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Futuro da Peugeot e da Citröen no Brasil passa por complemento à linha Fiat

Dentre as opções de reestruturação para as marcas francesas da Stellantis está a possibilidade de, no futuro, produzir modelos da parceira chinesa Dongfeng

Belo Horizonte, MG – No momento da sua criação, em 2021, a Stellantis tinha muitos planos para suas marcas francesas no Brasil. Coube a Antonio Filosa, então presidente para a América do Sul e hoje CEO global, calibrar projetos de sinergias para fazer uma virada de chave, como classificou à época, e levar as duas marcas, combinadas, a dois dígitos de participação no mercado nacional.

A meta nunca foi alcançada. Agora Herlander Zola, o atual presidente para a região, trabalha em um reposicionamento: a Peugeot em um nicho acima do portfólio da Fiat e a Citroën abaixo: “Prefiro vender pouco, mas com equilibro e sem perdas, do que vender muito e perder”.

Durante conversa com jornalistas às vésperas dos 50 anos da Fiat no Brasil, comemorado em 9 de julho, Zola reconheceu que o plano inicial para as marcas francesas não deu certo. E que a partir de agora está na mesa uma série de opções que levarão Peugeot e Citroën a um patamar mais realista no mercado nacional e na América do Sul.

Está claro que não haverá competição e sobreposição de produtos das marcas francesas com a Fiat, a mais importante da Stellantis na região. A ideia de Zola é que Peugeot e Citroën funcionem “de maneira complementar àquilo que temos com a Fiat”.

Isto deve implicar em redução de concessionárias Peugeot e Citroën que “já está discutida com a própria rede”. Zola afirmou que os planos são compartilhados e que seus concessionários têm total liberdade para escolher as bandeiras que desejam operar.

Os dois conceitos apresentados no Salão de Pequim já estão confirmados na parceria com a Dongfeng. Fotos: Leandro Alves.
Parceria com a Dongfeng

Ainda é muito cedo para saber qual o impacto da recente renovação da parceria da Stellantis com a chinesa Dongfeng na China e na Europa. Na Ásia a joint-venture DPCA, Dongfeng, Peugeot Citroën Automobile, que teve início em 1992, recebeu aporte de US$ 1,2 bilhão para a produção de veículos eletrificados a partir de 2027.

Zola confirmou que dois produtos eletrificados de nova geração da Peugeot para a China estão confirmados: “Os conceitos foram apresentados no Salão de Pequim”.

E um dos dois Jeep que serão produzidos em Wuhan, a sede da DPCA, também já está confirmado. Este projeto é importante para a Jeep porque marca seu retorno ao mercado chinês depois do fim da joint-venture com a GAC, em 2022. Todos esses produtos nascerão globais e poderão ser exportados para outros mercados, como o Brasil.

Na Europa Stellantis e Dongfeng assinaram um memorando para a criação de uma nova empresa, com 51% do grupo ocidental e 49% dos chineses, com o objetivo inicial de gerenciar vendas, distribuição, engenharia e compras dos veículos eletrificados da Dongfeng em solo europeu, focando inicialmente na importação de modelos da marca premium de elétricos Voyah. Também estão avaliando o potencial de produção de veículos Dongfeng na fábrica da Stellantis em Rennes, França.

Durante a conversa com os jornalistas Zola afirmou que tem participado dos diálogos a respeito da construção dessa nova parceria: “A conversa com eles, óbvio, envolve planos de cooperação para a América do Sul”. Eles abordam especificamente planos para países em que a Dongfeng já estava presente, como o Chile, e têm abertura para “conversar sobre os planos que têm para o Brasil”.

Estas conversas, que começaram recentemente, podem evoluir para uma contribuição mais ampla, até com cooperação no desenvolvimento de produtos. Zola está confiante nos próximos passos: “É a partir daí que vamos construindo a segurança para afirmar que nascerão produtos desta parceria com a Dongfeng que darão, sem nenhuma dúvida, a possibilidade de ganhar competitividade e de posicionar Peugeot e Citroën de um jeito diferente”.

Questionados pelos jornalistas o executivo disse que “objetivamente, podemos ter um Citroën ou um Peugeot no mercado brasileiro, originalmente concebido pela parceria. Não tem tempo, não é amanhã não é depois de amanhã, mas é, sobre o ponto de vista futuro, o caminho que vamos perseguir para reposicionar estas duas marcas”.

Dentre as incertezas sobre o que poderá acontecer está a parceria da Dongfeng com a Nissan, que também, especula-se, poderia ocupar a capacidade ociosa da sua fábrica em Resende, RJ.

Por isto Zola, mesmo otimista, acredita que qualquer intenção para convergir os interesses com novos parceiros não acontecerá de imediato. Sobre as negociações da Dongfeng com sua parceira japonesa uma coisa é certa: “Ou os chineses terão um acordo com a Stellantis ou com a Nissan. As duas coisas não será possível na região”.

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