São Paulo — A indústria brasileira de motocicletas encerrou o primeiro semestre de 2026 com crescimento em produção, vendas, exportações e faturamento: as empresas fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus, AM, produziram 1 milhão 63 mil 397 unidades, alta de 6,3% sobre igual período de 2025.
O resultado levou o setor a atingir a marca histórica de 40 milhões de motocicletas fabricadas desde o início das operações na região.
A Abraciclo manteve a projeção de produzir 2 milhões e 70 mil unidades este ano. Segundo o presidente Marcos Bento o resultado reforça o peso da indústria instalada em Manaus, que atualmente reúne capacidade produtiva estimada em 2,1 milhões de motocicletas por ano: “O número é importante para a indústria brasileira e para o Polo Industrial de Manaus, que hoje gera quase 22 mil empregos diretos e mais de 154 mil postos de trabalho no Brasil”.
O mercado também apresentou forte crescimento nas compras: os emplacamentos somaram 1 milhão 174 mil 344 motocicletas, avanço de 14,1% e recorde para o período.
O faturamento acompanhou este movimento: as fabricantes registraram receita de R$ 16,5 bilhões no período, crescimento de 11,5% sobre os R$ 14,8 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.
Alta cilindrada impulsiona faturamento
Para Marcos Bento o avanço do faturamento foi impulsionado principalmente pelo maior peso das motocicletas de média e alta cilindrada: “O principal fator foi o mix de produtos. O segmento de média e alta cilindrada tem registrado crescimento, com produtos de maior valor agregado”.
Embora as motocicletas de até 160 cm³ de cilindrada respondam por 78,2% da produção nacional os modelos acima de 450 cm³ de cilindrada registraram o maior avanço, com crescimento de 37,4%.
“O cliente começa na cilindrada de entrada, vai para a média cilindrada e passa a procurar produtos com mais tecnologia e maior valor agregado. Além disso tivemos um número expressivo de lançamentos, oferecendo mais opções ao consumidor.”
A categoria Street permaneceu líder, com participação de 51,1% da produção, seguida por Trail, 20%, Motoneta, 12,9%, e Scooter, 9,4%. Os maiores crescimentos, contudo, ocorreram nos segmentos de maior valor agregado, como Naked, 63,2%, Big Trail, 41,5%, Off-Road, 36,9%, e Touring, 125%.

Outro destaque foi a tecnologia flex: são flex 62,5% das motocicletas produzidas no País:” A tecnologia flex é uma tecnologia brasileira, criada para a economia de combustível utilizando combustível renovável. Este patamar mostra que a indústria continua acreditando nela e que existe espaço para crescer”.
Exportações aceleram no semestre
As exportações também aceleraram no primeiro semestre. Aumentaram 29,4%, para 24 mil 84 motocicletas, puxadas principalmente pela demanda da Argentina, responsável por 41,9% do total exportado, seguida por Estados Unidos com 19,7% e Colômbia com 4,8%.
Apesar dos resultados positivos Bento notou que a indústria acompanha fatores que podem afetar o desempenho da segunda metade do ano: “A motocicleta continua sendo um produto atrativo pelo custo de aquisição, pelo consumo e pela facilidade de locomoção. O crescimento do delivery e a entrada do público feminino reforçam esta tendência. Ao mesmo tempo o que mais preocupa são fatores que não conseguimos controlar, como questões climáticas, logística, guerras e políticas protecionistas”.
Mesmo diante desse cenário a Abraciclo decidiu manter a projeção de produzir 2 milhões 70 mil motocicletas em 2026, volume 4,5% superior ao de 2025: “Temos um desafio importante pela frente. Precisamos produzir mais de 1 milhão de motocicletas no segundo semestre e acreditamos que o mercado continuará positivo e que atingiremos esta meta”.













