A PSA Peugeot Citroën deu novo e importante passo em sua estratégia de recuperação global ao anunciar na terça-feira, 5, o plano Push to Pass, espécie de segunda fase do programa originalmente denominado Back to Race. No Brasil, de forma simbólica, a estratégia coincidiu com o lançamento do novo Peugeot 208 em Fortaleza, CE – o modelo ganhou novas versões e motor com tecnologia downsizing.
No Mercosul a face mais visível do Push to Pass será a confirmação de plano já em andamento que desembocará em apenas uma plataforma produzida tanto no Brasil quanto na Argentina, e a redução pela metade do número de fornecedores, que cairá dos atuais quatrocentos para duzentos, segundo revelou à Agência AutoData o presidente para o Brasil e América Latina do Grupo, Carlos Gomes.
“O total de plataformas produzidas na região cairá de cinco para uma e com isso é natural que também ocorra uma redução na base de fornecedores” – um processo que outras fabricantes no Brasil também estão adotando com fervor. “A fase de redução de custos de fabricação não terminou com a conclusão antecipada do Back in the Race: é algo que ainda perseguimos, que sempre terá evoluções.”
O Back in the Race trouxe a região da América Latina à lucratividade em 2015 após 15 anos no vermelho, ainda que o Brasil seja exceção neste quadro e Gomes não veja melhorias imediatas: “Acredito que a recuperação do mercado brasileiro ainda levará pelo menos dois anos”.
Fato é que as metas do plano originalmente previstas para 2017 foram alcançadas dois anos antes e o Push to Pass – alusão a um sistema utilizado por pilotos em competições automobilísticas que oferece ganho extra de potência, facilitando a ultrapassagem – prevê ações até 2021.
Para a América Latina estão previstos 16 lançamentos até lá.
Um dos pilares é promover uma verdadeira revolução na essência da companhia, que, segundo o plano, “passará de um grupo industrial para um grupo de análise de dados”. Ou seja: a PSA quer se preparar – ou se adiantar – a um uso diferenciado do automóvel, envolvendo tecnologias autônomas, compartilhamento de uso e de propriedade e assemelhados.
Para Carlos Tavares, CEO global, a PSA se tornará “uma montadora de automóveis mundial na ponta da eficiência, fornecedora de serviços de mobilidade de referência”.
O Push to Pass estipula globalmente lançamento de 26 veículos de passeio e oito utilitários – incluindo uma picape com capacidade para uma tonelada –, o que segundo a PSA representará “um novo veículo por região, por marca e por ano”. Há ainda estimativa de chegada ao mercado de sete veículos híbridos recarregáveis e quatro veículos elétricos, além de programa de veículos conectados e autônomos.
Um claro sinal dos novos tempos reside na parte do plano que alterou até o nome da empresa: a denominação PSA Peugeot Citroën, utilizada há 25 anos, passou a simplesmente Grupo PSA. O novo logotipo – no qual as tradicionais cores azul e vermelha, associação à bandeira francesa, foram substituídas por um único tom de azul escuro – foi desenvolvido pelo Peugeot Design Lab, estúdio que oferece serviços para empresas de outros segmentos além do automotivo.
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