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Mercado de máquinas agrícolas deverá andar de lado em 2026, diz Anfavea

Fatores que afetaram o mercado em 2025 continuarão no ano que vem, dificultando o crescimento
SAO PAULO/ SP, BRASIL, 28/04/2025: Retrato de Igor Calvet, presidente da Anfavea (associa‹o das montadoras), na sede da Anfavea no complexo Berrini One. Foto: Divulga‹o/Anfavea

São Paulo – As vendas de máquinas agrícolas deverão andar de lado no Brasil em 2026. A expectativa do presidente executivo da Anfavea, Igot Calvet, é de que será um ano desafiador para o segmento. Ele disse não haver variáveis que apontem para um forte crescimento no ano que vem, pois os custos dos agricultores aumentaram e, mesmo com a safra boa prevista para 2026, os produtores estão adiando os investimentos em novos equipamentos por causa da rentabilidade menor diante da baixa no preço das commodities:

“Os juros também não devem mudar no primeiro trimestre. A expectativa é de um primeiro corte do Banco Central nos juros até março e o mercado precisaria de seis a sete meses para começar a sentir os efeitos, sem esquecer das instabilidades que podem existir por causa das eleições”.

O avanço das máquinas procedentes de países da Ásia também incomoda as fabricantes nacionais e pode dificultar o desempenho no ano que vem. Atualmente elas já consomem uma parte das vendas, principalmente em licitações públicas, por causa dos preços menores e financiamentos competitivos. Mas o custo é maior quando alguma manutenção é necessária, pois falta estrutura de pós-venda: “Em alguns casos existem tratores que ficam meses parados porque não tem a tampa do tanque de combustível disponível para troca”.

Balanço

As vendas de tratores e colheitadeiras no varejo somaram 43,1 mil unidades de janeiro a outubro, leve queda de 0,7% na comparação com iguais meses do ano passado. Além dos números menores outro fator mostra a redução de apetite dos produtores rurais, que é a disponibilidade de recursos do Moderfrota em dezembro, algo que não ocorreu nos últimos anos, quando o valor já tinha sido esgotado.

As vendas no atacado, das fábricas para a rede, chegaram a 47,6 mil máquinas, volume 18,4% maior na mesma base comparativa: “Esse crescimento no atacado aconteceu sobre uma base baixa de 2024, por isto o avanço porcentual foi grande. A rede está com um estoque grande atualmente e um volume relevante é de tratores de baixa potência, que geram pouca rentabilidade”.

As exportações avançaram 0,4% de janeiro a outubro, somando 5,2 mil máquinas. Para o ano que vem a expectativa do presidente Calvet é de desempenho parecido com o de 2025, mas existe espaço para crescer na América Latina e na África, onde novos mercados podem ser abertos.

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