O retorno dos caminhões Ford Série F ao mercado brasileiro garantiu à Eaton, fabricante de sistemas de powertrain, um 2015 menos complicado. A empresa fornece a transmissão FSO 4505, que equipa os modelos F-350 e F-4000 – incluindo a versão 4×4 –, que juntos somaram 2,5 mil emplacamentos de janeiro a agosto.
“O mercado caiu 40% no geral, mas a Eaton registrou uma queda menor graças à Série F”, disse Ricardo Dantas, diretor de marketing da companhia. Segundo o executivo o mercado de veículos comerciais sofre mais com a crise econômica do País, porque não há demanda nem por modelos zero quilômetro, nem para peças de reposição:
“A frota está ociosa, então não há manutenção. É diferente do segmento de carros de passageiros, em que o cliente não compra um novo, mas conserta o usado”.
Outro canal que tem ajudado muitas fabricantes de autopeças, as exportações, também não resolveu o problema da Eaton, ao menos no curto prazo. Dantas explicou que houve melhora em algumas linhas do aftermarket: “Mas em componentes do powertrain, por exemplo, não costuma ser tão rápido. Os contratos que ganhamos agora só vão gerar lucro daqui a dois anos”.
De todo modo, Dantas concorda que o momento é favorável para as fabricantes brasileiras mirarem o mercado externo. O dólar valorizado ajudou a melhorar a competitividade do produto nacional. “Já fomos competitivos com o dólar na casa dos R$ 3, e agora chegou aos R$ 4. É uma hora boa para exportar”.
O executivo avalia, porém, que a fase do dólar no patamar de R$ 4 deverá ser passageira. Ele calcula que a moeda deverá cair e se estabilizar na casa dos R$ 3. “O que lamento é que o Brasil só é competitivo por causa da taxa cambial. Nós não somos eficientes”.
Dantas projeta um 2016 parecido com 2015 em volumes. Se o resultado não é animador, ao menos indica melhor previsibilidade, algo que pode melhorar o planejamento das empresas e a confiança do consumidor e do investidor. “Mas em 2017 as coisas deverão começar a melhorar”.
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