AutoData - Honda: sem fábrica nova e com vendas 20% menores em 2016.
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16/05/2016

Honda: sem fábrica nova e com vendas 20% menores em 2016.

Por Michele Loureiro

- 16/05/2016

Em 2015 o lançamento do utilitário esportivo compacto HR-V fez a Honda se descolar da queda de 25% na venda estrutural de veículos e alavancou seus resultados em 11%. Este ano, porém, nenhum milagre deve ser capaz de impedir a queda nas vendas e segundo Roberto Akiyama, vice-presidente da Honda Automóveis do Brasil, a previsão é de retração de 20%.

A Honda foi uma das cinco montadoras que cresceu em 2015. A que atribui os bons números?
Inauguramos um novo segmento na Honda com o lançamento do HR-V. O utilitário esportivo compacto foi muito bem recebido e respondeu por um terço das nossas vendas em 2015. Além disso tivemos o lançamento das novas versões dos modelos Fit e City. Nosso portfólio sem dúvida contribuiu para que escapássemos da queda geral de 25% do mercado de veículos.

Essa tendência continua este ano? A empresa deve escapar de uma nova retração?
Não. Infelizmente prevemos uma queda de 20% nas nossas vendas em 2016, para cerca de 125 mil veículos. Aproximadamente 13% da retração deve vir em decorrência da situação do mercado, que vive um compasso de espera com a crise de confiança do consumidor. A outra parcela da queda é responsabilidade nossa, por causa do lançamento do novo Civic, que começará a ser fabricado em Sumaré no segundo semestre. É normal que em momentos de renovação da linha haja uma queda na produção para a adaptação da linha de montagem. Em 2015 comercializamos 31 mil unidades do Civic e para este ano, modelo antigo e o novo, prevemos vender 20 mil.

A Honda suspendeu a inauguração da fábrica de Itirapina, no Interior de São Paulo. Por que a empresa tomou essa decisão?
A unidade de Itirapina dobraria nossa capacidade de produção no Brasil, para 240 mil veículos por ano, com um investimento de R$ 1 bilhão. Ela seria responsável por desafogar a produção de Sumaré e ampliar a capacidade de produção de modelos como o HR-V. No entanto a inauguração, que estava prevista para o primeiro semestre deste ano, já não tem mais data para ser realizada. Só faremos isso quando o mercado sinalizar uma recuperação. Já está tudo pronto, mas não contratamos os funcionários, que devem somar 2 mil, para não termos de lidar com questões de ajustes de mão de obra, como lay-off e férias coletivas. Optamos por esperar para não inflar nossos estoques de maneira artificial, forçar a rede de concessionárias a fazer promoções e acabar reduzindo o valor do produto de quem já comprou um carro nosso.

O que esperar do mercado brasileiro em 2016?
Acompanhamos a projeção da Anfavea e prevemos um mercado de 2,3 milhões de unidades, em queda de 7,5%. Voltaremos ao patamar de 2007. Temos uma capacidade ociosa média de 50%, e isso não é bom. O mercado brasileiro vive uma crise de confiança com a instabilidade política e econômica.

As exportações podem ser um alento?
Nós somos responsáveis pelo abastecimento da América do Sul. Com a mudança de governo na Argentina as negociações estão avançando rapidamente e acredito que logo tenhamos bons acordos. Atualmente nossa remessa é de 2 mil veículos por mês, mas há potencial para ampliar muito esse número. Estamos otimistas.

Como está o desempenho global da Honda?
Mercados como China e Estados Unidos estão crescendo muito. As demais regiões estão moderadas, mas sem grandes sustos. A América do Sul, por causa do Brasil, é o maior ponto de atenção da Honda nesse momento. Precisamos convencer a matriz de que nosso mercado é cíclico e logo voltará a crescer, por isso não cancelamos nenhum investimento de longo prazo e em novas tecnologias.


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