgicas decidiram abafar 40% dos seus fornos e, quando a retomada começou, forte, elas não conseguiram acompanhar a demanda porque o religamento dos fornos demora, não é imediato.

Braga, da Truckvan, disse que esse problema trouxe diversas incertezas para o setor, como o tempo em que será solucionado: "Se a falta do aço for, realmente, por causa do abafamento dos fornos, a expectativa é a de que comece a melhorar porque as usinas prometeram a retomada desses fornos em janeiro. Mas é um gargalo atual da indústria que continuará afetando o setor nos próximos meses". 

A competição com a demanda de mercados externos também é um ponto que preocupa, porque os fornecedores nacionais querem aproveitar o bom momento para exportar e recuperar suas margens de lucro, mas isso pressiona as fabricantes nacionais e eleva o custo da matéria-prima, que deverá sofrer mais um ou dois reajustes durante o primeiro semestre. 
 

Fotos: Divulgação.

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